Nossas vidas acham-se fragmentadas, divididas, jamais somos algo total; nunca temos uma observação holística. Observamos sempre de um ponto de vista particular. Estamos tão divididos internamente, que nossas vidas são em si mesmas contraditórias e, portanto, existe um constante conflito. Nunca olhamos a vida como uma totalidade completa e indivisível. (La Llama de la Atención, pág. 69)

A observação holística é uma percepção sã, cordata, racional, lógica e total – total (whole) implica sagrada (holy). É possível para um ser humano como qualquer de nós, que é um leigo, não é um especialista, é possível para ele olhar a contraditória e confusa consciência, olhá-la como uma totalidade? Ou deve olhar cada parte dela separadamente? (…) (La Llama de la Atención, pág. 107)

Observar holisticamente é observar ou prestar atenção a todo o conteúdo de algo. Normalmente, olhamos as coisas de maneira parcial, conforme nosso prazer ou nosso condicionamento, ou segundo algum ponto de vista ideal; sempre olhamos as coisas fragmentariamente. O político está (…) comprometido com a política, o economista, o cientista, o homem de negócios, cada um tem seu próprio compromisso, geralmente ao longo de toda a vida.

Parece que jamais encaramos o movimento total da vida. Assim (…) podemos encarar a vida holisticamente, como um movimento total desde o princípio até o fim, sem fragmentação nem desvio nem ilusão alguma. É importante compreender como a mente cria ilusões de auto-importância e todos os múltiplos tipos de ilusão (…) Olhamos algo com uma idéia ou crença preconcebida, de maneira que nunca o vemos realmente, como um fato. (La Totalidad de la Vida, pág. 208)

A ordem implica harmonia na vida diária. A harmonia não é uma idéia. Nós nos achamos encerrados na prisão das idéias, e nisso não há harmonia. A harmonia e a claridade implicam ver as coisas holisticamente, observar a vida como um movimento unitário total – não “Eu sou um homem de negócio no escritório e uma pessoa diferente em minha casa;” não “Eu sou um artista e por isso posso fazer as coisas mais excêntricas e absurdas”; não esse despedaçar ou fragmentar a vida em múltiplas categorias, a elite e a não elite, (…) o intelectual e o romântico, o que constitui nosso normal modo de viver.

Vejam o importante, que é encarar a vida como movimento total, no qual tudo está incluído, (…) não há divisões como o bem e o mal, o céu e o inferno. Vejam holisticamente, (…) observem o amigo, a esposa ou o esposo, numa visão total. (La Totalidad de la Vida, pág. 209)

E, como dissemos, vemos tudo fragmentariamente e somos treinados desde a infância para olhar, observar, aprender, viver em fragmentos. E há a vasta expansão da mente que nunca tocamos ou conhecemos; essa mente é extensa, imensurável, mas nunca a sentimos, não conhecemos sua qualidade, porque nunca olhamos para as coisas completamente, com a totalidade de nossa mente, .(…) coração, nervos, olhos, ouvidos. Para nós, o conceito é extraordinariamente importante, não os atos de ver ou fazer. (The Awakening of Intelligence, pág. 188)

É possível ver-se a totalidade da vida, a qual semelha um rio, a rolar infinitamente, sem descanso, cheio de beleza, impelido pelo enorme volume de suas águas? Pode-se ver totalmente essa vida? Pois só vendo totalmente uma coisa, a compreendemos; mas não podemos vê-la totalmente, completamente, se há alguma atividade egocêntrica a guiar, a moldar a nossa ação e os nossos pensamentos. É a imagem egocêntrica que se identifica com a família, com a nação, conclusões ideológicas, com partidos – políticos ou religiosos. É esse centro que, dizendo-se em busca de Deus, da Verdade, impede a compreensão do todo da vida. E compreender esse centro, tal como realmente é, requer uma mente que não esteja repleta de conceitos e conclusões. (…) (Viagem por um Mar Desconhecido, pág. 26)

Pode-se viver uma vida que seja total, não fragmentada? – uma vida em que o pensamento não se fragmente como família, escritório, igreja, isto ou aquilo? Uma vida em que a morte tenha sido tão separada que, quando chega, estamos espantados com ela, incapazes de enfrentá-la, porque não temos uma vida total. (La Totalidad de la Vida, pág. 190)

O conhecimento é o “eu”, e quer o coloquemos no mais alto, quer no mais ínfimo nível, ele é sempre “eu” – experiência acumulada (…) O “eu” é incapaz de perceber a totalidade dessa coisa extraordinária que chamamos de “vida”, e por essa razão é que fragmentamos o mundo (…) (Da Solidão à Plenitude Humana, pág. 101)

Para pordes fim (…), deveis olhar todo o campo da existência; não apenas uma parte dele, sua totalidade. Em nosso estado atual, somos incapazes de observar o campo inteiro – o todo – porque dividimos a vida em vida de negócios, vida de família, vida religiosa, etc; e, como cada uma dessas frações tem sua própria energia ativa, cada fragmento está oposto aos outros fragmentos e, assim, essas energias fragmentárias estão dissipando nossa energia total. (O Novo Ente Humano, pág. 75)

Pode-se olhar o campo inteiro (…) Para percebê-lo totalmente, necessitamos de uma mente não fragmentada. Como consegui-la? Como pode a mente fragmentada sacudir todos os fragmentos, para ter uma percepção total? (…) Não posso vê-lo, porque o intelecto é um fragmento e não posso servir-me de um fragmento para compreender o todo. Deve haver uma diferente espécie de percepção e essa espécie de percepção só existe quando o observador está ausente, sem nenhuma imagem, (…) (Idem, pág. 75)

(…) Essas imagens são produzidas pelo observador (…) Assim, ao verdes a verdade de que há conflito sempre que há observador – e o observador é o produtor de imagens, é tradição, é a entidade condicionada, é o censor – ao verdes essa verdade, estareis então observando sem observador e vendo a totalidade da existência. Tem a mente, então, uma energia tremenda, porque sua energia não está sendo dissipada. (…) (Idem, pág. 75)

Podemos falar acerca da totalidade da vida? Pode-se perceber essa totalidade, se a mente se acha fragmentada? Você não pode dar-se conta do total, se só está olhando através de uma pequena abertura. (La Totalidad de la Vida, pág. 9)

Interlocutor: Como sei que estou fragmentado?

Krishnamurti: Quando os desejos opostos, os anelos, os pensamentos opostos produzem conflito. Então a pessoa sofre, se torna consciente de sua fragmentação. (Idem, pág. 9)

Interlocutor: (…) Porém nesses momentos ocorre com freqüência que o indivíduo não quer desprender-se do conflito.

Krishnamurti: Esse é um assunto diferente. O que nos perguntamos é: Pode o fragmento dissolver-se? Porque só então é possível ver o total. (Idem, pág. 9)

Veja, senhor. Pode você dar-se conta de seu fragmento? Dar-se conta de que você é um norte-americano, (…) eu sou um hindu, um judeu, um comunista (…) – de que o indivíduo vive somente nesse estado? (…) (La Totalidad de la Vida, pág. 10)

Pode então dar-se conta realmente dos diversos fragmentos? De que eu sou um hindu, (…) um judeu, um árabe, (…) um comunista, um católico, um homem de negócios (…); de que eu sou um artista, (…) um cientista – entende? Toda essa fragmentação sociológica. (Idem, pág. 10)

Podemos, pois, (…) dar-nos conta de que um indivíduo é isso? Eu sou um fragmento e, portanto, estou criando mais fragmentos, mais conflito, (…) infelicidade, confusão, sofrimento; porque, quando há sofrimento, este afeta tudo. (Idem, pág. 10-11)

Este é realmente um grande descobrimento, se compreendemos a verdade de que o indivíduo é o passado, o presente e o futuro – o que é tempo como movimento psicológico. (…) Observar holisticamente o movimento total da existência é viver tanto a vida como a morte. Porém a pessoa se aferra à vida e foge da morte; (…) (La Llama de la Atención, pág. 71-72)

Pode a mente observar seu conteúdo sem nenhuma escolha quanto a esse conteúdo – não escolhendo nenhuma parte do conteúdo, (…) o conjunto, mas observando totalmente? Ora, como é possível observar totalmente? Quando o olho para o mapa da França, vindo da Inglaterra e cruzando o Canal, vejo a estrada que conduz a Gstaad. Posso citar as milhas percorridas, (…) ver a direção, e isso é muito simples, porque está marcado no mapa e eu sigo. Ao fazê-lo, não olho nenhuma outra parte do mapa, porque conheço a direção na qual desejo ir, e, por isso, essa direção exclui todas as outras. Da mesma forma, uma mente que está se orientando numa direção, não vê o todo. (Talks in Saanen, 1974-1975, pág. 14)

Se quero encontrar algo, (…) que penso ser real, então a direção é determinada e eu sigo naquela direção, e minha mente se torna incapaz de ver a totalidade. Pois bem, quando eu olho o conteúdo de minha consciência – que é o mesmo da de vocês – estabeleço uma direção além da qual devo ir. Um movimento numa particular direção, atendendo a certo prazer, não desejando isto ou aquilo, torna o indivíduo incapaz de ver o todo. Se sou um cientista, só vejo numa única direção. Se um artista, da mesma forma, se tenho certo talento ou dote natural, olho igualmente só uma direção. (…) (Idem, pág. 14)

Assim, a mente se torna incapaz de ver o todo e a imensidade da totalidade, se houver um movimento numa particular direção. Portanto, pode a mente não ter direção alguma? Esta é uma pergunta difícil – escutem-na. Evidentemente, a mente tem de ter direção quando vou daqui para casa, (…) tenho de dirigir um carro, (…) de exercer uma função técnica – tudo isso são direções. (Idem, pág. 14)

Mas estou falando de uma mente que entende a natureza da direção e assim é capaz de ver globalmente. Quando ela vê o todo, pode então operar numa direção. Compreenderam? Se tenho todo o quadro da mente, posso tê-lo nos detalhes; mas, se minha mente apenas funciona nos detalhes, então não posso dimensioná-la no todo. Se estou envolvido em minhas opiniões, (…) ansiedades, no que desejo fazer, (…) no que devo fazer, não posso ver o todo, obviamente. (Idem, pág. 14-15)

Se venho da Índia com meus preconceitos, superstições e tradições, não posso ver totalmente. Dessa forma, minha pergunta é: Pode a mente estar livre de direção ? – o que não significa que esteja sem direção. Quando ela opera totalmente, a direção se torna clara, muito forte e efetiva. Mas quando a mente só opera num sentido, de acordo com um padrão por ela estabelecido, então não pode ver o todo. (Talks in Saanen, 1974-1975, pág. 15)

Há o conteúdo de minha consciência – o conteúdo constitui minha consciência. Ora, posso olhá-la como um todo ? – sem nenhuma direção (…) julgamento (…) escolha, apenas olhá-la, o que implica em nenhum observador, pois esse observador é o passado – pode ele olhar com aquela inteligência que não é formada pelo pensamento, já que o pensamento é passado? Faça-o! Isso requer tremenda disciplina, não a disciplina de supressão, controle, imitação ou conformidade, mas uma disciplina que é um ato no qual a verdade é vista. A operação da verdade cria sua própria ação, que é disciplina. (Idem, pág. 15)

Pode sua mente olhar seu conteúdo quando você fala com alguém através dos seus gestos, da maneira como anda (…) senta e come, de seu comportamento? O comportamento indica o conteúdo de sua consciência – se você está indo de acordo com o prazer, com a recompensa ou a dor, que são partes de sua consciência. (…) (Talks in Saanen, 1974-1975, pág. 15)

O comportamento expõe o conteúdo de sua consciência. Você pode esconder-se atrás de um comportamento polido, cuidadosamente mantido, mas esse comportamento é simplesmente mecânico. Daí surge outra pergunta: é a mente inteiramente mecânica – ou há uma parte de cérebro que não é de forma alguma mecânica? (Idem, pág. 15)

Continuemos (…) considerando a natureza e estrutura da consciência. (…) Se não compreendermos o conteúdo da consciência (e a possibilidade de o ultrapassarmos), toda ação(…) produzirá necessariamente confusão. Releva, pois, compreender bem claramente a natureza fragmentária de nossa consciência – o dar-se demasiada atenção a um fragmento, como o intelecto, uma crença, o corpo, etc. (…) (A Questão do Impossível, pág. 164-165)

Esses fragmentos que compõem a nossa consciência – de onde emana toda ação – produzirão inevitavelmente contradição e aflição. (…) Não tem sentido dizermos para nós mesmos que todos esses fragmentos devem ser reunidos ou “integrados”, porque então aparece o problema relativo a quem tem a possibilidade de integrá-los (…) Assim, deve haver uma maneira de olhar todo esse conjunto de fragmentos com uma mente não fragmentária. (A Questão do Impossível, pág. 165)

Percebo que minha mente – que também compreende o cérebro e todas as reações nervosas e psicológicas – percebo que a totalidade dessa consciência está fragmentada, fracionada, pela cultura em que vivemos, (…) criada pelas gerações passadas e continuada pela atual. E toda ação, ou o predomínio de um fragmento sobre os outros, levará inevitavelmente a uma enorme confusão. (Idem, pág. 165)

Assim, pergunta-se: “Há uma ação que não seja fragmentária e não possa contradizer outra ação que irá verificar-se daqui a um minuto?”. Vemos que o pensamento desempenha um papel muito importante nessa consciência. O pensamento não só é a reação do passado, mas também a reação de todo o nosso sentir. Todas as nossas reações nervosas, esperanças, temores, prazeres, sofrimentos, estão nele contidos. (…) (A Questão do Impossível, pág. 165)

Esta é uma questão muito séria (…) Temos de devotar nossa energia e paixão, e nossa vida, a compreendê-la (…) Quando se vê a vida como um todo, não há mais problema algum. Só a mente e o coração que se acham fragmentados criam problemas. O centro do fragmento é o “eu”. O “eu” é criado pelo pensamento (…) O “eu” – “minha” casa, “minha” desilusão, “meu” desejo de tornar-se importante – esse “eu” é produto do pensamento, que divide. (…) (A Questão do Impossível, pág. 44)

Assim, pergunta-se: Pode a mente, o cérebro, o coração, o ser inteiro, observar sem o “eu”? O “eu” vem do passado; não existe “eu” do presente. O presente não pertence ao tempo. Pode a mente libertar-se do “eu”, para olhar toda a vastidão da vida? Pode, sim, e de maneira completa, total, quando se compreendeu fundamentalmente, com todo o ser, a natureza do pensar. (…) Se não fordes capaz de observar sem o “eu”, os problemas continuarão existentes – cada problema em oposição a outro. (Idem, pág. 44)

(…) Não se trata de que os múltiplos fragmentos cheguem a integrar-se em nossa consciência humana (…) Porém, é possível olhar a vida como uma totalidade? Olhar o sofrimento, o prazer, a dor, a ansiedade, a solidão, o ir ao escritório, o ter uma casa, o sexo, o ter filhos – olhar tudo, não como se fossem atividades separadas, senão como um movimento holístico, como uma ação unitária? (La Llama de la Atención, pág. 69)

É isso possível (…)? Ou estamos obrigados a viver eternamente na fragmentação (…) no conflito? É possível observar a fragmentação e a identificação com esses fragmentos? Observar, não corrigir, não transcender, não escapar disso nem reprimi-lo, senão observar. Não é um problema (…), porque se vocês tentam fazer algo a respeito, então atuam a partir de um fragmento, estão cultivando mais fragmentos e divisões. (…) (Idem, pág. 69)

(…) Ao passo que se pode observar holisticamente, observar todo o movimento da vida como um movimento único, então não só chega ao fim o conflito, com sua energia destrutiva, senão que dessa observação surge uma maneira totalmente nova de encarar a vida. (…) E, dando-se conta, pergunta-se então como se há de reunir tudo isto para formar uma totalidade? E quem é a entidade, o “eu” que há de reunir todas essas diversas partes e integrá-las? Essa entidade não é por acaso também um fragmento? (…) (La Llama de la Atención, pág. 70)

(…) O que estamos procurando fazer é juntar esses fragmentos de contradição, para com eles constituir uma totalidade, algo de inteiriço. Compreendeis? Vemos que nossa vida está dividida em fragmentos e, portanto, tratamos de integrar esses fragmentos, de juntá-los num todo! Ora, isso é impossível. Porque um fragmento será sempre um fragmento, ainda que lhe sejam acrescentados outros fragmentos. O estado de não contradição só é possível quando a mente funciona como um todo. (A Suprema Realização, pág. 201)

(…) Se examinardes essa palavra (integração) e descobrirdes todo o seu conteúdo, sereis forçados a perguntar a vós mesmos quem é a entidade capaz de realizar a integração. Por certo, a própria entidade que irá integrar os múltiplos fragmentos faz parte deles e, portanto, não poderá efetuar sua integração.

Vendo-se isso claramente, ou seja, as parcelas de desejo, nesta nossa vida tão dividida e fragmentada, jamais poderão ser unidas, integradas, porque a própria entidade, o (…) observador que está tentando ajuntá-las, faz parte da fragmentação – (…) torna-se óbvio que deve haver um diverso modo de proceder, e ele consiste em ver a contradição, os fragmentos, as exigências e desejos contrários, observá-los, para ver se há possibilidade de ultrapassá-los, de transcendê-los. É esse transcender que constitui a revolução radical. (Palestras com os Estudantes Americanos, pág. 77)

Assim, já que estamos fragmentados, divididos, em contradição, existe um conflito entre os numerosos fragmentos. Como pode essa fragmentação tornar-se um todo? Sabemos que, para vivermos uma vida harmoniosa, ordeira, sã, essa fragmentação, essa separação entre “vós” e “mim” deve acabar. (Fora da Violência, pág. 93-94)

Muito facilmente somos persuadidos a fugir, porque não sabemos como essa fragmentação pode tornar-se um todo. Não dizemos integrar-se, porque integração supõe “alguém” que faz a integração: um fragmento que junta todos os outros fragmentos! (Fora da Violência, pág. 94)

Tentamos muitos meios e modos, no desejo de acabarmos com a fragmentação. Uma das maneiras mais em voga é encarregarmos um analista de fazer esse trabalho para nós; ou, também, analisarmos a nós mesmos. (…) Nunca indagamos quem é o analista. Obviamente, ele é um daqueles numerosos fragmentos, e quer analisar sua própria estrutura integral. Mas o próprio analista, sendo um fragmento, está condicionado. (…) (Idem, pág. 94)

Um dos nossos condicionamentos é essa idéia de que devemos analisar-nos, olhar-nos introspectivamente. Nessa análise, há sempre o “censor”, a entidade que controla, guia, molda; há sempre conflito entre o analista e a coisa analisada. (…) Se vos servis do conhecimento, da associação e acumulação, da análise, como meio de vos compreenderdes, cessastes de aprender sobre vós. O aprender requer liberdade para podermos observar “sem o censor” (Fora da Violência, pág. 94-95)

Vede, (…) havendo análise, há o analista e a coisa analisada – um fragmento assume a autoridade e analisa a outra parte. E, nessa divisão, surgem o consciente e o inconsciente. É então que perguntamos: Pode a mente consciente examinar o inconsciente? – e isso implica que a mente consciente se separa do resto (…) Partimos portanto, da falsa suposição de que a mente superficial é separada da “outra”. (…) (A Questão do Impossível, pág. 153)

Enfrentar a vida é enfrentá-la como um todo, e não fragmentariamente; e isso só podeis fazer quando conheceis a vós mesmo. É porque não conheceis o inteiro processo de vós mesmo que dividis a vida em fragmentos e, dessa maneira, perpetuais o conflito e o sofrimento. Não se pode construir um todo harmonioso juntando fragmentos, mas com o autoconhecimento alcança-se uma plenitude, um senso da totalidade. (O Homem e seus Desejos em Conflito, 1ª ed., pág. 165)

A questão não é como integrar os diversos fragmentos, senão como é possível viver sem fragmentação. (Tradición y Revolución, pág. 116)

Que relação tem tudo isso com o amor? Qual é a relação que há entre mim, você e o artista? Penso que o amor é o núcleo essencial da relação. O amor tem sido rebaixado ao sexo e toda a moralidade que o rodeia. Se não houver amor, a fragmentação haverá de continuar. (Idem, pág. 123)

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