Iniciativa, autor da Seleta

Foi a presente Coletânea realizada aos poucos, num período de doze anos, sendo onze dedicados a pesquisa e reunião de dados, e um à organização, acabamento e revisão. Aqui expressamos a nossa profunda gratidão e admiração pelo abnegado e desinteressado esforço de vários companheiros, todos de elevado nível, que durante três meses nos ajudaram na conferência dos excertos integrantes de cada um dos 136 capítulos, com os respectivos livros e páginas, e na revisão de sinais convencionais e tipográfica. Também aos que trabalharam nos serviços de composição, impressão e acabamento. Sem isso não teria sido possível a publicação imediata deste livro.

Representa esta Seleta a tentativa de uma visão global, por amostragem, dos ensinamentos de Krishnamurti. São eles de uma extensão e profundidade tais, que se torna difícil, senão impossível, uma síntese perfeita. Por isso, não prescinde ela da consulta aos livros do autor, também para se ver o que precede e sucede aos textos reproduzidos. Tendo-se resolvido editá-la com brevidade, dada a crise social, financeira, a crescente elevação dos preços, deixou-se de melhorá-la em detalhes, sendo publicada no estado. Foi exaustiva a sua elaboração, mais ainda a conclusão e a revisão geral, em ritmo acelerado.

Quando uma pessoa revela interesse por um livro, é natural que deseje saber as credenciais do autor, a fim de poder avaliar a capacidade, o acesso às fontes, a orientação, a seriedade da obra. Costumamos também proceder assim. Mas, adotando os ensinamentos de Krishnamurti, nos sentimos de certo modo constrangido. Ele recomenda que, para se dissolver o “eu” (que quer ser alguém, projetar-se com sua auto-imagem), devemos manter a atitude de não saber, ser nada, ninguém, o anonimato.

O reconhecimento da importância própria é outro fator importante. Sócrates elogiou a ignorância, Platão também; o Cardeal Nicolau de Cusa, com sua obra “A Douta Ignorância”, se tornou figura proeminente. Mas Krishnamurti, com os dados constantes de vários dos capítulos adiante, desprezando os títulos, as distinções, a erudição da mente computadorizada, e elogiando o saber real, não condicionado, ligado ao autoconhecimento, ultrapassou a todos. Se já pertencíamos ao clube, mais fortalecido ficamos nele.

Atendendo ao dever aludido, nos limitaremos a referências de atuações específicas, literárias e funções, exercidas. Possibilitou a realização desta Obra a nossa condição de aposentado do Ministério da Educação e Cultura, onde por mais de 25 anos nos dedicamos ao Setor de Ensino Superior. Publicou o MEC os volumes que produzimos, sob o título “Ensino Superior no Brasil – Legislação e Jurisprudência Federais”, que, com as atualizações, atingiram 8 volumes de 600 a 800 páginas cada um. Cabia-nos também a função de fiscalização de faculdades, e estudo de recursos, de processos de autorização e reconhecimentos, etc.

Marcado pelo signo de Peixes, com ascendente em Libra, atuamos no campo do Direito (Administrativo e correlacionados – Constitucional, Civil, Penal, Trabalhista), que figuraram de nosso concurso para ingresso em cargo de nível superior no Serviço Público. Começamos a servir na Presidência da República, DASP, e depois passamos para o MEC, submetendo-nos a concurso de títulos para o preenchimento de vagas disponíveis em carreira especializada, ramo do ensino superior. Integramos 12 comissões de inquérito e especiais, por designação do Sr. Ministro de Estado, do Departamento de Assuntos Universitários e do Conselho Federal de Educação.

É interessante como atua o “destino”; se a pessoa dele escapa, de alguma forma, é por ele guindado de outra. Em 1945, nosso então amigo Francisco de Assis Grieco (hoje embaixador) insistiu, repetidamente, para que efetuássemos a inscrição no concurso para diplomata, promovido pelo DASP (não havia o Instituto Rio Branco, criado em 1949) – e o concurso realizou-se um ano depois – tendo em vista o estudo conjunto, troca de conhecimentos. Preferimos, no entanto, manter-nos no cargo de carreira em que estávamos, de nível assemelhado. Porém, mais tarde, convidado, durante seis anos prestamos serviços de assessoria ao Ministério das Relações Exteriores, Departamento Cultural, inicialmente sob a chefia do Ministro Scarabotolo.

Tendo nascido em dia, mês e ano em que coincidem duas datas nacionais, disseram-nos alguns astrólogos que nosso dharma estava ligado aos destinos do Brasil. Talvez por isso, dever de funções, freqüentamos durante 25 anos não só os Tribunais Federais como a Câmara de Deputados e o Senado Federal, redigindo numerosos projetos e emendas para congressistas amigos e também para Ministros.

Há 50 anos ingressamos na Sociedade Teosófica no Brasil (sucursal da The Theosophical Society, de Adyar, Madrasta, Índia). Desde 1944 realizamos palestras na Instituição e, convidado, em outras. Além do aprofundamento na respectiva literatura, de longa data procuramos acompanhar os progressos da ciência, incluindo a psicanálise. Militamos também no jornalismo, integrando os quadros da Associação Brasileira de Imprensa e da Ordem Internacional dos Jornalistas.

Desde cedo compreendemos que se vive numa época de exceção, e por isso evitamos maior envolvimento com assuntos mundanos, para nos dedicarmos aos espirituais e correlacionados. Estudamos as predições para os nossos tempos, e escrevemos “Até 2.000… – Profecias Comparadas” (1976, 488 páginas). Além dos vaticínios sociais, tomamos conhecimento das previsões no campo científico (terremotos, vulcões, degelo dos pólos, fenômenos no sol, lua, inversão da polaridade, etc.) Com relação, reunimos dados de centenas de livros, também da literatura científica vinculada, chegando a elaborar um esboço de livro.

Por vários anos servimos na Universidade do Brasil (atual Federal do Rio de Janeiro), requisitado para o exercício de função gratificada, de assessoria, chefia de gabinete, retornando posteriormente ao MEC. Aproveitamos a oportunidade para consultar grande número de livros de suas bibliotecas.

Reunimos excertos espiritualistas das obras filosóficas desde os pré-socráticos, até hoje, e também das teológicas e místicas de valor, sem esquecer as Escrituras hindus, budistas e demais religiões, visando à elaboração de uma “Universália Espiritualista”. O material coletado encontra-se em 4 grossos volumes, mas não há tempo nem condição de prosseguir o empreendimento.

Isto em virtude de crises sociais crescentes e dos anos que restam para que graves ocorrências, anunciadas por previsões, confirmadas por Krishnamurti, atinjam o nosso planeta. Com múltiplas atividades, reconhecemos a prioridade de se atender à demanda do elevado número de pessoas que, ultimamente, têm demonstrado grande interesse pelos conhecimentos espirituais. Também por esse motivo, absorvido por vários encargos e sem tempo disponível, deixamos de aceitar convite para ingresso na Academia Interamericana de Letras, renovando aqui nosso agradecimento ao seu ilustre Presidente.

Para a obra “Impacto de Krishnamurti”, escrevemos, em 1986, o capítulo sobre o Brasil, a pedido do coordenador da mesma, D. Salvador Sendra, Secretário Geral da Fundação Krishnamurti Hispanoamericana, de Porto Rico. Reúne ela dados sobre a projeção do Movimento de Krishnamurti em toda a Ibero-América, Espanha e Portugal. As 16 páginas produzidas (incluindo a relação dos livros traduzidos e editados em português no Brasil) foram reduzidas a 12, para enquadrar-se nos limites da obra – abrangem as pág. 147-158.

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