Qualquer um está bem cônscio, sem necessidade de muita discussão (…), de que existe um caos individual, bem como um caos coletivo, confusão e sofrimento. Isso acontece não apenas na Índia, mas no mundo inteiro: na China, na América, na Inglaterra, na Alemanha (…) Trata-se, portanto, de uma catástrofe mundial (…) Uma vez cônscios dessa confusão, qual é a nossa reação, atualmente? De que maneira reagimos? (Da Insatisfação à Felicidade, p. 16)

Há sofrimento político, social, religioso; toda a nossa vida psicológica está em confusão, e todos os guias políticos e religiosos falharam: todos os livros perderam o seu valor. Abri o Bhagavad-Gita, ou a Bíblia (…) e verificareis que perderam aquela ressonância, aquela qualidade de verdade; tornaram-se meras palavras. Mesmo aqueles que repetem essas palavras estão confusos e incertos (…) (Idem, p. 12)

Ora bem, qual é a causa dessa confusão, desse sofrimento? Tendes de descobrir por vós mesmos essa causa, conhecer a verdade nela encerrada, vê-la como realmente é (…) Ela indica, por certo, a derrocada de todos os valores morais e espirituais, e a glorificação de todos os valores sensoriais, das coisas feitas pela mão ou pela mente. (…) Quanto mais valor atribuímos às coisas dos sentidos, tanto maior é a confusão (…) (Idem, p. 18)

Vedes o processo de desintegração a estender-se pelo mundo. A ordem social desaba, as várias organizações religiosas, as crenças, as estruturas morais e éticas, tudo está falhando. Na nossa chamada civilização – indiana, européia ou qualquer outra – generaliza-se a corrupção e vê-se toda sorte de atividades inúteis. (Visão da Realidade, p. 41-42)

Nessas condições, será possível, a vós e a mim, nos tornarmos cônscios de todo esse processo de desintegração e, retirando-nos dele, como indivíduos, adotarmos a séria intenção de criarmos um mundo de espécie totalmente diversa, uma diferente espécie de cultura, de civilização? (…) (Idem, p. 42)

É bastante óbvio que a maioria de nós está confusa, intelectualmente. Vemos que os chamados guias ou chefes, em todos os setores da vida, não têm uma solução completa para as nossas várias questões e problemas. (…) (A Arte da Libertação, p. 59)

Tudo em torno de nós parece desintegrar-se: os valores morais e éticos tornaram-se simples questão de tradição, sem muito sentido. A guerra, o conflito entre a direita e a esquerda parece um fator constante (…); por toda parte vê-se destruição, confusão. (Idem, p. 59)

(…) Estamos assistindo à desintegração do mundo, e estamos igualmente cônscios da extraordinária deterioração que se processa em nós mesmos, à medida que envelhecemos: falta de energia (…) rotinas de hábito (…) ilusões várias, etc. – constituindo tudo isso uma barreira à compreensão de nossa fundamental e radical transformação. (Claridade na Ação, p. 99)

Tudo está a desmoronar. Pode-se ver neste pais, que é bastante jovem, cerca de 300 anos talvez, que já se verifica uma decadência antes de a maturidade ter sido atingida; há desordem, conflito, confusão; e há medo e sofrimento, inevitavelmente. Esses fatos exteriores forçam necessariamente cada um a encontrar a resposta por si mesmo; tem de se “apagar o quadro” e começar de novo, sabendo que nenhuma autoridade exterior pode ajudar, nenhuma crença (…) sanção religiosa, (…) padrão moral – nada. (O Mundo Somos Nós, p. 24)

Para compreender a violência, cumpre haver percepção clara da violência em suas várias expressões. (…) O nacionalismo, o antagonismo de classe, o espírito de aquisição, a desenfreada ambição de poder, as inumeráveis crenças de que sofre a nossa mente, eis os fatores da violência. O apetite de ganho, que é a base de nossa atual civilização, dividiu o homem contra o homem. (O Caminho da Vida, p. 19)

Em nosso desejo de possuir, de dominar as idéias, os sentimentos e o trabalho alheios, fizemos uma separação de nós mesmos em classes, governos de classe, lutas de classe, guerras de classe, e também em hindus e muçulmanos, americanos e russos, operários e camponeses. O domínio sobre as coisas feitas pela mão é o que menos desastres acarreta; é a escravização mental (…) psicológica do homem pelo homem, que embrutece e desintegra. (…) (Idem, p. 19)

Que é a sociedade? Não é o produto de nossas relações (…)? A sociedade atual está em putrefação; é um processo de corrupção, de violência, no qual sempre impera a intolerância, o conflito, o sofrimento e, para se produzir uma alteração fundamental (…), torna-se necessária a compreensão de nós mesmos. (…) (Viver sem Confusão, p. 12)

(…) Ainda que se proclame o contrário, a sociedade está notoriamente baseada na competição, na avidez, na inveja, no impulso agressivo de cada um, visando ao próprio preenchimento, (…) aperfeiçoamento. (…) A sociedade, como hoje existe – quer da esquerda, quer da direita – é desordem, porque não se preocupa com a transformação fundamental da mente humana. Essa transformação ou revolução interior só pode ocorrer quando há liberdade; (…) (O Descobrimento do Amor, p. 116)

Essa bondade do ente humano só pode florir na liberdade – na total liberdade. E, para compreender a questão da liberdade, temos de examiná-la não só em termos de ordem social, mas também (…) de relação do indivíduo com a sociedade. A sociedade subsiste graças à manutenção de um simulacro de ordem. Se um indivíduo observa a sociedade em que vive (…) percebe que ela exige ordem, relações sociais nas quais o indivíduo não explore desenfreadamente os seus semelhantes. (O Descobrimento do Amor, p. 116)

A sociedade é aquilo que vós e eu criamos, em nossas relações; é a projeção externa de todos os nossos estados psicológicos internos. Nessas condições, se vós e eu não compreendermos a nós mesmos, de nada adianta transformar o exterior, que é projeção do interior; (…) (Da Insatisfação à Felicidade, p. 21)

Nosso problema, pois, consiste em libertar a mente dessa atividade egocêntrica, não só no nível das relações sociais, mas também no nível psicológico. É essa atividade do “eu” que está causando malefícios e sofrimentos, tanto em nossas vidas individuais como em nossa existência como grupo e como nação. (…) (Claridade na Ação, p. 46)

Por que está a sociedade a ruir, a desmoronar, como não há dúvida de que está? Uma das razões fundamentais é que o indivíduo – vós – deixou de ser criador. Explicarei (…) Vós e eu nos tornamos imitativos, estamos copiando, tanto exteriormente como interiormente. (…) Para tornar-me engenheiro, preciso primeiro aprender a técnica, e depois saber aplicar a técnica (…) Mas, por certo, quando há imitação interior, (…) psicológica, deixamos de ser criadores. (Da Insatisfação à Felicidade, p. 32)

Nossa educação, (…) estrutura social, nossa suposta vida religiosa, baseiam-se todas na imitação; isto é, eu me enquadro em determinada fórmula social ou religiosa. Deixei de ser um verdadeiro indivíduo; psicologicamente, tornei-me simples máquina de repetição (…) (Idem, p. 32)

Observa-se no mundo – talvez melhor ainda neste país (Índia) – a deterioração que está invadindo todos os níveis de nossa existência. E, observando esse fenômeno, (…) somos naturalmente levados a investigar se não existirá um caminho diferente, uma diversa maneira de considerar o problema da existência e das relações humanas, (…) numa dimensão inteiramente nova. (Uma Nova Maneira de Agir, 1ª ed., p. 90)

(…) A sociedade não pode viver de acordo com um ideal; tampouco o pode o homem, porque a sociedade é o homem. Se a sociedade procurar modelar-se segundo um ideal, se o homem procurar viver de acordo com um ideal, nenhum estará verdadeiramente se preenchendo; estarão ambos em decadência. Mas se o homem estiver nesse movimento de preenchimento, então a sua ação será harmoniosa, completa; (…) não será simples imitação. (Palestras em Adyar, Índia, 1933-1934, p. 113-114)

(…) A estrutura psicológica da sociedade é muito mais importante do que o seu aspecto orgânico; está ela baseada na avidez, na inveja, na ânsia de aquisição, na competição, na ambição, no medo, na incessante exigência de segurança (…) em todas as suas relações: com a propriedade, as pessoas, as idéias. E a sociedade, psicologicamente, impõe essa estrutura a cada um de nós. Ora, a avidez, a inveja, a ambição, a competição, constituem desperdício de energia, porquanto encerram sempre conflito; conflito interminável (…) (A Suprema Realização, p. 166)

Nessas condições, uma simples reorganização das coisas em conformidade com qualquer padrão de ação pouco significará, se não compreendermos a confusão e a angústia psicológica em que vive cada um de nós. (O Caminho da Vida, p. 13)

Assim, toda importância deve ser dada ao conflito que se trava dentro do indivíduo. De nada vale estarmos a tentar continuamente implantar a ordem na existência exterior; porque o interior, o fator psicológico, dominará sempre o exterior (…) (Idem, p. 13)

(…) Logo, o nosso conflito interior, projetado no exterior, gera confusão no mundo. Importa, pois, (…) que se compreenda o conflito, que se perceba que o conflito, de qualquer espécie, não produz o pensar criador, não produz entes humanos bem equilibrados. (…) (A Arte da Libertação, p. 199)

O que desejo dizer nesta tarde alude à revolução interior, à destruição da estrutura psicológica da sociedade, a qual somos nós mesmos. A sociedade, com suas ambições, sua inveja, sua ânsia de sucesso, não é simples exterioridade. A sociedade é muito mais íntima, pois está radicada profundamente em cada um de nós. Essa estrutura psicológica da sociedade nos aprisiona, molda nossa mente, nossos pensamentos, nossos sentimentos, e, se não a destruirmos completamente em nós mesmos, não teremos possibilidade de ser livres para descobrir o que é verdadeiro. (…) (O Homem e seus Desejos em Conflito, 1ª ed., p. 11-12)

A estrutura psicológica da sociedade é o que nós somos, o que pensamos, o que sentimos – a inveja, a ambição, a perene luta da contradição, consciente e inconsciente – e nessa estrutura nos vemos aprisionados. Para nos libertarmos dela, pensamos ser necessário fazer um grande esforço. Mas o esforço sempre implica conflito, contradição (…) Quando não há contradição, não há esforço: viveis. Mas (…) enquanto toda essa estrutura psicológica não for perfeitamente compreendida e rompida, nenhuma possibilidade teremos de viver uma vida plena ou de compreender o que se acha além da mente. (Idem, p. 12)

(…) Os economistas e os revolucionários querem alterar o ambiente sem alterar o indivíduo; mas a simples alteração do ambiente, sem a compreensão de nós mesmos, não tem significação alguma. (…) Para se realizar uma transformação revolucionária na estrutura da sociedade, deve cada indivíduo compreender-se a si mesmo como um “processo total”, e não como uma entidade separada, isolada. (A Arte da Libertação, p. 26)

Acho que é bem evidente a necessidade de uma transformação fundamental na sociedade, e essa transformação só pode começar com uma revolução radical, dentro de cada um de nós; (…) O que somos, é o que a sociedade é. Os problemas do mundo não estão separados dos nossos problemas (…) (Por que não te Satisfaz a Vida?, p. 72)

Fomos nós que os “projetamos” e, por conseguinte, somos nós mesmos os responsáveis por eles; e a revolução fundamental das circunstâncias externas (…) só pode ser efetuada depois de uma radical revolução em nós mesmos. (…) (Idem, p. 72)

Existe um caos econômico motivado pela exagerada importância atribuída aos valores materiais. Procuramos resolvê-lo com o aumento dos valores materiais, (…) produção de utilidades. Apelamos para a máquina, na busca de maiores satisfações, conferindo assim importância às coisas, à propriedade, ao nome e à casta. (O Caminho da Vida, p. 12)

Em geral, estamos escravizados aos valores relativos aos sentidos, e o mundo ao redor de nós está organizado para aumentá-los e mantê-los. E como tais valores cada vez mais nos subjugam, envelhecemos sem reflexão, extenuados pela atividade externa, mas inativos e pobres interiormente. (Autoconhecimento, Correto Pensar, Felicidade, p. 57)

(…) Quanto mais altamente situados estamos, tanto mais desejamos segurança, permanência, tranqüilidade, (…) ficar em sossego e manter as coisas como estão; contudo, elas não podem ser mantidas como estão, pois não há nada a manter. Tudo está a desintegrar-se. Não queremos olhar de frente essas coisas, (…) o fato de que vós e eu somos responsáveis pelas guerras. (…) (Novo Acesso à Vida, p. 38)

Ora, (…) por que coisas, propriedades, casas, roupas, etc., ocupam lugar tão importante em nossas vidas? É porque simplesmente delas necessitamos, ou porque dependemos delas para a nossa felicidade psicológica? (Palestras em Ojai e Saróbia, 1940, p. 10)

Todos necessitamos de vestuário, alimento e abrigo. Mas por que essas coisas assumiram tão tremenda importância, significação? As coisas assumem tal valor e significação desproporcionais, porque dependemos delas, psicologicamente, para o nosso bem-estar. (Idem, p. 10)

Elas nutrem a nossa vaidade; dão-nos prestígio social; fornecem-nos os meios de obtermos poder. Empregamo-las com o propósito de conseguir fins diversos dos que elas em si próprias significam. (…) (Idem, p. 10)

Muitos pensam (…) Dependemos das coisas porque somos pobres internamente e cobrimos essa pobreza do nosso ser com coisas, e essas acumulações externas, essas posses superficiais, tornam-se tão vitalmente importantes que por elas estamos dispostos a mentir, a fraudar, a lutar e a destruir-nos uns aos outros. (Palestras em Ojai e Saróbia, 1940, p. 11)

Mas, por que não é possível organizar os meios de atender às nossas necessidades? (…) Não é possível porque nos valemos de nossas necessidades como meios para satisfação de nossas exigências psicológicas. Porque interiormente somos estéreis, vãos, destrutivos, servimo-nos de nossas necessidades como meio de fuga. E assumem elas, por isso, importância muito maior do que realmente têm. (…) (O Egoísmo e o Problema da Paz, p. 112)

(…) Outras causas há, também, indicativas de uma crise sem precedentes. Uma delas é a extraordinária importância que se está atribuindo aos valores dos sentidos, à propriedade, ao nome, à casta, à nação, à etiqueta que usamos. Sois maometano, ou hinduísta, cristão ou comunista. O nome e a propriedade, a casta e a nação, tornaram-se predominantemente importantes, vale dizer, o homem está preso ao valor sensorial (…) das coisas feitas pela mente ou pela mão. (…) (A Primeira e Última Liberdade, 1ª ed., p. 142)

Tão importantes se tornaram as coisas fabricadas pela mão ou pela mente, que, por causa delas, estamos matando, destruindo, massacrando, liquidando. Estamos nos abeirando de um precipício; cada uma de nossas ações está nos levando para lá; toda ação política, (…) econômica, está fatalmente nos conduzindo para o precipício, arrastando-nos para aquele abismo caótico. A crise, por conseguinte, é sem precedentes e requer ação sem precedentes. (Idem, p. 142)

Para afastar-nos dessa crise, para sairmos dela, é necessário uma ação atemporal, não baseada em nenhuma idéia, sistema, porque a ação que se baseia em sistema, ou idéia levará inevitavelmente à frustração. Uma ação dessa ordem só nos levará de volta ao abismo, por outro caminho. Ela tem de verificar-se agora, e não amanhã, porque amanhã é um processo de desintegração. Se penso em transformar-me amanhã, estou atraindo confusão (…) (Idem, p. 142)

O contentar-se com pouco resulta da compreensão de nossos problemas psicológicos, não da legislação ou do esforço determinado de ter poucas posses. (…) Mas, enquanto nos servimos das coisas, das relações, ou das idéias como meios de satisfazer nossas sempre crescentes exigências psicológicas, haverá contendas e misérias. (Idem, p. 113)

A avidez é um problema complexo. Viver no mundo da ganância sem ser ganancioso requer uma compreensão profunda; viver com simplicidade, ganhando a vida justamente, num mundo que está organizado sobre a base da agressão e da expansão econômica, só é possível para aqueles que estão descobrindo riquezas interiores. (O Egoísmo e o Problema da Paz, p. 238)

Pergunta: Por que desejamos viver no luxo?

Krishnamurti: (…) Pois bem, sabeis o que vos acontece se amais o luxo, se tendes apego ao conforto, e quereis estar sempre sentado num sofá ou numa poltrona? Vossa mente começa a dormir. É bom ter certo conforto físico, mas sem exagerar o conforto; atribuir-lhe importância é estar com a mente sonolenta. (A Cultura e o Problema Humano, p. 70-71)

(…) A mente que é muito ativa, alerta, vigilante, nunca se apega ao conforto; para ela, o “luxo” nada significa. Mas, o simples fato de ter poucas roupas não indica que a pessoa tenha uma mente alerta. (…) O importante é ser interiormente simples, muito austero, quer dizer, não ter uma mente atravancada de crenças, de temores, de desejos inumeráveis, porque só então a mente é capaz de descobrir realmente. (Idem, p. 71)

Mas se nos tornamos ricos em nós mesmos, então a vida fluirá em nós harmoniosamente; então os bens ou a pobreza já não terão grande importância para nós. Porque damos exagerada importância às posses, perdemos a riqueza da vida; (…) (Palestras na Itália e Noruega, 1933, p. 65)

A todos nós tem de interessar muito o que está sucedendo no mundo. A desintegração, a violência, a brutalidade, as guerras e a desonestidade nas altas esferas políticas. Frente a essa desintegração, qual é a ação correta? Que há de fazer um indivíduo para sobreviver em liberdade e ser totalmente religioso? (…) Que há de fazer o indivíduo, pois, neste mundo que desintegra, corrupto e imoral? (…) (La Verdad y la Realidad, p. 69)

(…) Somos seres humanos, somos coletivos, não individuais, somos o resultado de diversas influências coletivas, forças, condicionamentos (…) Qual é a ação justa, correta? Para averiguar isso, se o indivíduo é completamente sério (…) que é que há de fazer? Existe uma ação que seja total, completa, não fragmentada (…) correta e precisa, (…) compassiva, religiosa no sentido que damos a essa palavra? (…) (Idem, p. 69-70)

(…) Para chegar longe, é preciso começar tão perto quanto possível (…) O indivíduo deve encontrar por si mesmo uma ação que seja total, não fragmentada, porque o mundo se está tornando cada vez mais perigoso para viver nele, se está tornando um deserto, e cada um de nós tem de ser um oásis. Para produzir isso – não uma existência isolada senão uma existência humana total – é que investigamos o problema da ação. (Idem, p. 72)

Nesse mundo da realidade, a conduta é algo por completo diferente. Isso ocorre quando se haja negado tudo isso, quando se haja negado o “eu”, que é produto do pensamento – do pensamento que cria divisão, que há criado o “eu” e o “super-consciente”, e todas as fantasias, os pretextos, as ansiedades, a aceitação e a repulsão. (…) (La Verdad y la Realidad, p. 80)

Podemos, pois, cada um de nós, como seres humanos que vivem neste mundo desordenado que se desintegra, podemos chegar a ser – de fato, não em teoria ou em imaginação – um oásis no meio de um mundo que se está convertendo em deserto? (…) (Idem, p. 80)

(…) Significa examinarmos a nós mesmos, não de acordo com um psicólogo, senão olhar-nos como realmente somos e descobrir a vida tão desordenada que levamos – uma vida de incerteza, (…) de dor, vivendo na base de conclusões, crenças, recordações. E, ao dar-nos conta disso, esse mesmo dar-se conta, essa mesma percepção, alerta, varre com tudo isso. (Idem, p. 81)

São inevitáveis catástrofes e misérias, quando os valores temporais e sensuais prevalecem sobre o valor eterno. (…) A opressão e a exploração, a agressividade e a crueldade econômica resultaram inevitavelmente da perda da Realidade. Vós a tendes perdido quando (…) justificais o homicídio, (…) o assassínio em massa, em nome da paz e da liberdade. (…) (O Egoísmo e o Problema da Paz, p. 58)

O mundo acha-se num caos porque temos andado em busca de valores errôneos. Havemos dado importância à sensualidade, às coisas materiais e transitórias, à fama ou à imortalidade pessoal, e isso acarreta conflito e sofrimento. (Autoconhecimento, Correto Pensar, Felicidade, p. 107)

O mundo não está separado de nós, pois nós somos o mundo; nós o fizemos tal como ele é. A sua mundanidade ele adquiriu por nossa causa, e, para o deixarmos, urge alijarmos a mundanidade. Só assim podemos viver com o mundo sem ser do mundo. (O Egoísmo e o Problema da Paz, p. 48)

Ainda que afirmeis que a vida de relação se baseia na fraternidade, no amor, nas idéias religiosas, etc., (…) vereis que ela está baseada nos valores sensoriais, isto é, as relações mútuas são produto dos valores dos sentidos, valores criados pela mão ou pela mente. (…) (Uma Nova Maneira de Viver, p. 37-38)

(…) Os valores sensoriais não são valores eternos. As relações baseadas nos valores sensoriais têm produzido, no mundo, guerras, catástrofes e caos. Quer se trate de uma sociedade da direita, quer da esquerda, ela está, efetivamente, baseada nos valores sensoriais; (…) (Idem, p. 38)

Mas (…) Os valores dos sentidos se tornaram mais importantes do que os valores do real. Afinal, toda a nossa estrutura social, nossa civilização atual, está essencialmente baseada nos valores sensoriais. Os valores sensoriais não são apenas valores dos sentidos, mas valores do pensamento, porque o pensamento é também produto dos sentidos; (…) (Novo Acesso à Vida, p. 150)

A paz não é fuga ao mundo, a nossas cotidianas atividades (…) Como entes humanos que vivem neste mundo cheio de confusão, contradição e sofrimento, não devemos perceber quão profunda é nossa necessidade de paz? (…) É bem de ver que não podemos continuar como estamos, com a nossa atual maneira de pensar e de agir (…) Ou teremos de assistir a um tremendo desastre, ou os entes humanos terão de despertar para uma diferente maneira de pensar, de viver. (O Descobrimento do Amor, p. 151)

Vós é que tendes de resolver o problema, visto que estamos em presença de uma grande crise, uma crise de desintegração humana, de degradação humana. Por conseguinte, a responsabilidade é vossa; como pai, como mãe, tendes o dever de vos transformardes. (…) Vemos a calamidade tão próxima e iminente, e (…) nada fazemos para evitá-la; (…) Sois vós os responsáveis pela aterradora situação a que chegamos, e não quereis olhá-la de frente. (A Arte da Libertação, p. 230)

Ora, bem sabeis o que está acontecendo no mundo (…) Está havendo guerras, motins, desespero, incalculável sofrimento e confusão; uma ininterrupta fragmentação, não só nacional e religiosa, mas ainda interiormente, em nós mesmos. Se vos observardes, vereis quanto sois contraditórios. Pensais uma coisa, dizeis outra, e fazeis outra. Nacionalmente, estais divididos: sois hinduístas e muçulmanos, paquistaneses e indianos, alemães, russos, americanos. Conheceis essa divisão (…), com todos os seus conflitos, ambições e competição. (…) (O Novo Ente Humano, p. 134)

(…) A crise, os desastres que nos ameaçam, não podem ser dissolvidos por outro conjunto de ideologias projetadas de nós mesmos, mas tão somente quando vós (…) perceberdes a verdade a esse respeito e começardes, assim, a compreender o processo total do vosso pensar e sentir. (…) (O Caminho da Vida, p. 29)

(…) Se fordes capazes de desvencilhar-vos da paixão e da mundanidade, em que se baseia a atual civilização, descobrireis e compreendereis o valor eterno, esse valor que não se ajusta a molde algum. (…) Infelizmente, desejamos combinar o eterno com toda uma série de valores que acarretam antagonismo, conflito e infelicidade. (…) (O Egoísmo e o Problema da Paz, p. 115-116)

(…) A crise de que falo não é comparável a esses desastres periódicos. Essa crise não atinge particularmente dado país (…); é, assim, uma crise que atinge o próprio valor, a própria significação do homem. Não devemos, por essa razão, pensar em reformas de retalhos (…) Para compreendê-la, é necessária uma revolução no pensar e no sentir. (…) (O Caminho da Vida, p. 5)

(…) A esse estado de conflito e confusão fomos reduzidos pela predominância que temos atribuído aos valores materiais, porquanto estes produzem sempre o embotamento da mente e do coração. Os valores materiais tornam a nossa existência automática e estéril. (O Caminho da Vida, p. 6)

O mundo está partido em múltiplos fragmentos, cada um deles a contender com os outros; o mundo está dividido pelo antagonismo, pela avidez e pela paixão; fracionado por ideologias, crenças e temores, e a se guerrearem mutuamente. Nem a religião organizada, nem a atividade política pode trazer paz ao homem. O homem está contra o homem (…) O mundo exterior é apenas uma expressão de nosso próprio estado interior. (O Egoísmo e o Problema da Paz, p. 165-166)

Se desejais pôr termo ao conflito, à confusão e às tribulações que se vos deparam por toda parte, de onde deveis partir? (…) Se fordes capazes de desvencilhar-vos da paixão e da mundanidade, em que se baseia a atual civilização, descobrireis e compreendereis o valor eterno (…) que não se ajusta a molde algum. Sereis então, quiçá, capazes de ajudar a outros a se libertarem da servidão. (O Egoísmo e o Problema da Paz, p. 115)

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