“Sentir” é a capacidade de apreciar a curva de um ramo de árvore, (…) as coisas sórdidas, a lama da estrada, ser sensível ao sofrimento de outrem, assistir com enlevo ao crepúsculo. Isso não é sentimento, nem mera emoção. Emoção e sentimento ou sentimentalidade podem converter-se em crueldade, e ser explorados pela sociedade; e o indivíduo sentimental, impressionável, torna-se escravo da sociedade. Mas, necessitamos da capacidade de sentir intensamente; sentir a beleza, (…) a palavra e o silêncio entre duas palavras. Dessa capacidade necessitamos, (…) torna a mente altamente sensível. (A Suprema Realização, pág. 17)

Assim como um sentimento pode ser interpretado, assim também é possível darmos a qualquer sentimento a aparência de Realidade. A tradução depende do intérprete e, se este for influenciado por preconceitos, se é ignorante, se tiver sido moldado por um padrão de pensamento, a sua compreensão corresponderá a esse condicionamento. (…) (O Egoísmo e o Problema da Paz, pág. 54)

(…) O sentimento de terdes conseguido algo, de serdes mais hábil que outro, (…) de vos terdes tornado um homem bem sucedido, respeitado, considerado, um exemplo para outros – que indica tudo isso? Naturalmente, esse sentimento é acompanhado de orgulho (…). E, assim, quando existe esse sentimento da importância do “eu”, há o conflito, a luta, o esforço para manter esse estado ininterruptamente. (Novos Roteiros em Educação, pág. 104-105)

Que entendeis por “emoção”? Sensação, reação, “resposta” dos sentidos? Ódio, amor, o sentimento de amor ou simpatia por outra pessoa: são emoções. A umas, como o amor e a simpatia, chamamos positivas, enquanto a outras, como o ódio, chamamos negativas, (…). (O Homem e seus Desejos em Conflito, 1ª ed., pág. 57)

(…) O sentimento é endurecido pelo intelecto e pelas suas numerosas e sutis racionalizações, (…). Podeis compreender tudo isso, (…) mas de pouca importância será; somente o conhecimento e o sentimento podem produzir a centelha criadora da compreensão. (O Egoísmo e o Problema da Paz, pág. 43)

A sensação e a reação têm de gerar sempre conflito, e o próprio conflito é uma nova sensação. (…) A atividade da mente, em todos os seus diferentes níveis, é favorecer a sensação; (…). (Comentários sobre o Viver, 1ª ed., pág. 237)

A sensação é uma coisa, e a felicidade, outra. A sensação está sempre buscando mais sensação, em círculos cada vez mais largos. Não há fim para os prazeres da sensação; (…) há sempre o desejo do mais, e a exigência do mais nunca tem fim. A sensação e a insatisfação são inseparáveis, porque o desejo do mais liga uma à outra (…) e, quando são contrariadas, há cóleras, há ciúme, há ódio. (…) (Idem, pág. 237)

A mente não pode conhecer a felicidade. A felicidade não é uma coisa que se pode procurar e achar, como a sensação. (…) Felicidade lembrada é apenas sensação, (…). O que se acabou não é a felicidade; a experiência da felicidade que se apagou é sensação, porque lembrança é o passado (…). (Idem, pág. 238)

Temos, não raro, emoções religiosas, vagas, às vezes, outras bem precisas. São emoções que nos infundem intensa devoção e alegria, que nos requintam a sensibilidade, que nos dão um fugaz sentimento de união com todas as coisas. Procuramos, depois, com a ajuda dessas inspirações, resolver os nossos problemas e afeições. São numerosas tais revelações, mas o pensamento, cativo do tempo, da confusão e da dor, procura servir-se delas como estimulantes que o ajudem a vencer os conflitos. (…) (O Egoísmo e o Problema da Paz, pág. 231)

(…) Qualquer tipo de sensação, por mais requintada ou vulgar que seja, cria a resistência, (…). Ser sensível é morrer para cada resíduo da sensação; ser sensível, de maneira absoluta e contundente, a uma flor, a uma pessoa ou a um sorriso, é estar livre das marcas da memória, responsáveis pela destruição da sensibilidade. Estar consciente de todo o processo das sensações, dos sentimentos e das demais manifestações do pensamento, impede a formação de marcas e cicatrizes. As sensações, os sentimentos e os pensamentos são sempre fragmentados, parciais e, portanto, de efeito destruidor. A sensibilidade é a síntese do corpo, da mente e do coração. (Diário de Krishnamurti, pág. 149)

A sensação e a sensibilidade são duas coisas diferentes. A mente escrava do pensamento, da sensação, das emoções, é uma mente residual. Ela aprecia o resíduo, pensa no mundo dos prazeres, deixando cada pensamento uma marca, que constitui o resíduo. Essa marca contribui para embrutecer e insensibilizar a mente; e a disciplina, o controle e a repressão ainda a tornam mais embrutecida. Estou dizendo que a sensibilidade não é sensação, (…) não deixa marca nem resíduo. (…) (Ensinar e Aprender, pág. 85-86)

No mundo moderno, (…) tendemos a perder a sensibilidade. Pela palavra “sensibilidade” não entendo sentimentalidade, emocionalismo, nem mera sensação, porém a capacidade de percepção, (…) de ouvir, de escutar, de sentir a ave que canta (…). É muito difícil à maioria de nós sentir as coisas com intensidade, porque temos tantos problemas! (…) (A Suprema Realização, pág. 17)

A sensibilidade no mais alto grau é inteligência. Se o indivíduo não é sensível a tudo – a seu próprio sofrimento, ao sofrimento de um grupo humano (…); ao sofrimento de tudo que vive (…), não pode resolver nenhum dos seus problemas. E temos muitos problemas, não só no nível físico, (…) econômico, (…) social, mas também nos níveis mais profundos de nossa existência (…). E nossos problemas, tanto conscientes como inconscientes, embotam-nos a mente, roubam-lhe a sensibilidade. E perder sensibilidade é perder inteligência. (Idem, pág. 17-18)

O conflito leva à insensibilidade. A mente pode dominar o corpo e suprimir os sentidos, mas, desse modo, torna o corpo insensível; e um corpo insensível torna-se um obstáculo ao pleno vôo da mente. A mortificação do corpo absolutamente não leva à busca das camadas mais profundas da consciência; pois isso só é possível quando mente, emoções e corpo não estão em contradição entre si, mas (…) integrados e em uníssono, sem esforço e sem que sejam forçados por qualquer conceito, crença, ideal. (O Verdadeiro Objetivo da Vida, pág. 17)

Sensibilidade e sensação são duas coisas distintas. As sensações, as emoções e os sentimentos sempre deixam resíduos, cujo acúmulo acaba por deformar e embrutecer a mente. Por serem contraditórias, as sensações sempre produzem conflito, e este, por sua vez, embota a mente e distorce a percepção. Apreciar a beleza das coisas em termos de sensação, de gostar ou não gostar, é o mesmo que estar insensível ao belo; a sensação distingue o belo do feio; mas, a divisão é incapaz de perceber a beleza. (…) (Diário de Krishnamurti, pág. 149)

Ter sensibilidade significa ser sensível a tudo o que nos cerca – às plantas, aos animais, às árvores, ao céu, às águas do rio, aos pássaros; e também ao estado de humor das pessoas que nos cercam, e dos estranhos pelos quais passamos. Essa sensibilidade acarreta a qualidade de ação não calculada, não egoísta, que é a verdadeira moral (…) e conduta. Sendo sensível, a criança será franca, não será retraída em sua conduta; portanto, uma simples sugestão por parte do professor será aceita com facilidade, sem resistência nem atrito. (O Verdadeiro Objetivo da Vida, pág. 13)

Em todo o mundo, (…) o aprender exige sensibilidade. Se não sois sensível a vós mesmo, a vosso ambiente, a vossas relações, (…) ao que se está passando em derredor de vós, (…) então, por mais que vos disciplineis, vos ireis tornando cada vez mais insensível, (…) mais egocêntrico – e isso gera problemas (…). (A Luz que não se Apaga, pág. 76)

Por que sou eu ou por que sois vós tão insensíveis ao sofrimento de outro homem? Por que somos indiferentes para com o carregador que transporta uma pesada carga, para com a mulher que tem nos braços o seu filho? (…) Não há dúvida de que é o sofrimento que nos torna insensíveis; por não compreendermos o sofrimento, tornamo-nos indiferentes a ele. Se compreendo o sofrimento, torno-me sensível. (…) (Novo Acesso à Vida, pág. 111)

(…) Se existe falta de sensibilidade para a fealdade, para a tristeza, deverá existir também uma profunda insensibilidade para a beleza, para a alegria (…). (Palestras em Ommen, Holanda, 1937-1938, pág. 42)

Assim, intelectualmente, estais sendo tolhido, sufocado, controlado, moldado (…), não há (…) libertação. Tampouco a há do ponto de vista emocional – mas não deis à palavra “emocional” o sentido de sentimental. Um ente sentimental é perigoso, pode tornar-se cruel, estúpido, insensível. (…) (Uma Nova Maneira de Agir, 1ª ed., pág. 122)

Para se ver a beleza do rosto de uma pessoa, (…) de um rio, de uma folha caída, (…) de um sorriso, (…) de uma ave a voar, necessita-se (…) de alta sensibilidade, (…). (Idem, pág. 122)

Necessitais desse sentimento extraordinário, dessa sensibilidade para tudo: para o animal, (…) as podridões da miséria e do desespero humano. Deveis ser sensível, isto é, sentir intensamente (…) – sensibilidade que não é emoção (…). Se não fordes tão completamente sensível, não haverá inteligência. A inteligência vem com a sensibilidade e a observação. (O Despertar da Sensibilidade, pág. 136)

A sensibilidade não é resultado do saber e de ilimitados conhecimentos. Podeis conhecer todos os livros do mundo (…); mas isso não produz inteligência. O que produz inteligência é aquela sensibilidade, a sensibilidade total de vossa mente, consciente e inconsciente, a sensibilidade de vosso coração, com sua extraordinária capacidade de afeição, de compaixão e de generosidade. (Idem, pág. 136)

E, quando existe essa sensibilidade aliada à observação, há também inteligência, para observar, ver as coisas como são, sem nenhuma fórmula, nenhuma opinião; para ver a nuvem como nuvem; ver vossos mais íntimos pensamentos, vossos secretos desejos, exatamente como são, sem lhes dar nenhuma interpretação, sem aceitá-los, sem rejeitá-los; (…) e para observar, quando viajais num ônibus, o passageiro a vosso lado, seus modos, sua maneira de falar; observar, simplesmente. Dessa observação vem a clareza. (…) Como vemos, pois, com a sensibilidade e a observação, vem aquela extraordinária inteligência. (Idem, pág. 136)

Não havendo sensibilidade, não pode haver afeto; o amor próprio não indica sensibilidade; podemos ter sensibilidade em relação às nossas famílias, (…) realizações, (…) nível social e (…) talento, mas isso não quer dizer que sejamos sensíveis. Trata-se de estreita e limitada reação, (…). Ser sensível não é ter bom gosto, pois este é uma qualidade pessoal, e a percepção da beleza está justamente no libertar-se de toda reação. Se não soubermos apreciar e sentir a beleza, não poderemos amar. (…) (Diário de Krishnamurti, pág. 168)

(…) Sentir a natureza, o rio, o céu, as pessoas, a estrada imunda, faz parte da afeição, cuja essência é a própria sensibilidade. Mas, a maioria das pessoas teme a sensibilidade, e isso porque não querem sofrer; para evitar o sofrimento, preferem embrutecer-se, mas nem assim ele desaparece. (…) Amar é romper com essa cadeia interminável de reações individuais; não há barreiras para o amor; ele não se limita a um ou vários objetos (…). Ao tomarmos consciência do fato, libertamo-nos da servidão; é justamente o medo do fato que nos aprisiona. (…) (Idem, pág. 168)

Como é possível amar, sem sensibilidade? Sentimentalismo e emocionalismo negam a sensibilidade, porque são terrivelmente cruéis; são responsáveis pelas guerras. (…) (A Luz que não se Apaga, pág. 76)

(…) Compreendeis o que entendo por “sensibilidade”? A maioria de nós deseja ser sensível ao belo – à boa música, aos belos quadros, etc. – mas não desejamos ser sensíveis às coisas feias, barulhentas, (…). (O Homem e seus Desejos em Conflito, 1ª ed., pág. 147)

Para poderdes ser sensível num sentido, deveis ser sensível em ambos os sentidos. Não há verdadeira sensibilidade se sois sensível a uma coisa e insensível a outra. A pessoa que é insensível a qualquer coisa na vida, não é totalmente sensível, (…), (Idem, pág. 147)

Não achais necessário que o pensamento claro e correto seja sensível? Para sentir profundamente, não é necessário um coração aberto? (…) Embrutecemos nossa mente, nosso sentimento, nosso corpo, com as crenças e a malevolência, com estimulantes poderosos e insensibilizantes. (…) (O Egoísmo e o Problema da Paz, pág. 17)

(…) Como podeis ser sensíveis, quando diariamente vos entregais a leituras ou assistis a filmes em que se vos apresentam matanças de milhares de indivíduos – carnificinas que vos são descritas como lances sensacionais de um torneio esportivo? Talvez vos cause desgosto (…), mas a freqüente repetição dessas ferozes brutalidades acabam por insensibilizar-vos a mente-coração, (…). (Idem, pág. 17)

Se não desejais sentimentos embotados e empedernidos, deveis pagar o preço disso. Urge abandonardes a pressa, a confusão, as profissões e atividades inadequadas. Deveis tornar-vos cônscios de vossos apetites, de vosso ambiente delimitador, e começareis, então, com uma justa compreensão dos mesmos, a novamente despertar a sensibilidade. (…) (Idem, pág. 18)

A pessoa que “experimenta” um pôr-do-sol não é sensível. Poderá dizer: “Que beleza, que maravilha” e ficar extasiada (…), mas essa pessoa não é sensível. Ser sensível implica um estado mental em que só existe o fato, e não todas as vossas lembranças relativas ao fato. Esse perceber, esse ver, esse escutar de cada momento tem na vida uma ação extraordinária. (…) (O Homem e seus Desejos em Conflito, 1ª ed., pág. l36)

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