Que é a morte? Pode-se “experimentar” a morte enquanto estamos vivos? Vós e eu podemos “experimentar” o que é a morte, não no momento em que, por doença ou acidente, se dá a completa cessação do pensar, mas enquanto estamos vivos, cheios de vigor, perfeitamente lúcidos e conscientes? Vós e eu podemos descobrir o que significa morrer, “entrar na mansão da morte”, enquanto estamos aqui. (Palestras na Austrália e Holanda, 1955, pág. 55)

Mas, se pudermos compreender a morte, não teremos mais medo dela e não buscaremos a imortalidade pessoal, nem neste mundo nem no outro. Então, a nossa percepção, a nossa perspectiva, terão sofrido uma revolução completa. A crença, pois, de nada serve para o descobrimento do verdadeiro, e agora vamos investigar o que há de verdadeiro com relação à morte. (Idem, pág. 55)

Que significa isto: morrer? Significa, evidentemente, morrer para todas as coisas que acumulamos, todas as experiências, todas as lembranças, todos os laços que nos prendem. Morrer é deixar de ser “eu”, “ego”, (…) É não ter mais idéia de continuidade do “eu”, (…) suas lembranças, suas mágoas, seus sentimentos vingativos, seu desejo de preenchimento, de “vir a ser”. E é possível experimentar um tal momento de não-existência do “eu”. Nesse momento (…) conheceremos o que é a morte. (Idem, pág. 55)

Que entendemos por morte? É claro que tudo aquilo que é submetido a uso constante, chega a um fim; (…) Mas existe o “eu” que não é meu corpo, o “eu” que é minha compreensão acumulada, as coisas que fiz na vida, as coisas pelas quais lutei, as experiências que acumulei, as riquezas que juntei – não o “eu” físico, mas o “eu” psicológico, que é memória e que desejo continue a existir, que não desejo que finde. Na verdade, não é a morte que tememos, mas esse findar. Desejamos continuidade. (…) (A Arte da Libertação, pág. 128)

(…) Enquanto a experiência deixar vestígio de memória, que é tempo, nunca será possível experimentar o que é eterno. A mente, portanto, deve deixar-se morrer, momento a momento, para cada experiência. Efetivamente, só nesse estado ela é criadora. (Transformação Fundamental, pág. 43)

Outro dia estive falando sobre a morte. Precisais morrer para todo o conhecimento que tendes a vosso respeito; porque o “eu” nunca é estático, está sempre variando, não só física, mas também psicologicamente. Não sois o que ontem fostes, embora o desejásseis ser; operou-se uma mudança, da gual podeis não estar cônscio. (O Homem e seus Desejos em Conflito, 1ª ed., pág. 66-67)

A mente é o “conhecido”, resultado do conhecido, sendo “o conhecido” todas as experiências de incontáveis dias passados, e é só quando a mente se liberta do conhecido e, portanto, se torna parte do Desconhecido, é só então que não há mais medo à morte. Não há mais a morte. A mente já não busca a imortalidade pessoal. (…) Só o Desconhecido é criador, e o Desconhecido só pode despontar quando a mente está livre da perpetuação do “conhecido”. (Palestras na Austrália e Holanda, 1955, pág. 55)

Assim, pois, o que nós temos é apenas o nosso pensar, que é também sentir. Só temos o nosso nome, nossa forma, nossa família, nossas roupas, nossos móveis, nossas lembranças e experiências, nossas reações, tradições, vaidades e preconceitos. Eis tudo o que temos; e isso nós queremos que continue. Tememos que isso se acabe (…) O que continua não pode renascer, não pode renovar-se. Só há criação, quando há um fim. Mas temos medo de findar, temos medo de morrer. (…) Mas, por certo, só no morrer, e não no acumular, encontra-se aquilo que está fora do tempo. (Por que não te Satisfaz a Vida?, pág. 83)

Para compreender o que é a morte, a mente deve estar completamente livre do medo. Deve achar-se num estado em que diz para si própria: “Eu não sei” – e não procura nem deseja resposta alguma. Esse é o estado livre do conhecido. (…) Vereis, então, se aí chegardes, que toda idéia de continuidade cessa por inteiro. Morre a mente para todas as suas insignificantes ansiedades, apetites, invejas, vaidades – morre para tudo isso imediatamente (…) Só quando há um fim, pode haver um novo começo. Com o “fim do passado” desponta algo totalmente novo. (O Homem e seus Desejos em Conflito, 1ª ed., pág. 194)

O que chamamos “pensamento” dá à mente a idéia da continuidade – e isso é que é o “tempo psicológico”, porquanto todo pensamento resulta de nosso condicionamento, nossa memória, nossa experiência. Todo desafio provoca uma “resposta” desse fundo, e essa resposta é o pensamento “em ação”; por conseguinte, não há espontaneidade, nunca há “resposta” que esteja livre do passado. Mas, quando tem fim o nosso pensamento, nossa avidez, nossa inveja, nossa ambição e sede de poder, toda a estrutura psicológica da sociedade, que constitui o “eu” – quando tudo isso termina, sem motivo algum, acha-se então a mente num estado de “não saber”, completamente vazia; e só então há morte. (Idem, pág. 194-195)

(…) Em geral vivemos sob a pesada carga do conhecido, do ontem, das memórias, do “eu”, esse feixe das memórias ontem acumuladas, sem nenhuma realidade em si. Morrei para essas memórias, morrei para um prazer, sem discussão – se sabeis o que significa morrer(…) E morrer cada dia, para todas as coisas que acumulastes, psicologicamente, é renascer totalmente. (…) Ou sabemos morrer todos os dias – e morrendo, realmente, nossa mente se torna nova, firme, ardorosa, sumamente viva; ou ficamos com o feixe de memórias e sua atividade egocêntrica, seus pensamentos, sua busca de preenchimento, seu desejo de ser importante, de imitar, de copiar. (…) (A Essência da Maturidade, pág. 36)

Não sei se já experimentastes morrer para um prazer, sem argumentação, sem nenhum sentimento de sacrifício – largá-lo simplesmente de mão. Se já o fizestes, então deveis saber o que é morrer, o que é terminar um prazer antes de começar o próximo prazer. Nesse intervalo, entre a morte do velho e o começo do pensamento, a exigência de um prazer diferente, nesse intervalo está a renovação da mente. (A Essência da Maturidade, pág. 94)

Todos nós temos muitas experiências, e cada experiência deixa sua marca; cada pensamento, cada influência molda-nos (…) a mente. E é uma coisa essencial morrermos para tudo o que temos experimentado, para que a mente se torne jovem, fresca e “inocente”. Só uma mente “inocente” (…) está morta, para o passado – só essa mente pode perceber o que é verdadeiro e transcender as coisas fabricadas pelo homem. (O Homem e seus Desejos em Conflito, 1ª ed., pág. 22)

Assim, para compreender a morte, experimentá-la realmente, é preciso morrer para ontem, para todas as suas lembranças, as feridas psicológicas, a lisonja, o insulto, a mesquinhez, a inveja – é preciso morrer para tudo isso (…) (O Homem e seus Desejos em Conflito, 1ª ed., pág. 54)

Temos, pois, de morrer para tudo, para cada dia, para todas as relações. Se não morrerdes para vossas relações, seja com vossa mulher, seja com vossos filhos ou vosso patrão, continuareis meramente num hábito; e todo hábito embota a mente, torna-a insensível, incapaz de criar. (…) (Uma Nova Maneira de Agir, pág. 64)

Para descobrir a verdade da morte, tem de haver um fim para o conteúdo da própria consciência. Então o indivíduo jamais perguntará: “Quem sou eu?” ou “Que sou eu?”. Ele é sua consciência com seu conteúdo. Quando termina essa consciência com seu conteúdo, há algo por completo diferente, que não pode ser imaginado. Os seres humanos hão buscado a imortalidade em suas ações; um escreve um livro, e nesse livro está a imortalidade do próprio como escritor; outro, um grande pintor, pinta um quadro e essa pintura se converte na imortalidade desse ser humano. Tudo isso deve terminar – o que ninguém está disposto a fazer. (La Totalidad de la Vida, pág. 212-213)

(…) O homem de saber nunca pode conhecer a morte, que está fora do tempo, para além do conhecido. É somente quando morremos, momento a momento, para as coisas de ontem, (…) é só então que se apresenta o desconhecido, o novo. (…) (Por que não te Satisfaz a Vida?, pág. 84)

Naturalmente, precisamos do tempo cronométrico, senão perdemos o trem. Mas, enquanto vivermos presos a essa projeção da mente, que é o tempo psicológico, não haverá findar, e o que tem continuidade não é imortal. Só o que acaba é atemporal, e só isso pode conhecer o imortal. (Idem, pág. 84)

(…) Morrer para o “conhecido” é uma coisa extraordinária – sendo o conhecido vossa experiência de ontem, as coisas a que estais apegado e que conservais zelosamente na lembrança. Quando emprego a palavra “morrer”, isso significa “ficar tranqüilo” a respeito do “conhecido”. (O Homem e seus Desejos em Conflito, 1ª ed., pág. 62-63)

“Morrer para o conhecido” significa dar fim ao conhecido. Esse morrer traz tranqüilidade; mas a tranqüilidade é coisa secundária, porquanto dessa morte maravilhosa nasce uma “inocência” que é, em si, tranqüilidade da mente. A mente “inocente” é mente tranqüila; e só a mente tranqüila pode descobrir o que existe nessa tranqüilidade. (Idem pág. 63)

A morte tem um sentido mais profundo do que o simples acabar do organismo físico: o de psicologicamente chegar ao fim – o súbito acabar do “eu”, do “tu”. Esse “eu, esse “tu”, que acumula conhecimentos, (…) sofre, (…) vive com lembranças agradáveis e dolorosas, (…) com os conflitos psicológicos (…) A luta psicológica, as lembranças, o prazer, as dores – tudo isso acaba. É disso realmente que se tem medo, e não do que está para além da morte. Nunca se teme o desconhecido; teme-se o acabar do conhecido. E o conhecido é a nossa casa, (…) família, (…) idéias, (…) livros, (…) móveis (…) Quando isso acaba, a pessoa sente-se completamente isolada, sozinha – é disso que se tem medo. (…) (O Mundo Somos Nós, pág. 82)

Ao compreendermos isso – não de maneira teórica, mas realmente – ao compreendermos que se tem medo de perder tudo o que se possui ou se criou, ou aquilo para que se trabalha, perguntamos: “Não será possível morrer psicologicamente todos os dias, para tudo o que se conhece? Poder-se-á morrer todos os dias, para que a mente seja fresca, jovem e inocente cada dia? Fazei-o realmente e vereis que coisas extraordinárias acontecem. Então a mente se torna inocente (…) (Idem, pág. 83)

Só a mente que abandona os seus fardos todos os dias, que todos os dias põe fim aos seus problemas, é inocente. Então a vida ganha um sentido totalmente diferente. Então se pode descobrir o que é o amor. (Idem, pág. 83)

Pode-se descobrir o que realmente significa morrer, não no sentido biológico ou fisiológico, mas psicologicamente (…)? Porque é só no morrer que pode haver renovação (…) O que tem continuidade é “repetitivo”, é do tempo. É só quando acaba o tempo, que pode verificar-se alguma coisa nova. A questão é esta: “pode a vida que conhecemos, a qual é confusão, desordem, anarquia, acabar totalmente”? (A Essência da Maturidade, pág. 93)

Pois é isso que chamamos “morte”. Pode haver um morrer para todas as nossas lembranças (…)? Morrer todos os dias, para todos os problemas, (…) prazeres, nunca se levando para amanhã problema nenhum, de modo que a mente permaneça sempre (…) atenta, ativa, lúcida. Isso só é possível ao morrermos diariamente para todas as acumulações psicológicas. (Idem, pág. 93-94)

Nós não estamos fugindo ao fato com uma teoria; estamo-lo enfrentando sem medo. Que significa morrer psicologicamente, interiormente? Na morte do organismo, não há discussão, não podemos dizer: “Por favor, esperai mais uns dias” (…) Não há discutir, a morte é peremptória. (…) Morrer interiormente significa que o passado deve terminar de todo – tendes de morrer para todos os vossos prazeres, (…) memórias (…) as coisas que vos são caras; e deveis morrer todos os dias, realmente. E viver dessa maneira, com a mente sempre nova, pura, inocente, e sempre vulnerável, é meditação. (Palestras com Estudantes, pág. 105)

(…) Afinal, tememos a morte por estarmos apegados ao conhecido. A morte é o desconhecido, e nós só funcionamos dentro dos limites do conhecido. “Meu nome”, “minha família”, “meu emprego” (…) Ora, pode a mente libertar-se do conhecido, do passado, de todas as tradições, (…) conhecimentos? (…) Livre do conhecido, não se torna a mente capaz de compreender ou de experimentar o desconhecido, que é a morte? Se pudermos experimentar o desconhecido, imediata e diretamente, isso terá uma significação extraordinária nas nossas relações; criaremos então uma ordem social completamente diferente. (Visão da Realidade, pág. 37-38)

Vemos, pois (…) E existe de fato satisfação permanente, um permanente estado de paz? Ou só existe um estado em que nada é permanente? Só a mente que, na sua totalidade, é impermanente, incerta, pode descobrir o que é verdadeiro; porque a Verdade não é estática. A Verdade é sempre nova e só pode ser compreendida pela mente que está morrendo para todas as acumulações, (…) experiências e é, por conseguinte, fresca, jovem, “inocente”. (Da Solidão à Plenitude Humana, pág. 80-81)

(…) Mas, para compreender realmente a coisa chamada “morte”, que deve ser algo extraordinário, incognoscível, impensável, inimaginável, precisamos procurar conhecê-la, “viver com ela”, precisamos chegar-nos a ela sem conhecimento e sem medo. E eu digo que isso é possível, que uma pessoa pode morrer para todos os dias passados. (…) E quando morremos para o passado, a mente fica vazia; (…) Mas, se se puder morrer para o prazer e a dor – não determinado prazer ou determinada dor – a mente fica então fora do tempo e do espaço. E essa mente contém então o tempo e o espaço, sem o conflito do tempo e do espaço (…) (O Passo Decisivo, pág. 85)

Pode o cérebro, a consciência humana, libertar-se desse medo à morte? (…) Pode-se viver com a morte e compreender o significado da terminação? Isso implica compreender o significado da negação; terminar com nossos apegos, (…) nossas crenças (…) Quando se nega algo, quando se termina com isso, há algo totalmente novo. Pode-se, então, enquanto se está vivendo, negar o apego completamente? Isso é viver com a morte. A morte significa o fim. (La Llama de la Atención, pág. 75-76)

Não estou falando de teorias. Viver sem medo bem pode significar imortalidade, ficar livre da morte. Morrer para as lembranças, (…) para o ontem e para o amanhã, isso, por certo, é “viver com a morte”; e nesse estado não existe o medo à morte e invenções criadas pelo temor. (…) (O Passo Decisivo, pág. 254)

Para descobrir o que é viver, e também (…) o que é morrer, precisamos entrar em contato com a morte, isto é, temos de finalizar, todos os dias, tudo o que conhecemos. Temos de destruir a imagem que formamos a respeito de nós mesmos, (…) de nossos conhecidos, (…) por meio do prazer, (…) de nossas relações com a sociedade; temos de destruir tudo (…) (Encontro com o Eterno, pág. 99)

Saberemos então o que significa morrer e, também, o que significa viver, porque morreremos (…) para todas as aflições (…) conflitos, (…) lutas. Só no morrer há uma coisa nova. (…) O novo só pode vir quando o tempo finda (…) O tempo, tal como o conhecemos, é ontem, hoje e amanhã. Nessa corrente do tempo estamos a debater-nos, tentando, dentro dela, resolver os nossos problemas. (Idem, pág. 99)

Sabeis o que significa “entrar em contato com a morte”, morrer sem discussão? Porque a morte, quando chega, não “discute”. Encontrar-se com ela significa morrer todos os dias para as agonias, a solidão, as relações a que estamos apegados! Tendes de morrer para o vosso pensamento, (…) os vossos hábitos, para vossa mulher, a fim de que possais vê-la de maneira nova; morrer para vossa sociedade, para serdes um ente humano novo, vigoroso, juvenil e poderdes então compreendê-la. Mas não podemos encontrar-nos com a morte, senão morremos psicologicamente todos os dias. Só quando morremos, existe amor. (…) (A Suprema Realização, pág. 64)

Só quando a mente sabe morrer para si própria, existe amor. (…) Só ele traz harmonia à vida, pois nenhum argumento intelectual, (…) filosofia, (…) livro sagrado ou profano pode trazê-la.(…) E, quando há amor, tudo o que se faz é virtude, bondade, beleza. (Idem, pág. 65)

Quando um ser humano compreende o pleno significado da morte, há vitalidade, existe a plenitude que se acha por trás dessa compreensão; um ser assim está fora da consciência humana. Quando vocês compreendem que a vida e a morte são uma só coisa (…) então estão vivendo com a morte, e essa é a coisa mais extraordinária que se pode fazer; não existem nem o passado nem o presente nem o futuro; só existe esse constante terminar. (La Llama de la Atención, pág. 76-77)

Observar a morte é observar a vida. Nós não observamos o viver, nem somos capazes de observar a morte. Quando sabeis observar o viver, com todas as suas complexidades, (…) temores, desesperos, agonias, dolorosa aflição, solidão, tédio, quando sabeis olhar o viver (…), sereis então capazes de observar a morte. Porque então não haverá medo. Então, morrer é viver. (…) Morte significa renovação, mutação total na qual o pensamento não tem interferência, porque o pensamento é o “velho”. Mas, quando há morte, há uma coisa totalmente nova. Sabei (…) que, quando a mente está vazia, está em silêncio, não está mais a tagarelar (…) Quando a mente está totalmente vazia, e, portanto, em silêncio, é capaz de renovar-se inteiramente (…); ela é então uma coisa luminosa, incorruptível, e há nela uma alegria que não é prazer. (Viagem por um Mar Desconhecido, pág. 188-189)

Para se compreender a beleza e a extraordinária natureza da morte, é preciso estar livre do conhecido. No morrer para o conhecido, está o começo da compreensão da morte, porque a mente então se torna fresca, nova, e nenhum medo existe; (…) Assim, do começo até o fim, a vida e a morte são inseparáveis. O sábio compreende o tempo, o pensamento e o sofrimento, e só ele é capaz de compreender a morte. A mente que está morrendo a cada instante, que nunca está armazenando experiência, é inocente e, por conseguinte, se acha num perene estado de amor. (A Mente sem Medo, 1ª ed., pág. 95-96)

Vede, isso (…) Quando morreis para tudo o que conheceis, quando para vós já não existe ontem, nem amanhã, nem o presente, no sentido de tempo psicológico, que existe então? (…) Verbalmente, posso dizer-vos que existe algo imenso, (…) extraordinariamente vivo; (…) A meu ver, a questão real é esta: “É possível eliminar o “eu”? (…) (O Homem e seus Desejos em Conflito, 1ª ed., pág. 46)

(…) A morte, afinal de contas, é o “desconhecido”, e, para sondar esse desconhecido, temos de “entrar no reino da morte” enquanto vivos. (…) Do contrário, ao morrermos – de doença ou acidente – já que perdemos a consciência, não há mais possibilidade de compreendermos o que se acha além. Mas, para sermos capazes, ativamente, enquanto estamos vivos e plenamente lúcidos, de compreender, no seu todo, o problema da morte, é preciso espantosa soma de energia, capacidade, investigação. (Palestras na Austrália e Holanda, 1955, pág. 117)

Há, pois, um morrer e, portanto, um viver, quando o tempo, o esgaço e a distância são compreendidos em termos do “desconhecido”. Ora, nossa mente funciona sempre no campo do “conhecido”, e nós nos movemos do conhecido para o conhecido; e nada mais conhecemos (…) (O Passo Decisivo, pág. 84)

(…) Se não sabeis morrer, não sabeis viver. Morrer significa o fim de tudo o que conheceis. O que conheceis é apenas memória, não? Vossos prazeres, vossas dores, vossa ansiedade, vossos pesares, vossa solidão, lisonjas, insultos – tudo isso é memória armazenada. Tal é o centro (…) de onde agis: memória. (Uma Nova Maneira de Agir, 1ª ed., pág. 64)

Fechar Menu