Assim, a mente, na busca da certeza interior por meio da propriedade (…) das pessoas, das idéias, não deseja ser perturbada e levada à incerteza. Já não notastes muitas vezes como a mente se revolta contra qualquer coisa nova – uma idéia nova, uma experiência nova, um estado novo? Quando a mente experimenta um novo estado, ela o traz logo para o seu próprio campo, isto é, para o campo do conhecido. A mente (…) está sempre funcionando dentro do campo da certeza, (…) do conhecido, (…) da segurança, que é a projeção dela própria (…) ( (Viver sem Confusão, pág. 20)

(…) O estado de criação, naturalmente, consiste em experimentar algo que está além da mente, e esse estado de criação não pode manifestar-se enquanto a mente está apegada a qualquer forma de segurança, interior ou exterior (…) E nesse estado de incerteza, que não é isolamento, não é temor, há o estado criador. A incerteza é essencial ao estado criador. (Idem, pág. 20)

Se considerardes os vossos pensamentos e os atos deles originados, verificareis que, onde existir o desejo de fuga, deverá coexistir a busca de segurança; (…) Mas, realmente, não há segurança na vida – nem física, nem intelectual, nem emocional, nem espiritual. Se vos sentirdes seguro, jamais podereis encontrar essa realidade vivente; contudo, a maioria de vós está procurando segurança. (Palestras na Itália e Noruega, 1933, pág. 20-21)

Alguns de vós estais procurando segurança física por meio da riqueza, do conforto e do poder sobre outrem (…); estais interessados em diferenças e privilégios sociais que vos assegurem uma posição da qual obtenhais satisfação. A segurança física é uma forma (…), mas (…) o homem tem-se voltado para a forma sutil de segurança a que chama espiritual ou religiosa. (…) (Idem, pág. 21)

(…) Assim, conquanto seja necessária a segurança física, não existe segurança psicológica permanente. E, no momento em que tendes essa segurança, que é projetada por vós mesmos, vos tornais indolentes, satisfeitos e estacionários. Mas, quando não há segurança alguma, tendes então necessidade de uma mente que esteja vivendo momento a momento, (…) portanto, na incerteza; e a mente que é incerta, (…) que não sabe, que não busca a satisfação, essa mente é criadora. Esse “estado de ser”, de criação, surge só quando a mente está em completo silêncio, não está à procura de recompensa. Há, então, a paz permanente (…) (A Arte da Libertação, pág. 197)

Assim, pois, cumpre compreender a aceitação da autoridade, que realmente exprime exigência psicológica de segurança, de certeza, de garantia de que se está seguindo o caminho correto. Em geral detestamos a incerteza a respeito de qualquer coisa, principalmente a respeito de nós mesmos. Mas, notai, precisamos estar incertos para podermos descobrir o que é verdadeiro. (…) (O Homem e seus Desejos em Conflito, 1ª ed, pág. 133)

(…) O desejo de segurança implica conformismo; e só quando a mente está de fato insegura, completamente incerta, quando não depende de autoridade alguma, nem exterior nem interior, quando não está imitando um exemplo, um ideal, ou aferrada à autoridade do que foi – só então está a mente isenta de conformismo e, portanto, livre para descobrir, e só então há criação. (Que Estamos Buscando, 1ª ed., pág. 142)

Conhecemos tudo isso como um fato diário. E todavia persistimos nas nossas crenças (…) A mente deseja constantemente estar em segurança, achar-se num “estado de conhecimento”, saber, e a crença oferece uma segurança muito conveniente. Crença em alguma coisa, (…) em determinado sistema econômico (…) Ou crença (…) em determinado sistema espiritual; também aí a mente se sente segura, certa. (A Renovação da Mente, pág. 29)

A crença, afinal de contas, é uma palavra. A mente vive de palavras; das palavras tira a sua substância; e nelas se abriga e encontra a certeza. E uma mente que se acha abrigada, segura, certa, é, sem dúvida, incapaz de compreender qualquer coisa nova ou de receber aquilo que não é mensurável. A crença, pois, atua (…) como obstáculo a algo que é criador, que é novo. (Idem, pág. 20)

Mas, achar-se num estado de incerteza, de não saber, de não adquirir, é extremamente difícil, (…) Talvez não seja difícil, mas requer um certo interesse, sem distração alguma, interior ou exterior. Mas, infelizmente, os mais de nós desejamos estar distraídos interiormente; e as crenças, as cerimônias, os ritos nos oferecem distrações boas, respeitáveis. (Idem, pág. 29)

Sem compreender o problema da insegurança, não é possível a segurança. Se buscamos segurança, não a encontraremos; a busca da segurança acarreta a destruição da própria segurança. É necessária a insegurança para a compreensão da Realidade, porém uma insegurança que não seja o oposto da segurança. O desejo de segurança gera a indolência; torna a mente-coração inflexível e insensível, timorata e sem penetração; impede o estar acessível à realidade. Na profunda insegurança, é-nos dada a percepção da Verdade. (O Egoísmo e o Problema da Paz, pág. 111)

(…) Perdemos, na segurança das coisas produzidas pelo intelecto, aquela felicidade da Realidade criadora, cuja natureza intrínseca é a insegurança. A mente que busca a segurança, vive em perene temor, nunca tem alegria, nunca experimenta o estado de potência criadora. A forma suprema do pensar-sentir é a compreensão negativa, e a sua verdadeira base, a insegurança. (Idem, pág. 112-113)

Eis um problema complexo (…) Em primeiro lugar, é necessária a segurança física (…) Necessitamos de alimento, roupas, morada (…) Mas as necessidades físicas são utilizadas como meio para a nossa própria expansão psicológica (…) Isto é (…) como meio para firmar sua própria posição, seu progresso e autoridade. (Por que não te Satisfaz a Vida?, pág. 29-30)

Ora bem, enquanto estivermos à procura de segurança psicológica ou interior, evidentemente negaremos a segurança externa. Isto é, enquanto somos nacionalistas, temos de criar a guerra, destruindo dessa maneira a segurança exterior (…) Assim sendo, enquanto estiver eu à procura de segurança interior, sob qualquer forma, tenho de provocar o caos e o sofrimento no exterior. (Idem, pág. 30-31)

Pois bem, a segurança interior é um estado inexistente, e, quando a procuramos, o que fazemos é apenas isolar-nos, fechando-nos numa idéia, (…) esperança, (…) padrão. Isto é, encerramo-nos ou na experiência e no conhecimento coletivos, ou em nossa experiência e conhecimento próprios, e nesse estado gostamos de permanecer, porque nos sentimos seguros. (Por que não te Satisfaz a Vida? pág. 31)

Ora, que é que condiciona a mente? (…) E quando a mente nada tem para perder, ela está em perfeita segurança (…) – o que significa que na própria insegurança está a sua segurança. Enquanto a mente busca segurança, permanência, sob qualquer forma, ela cria influências que a condicionam (…) A vida é insegura, impermanente. A resistência, a negação do fato (…), gera a oposição (…) e, por conseguinte, cria o medo, e o medo condiciona a mente (…) (Visão da Realidade, pág. 102)

O desejo de segurança, nas coisas e nas relações, só produz conflito e sofrimento, dependência e temor. (…) Sem autoconhecimento, torna-se a vida de relação uma fonte de lutas e antagonismos, um expediente com que encobrimos a nossa insuficiência, (…) pobreza interior. (O Egoísmo e o Problema da Paz, pág. 149)

O anseio de segurança, sob qualquer forma, não denota insuficiência interior? Não nos obriga essa pobreza interior a procurar, aceitar e apegar-nos a fórmulas, esperanças, dogmas, credos, bens materiais? Nossa ação não é então meramente imitativa e forçada? (…) (Idem, pág. 149)

(…) Só a mente que, na sua totalidade, é impermanente, incerta, pode descobrir o que é verdadeiro; porque a Verdade não é estática. A verdade é sempre nova e só pode ser compreendida pela mente que está morrendo para todas as acumulações, (…) experiências e é, por conseguinte, fresca, jovem, “inocente”. (Da Solidão à Plenitude Humana, pág. 81)

Devemos, pois, viver com a incerteza. Porque só a mente que está incerta é criadora, e não aquela que tem continuidade; não a mente que precisa estar em perfeita segurança (…) Quando estiverdes vivendo naquele estado de completa insegurança interior, vereis como sabereis enfrentar com clareza, (…) presteza, qualquer problema da vida, não importa em que nível, qualquer crise (…) desafio (…) (O Despertar da Sensibilidade, pág. 116)

A completa segurança está na inteligência compassiva – segurança total. Porém nós desejamos segurança nas idéias, nos conceitos, nos ideais; (…) Onde há compaixão, com sua suprema inteligência, há segurança (…) Na realidade, onde há compaixão, onde existe essa inteligência, não há problema algum de segurança. (La Llama de la Atención, pág. 35)

Mas, não tendes de perder-vos, para descobrir? Nós temos medo de perder-nos, de ficarmos na incerteza, e por isso vivemos a correr atrás dos que prometem o céu (…) Por conseguinte, eles estão em verdade incentivando o medo e nos conservando prisioneiros desse medo. (A Outra Margem do Caminho, pág. 36)

Qual é, então, o verdadeiro problema (…)? (…) Posso dizer-vos: não deveis ser ávidos, (…) ambiciosos, (…) ter crenças, e deveis libertar a mente de todo e qualquer desejo de segurança e viver na incerteza completa; (…) O problema é o de experimentar diretamente o estado de completa incerteza, e não ter nenhum sentimento de segurança, e isso será possível, apenas, se compreenderdes o processo total de vosso próprio pensar, ou se souberdes escutar com todo o vosso ser, com atenção plena e sem resistência alguma. (Visão da Realidade, pág. 152)

Estar livre de preconceito é viver num estado de incerteza, de insegurança. (…) E óbvio que necessitamos de segurança física, nos limites razoáveis, pois do contrário seria de todo impossível viver. Mas negamos essa segurança física quando buscamos a segurança psicológica (…) Quando queremos estar psicologicamente seguros, no nacionalismo, numa crença (…) – é esse desejo psicológico, (…) interior de certeza, de segurança, de dependência, que cria a insegurança exterior. (…) (Nós Somos o Problema, pág. 23)

É possível a uma pessoa viver em relação, sem estar interiormente segura, psicologicamente certa? (…) A maioria de nós busca a segurança psicológica, independentemente da segurança física. Precisamos de segurança física, muita ou pouca, conforme o nosso ambiente, etc. Mas há necessidade de segurança psicológica? (…) Embora estejamos procurando, (…) não é esse um jeito errôneo de encarar a vida? Existe segurança interior? (…) (Nós Somos o Problema, pág. 31)

E se estou bem seguro nas minhas relações, existem verdadeiramente relações? Se estou bem seguro a vosso respeito, como minha esposa, meu patrão, ou meu amigo – seguro no sentido de estar-me servindo de vós como instrumento de (…) segurança interior – existe alguma relação entre nós?

Existe relação entre vós e mim quando eu me utilizo de vós? (…) Sois apenas um utensílio para mim. (…) Sois uma peça de mobília para meu uso. Isto é, interiormente, psicologicamente, eu sou pobre, vazio, insuficiente; por essa razão sirvo-me de vós como de um apoio, (…) meio de fuga de mim mesmo. E a tal utilização damos o nome de amor, etc. (Nós Somos o Problema, pág. 32)

A essa fuga chamamos relação, quer se trate de relação com a propriedade, com pessoas, quer com idéias. E, sem dúvida, tal relação não pode deixar de criar conflito, sofrimento e desastres. E esse é o estado em que vivemos – servindo-nos das pessoas, das coisas, como meio de encobrir nossa própria pobreza interior. (…) E a mim me parece que, enquanto andarmos em busca de segurança psicológica, nunca chegaremos a compreender a nós mesmos (Idem, pág. 32)

Fechar Menu