O “eu” é um problema que o pensamento não pode resolver. Há de haver um percebimento que não proceda do pensamento. Estar cônscio, sem condenação nem justificação das atividades do “eu” – estar simplesmente cônscio é suficiente. Porque, se estais cônscio com o propósito de descobrir como resolver o problema, (…) de transformá-lo, de produzir um resultado, em tal caso estais ainda operando dentro da esfera do “eu”. (A Renovação da Mente, pág. 12)

A menos que ocorra uma transformação no centro, não uma substituição, mas uma total extirpação do “eu”, nenhuma possibilidade existe de transformação fundamental. (…) (Claridade na Ação, pág. 104)

(…) Ao observar este complexo problema do “eu”, com todas as suas obscuridades, suas sombras e luzes, suas tensões e suas pelejas, posso eu, como observador, influir nessa coisa que está sendo observada? Prestai atenção ao problema (…), sem tentar resolvê-lo; apenas prestai-lhe atenção, deixai-o penetrar em vós. (…) (Idem, pág. 110)

Se realmente não perdeis de vista o problema, se é vosso empenho de todos os dias e de todos os momentos descobrir como se pode efetuar uma transformação, e se, negativamente, estais pondo de lado todas as coisas que tínheis por positivas – nesse caso, penso eu, haveis de achar aquele elemento que surge imperceptivelmente, sem o esperarmos. (…) Idem, pág. 110)

Nessas condições, compreendendo bem isso, não é possível à mente, uma vez liberta daquelas fugas, observar-se a si mesma, não como “observador” a observar os seus pensamentos (…) mas observar, simplesmente, o seu próprio estado, observar sem aquela divisão? Só se realiza esse estado integral quando não existe nenhum desejo de experimentar algo “mais” do que “o que é.” (A Renovação da Mente, pág. 42)

(…) Quando observais todo o processo da mente, e estais cônscio das várias lutas, divisões, divergências, sem haver, no centro, nenhum movimento de transformação ou (…) de remediar as divergências, o “observado” está, então, essencialmente tranqüilo. Não tem mais o desejo de transformar coisa alguma: está simplesmente cônscio de que essas coisas estão ocorrendo. E isso requer paciência extraordinária (…) (Claridade na Ação, pág. 75)

Quando a mente está cônscia das suas próprias atividades, tanto conscientes como inconscientes, não tendes necessidade de examinar o inconsciente para trazer à superfície as coisas ocultas – elas estão à vista. Mas não sabemos observar. (…) A quietude do centro só pode verificar-se quando estamos cônscios de tudo isso e vemos que nada podemos fazer a seu respeito, porque tal é o fato. (Idem, pág. 76)

(…) Para aclarar essa confusão, tendes de observar a vós mesmo na vida de relação, que é ação; precisais estar consciente de vós mesmo, em ação, nas vossas relações, momento a momento, observando cada palavra, cada pensamento, sem desfiguração, sem condenação, olhando-o simplesmente (…) (Nós Somos o Problema, pág. 94)

Do percebimento nasce a atenção. A atenção deflui do percebimento, quando nesse percebimento não há escolha; quando não se está escolhendo nem experimentando pessoalmente, (…) porém simplesmente observando. E para se poder observar, necessita-se, na mente, de uma vasta porção de espaço. A mente que está toda enredada na ambição, na avidez, na inveja, na busca do prazer e do autopreenchimento – com os inevitáveis pesares, dores, desespero e aflição que ocasionam – não dispõe de espaço para observar. (Experimente Um Novo Caminho, pág. 100)

É portanto necessário que compreendamos com toda a clareza o problema da luta e do esforço. (…) Todo esforço não significa luta por transformar a coisa “que é” naquilo que ela “não é”, ou naquilo que deveria ser ou deveria “vir a ser”? Isto é, vivemos a lutar para não olhar de frente “o que é”, ou procuramos fugir dele, ou transformá-lo, ou modificá-lo. (…) (Uma Nova Maneira de Viver, pág. 122)

O esforço, pois, representa uma distração que nos afasta do “que é” (…) No momento em que aceito “o que é”, cessa a luta. Toda forma de luta ou de esforço denota distração, e a distração (…) existirá necessariamente enquanto eu desejar transformar a coisa “que é” no que ela “não é”. (…) (Idem, pág. 123)

Ao perceberdes que estais dominados pela cólera, a qual constitui “o que é””, e ao reconhecerdes a estupidez de transformar a coisa “que é” no que ela “não é”, continuareis encolerizados? Se, ao invés de tentar dominar a cólera, modificá-la, ou transformá-la, vós a admitísseis (…), e ficásseis completamente conscientes dela, sem a condenar, nem a justificar, operar-se-ia uma transformação instantânea. (Idem, pág. 124)

(…) Se compreendeis a cólera, isto é, se estais conscientes dela, plenamente, sem condenação, justificação ou identificação, simplesmente cônscios de que sentis cólera, de que sois invejosos, de que sois ávidos, vereis, então, ocorrer uma coisa extraordinária. A vossa cólera ou vosso despeito se desvanecerá, extinguir-se-á espontaneamente. É somente quando não estamos perfeitamente cônscios do “que é”, que fazemos esforço para transformá-lo. (Uma Nova Maneira de Viver, pág. 125)

O esforço, pois, representa falta de percebimento. No momento em que percebeis o que significa não condenar nem justificar, no momento em que aceitais, examinais e observais “o que é”, não existe esforço; tem então a coisa que observais, “aquilo que é” (…) um significado extraordinário. E se aprofundardes esse significado de modo completo, levareis o pensamento à sua conclusão, e assim a mente se libertará dele. (Idem, pág. 125)

Percebimento significa, pois, ausência de esforço; (…) ver a coisa tal como ela é, sem desfiguração alguma. Há desfiguração sempre que há esforço. Quando amais com toda a plenitude, cada pensamento é acompanhado de grande alegria, claridade e felicidade. Tal só pode acontecer quando há integração e nenhum esforço. A madureza ou a integração só é realizável quando há percebimento completo do “que é”. (Idem, pág. 125-126)

(…) Como posso dominar a cólera, o ciúme? Que acontece, quando dominais um inimigo? Eu posso dominar-vos, se sou mais forte do que vós, mas na próxima vez podeis estar mais forte e dominar-me. Temos, assim, um jogo que consiste em dominar e voltar a dominar. Toda coisa que pode ser dominada tem de ser novamente dominada, indefinidamente. (…) Entretanto, no momento em que compreendemos uma coisa, ela está acabada. (Uma Nova Maneira de Viver, pág. 127)

A mesma coisa se verifica com relação a qualquer outro pensamento. Consideremos a cólera. A cólera pode ser o resultado de uma reação fisiológica ou neurológica, ou sentis cólera porque desejais esconder alguma coisa. Pensai na cólera de maneira completa, olhai-a de frente, sem procurar escusas. No momento em que olhais o fato de frente, começa a transformação. (…) Assim, acompanhar um pensamento de princípio a fim significa ver o que é sem desfiguração; e quando percebo o fato diretamente, só então ele se transforma. (…) (A Arte da Libertação, pág. 143-144)

Consideremos agora a violência. Sigamos esse pensamento de princípio a fim.(…) Se, compreendendo isso, ponho de lado o ideal, que é a não-violência, e olho para a violência e me torno perfeitamente cônscio de que sou violento, o próprio fato de estar (…) cônscio da violência faz vir a transformação. Experimentai (…) (Idem, pág. 144)

Assim, seguir um pensamento de princípio a fim é ver como o pensamento se está enganando a si mesmo, fugindo do que é. Só podeis seguir um pensamento de maneira completa, fechando todas as vias de escape e depois olhando-o – o que requer sinceridade extraordinária; (…) O descobrimento de como o pensamento se está enganando a si mesmo é que é importante; e ao descobrirdes que ele é enganador, podeis então enfrentar o que é. Só então o que é revela a sua inteira significação. (Idem, pág. 144-145)

Pode-se perceber tudo o que a violência implica (…) Para vivermos pacificamente, não deve existir violência. (…) É possível extinguir a violência dentro de nós imediatamente, instantaneamente (…)? Tão condicionados nos achamos, que dizemos: “Gradualmente me libertarei da violência.” Estamos acostumados com a gradualidade, a evolução, mas é possível extinguir instantaneamente a violência existente em nós mesmos?

Digo que podemos terminar a violência imediatamente, quando somos capazes de observar esse fato completamente, com atenção total, em que não exista nenhuma espécie de imagem. (…) Pode-se então olhar com absoluta serenidade, em completo silêncio. Verificar-se-á, então, uma total mutação do fato. (Encontro com o Eterno, pág. 16)

(…) O fato é a violência (…) Compreender “o que é” não requer tempo, senão somente observação completa. Na observação da violência, por exemplo, não há movimento algum do pensar, senão só um sustar essa energia enorme que chamamos violência, e observá-la. (…) (La Llama de la Atención, pág. 94)

Reconhecendo que sou ambicioso, que devo fazer? Quaisquer explicações sobre a nocividade da ambição podem ajudar-me a ficar livre da ambição? Ou existe apenas um meio que consiste em reconhecer, sem condenação, todas as conseqüências da ambição, ficar simplesmente cônscio do fato de que sou ambicioso, não apenas no nível consciente, mas também nos níveis mais profundos do meu próprio pensar? (…) (Claridade na Ação, pág. 49)

Ora, sem dúvida tenho de estar inteiramente cônscio do fato, sem lhe opor nenhuma resistência, porque quanto mais luto contra ele, tanto mais vitalidade lhe insuflo. A ambição se me tornou um hábito, e quanto mais eu resisto a um hábito, tanto mais forte ele se torna. Se, entretanto, me torno cônscio de fato e o vejo apenas como um fato, isso não opera uma mudança radical? (…) (Idem, pág. 49-50)

(…) E esse percebimento não ocasionará uma mudança radical? Se reconheço que sou ambicioso e percebo as conseqüências, se o reconheço não apenas no nível verbal, mas também interiormente, o que significa que estou cônscio da influência do hábito, da sensação, tradição, etc., que foi que aconteceu então? Minha mente se tornou quieta com relação ao fato (…) Minha mente já não reage ante o fato: é um fato. E a tranqüila aceitação do que é constitui libertação desse fato (…) (Idem, pág. 50)

O medo dissolve-se com o conhecimento da causa do medo? Em geral, conhecemos a causa do medo: a morte, a opinião pública, coisas que praticamos e não desejamos sejam descobertas, etc. A maioria das pessoas conhece a causa de seus temores, mas esse conhecimento (…) não põe fim ao medo. (…) (O Homem e seus Desejos em Conflito, 1ª ed., pág. 176)

(…) Se, com atenção completa, estais cônscio do fato – a existência do medo – vereis então que o observador e a coisa observada são um todo único, que não há separação entre os dois. Não há observador que diz: “tenho medo”; só há medo (…) A mente já não está a fugir (…) tentando livrar-se do medo, (…) procurando a causa e, por conseguinte, já não está escravizada às palavras. Só há, então, um “movimento de aprender”, proveniente da “inocência” – e a mente inocente não conhece o medo. (O Homem e seus Desejos em Conflito, pág. 177)

Uma das razões pelas quais temos medo é a comparação, o comparar-se a si mesmo com outrem. (…) O movimento de comparação é conformidade, imitação, ajuste; (…) Alguma vez tentaram não se compararem jamais com outrem, seja física ou psicologicamente? Quando não se compara, então não se está tratando de “chegar a ser” (…) (La Llama de la Atención, pág. 90)

A comparação, com toda a sua complexidade, bem como o desejo e o tempo, são os fatores do temor (…) Quando há observação e, por isso, não há movimento do pensar – unicamente a observação do movimento total do temor – o temor chega totalmente ao fim; e o observador não é diferente do observado. (…) Quando se observa completamente, há cessação do temor (…) (Idem, pág. 94-95)

(…) Ninguém tem de me dizer que sou arrogante, isso é óbvio. Da maneira como você fala, se comporta, se está de todo desperto, vê-se a natureza da arrogância. Vê-la, compreendê-la, fixá-la, sem tentar escapar dela, é dissolvê-la. Quando há a percepção daquilo que é, no caso a arrogância, essa mesma percepção exige ação imediata.

Isso é inteligência. Se vejo algo perigoso – e a violência é um perigo tremendo para uma mente saudável, sã, racional, apaixonada – se há a percepção disso, essa mesma percepção demanda ação imediata. Isso é o fim dela. A percepção não exige análise. Percepção é algo real, implicando entender, olhar, cessar o fato, e então daí você pode discernir. Esse procedimento será lógico. Mas se você começa com lógica, raciocínio, para descobrir a causa, então usará o tempo, e a causa se multiplicará. (Mind Without Measure, pág. 114-115)

Por isso, (…) Do mesmo modo, se pudermos compreender a mente, (…) estar simplesmente cônscios de todos os seus movimentos, quando viajamos num ônibus, (…) conversamos (…), a maneira como falamos, (…) como criticamos os outros, nossas fugas, devoções, orações – então, por meio de todas essas coisas, nos serão reveladas as profundezas da consciência. (Viver sem Temor, pág. 41)

Em geral, não estamos nada cônscios de nossos hábitos e, por isso, eles se tornaram inconscientes. No momento em que vos tornais cônscios de um hábito, vós o “arrancastes” do inconsciente. (…) (O Homem e seus Desejos em Conflito, 1ª ed., pág. 162)

Se (…) esse ato é automático e dele não estou cônscio, então, obviamente, trata-se de um hábito inconsciente. Mas, no momento em que me torno plenamente cônscio desse hábito e não lhe resisto, mas me limito a observá-lo, então foi ele “arrancado” do inconsciente. (Idem, pág. 162-163)

(…) Como podereis tornar-vos cônscios do inconsciente, onde se encontra essa imensa série de hábitos não revelados? Como podereis ficar cônscios do padrão inconsciente que se acha profundamente enraizado em vós? Ireis procurar um psicanalista (…) para que ele vos “arranque” o padrão do inconsciente? Isso adiantará? (Idem, pág. 163)

(…) Eis os fatos, e precisais estar cônscios deles. Sentireis, então, um novo alento, um nova consciência, e, no momento em que reconheceis o “que é”, opera-se uma transformação instantânea. Ver o falso como falso é o começo da sabedoria, mas não podemos perceber o falso se não estivermos conscientes, a cada momento do dia, de tudo quanto dizemos, sentimos e pensamos, e vereis a desse percebimento procede uma coisa extraordinária que se chama amor (…) (Uma Nova Maneira de Viver, pág. 133)

(…) Se a mente puder ficar simplesmente cônscia de todo esse processo, vereis que o pensamento se detém; nesse momento a mente está muito quieta, muito tranqüila, sem nenhum incentivo, nenhum movimento em direção alguma, e nessa tranqüilidade desponta a realidade. (Visão da Realidade, pág. 116)

(…) Ficai, simplesmente, conscientes do “que é”, de todo o seu significado (…) Vede como tudo isso é monótono, estéril e estúpido. (…) Sentireis, então, um novo alento, uma nova consciência, e, no momento em que reconheceis o “que é”, opera-se uma transformação instantânea. Ver o falso como falso é o começo da sabedoria, (…) e vereis que desse percebimento procede uma coisa extraordinária que se chama amor (…) (Uma Nova Maneira de Viver, pág. 133)

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