Senhores, examinemos (…) essa questão relativa aos vários caminhos conducentes a uma verdade fundamental. Ora, um caminho só pode conduzir a algo que já é conhecido, e o que é conhecido não é a verdade. Quando conheceis alguma coisa, deixa ela de ser a verdade. (…) Por essa razão, o que é conhecido está enredado no tempo, e, por conseguinte, não é a verdade, não é o real. (Uma Nova Maneira de Viver, pág. 92)

Mas, a realidade é o imensurável, o desconhecido. Se a pudésseis medir, ela não seria a verdade. Porque, nada do que haveis aprendido nos livros ou por afirmações de outros, é real; é mera repetição, e o que se repete não é mais a Verdade. (Idem, pág. 92)

Existe, pois, um caminho conducente à Verdade? Até agora, pensávamos que todos os caminhos conduzissem à Verdade. Conduzirão mesmo? O caminho do ignorante (…) conduzirá à Verdade? (…) O homem devotado ao saber não pode achar a Verdade, porque o que lhe interessa é a erudição, e não a Verdade. (…) O homem de ação encontrará a Verdade? É óbvio que não, pela simples razão de que, quando nos interessamos somente por uma parte, não podemos achar o todo. (…) (Uma Nova Maneira de Viver, pág. 92-93)

Assim, pois, o homem que de fato busca a realidade, precisa do devotamento, do saber e da ação. Não representam essas coisas três caminhos separados, conduzindo a algo extraordinário chamado Realidade. Todavia, o devotamento a uma coisa não passa de simples fantasia. Retire-se o objeto do devotamento, e eis o homem perdido (…) Por conseguinte, isso já não é devotamento. É apenas uma válvula emocional, ajustada a uma coisa (…); mas o homem realmente devotado está devotado à busca, em si, e não ao conhecimento. (Idem, pág. 93)

(…) Só os indivíduos amadurecidos encontrarão a Verdade. Aquele que alcançou a madureza não segue caminho algum, seja o caminho dos adeptos, (…) do saber, da ciência, do devotamento ou da ação. O homem que foi posto num caminho, não está amadurecido e não encontrará, jamais, o Eterno, o Atemporal, porquanto a parte (…) pertence ao tempo. Através do tempo nunca é possível encontrar o Atemporal. (…) (Idem, pág. 94)

Não há caminho para Aquilo que existe acima de todos os caminhos abertos e percorridos pelo homem. Para se encontrar aquela realidade a que nenhum caminho conduz, é necessário ver a verdade no falso. Se percebeis que é falso o caminho que estáveis percorrendo (…), então esse próprio percebimento do falso é percebimento do verdadeiro. Não há necessidade de seguirdes o verdadeiro; o verdadeiro vos liberta do falso. (Diálogos sobre a Vida, 1ª ed., pág. 139-140)

Quando falais de um caminho para a verdade, isso implica que a verdade, essa realidade viva, não está no presente, mas algures distante, em um certo lugar no futuro. Pois bem, para mim, verdade é preenchimento, e para o preenchimento não pode haver caminho. (Palestras em Adyar, Índia, 1933-1934, pág. 110)

Assim, parece (…) que a primeira ilusão em que estais aprisionados é esse desejo de segurança, (…) de certeza, essa indagação de qual o caminho, a maneira, o modo de viver pelo qual podereis atingir a meta desejada, que é a verdade. (…) (Idem, pág. 110)

Quando inquiris sobre o que é a verdade, estais realmente pedindo que vos digam o caminho que a ela conduz. Desejais, então, saber qual sistema seguir, qual maneira, qual disciplina vos auxiliará no caminho para a verdade. (Palestra em Adyar, Índia, 1933-1934, pág. 110)

Mas, para mim, não há caminho para a verdade; a verdade não é para ser entendida por meio de nenhum sistema, de nenhum caminho. Uma senda implica uma meta, um fim estático, e, por isso, um condicionamento da mente e do coração para esse fim (…) E o estar buscando uma meta indica que a vossa mente está procurando segurança, certeza. (…) (Idem, pág. 110-111)

Mas a verdade é uma realidade que não pode ser compreendida seguindo-se um caminho. A verdade não é um condicionamento, uma modelagem da mente e do coração, mas um preenchimento constante, um preenchimento na ação. (…) Digo que cada um deve descobrir por si próprio o que é a verdade (…) (Palestras em Adyar, Índia, 1933-1934, pág. 111)

(…) A verdade é o movimento do eterno vir-a-ser, e assim não é uma finalidade, não é estática. Por isso, a busca de um caminho é nascida da ignorância, da ilusão. Mas quando a mente está flexível, livre de crenças e memórias, liberta do condicionamento da sociedade, então, nessa ação, nessa flexibilidade há o movimento infinito da vida. (Idem, pág. 112)

Como disse outro dia, o verdadeiro cientista é aquele que, sem um resultado em vista, está continuamente experimentando. Ele não busca resultados, que são apenas subprodutos da sua pesquisa. Desse modo, quando estais buscando, experimentando, a vossa ação se torna simplesmente um subproduto desse movimento. (Palestras em Adyar, Índia, 1933-1934, pág. 112)

(…) Somente quando pesquisardes sem o desejo de sucesso, de consecução, é que a vossa vida se tornará continuamente livre, rica. Isso não quer dizer que em vossa busca não haverá ação, resultado; significa que a ação, os resultados, não serão a vossa primeira consideração. (Idem, pág. 113)

Estou falando sobre aquele centro que pensa num estado permanente, que pensa em Deus ou na Verdade, e que também conhece a atividade diária de dor e prazer, de ambição, avidez, inveja, e desejo de poder, prestígio. Tudo isso constitui o centro (…) E é possível esse centro terminar? Vede, por favor, que a menos que termine esse centro, conhecereis sempre a impermanência e o sofrimento (…) (O Homem Livre, pág. 94-95)

Vós e eu vamos agora viajar nesse centro, sem saber aonde a viagem nos levará. Se já sabeis aonde ela levará, já preconcebestes o ponto de chegada, o qual, por conseguinte, não será o Real. A mente limitada, ainda a mais instruída e apta a discutir eruditamente, é incapaz de buscar algo totalmente novo. O que pode fazer é apenas “projetar” suas próprias idéias ou provocar um estado “devocional” ou estático.

Estamos, portanto, entrando num mar desconhecido, e cada um tem de ser seu próprio capitão, piloto e marujo. Cada um, por si, tem de ser tudo. Não há guia, e essa é a beleza da existência. Se tendes companheiros e guias, nunca viajais sozinhos e, portanto, não estais fazendo viagem nenhuma. Essa viagem é um “processo” de autodescobrimento e, se começardes a compreendê-la, vereis a extraordinária relação que ela tem com vossa presente existência. (O Homem Livre, pág. 95)

Assim, só podereis fazer essa viagem quando começardes a compreender-vos, (…) a compreender a natureza de vossa própria mente, a penetrá-la, passo a passo. E não podereis ir longe, se condenardes, se avaliardes o que descobrirdes. (…) Para inquirir, penetrar as profundezas de um pensamento ou uma emoção, desdobrá-los, não deve haver julgamento ou avaliação (…) Temos de acompanhar-lhes o movimento; e essa investigação do “eu”, do centro, é meditação. (…) (Idem, pág. 95)

Se eu vos dissesse que se pode fazer cessar o pensamento, perguntaríeis: “Como posso alcançar esse findar do pensamento?” (…) O importante é descobrir a natureza do centro, penetrá-lo e descobrir todo o processo do pensar, por vós mesmos e não de acordo com outro qualquer; e nessa viagem não podeis levar nenhum companheiro. Nem esposa, nem marido, (…) nem guru, nem livro algum pode ajudar-vos. Essa viagem deve ser empreendida completamente a sós, e não há nenhuma espécie de organização religiosa que possa ajudar-vos. (…) (O Homem Livre, pág. 96)

Assim, para empreenderdes essa viagem, deveis libertar-vos (…) de todas as organizações religiosas, de toda tradição. E eu vos asseguro que isso é muito difícil, porquanto exige, não simples revolta, mas grande soma de atenção, reflexão e investigação. No processo da investigação, vereis surgir dificuldades de todo gênero – medo, insegurança, incerteza – e, porque não somos capazes de enfrentá-las, pomo-nos em fuga e vamos falar a respeito de Deus e da Verdade. Porém, para o homem que está séria e realmente interessado, o empreender dessa viagem traz solidão, que não é isolamento (…) (Idem, pág. 96)

Porque compreendeu o centro e não está transferindo esse centro para um diferente nível de consciência, a mente, nesse estado de solidão, é capaz de ação individual total – individual no sentido de não estar relacionada com determinada sociedade ou cultura. Essa mente se torna silenciosa, de todo tranqüila, e nessa própria tranqüilidade há um movimento extraordinário, (…) não por ela gerado. Esse movimento desprovido de centro, sem direção ou objetivo, é criação; (…) é o real, transcendente às medidas do tempo e do homem. (Idem, pág. 96)

(…) É assim que o temor tem sido empregado como meio de controlar o homem; é o que têm feito as religiões, e (…) a sociedade com seu código de moralidade. (…) O homem que busca a verdade tem de navegar por mares sem roteiros. Não vai à procura de portos ou refúgios; vai explorar. (…) (Uma Nova Maneira de Viver, pág. 134)

É só quando o pensamento está liberto dos valores materiais, criados pela mão ou pela mente, que nos é dada a visão da verdade. Não há senda conducente à Verdade. Tendes de navegar por mares sem roteiros para a encontrardes. A Realidade não pode ser comunicada a outrem, porquanto o que se comunica é o que já se sabe, e o que é sabido não é Real. (…) (O Caminho da Vida, pág. 10)

Mas a verdade é uma realidade que não pode ser compreendida seguindo-se um caminho. A verdade não é um condicionamento, uma modelagem da mente e do coração, mas um preenchimento constante, (…) na ação. O inquirirdes sobre a verdade implica que acreditais em um caminho para a verdade, e essa é a primeira ilusão a que estais presos. Nisso há imitação, deformação. (…) Digo que cada um deve descobrir por si próprio o que é a verdade, mas isso não significa que cada um deva delinear um caminho para si próprio (…) (Palestras em Adyar, Índia, 1933-1934, pág. 111-112)

(…) Quando procurais um guru, um instrutor religioso, com o fim de aprender, que é que aprendeis? Ele só poderá ensinar-vos um sistema, um padrão de pensamento. (…) (Da Solidão à Plenitude Humana, pág. 56)

(…) De maneira semelhante desejais aprender o caminho que leva a Deus, à Verdade, desejais que alguém vos mostre a via que conduz àquele estado extraordinário. É claro que não existe caminho algum para aquele estado, pois aquele estado não é estático, e se alguém vos diz que há um caminho para lá, vos está enganando. (…) e aí é que está a beleza da coisa. Mas a mente repele esse fato, porque deseja sentir-se em segurança (…) (Idem, pág. 57)

Mas quando se põe de parte toda autoridade – e é preciso fazê-lo, porque autoridade implica medo – quando se abandona o guru, o instrutor espiritual, o agente exterior, fica-se só consigo mesmo. Mas isso é uma coisa que assusta: estar só consigo mesmo – sem se tornar neurótico ou ter quaisquer perturbações emocionais. (O Mundo Somos Nós, pág. 99)

Torna-se necessária uma revolução, não dentro do padrão da sociedade, porém dentro de cada um de nós (…) Temos de empreender a jornada sozinhos, completamente desacompanhados, sem ajuda de ninguém, de nenhum influência (…) A própria jornada representa o “motivo”, e só os que a empreendem produzirão algo novo (…) (Da Solidão à Plenitude Humana, pág. 83)

Não sigais pessoa alguma, nem a mim próprio. Não façais de outrem a vossa autoridade. Vós mesmos tendes de ser mestre e discípulo. (…) Na busca da verdade, não há mestre nem discípulo. (…) (O que te fará Feliz?, pág. 120)

(…) Não tenho discípulo; não tenho seguidores; mas, se compreenderdes a Verdade que vos ofereço, em toda a sua simplicidade e grandeza, e amardes essa Verdade pela sua própria beleza, tornar-vos-eis então discípulos dessa Verdade. (Que o Entendimento Seja Lei, pág. 4)

(…) Espero, pois, que esteja agora perfeitamente claro que não necessito de discípulos nem de seguidores; porque eu sustento que ser discípulo de um indivíduo qualquer é trair a Verdade. A única maneira de alcançar a Verdade é ser discípulo da própria Verdade, sem (…) intermediário.(…) (Idem, pág. 4)

(…) Não sou vosso protetor ou guia. Vós sois vosso próprio instrutor e vosso próprio discípulo. (…) Aqui estais para aprender de vós mesmos a respeito dos problemas que tendes, e não para serdes instruído por mim. Portanto, não me coloqueis nessa posição falsa (…). Se o fizesse, me tornaria um guia, um guru, e iria aumentar as muitas inutilidades com que se explora o próximo (…) Este orador não vos está instruindo, nem dizendo-vos o que deveis fazer – isso seria completa falta de madureza. (A Mente sem Medo, 1ª ed., pág. 26-27)

Tendes, pois, de ser vosso próprio mestre e vosso próprio discípulo, porquanto, fora de vós, não existe nenhum, instrutor, (…) Salvador, (…) Mestre; vós mesmos tendes de transformar-vos e, por conseguinte, cabe-vos aprender a observar e a conhecer-vos. Esse aprender acerca de si próprio é uma atividade fascinante, proporcionadora de grande alegria; (…) (Palestras com Estudantes Americanos, pág. 81)

Por isso é bom ser cético: dá-se-vos oportunidade para descobrir por vós mesmo (…) O importante é que sejais vossa própria luz, vosso próprio mestre e discípulo, que sejais a um tempo instrutor e discípulo. Quando se está aprendendo, não há instrutor algum. Só quando cessais de investigar, de descobrir, de compreender (…) (A Cultura e o Problema Humano, pág. 49-50)

Digo que não há nenhuma fonte permanente que possa dar entendimento a alguém. Para mim, a glória do homem é que ninguém o possa salvar, exceto ele mesmo. Por favor, se observardes o homem, (…) vereis que ele sempre recorreu a outrem para ser ajudado. (…) (Palestras na Itália e Noruega, 1933, pág. 108)

(…) Porque sois, aí, vosso próprio instrutor e vosso próprio discípulo; a vida estará aberta para vós e ireis ao seu encontro todos os dias, com plenitude, riqueza, felicidade. Mas isso não é possível se há qualquer forma de acumulação. O ver o fato simplesmente, sem avaliação, traz liberdade. (…) (Visão da Realidade, pág. 267)

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