Pergunta: Qual a vossa atitude em face do problema do sexo, em nossa vida diária?

Krishnamurti: Isso só se tornou um problema pelo fato de não haver amor. Não é assim? Quando realmente se ama, não existe problema, há um ajustamento, um entendimento. Só quando perdemos o senso do verdadeiro afeto, desse profundo amor no qual não há sentimento de posse, é que o problema do sexo surge; é só quando, por completo, nos entregamos à mera sensação, que os múltiplos problemas relativos ao sexo vêm à existência. Como a maioria das pessoas já perdeu a alegria do pensar criador, voltam-se, naturalmente, para a mera sensação decorrente do sexo, que se torna, então, um problema que lhe devora a mente e o coração. (Palestras no Brasil, pág. 28)

Em primeiro lugar, por que razão se tornou o sexo um problema para a maioria de nós? Por que razão, na época atual, praticamente em todas as partes do mundo (…) homens e mulheres estão à mercê do prazer sexual? (…) Precisamos ser celibatários porque os livros o preceituam? Devemos levar uma vida desregrada, porque outros livros a recomendam? (…)

O problema, portanto, é: Por que o sexo se tornou um problema tão candente? Em primeiro lugar, obviamente, porque ele é estimulado por todos os meios possíveis na sociedade moderna; todos os jornais, (…) as revistas, os cinemas e os quadros estimulam o erotismo. (…) (Da Insatisfação à Felicidade, pág. 84)

Vivemos debaixo de um contínuo bombardeio de estímulos sexuais. Isso é um fato. E a sociedade, a civilização, na época atual, é essencialmente o resultado do valor sensorial. As coisas (…) mundanas se tornaram extraordinariamente importantes nas nossas vidas; a posição, a riqueza, o nome, assumiram vital significação, porque são meios para se alcançar o poder (…), a chamada liberdade. Os valores sensuais se tornaram predominantemente significativos nas nossas vidas, e essa é também uma das causas desse avassalador problema do sexo. (…) (Idem, pág. 84)

Por essa razão, emocionalmente, interiormente, não há criação, não há reação criadora; só há monotonia (…) Que é o vosso pensar, a vossa existência? Uma rotina oca, vazia (…) – ganhar dinheiro, jogar cartas, ir ao cinema, ler livros baratos ou tratados eruditos. Mas, que é isso? Não é exatamente uma máquina a funcionar, sem profundeza, sem pensamento, sem compaixão, sem receptividade? Como pode ser criadora uma mente em tais condições? Assim, que acontece à vossa vida? Sois estéril (…), um imitador, um copista; em tais condições, é natural, o único prazer que vos resta é o sexo, que se torna a vossa fuga. (…) (Da Insatisfação à Felicidade, pág. 85)

Não estamos tentando resolver o problema; só queremos compreendê-lo; (…) Só há criação quando libertarmos o pensamento criador, o ser criador, a existência criadora, o que significa promover uma revolução radical em nossa vida; não uma revolução verbal, mas uma revolução interior, uma completa transformação de nossas vidas. Só então esse problema adquirirá um significado diferente; terá a própria vida um significado diferente. (…)

Por certo, sem amor não há pureza, e só um coração puro pode encontrar a realidade; (…) Todavia, o homem que sabe amar, (…) ser bondoso, generoso, que sabe consagrar-se completamente a uma coisa, sem pensamento egoísta, esse homem conhece o amor, e esse amor é casto. Onde existe esse amor, deixa de existir o problema. (Idem, pág. 85-86)

Pergunta: A instituição do matrimônio é uma das principais causas de conflito social. Há outra maneira de resolver o problema do sexo?

Krishnamurti: Pois bem, o sexo é um problema? (…) Para refrear o impulso sexual, conservá-lo dentro de certos limites, criou-se a instituição do matrimônio; e, no matrimônio, a portas fechadas, entre quatro paredes, pode cada um fazer o que quiser, conservando, ao mesmo tempo, uma fachada respeitável. (A Arte da Libertação, pág. 64-65)

Fazendo uso de vossa esposa para satisfação sexual, podeis transformá-la numa prostituta, e isso é perfeitamente respeitável. Sob o disfarce do matrimônio, podeis ser piores do que um animal; e, sem o matrimônio, não tendo freio, não conheceis limites. (…) (Idem, pág. 65)

Quando se tem uma fonte de prazer constante, quando se tem uma renda certa, que acontece? Tornamo-nos embotados, fatigados, vazios, exaustos. Já não notastes que pessoas cheias de vitalidade antes do casamento, depois de casarem se tornam embotadas? Todas as fontes de vitalidade secaram, nelas. (…) (Idem, pág. 66)

É um fato patente que, quanto mais intelectual a pessoa é, tanto mais sexual (…) E que, quanto mais sentimento, afabilidade, afeição, existe, tanto menos há de sexo? Porque toda a nossa cultura social, moral e educativa está baseada no cultivo do intelecto, o sexo se tornou um problema cheio de confusão e de conflito. (…) (A Arte da Libertação, pág. 66)

Não sei se já notastes que, em momentos de grande crise, de grande felicidade, a consciência do “eu” e do “meu”, que é produto da mente, desaparece. Nesse momento de dilatada apreciação da vida, de intensa alegria, há criação. Expressando-o de maneira simples: quando ausente o “eu”, há criação; (…) (Idem, pág. 67)

Pelo contrário, (…) nessa luta para ser, há uma exagerada expansão do “eu”, e, portanto, não há criação. Por conseguinte, o sexo se torna o único meio de criar (…); e logo que o mero ato sexual se torna um hábito, torna-se também fatigante e dá mais força à continuidade do “eu”; e assim se converte o sexo num problema. (Idem, pág. 67)

(…) Quando há amor, o sexo não é problema; é a falta de amor que faz dele um problema. (…) Quando amais alguém verdadeiramente, profundamente – não com o amor da mente, mas com aquele amor que vem do coração – vós lhe dais, a ele ou ela, de tudo o que tendes (…) Na vossa tribulação, pedis-lhe ajuda, e ela vô-la dá. Não há divisão entre homem e mulher quando amais alguém, nas existe um problema sexual quando não conheceis esse amor. (…) (A Arte da Libertação, pág. 69)

O problema do sexo, pois, não é simples e não pode ser resolvido no seu próprio nível. Querer resolvê-lo biologicamente, apenas, é absurdo; abeirar-se dele pela religião, ou tentar resolvê-lo como se ele fosse mera questão de ajustamento físico, de funcionamento grandular, ou cercá-lo de tabus e condenações, é muito pueril e estúpido. Esse problema exige inteligência de ordem superior. (…) (Idem, pág. 69)

Sem amor, a vida não tem significação (…) Envelhecemos sem ter amadurecido; (…) Lemos e falamos acerca do perfume da vida, sem nunca chegarmos a conhecê-lo. Só cuidar de ler e de verbalizar, isso indica total ausência daquele ardor do coração, que enriquece a vida (…) Amar é ser casto. O mero intelecto não é castidade. Só o homem que ama é casto, puro, incorruptível. (Idem, pág. 70)

Pergunta: Como poderemos resolver o problema do sexo?

Krishnamurti: Onde há amor, não existe problema de sexo. Isso só se torna um problema quando o amor é substituído pela sensação. Portanto, a questão realmente é: como controlar a sensação. (…) Atualmente o sexo tornou-se um problema por causa da sensação, do hábito e do estímulo, pelos muitos absurdos da moderna civilização. A literatura, os cinemas, os anúncios, a palestra, o vestuário – tudo isso estimula a sensação e intensifica o conflito. O problema do sexo não pode ser resolvido separadamente (…) É fútil procurar compreendê-lo pela moral científica ou do procedimento. (Palestras em Ommen, Holanda, 1936, pág. 72)

O sexo se torna um problema sobremodo difícil e complexo (…) O ato em si nunca pode ser um problema, mas o pensamento referente ao ato cria um problema. O ato, vós o salvaguardais; viveis licenciosamente, ou soltais as rédeas dos vossos apetites no matrimônio, fazendo de vossa esposa uma prostituta, o que é tudo aparentemente muito respeitável, e ficais satisfeitos em deixar as coisas como estão. O problema naturalmente só poderá ser resolvido quando compreenderdes todo o processo e toda a estrutura do “eu” (…): minha esposa, meu filho, minha propriedade, meu carro, meu preenchimento, meu êxito. Enquanto não compreenderdes e dissolverdes tudo isso, o sexo permanecerá um problema. (…) (A Primeira e Última Liberdade, 1ª ed., pág. 223)

(…) De um lado, estais criando, alimentando e expandindo vosso “eu”; de outro lado, tentais esquecê-lo, perdê-lo de vista, ainda que por um breve momento. Como podem esses dois estados coexistirem? Vossa vida é uma contradição: dando proeminência ao “eu” e procurando esquecer o “eu”. O sexo não é um problema. Problema é a contradição existente em vossa vida; e a contradição não pode ser anulada pela mente, porque a própria mente é contradição. (…) (Idem, pág. 223)

E por que se tornou o sexo tão desmedidamente importante em nossa vida? Por que, senhores, (…) no mundo moderno, e também na antiguidade, fizemos do sexo uma coisa de colossal importância? (…) (O Novo Ente Humano, pág. 77)

Em primeiro lugar, cumpre investigar o que é o prazer. Vedes os suaves raios da lua a rutilar sobre as águas com tanta beleza e, logo a seguir, chega o pensamento, dizendo: “Que bela experiência! preciso repeti-la amanhã” (…) O pensamento, que é reação da memória, ao ter aquela bela experiência, diz: “Quero repeti-la amanhã”.

No momento da percepção daquela luz espelhada na água, nada havia – nem prazer, nem desejo de repetição. Era a plena e absoluta percepção da beleza. (…) Já se trata, pois, de prazer, a repetição de uma experiência que o pensamento reduziu a prazer; é desse modo que o pensamento dá continuidade e força ao prazer. (…) (O Novo Ente Humano, pág. 77)

Só uma coisa possuís fora dessa existência de competição e repetição: o sexo. Mas vós o reduzistes a um hábito que vos alivia do tédio da vida. Convertestes, pois, o amor numa coisa mecânica, numa fonte de prazer. Isso é amor? Para descobrirdes o que é o amor, tendes de rejeitar tudo o que ele não é. Essa rejeição implica compreensão do que é o prazer. (…) (Idem, pág. 78)

Pergunta: Toda carícia não é sexual? (…) Por que verberais o sexo, associando-o ao vazio das nossas vidas?

Krishnamurti: Receio que só as pessoas vazias conheçam o sexo, porque o sexo, para elas, é uma fuga (…) Chamo vazia a pessoa que não tem amor; e para ela o sexo se torna um problema (…) O coração está vazio quando a mente está repleta de suas próprias idéias, invenções e mecanizações. Porque a mente está cheia, o coração está vazio; e é só coração vazio que conhece o sexo. (Novo Acesso à Vida, pág. 134)

Senhores, ainda não o notastes? Um homem afetuoso, um homem cheio de ternura, de bondade, consideração, não é sexual. É o homem intelectual, o homem cheio de saber, diferente de sabedoria – (…) que está cheio de intelecto, (…) de produtos da mente – é esse homem que é dominado pelo sexo. (Idem, pág. 134)

Porque sua vida é superficial e seu coração, vazio, o sexo cresce de importância: é o que está sucedendo na civilização atual. Cultivamos em excesso o intelecto, e a mente ficou presa às suas próprias criações (…) Para a mente assim cativa só há uma possibilidade de libertação, que é o sexo. (…) (Novo Acesso à Vida, pág. 135)

Assim, religiosamente, no mundo dos negócios, em vossa educação, em vossa vida cotidiana, que está acontecendo realmente? Não há “estado de ser” criador. Não sois felizes, não tendes vitalidade, não tendes alegria. Intelectual, religiosa, econômica, social e politicamente, sois entes embotados, arregimentados (…) (Idem, pág. 135)

Essa arregimentação é produto de vossos próprios temores, esperanças, (…) frustrações. E como, para o ser humano assim cativo, não há possibilidade de libertação, ele naturalmente recorre ao sexo, como meio de libertação; nele pode satisfazer-se, (…) buscar felicidade. Torna-se assim o sexo, automaticamente, um hábito, uma rotina, um processo de embrutecimento. (Novo Acesso à Vida, pág. 135-136)

Assim, como pode ser criadora uma mente que não está vigilante, que não tem vitalidade? Como pode ser criador um coração que não é afetuoso, que não está cheio? E como não não sois criadores, buscais estímulo no sexo, nos divertimentos. (…) Quando não há criação, a única libertação é através do sexo, e, conseqüentemente, aviltais a vossa esposa ou o vosso marido. (…) (Idem, pág. 136)

(…) Por conseguinte, se um homem deseja resolver o problema do sexo, precisa desembaraçar-se dos pensamentos por ele próprio criados; nesse estado de liberdade, há força criadora, que é a compreensão nascida do coração. Quando um homem ama, há castidade; é a falta de amor que é impura, e, sem o amor, nenhum problema humano pode ser resolvido. (…) (Idem, pág. 138)

Precisamos perceber que estamos aprisionados na máquina da rotina; e, para nos libertarmos dela, é necessário compreensão, autoconhecimento. O problema do sexo, atualmente tão importante, perde o seu significado quando existe a ternura, o calor, a bondade, a compaixão do amor. (Idem, pág. 138)

Pergunta: Considerais pecado (…) desfrutar relações sexuais ilegítimas?

Krishnamurti: Por que se tornou o sexo um problema em nossa vida? Por que existem tantas distorções, perversões, inibições, supressões? Não é porque estamos famintos mental e emocionalmente, porque somos incompletos em nós mesmos, por nos termos tornado apenas máquinas imitadoras, e a única expressão criadora que nos foi deixada, a única coisa em que encontramos felicidade é a que chamamos sexo? (…) (Palestras em Adyar, Índia, 1933-1934, pág. 76-77)

Se puderdes libertar o pensamento criador, a emoção criadora, então o sexo já não será um problema. Para libertar completa, integralmente, essa inteligência criadora, deveis investigar o próprio hábito de pensar, (…) a própria tradição (…), as próprias crenças que se tornaram automáticas, espontâneas, instintivas. (…) (Idem, pág. 77-78)

Onde há amor, verdadeiro amor, não existe questão de pecado, de legalidade ou ilegalidade. Entretanto, a menos que realmente penseis profundamente sobre esse ponto, (…) para evitar mal-entendidos sobre o que eu disse, isso poderá conduzir a todos os tipos de confusão. (…) Para mim, a cessação dos problemas do sexo está, não na simples legislação, mas na liberação da inteligência criadora, em ser completo na ação, não separando a mente do coração. O problema somente desaparece quando se vive completa, plenamente. (Idem, pág. 79)

Pergunta: Que sugestão ou conselho daríeis a uma pessoa que luta com o empecilho de forte sexualidade?

Krishnamurti: Pensando bem, quando não existe expressão criadora da vida, costumamos atribuir exagerada importância ao sexo, que se torna um problema agudo. Nessas condições, o que interessa saber não é o conselho ou sugestão que eu daria, ou a maneira de dominar a paixão, o desejo sexual, mas sim a maneira de liberar o viver criador (…) (A Luta do Homem, pág. 143-144)

Nas vossas atividades, sois impedidos pelas circunstâncias, (…) condições, de vos expressardes fundamentalmente com força criadora, do que resulta a necessidade de uma saída para a vossa expressão, e essa saída se torna o problema do sexo, ou do alcoolismo, ou outro qualquer, idiota e fútil. (…) (Idem, pág. 144)

Assim, pois, enquanto não compreenderdes integralmente as vossas aspirações religiosas, políticas, econômicas e sociais, e os entraves que se lhes opõem, as funções naturais da vida assumirão importância imensa e o primeiro plano na vossa vida. Essa a razão por que todos os inumeráveis problemas da cobiça, do desejo de possuir, do sexo, (…) têm a sua medida e o seu valor falsos. (Idem, pág. 145)

Mas se, no trato com a vida, deixásseis de considerá-la nas suas partes para considerá-la no seu todo, compreensivamente, fecundamente, com inteligência, veríeis desaparecerem os problemas que debilitam a mente e destroem o viver criador, passaria a inteligência a funcionar normalmente e experimentaríeis as doçuras do êxtase. (Idem, pág. 145)

Pergunta: Perturba-me seriamente o impulso sexual. Como poderei dominá-lo?

Krishnamurti: Senhores, esse problema é vastíssimo. Seu alcance é extraordinariamente profundamente e amplo. Nessa pergunta encerram-se muitas coisas, e não apenas o sexo (…) (Uma nova Maneira de Viver, pág.127)

(…) Tratemos primeiramente de compreender o problema do “dominar”. Como posso dominar a cólera, o ciúme? Que acontece quando dominais um inimigo? (…) Eu posso dominar-vos, mas a próxima vez podeis estar mais forte, e dominar-me. Temos, assim, um jogo que consiste em dominar e voltar a dominar. (…) Entretanto, no momento em que compreendemos uma coisa, ela está acabada. (…) (Idem, pág. 127)

Outra coisa de imensa importância que perdemos (…) é o amor. Senhores, o amor é casto, e, sem amor, não tem significado algum querermos somente dominar o sexo, ou ceder a ele. (…) Bem sei que os livros religiosos dizem que precisamos tornar-nos um Brahmacharya (o que faz voto de castidade) para acharmos a Deus. (…) (Idem, pág. 129-130)

Vemos, pois, que o problema só pode ser resolvido se compreendermos a nós mesmos e (…) a completa esterilidade de nossa vida; e é somente pelo autoconhecimento que será possível a criação, e essa criação é a Realidade, ou Deus (…) Acontece, de fato, às vezes, abrir-se um intervalo nas nuvens, através do qual podemos olhar. Mas, na maior parte do tempo, estamos fechados em nossos desejos, necessidades e temores, e, naturalmente, a única válvula que nos resta é o sexo, que degenera, que debilita, e se torna um problema. (Uma Nova Maneira de Viver, pág. 132)

Assim, pois, ao examinarmos esse problema, começamos a descobrir o nosso próprio estado, ou seja, o que “é”; descobrimos, não a maneira de transformá-lo, mas a maneira de ficarmos conscientes dele. Não o condeneis, não tenteis sublimá-lo, não procureis substitutos, não tenteis dominá-lo.

Ficai, simplesmente, conscientes do “que é”, de todo o seu significado (…) Vede como tudo isso é monótono, estéril e estúpido. (…) Sentireis, então, um novo alento, uma nova consciência, e, no momento em que reconheceis o “que é”, opera-se uma transformação instantânea. Ver o falso como falso é o começo da sabedoria (…) e vereis que desse percebimento procede uma coisa extraordinária que se chama amor, e o homem que ama é casto, (…) é puro e conhece a vida. (Uma Nova Maneira de Viver, pág. 132-133)

Pergunta: É o casamento compatível com a castidade?

Krishnamurti: Investiguemos (…) A castidade não é produto da mente (…) não resulta de disciplina, (…) não é um ideal para alcançar-se. Tudo o que é produto da mente, criado pela mente, não é casto; porque a mente, ao criar o ideal da castidade, está se esquivando do “que é”; e a mente que está tentando tornar-se casta não é casta. (…) (O que te fará Feliz? pág. 111)

O problema, portanto, não é o sexo, mas, sim, como ficarmos livres do “ego”. Vós provastes aquele estado em que não existe o “ego” (…); e onde está o “ego” está o conflito, o sofrimento, a luta. Por isso, existe o constante desejo de repetição (…) (Idem, pág. 113-114)

E como podeis ter amor? Positivamente, o amor não é coisa da mente. O amor não é o mero ato sexual (…) O amor é algo que a mente não pode (…) conceber. (…) E, sem amor, contraís relações, sem amor vos casais. E depois, na vida conjugal, “vós vos ajustais um ao outro”. (…) Ela é obrigada a conviver convosco. Detesta a casa, o ambiente, a vossa brutalidade, mas diz: “sou casada e tenho de conformar-me com isso”. (…) (Idem, pág. 117-118)

Nessas condições, uma mente que está apenas a ajustar-se, nunca pode ser casta. Uma mente que busca a felicidade no sexo nunca será casta. (…) A castidade só existe quando há o amor, sem amor, não há castidade. E o amor não é coisa suscetível de cultivar-se. (O que te fará Feliz?, pág. 118)

Só há amor quando há completo esquecimento de si mesmo (…) Então, havendo amor, tem o ato sexual significação inteiramente diferente. Esse ato não é, então, uma fuga, um hábito (…) Só onde está o amor está a castidade, a pureza; mas uma mente que “vem a ser” (…) não tem amor. (Idem, pág. 118-119)

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