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Pensamentos de Krishnamurti

A vida é, e tem de ser, uma série de desafios e “respostas”. E, se temos capacidade de responder a eles de maneira adequada, completa e direta, desaparecem então os problemas.

O propósito último da existência individual é realizar o ser puro, em que não há separação, que é a realização do Todo. A individualidade é apenas um fragmento daquele.

Por que dependemos psicologicamente? Evidentemente, porque interiormente somos insuficientes, pobres, vazios. O enclausuramento no “eu” faz-nos dependentes de pessoas, saberes, bens.

A maturidade não vem com o tempo nem com a idade. É aquele estado no qual cessou toda forma de escolha. Só a mente inocente é madura, e não aquela que acumula conhecimentos.

Só pode haver amor quando se compreende o processo integral da mente. O amor só pode existir quando ausente o pensamento do “eu”. Vereis então que o amor nada tem que ver com os sentidos.

Separamos o intelecto do sentimento, desenvolvemos o intelecto à custa do sentimento. O basear-se só no intelecto ou só no sentimento conduz ao desequilíbrio.

É preciso muito cuidado com esta palavra “intuição”; nela se encerra muita ilusão. Se compreenderdes com todo o vosso ser, sem escolha, então brotará a flor da intuição, do discernimento.

Nosso pensamento-sentimento está colhido no processo horizontal do “vir-a-ser”. O que vem a ser está sempre acumulando, se expandindo. O ego, o que vem a ser, o criador do tempo, jamais pode conhecer o Atemporal.

A causa da dualidade é o desejo, o anseio; pela sensação e pelo contato surge o desejo, o prazer, a dor. É só compreendendo o seu mecanismo que podemos transcender o conflito dos opostos.

Cada um de nós tem uma imagem daquilo que “deveria ser”. Todos nós nos colocamos em níveis diversos e estamos a cair dessas alturas. Se não existe um pedestal sobre o qual nos colocarmos, como pode haver queda?

Enquanto alguém tiver uma imagem de si próprio, fica sujeito a magoar-se (ferir-se). Se a pessoa estivesse totalmente livre de imagens, não seria afetada nem por ofensas nem por adulações.

Como poderá o “eu” – que constitui todo o processo do nosso pensar-sentir – terminar, cessar? Ele só poderá ser dissolvido pelo autoconhecimento, observando-se em suas expressões, sendo como nada, ninguém.

A morte psicológica tem um sentido transcendente. O findar do “eu” significa o término das lembranças, das dores, do orgulho, ciúme, vaidade, etc. Com a morte do conhecido, surge o desconhecido.

Pode a mente permanecer no estado de “não saber”? O homem que diz “eu sei”, não sabe. Entretanto, o que “não sabe” acha-se num processo de investigação. Só ele é capaz de descobrir a verdade.

Meditação é estar cônscio das atividades da mente do meditador (eu). Constitui um processo de descondicionamento. Significa observar cada pensamento, sentimento, sem resistência, sem condenação.

Por que se tornou o sexo um problema em nossa vida? Não é porque somos incompletos mental e emocionalmente? O pensar criador nos torna livres do ego. Onde está o amor, está a castidade, a pureza.

A religiosidade verdadeira é um estado que transcende o “ego”, o conhecido. A capacidade de enfrentar o novo com o novo, é um estado criador de verdadeira espiritualidade, que prescinde da sociedade.

Fazer da mente um cérebro eletrônico é funcionar maquinalmente. A atividade de acumular é um obstáculo à compreensão do Real. A mente deve atuar como inteligência, e não como banco de dados.

Sois capazes de citar uma dúzia de livros, mas não conheceis a vós mesmos. Sois entes humanos de “segunda mão”, e os problemas exigem uma mente de “primeira mão” (original).

É possível acharmos a luz dentro de nós mesmos, para que nunca precisemos recorrer a outros? Isso significa que devemos ser capazes de estar sós, desamparados, sem dependermos de ninguém.

Não há compreensão no culto das personalidades. Os rótulos que adorais carecem de significado. A verdade transcende todas as graduações, porquanto estas só existem por causa das limitações humanas.

A verdade é totalmente nova, livre. A ela não podemos chegar com idéias preconcebidas, não é experiência alheia. Sabedoria não é acúmulo de conhecimentos, experiências. Encontra-se no Atemporal, no Imensurável.

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