Carta de Notícias nº 3 – outono 2004

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Instituição Cultural Krishnamurti

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Carta de Notícias nº 4 – inverno 2004

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Instituição Cultural Krishnamurti

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Inverno 2004 - n o 4 - Ano II *

A Carta de Notícias é um boletim trimestral, em formato eletrônico, editado pela Instituição Cultural Krishnamurti e distribuído gratuitamente, por email, aos que se cadastrarem no seu website www.krishnamurti.org.br. Além de levar notícias da ICK aos seus colaboradores e simpatizantes dispersos na vastidão geográfica de língua portuguesa, a Carta de Notícias procurará também, a exemplo do que fez durante décadas a versão impressa, difundir um pouco dos ensinamentos de J. Krishnamurti, razão de ser da Instituição.
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Gilberto Fugimoto
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CONSELHO FISCAL
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RUA DOS ANDRADAS, 29 - SALA 1007
20051-000 - RIO DE JANEIRO - RJ
TEL. / FAX: (21) 2232-2646


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Editorial

A ICK tem recebido muitas consultas de estudiosos dos ensinamentos de Krishnamurti procurando obter da instituição alguma interpretação sobre os complexos assuntos por ele abordados.

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Carta de Notícias nº 5 – primavera 2004

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Primavera 2004 - n o 5 - Ano II *

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Atendendo a um apelo feito na última Carta de Notícias, várias pessoas se ofereceram como voluntárias para trabalhos de tradução, digitalização e revisão de textos. O número de inscritos supera as nossas necessidades imediatas, o que nos deixa na confortável situação de sabermos que, numa eventualidade, podemos contar com ajuda extraordinária. A todos o nosso agradecimento.

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Carta de Notícias nº 6 – verão 2005

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Verão 2005 - n o 6 - Ano III *

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Neste ano comemoramos o septuagésimo aniversário da nossa instituição. Durante todos esses anos, a ICK tem-se dedicado à divulgação, no Brasil, dos ensinamentos de Krishnamurti, contando, para tanto, com pequenas fontes de receitas. Essas fontes consistem basicamente de direitos autorais dos livros, venda de fitas e CD's de audio ou vídeo e eventuais doações.

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Porque nos magoamos

Na mesma varanda, com o perfume do jasmim e a flor vermelha da árvore alta, havia um grupo de moças e rapazes, de rostos brilhantes e aparência extraordinamente jovial. Um dos membros do grupo perguntou: I – Alguma vez você fica magoado, senhor? K – Fisicamente, você quer dizer? I – Não é bem isso. Não sei como expressá-lo em palavras, mas sentimos em nosso íntimo que as pessoas podem nos causar mal, ferir-nos, fazer-nos infelizes. Alguém diz qualquer coisa e nós nos encolhemos. Refiro-me a isso quando falo em nos magoar. Todos nos magoamos uns aos outros desse jeito. Alguns o fazem deliberadamente, outros sem o saber. Por que ficamos magoados? É tão desagradável!

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Trecho selecionado do livro “O Vôo da Águia” (p. 36-45)

MEDITAÇÃO

O Significado da "Busca"; problemas atinentes à prática (adestramento) e ao controle; natureza do silêncio.

Desejo falar a respeito de um assunto que se me afigura de suma importância; compreendendo-o, ficaremos, talvez, habilitados a alcançar, por nós mesmos, um percebimento total da vida e, portanto, a agir de maneira completa, livres e felizes.

Andamos sempre a buscar uma certa coisa misteriosa, porque nos vemos insatisfeitos com a vida que estamos levando, com a superficialidade de nossas atividades, tão pouco expressivas, às quais, entretanto, queremos dar significação e sentido; mas esta é uma atividade do intelecto e, por conseguinte, será sempre superficial, ilusória, e, por fim, sem nenhum significado. Todavia, sabendo de tudo isso - sabendo que nossos prazeres são efêmeros e nossas atividades diárias mera rotina; sabendo também que nossos problemas - tantos deles - talvez nunca possam ser resolvidos; e já descrentes de tudo, sem fé nos valores tradicionais, nos instrutores, nos gurus, nas sanções da Igreja e da sociedade - continuamos, a maioria de nós, a tatear, a buscar alguma coisa de real valia, incontaminada pelo pensamento, um certo estado extraordinário, de real beleza e êxtase. A maioria de nós, parece-me, deseja descobrir algo que seja duradouro, que não possa corromper-se facilmente. Esquecendo a realidade objetiva, entregamo-nos - sem emoção ou sentimentalismo - a esse profundo ansiar, essa profunda inquirição, que porventura nos dará acesso a uma realidade não mensurável pelo pensamento e que não cabe em nenhuma categoria de fé ou de crença. Mas, tem o buscar alguma significação?

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Trecho selecionado do livro “A Questão do Impossível” (p. 60-66)

A ATIVIDADE MECÂNICA DO PENSAMENTO

"A mente que compreendeu o inteiro movimento do pensamento torna-se sobremodo quieta, absolutamente silenciosa."

Estivemos falando sobre a importância do pensamento e ao mesmo tempo de sua não importância; de como o pensamento é capaz de enorme atividade e, dentro de seu próprio campo, só tem liberdade limitada. Falamos também acerca de um estado mental totalmente descondicionado. Nesta manhã, podemos considerar esta questão do condicionamento - não apenas o condicionamento cultural, superficial, mas também considerar porque há condicionamento. Podemos investigar a natureza da mente não condicionada, da mente que transcendeu todo condicionamento. Cumpre-nos penetrar bem fundo nesta questão, a fim de descobrirmos o que é o amor. E, compreendendo o que é o amor, estaremos aptos a compreender a pleno o significado da morte.

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Trecho selecionado do livro “Onde Está a Bem-aventurança” (p. 118-122)

Peço-vos, portanto, não aceiteis o que este orador está dizendo, mas, sim, vos sirvais dele como um espelho, no qual vos vedes refletidos tais como sois. Isso pode ser um tanto assustador, mas é necessário vos verdes realmente nesse espelho, a fim de descobrirdes o verdadeiro, sem ser conforme alguma opinião, ou segundo a experiência ou a teoria de outrem. Estamos considerando a questão das relações, questão sumamente importante, porquanto a vida, em todos os seus aspectos, é relação; a vida cessa quando não há relação. O monge que se retira para urna caverna solitária, ou uma cela, ou o que quer que seja, continua a estar em relação, ainda que não pareça. Pode estar em relação com uma idéia, um conceito, uma fórmula; ele continua num estado de relação. E "estar em relação" significa estar ativo no presente, pois de outro modo não há relação. Para a maioria de nós, "relações" significa lembranças de prazeres ou dores acumuladas nas relações com outra pessoa - nas relações entre marido e mulher, entre os filhos, etc. Assim, todas as nossas relações - se as observamos bem - baseiam-se numa imagem. E a imagem é o passado; pode-se-lhe tirar ou acrescentar alguma coisa, mas, no âmago, ela é sempre o passado. Podeis ver muito facilmente como se forma essa relação, essa imagem. Não há necessidade de examinar isso, porquanto o seu mecanismo é bastante óbvio: o pensamento, remoendo o insulto, o prazer, as exigências e apetites sexuais e sua satisfação, etc., formou, a pouco e pouco, essa imagem de prazer e de dor que constitui a essência de todas as relações, sejam as relações entre o homem e a mulher, sejam as relações entre o indivíduo e a comunidade ou entre a comunidade e a nação ou o mundo. Assim, quando se está examinando esta questão das relações, torna-se naturalmente necessário compreender, por inteiro, o processo do pensar. Existe uma relação verdadeira no amor, tal como o conhecemos? No amor, que lugar cabe ao pensamento? Existe amor, se existe pensamento?

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Trecho selecionado do livro “O Novo Ente Humano” (p. 82-90)

Autoconhecimento não significa acumular conhecimentos sobre si próprio; significa observar a si próprio. Se aprendo acumulando conhecimentos, nada aprendo a respeito de mim mesmo. Há duas maneiras de aprender. A primeira é aprender acumulando conhecimentos c, com eles, observar; isto é, observar através do crivo do passado. Observo-me, tenho experiências, acumulo conhecimentos derivados dessas experiências; olho-me através dessas experiências, isto é, olho-me mediante o passado. Essa é uma das maneiras de aprender. A outra maneira é observar o movimento de todos os pensamentos, de todos os "motivos", e jamais acumular. Por conseguinte, este aprender é um processo constante.

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Trecho selecionado do livro “A Essência da Maturidade” (p. 16-19)

A questão, pois, é se há possibilidade de ver a coisa em seu todo imediatamente, e com esse ato de ver pôr-lhe fim.

Vê-se de maneira total, quando o problema é suficientemente urgente, não só para a própria pessoa, mas também para o mundo. Há guerra, externamente, e há guerra internamente, dentro de cada um de nós; é possível acabarmos com ela de imediato, voltarmos-lhe as costas, psicologicamente? Ninguém pode responder a esta pergunta senão vós mesmo - isto é, quando a ela respondeis sem dependerdes de nenhuma autoridade, de quaisquer conceitos intelectuais ou emocionais, quaisquer fórmulas ou ideologias. Mas, como dissemos, isso exige muita seriedade e séria observação - observação, quando estais sentado num ônibus, de tudo o que vos cerca; observação daquilo que está diante de vós mesmo, a mover-se, a transformar-se; observação, sem motivo algum, de todas as coisas tais como são. O que é tem muito mais importância do que o que deveria ser. Como resultado desse zelo, dessa atenção, talvez venhamos a saber o que é amar.

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