Pergunta: Que é sabedoria? É diferente do saber?

Krishnamurti: – Que é saber? Por certo, o saber é o princípio acumulador que existe em todos nós, e que é a memória. (…) Saber é um processo de verbalização; e tudo aquilo que foi acumulado, e que é experiência, memória, ou saber, nunca trará verdade. (…) (Por que não te Satisfaz a Vida, pág. 79)

(…) A experiência, pois, é um processo de reação da mente condicionada; e onde há o saber ou o acúmulo de experiências, lembranças, palavras, símbolos, imagens, não pode haver compreensão. Só pode surgir a compreensão quando estamos livres do saber. (…) (Idem, pág.80)

Assim, pois, a compreensão não é o resultado de acumulação, e sabedoria não é saber. A sabedoria é independente do saber. (…) A sabedoria tem existência momento a momento, ao passo que o saber nunca pode livrar-se do passado, do tempo. A sabedoria é livre do tempo, (…). O homem que sabe pode não ser sábio, porque o seu próprio conhecimento nega a sabedoria. (…) (Idem, pág. 80)

A memória é experiência acumulada e o que está acumulado é o que se sabe, e o que se sabe é sempre coisa passada. Com essa carga de lembrança é possível descobrir-se (…) o Atemporal? Não é necessário estarmos libertos do passado para que possamos conhecer o Imensurável? (…) A sabedoria não é memória acumulada, porém, antes, suprema receptividade para o Real. (O Egoísmo e o Problema da Paz, pág. 178-179)

(…) Se tenho um problema e desejo realmente compreendê-lo, não devo aplicar-me a ele com a mente cheia de preocupação e agitação. Tenho de fazê-lo com a mente livre; porque só a mente passível, a mente vigilante, é capaz de compreensão. A mente que é capaz de estar silenciosa está apta a receber a verdade. (…) A verdade é totalmente nova, livre. A ela não podemos chegar-nos com idéias preconcebidas, não é ela a experiência alheia. (…) (Nosso Único Problema, pág. 74)

(…) Sabedoria não é acumulação de conhecimentos e experiência; a sabedoria não se adquire nos livros, (…). Nasce a sabedoria só quando há liberdade da mente; e a mente que está tranqüila encontrará o Atemporal, que é Imensurável, surgido na existência. (…) (Idem, pág. 77)

(…) Sabedoria não é algo que se experimente ou se encontre em algum livro. A sabedoria não é coisa que se possa experimentar, (…) captar, acumular. Pelo contrário, a sabedoria é um “estado de ser” em que não há acumulação de espécie alguma; não se pode acumular sabedoria. (Que Estamos Buscando?, 1ª Ed, pág. 217)

Digo que a sabedoria não pode ser comprada. A sabedoria não se encontra no processo de,acumulação; não é o resultado de inúmeras experiências; nem é adquirida pelo estudo. A sabedoria, a vida mesma, só pode ser entendida quando a mente estiver livre desse senso de busca, dessa procura de conforto, dessa imitação, pois estes são apenas meios de fuga (…). (Palestras na Itália e Noruega, 1933, pág. 163-164)

(…) A sabedoria não é uma coisa que venha por meio de orientação, do seguir, por meio da leitura de livros. Não podeis aprender a sabedoria de segunda mão; entretanto, é isto o que estais tentando fazer. Assim, dizeis: “guiai-me, auxilai-me, libertai-me”. (…) (Idem, 1933, pág.194)

(…) O conhecimento nada tem que ver com a sabedoria. A sabedoria não pode ser comprada; é natural, espontânea, livre. Não é mercadoria que possais comprar de vosso guru, instrutor, ao preço de disciplinas. (…) (Palestras em Adyar, Índia, 1933-1934, pág. 101-102)

Ora, confiamos demais no saber. O homem que escreve um livro sobre a mente ou que disserta a respeito da mente, aceitamo-lo como autoridade. Damos um nome ao seu pensamento, e o esposamos. Nunca nos pomos a investigar o inteiro processo do nosso pensar, para descobrirmos por nós mesmos. E é por isso que temos tantos líderes, cada um fazendo valer a sua autoridade, e nos dominando. E pode alguém lançar fora tudo isso e descobrir as coisas por si mesmo? Porque (…) o saber é um obstáculo à compreensão. (Viver sem Temor, pág. 14)

Se um homem deseja construir uma ponte, para isso ele necessita, naturalmente, de saber, (…) de uma certa capacidade técnica. Mas, pode-se ter de antemão o conhecimento, isto é, a compreensão, de uma coisa viva? O que chamais “eu” é uma coisa viva, da qual não se pode ter conhecimento prévio. Pode-se ter experiências a ele relativas, ou conhecer o que outros disseram a seu respeito, mas se um de nós se põe a examinar a si mesmo, com um conhecimento prévio, nunca descobrirá o que é realmente. (…) (Idem, pág.14)

Com nossa busca de saber, com nossos desejos gananciosos, estamos perdendo o amor, estamos embotando o sentimento do belo, a sensibilidade à crueldade; estamo-nos tornando cada vez mais especializados e cada vez menos integrados. A sabedoria não pode ser substituída pela erudição, (…). (A Educação e o Significado da Vida, 1ª ed, pág. 78)

(…) A erudição é necessária, a ciência tem o seu lugar próprio; mas se a mente e o coração estão sufocados pela erudição, e se a causa do sofrimento é posta de parte com uma explicação, a vida se toma vazia e sem sentido. (…) (Idem, pág. 78)

O saber, o conhecimento de fatos, embora em constante crescimento, é por sua própria natureza limitado. A sabedoria é infinita, abarcando o saber bem como a esfera da ação; se nos apoderarmos de um ramo, pensamos que temos a árvore toda. O intelecto jamais nos levará ao todo, porque ele é apenas um segmento, uma parte. (Idem, pág. 79)

Não é válida a experiência de outro para a compreensão da realidade. Entretanto, as religiões organizadas, no mundo inteiro, baseiam-se na experiência de outro, e, por conseguinte, elas não estão libertando o homem, porém, ao contrário, prendendo-o a um determinado padrão e instigando os homens uns contra os outros. (…) (O Caminho da Vida, pág. 27)

(…) Sabeis, a maioria de nós deseja adquirir sabedoria ou verdade por meio de outrem, mediante algo vindo do exterior. Ninguém vos poderá transformar num artista; só vós próprios podereis fazê-lo. É isto que desejo dizer: posso dar-vos tinta, pinceis e tela, mas vós próprios tendes de vos tornar o artista, o pintor. (…) (Palestras na Itália e Noruega, 1933, pág. 40-41)

Imaginais que qualquer sociedade ou livro vos pode dar sabedoria? Livros e sociedades podem fornecer-vos noções; (…). Se a sabedoria pudesse ser adquirida por meio de uma seita ou sociedade religiosa, todos seríamos sábios, (…). A sabedoria, porém, não se adquire por essa forma. A sabedoria é a compreensão do fluxo contínuo da vida ou da realidade, e somente é aprendida quando a mente está aberta e vulnerável, isto é, quando a mente não está mais embaraçada pelos seus próprios desejos de auto-proteção, reações e ilusões. (…) (Palestras no Brasil, pág. 48)

Vamos averiguar o que entendeis por sabedoria, (…). Podeis conhecer, ou adquirir a sabedoria, ou só é possível conhecer fatos, e adquirir sapiência? Por certo, sapiência e sabedoria são duas coisas diferentes. Podeis saber tudo a respeito de uma coisa; mas será isso sabedoria? (…) (Que Estamos Buscando?, 1ª ed, pág. 84-85)

A sabedoria terá de ser adquirida aos poucos, em vidas consecutivas? Sabedoria será acumulação de experiência? Aquisição implica acumulação; experiência implica resíduo. (…) Esse processo de acumulação será sabedoria (…) Pode o homem que sabe ser sábio? O homem que sabe não é sábio, e o que não sabe é sábio. (Idem, pág. 85)

A acumulação, pois, nunca é sabedoria, porquanto só pode haver acumulação daquilo que se conhece; e o que se conhece não pode, nunca, ser o desconhecido. (…) (Idem, pág. 86)

A verdade não pode ser acumulada. Ela não é experiência. Ela é “experimentar” – em que não há experimentador nem experiência. Conhecimento implica alguém que acumula, que junta; (…) A sabedoria é como o amor; e, privados desse amor, queremos cultivar a sabedoria, (…) (Idem, pág. 86)

A sabedoria é sempre vigorosa, sempre nova. Como se pode conhecer o novo, quando há continuidade? (…) Só quando há findar, há o novo, que é criador. Mas queremos continuar (…) e a mente em tais condições nunca pode conhecer a sabedoria. Pode conhecer, apenas, a sua própria projeção, suas próprias criações. (…) A verdade não pode ser procurada. A verdade só surge quando a mente está vazia de todo conhecimento, todo pensamento, toda experiência; e isso é sabedoria. (Idem, pág. 86-87)

Assim, perceber o processo integral de nós mesmos é o começo da sabedoria. A sabedoria não é algo que se possa comprar nos livros, (…) aprender de outras pessoas, #(…) acumular pela experiência. (…) (Viver sem Confusão, pág. 70)

A experiência é simples memória; e a acumulação de lembranças ou de conhecimentos não é sabedoria. A sabedoria, sem dúvida, é o experimentar a cada momento, sem condenação nem justificação; é a compreensão (…) de cada reação, de modo que a mente vá ao encontro de cada problema por maneira nova. (…) (Idem, pág. 71)

A erudição não é comparável com a inteligência, erudição não é sabedoria. A sabedoria não é comerciável, não é artigo que se possa comprar pelo preço de estudo e da disciplina. Não se encontra sabedoria nos livros; não pode ser acumulada, guardada ou armazenada na memória. A sabedoria vem pela negação do “eu”. Ter a mente aberta é mais importante do que aprender (…). A sabedoria não pode ser adquirida pelo temor e pela opressão, mas só pelo exame e pela compreensão dos incidentes de cada dia, nas relações humanas. (A Educação e o Significado da Vida, 1ª ed, pág. 78)

Uma vida primitiva não é uma vida espiritual. O primitivo tem tanto medo como o chamado civilizado, e a diferença é só que seus temores são mais rudimentares, mais superficiais. Mas, em certo sentido, é necessário que o indivíduo “sofisticado”, eminentemente culto, muito sabedor se torne primitivo. Precisa tornar-se novo, “inocente”, morrer para todo o saber que acumulou. (O Homem e seus Desejos em Conflito, 1ª ed, pág. 59)

(…) A compreensão do “eu” é o começo da sabedoria, e sabedoria não é reação. Só quando compreendo todo o processo da reação, que é condicionamento, só então existe um centro sem ponto, que é a sabedoria. (Que Estamos Buscando?, lª ed, pág. 215)

(…) Por conseguinte, o autoconhecimento é o começo da sabedoria. A sabedoria não se compra nos livros; (…) não é experiência; (…) não é a acumulação de nenhuma espécie de virtude, nem o evitar o mal. A sabedoria só vem pelo autoconhecimento, pela compreensão de toda a estrutura, de todo o processo do “eu”. (Viver sem Confusão, pág. 52)

Assim, pois, o autoconhecimento é o começo da sabedoria, e sem a sabedoria não pode haver tranqüilidade. Sabedoria não é sapiência. A sapiência é um obstáculo à sabedoria, à revelação do “ego”, momento a momento. (…) (O que te fará Feliz?, pág. 97)

(…) A sabedoria não tem autoridade; ela vem à existência quando a mente começa a compreender as profundezas e amplidões da sua própria natureza, sobre as quais não é possível especular. (…) (Claridade na Ação, pág. 147)

(…) Para descobrirmos o que é criador, precisamos proceder de maneira nova. A mente deve estar vazia, livre de todo saber, livre da memória. Só então existe a possibilidade de relações de uma nova espécie, de um mundo novo. (Idem, pág. 147)

Não há caminho para a sabedoria. Se algum caminho existe, então a sabedoria é coisa formulada de antemão, já imaginada, conhecida. (…). A experiência e o saber, uma vez que são contínuos, abrem um caminho para suas próprias projeções, e por isso são sempre entraves. A sabedoria é a compreensão do que é, momento a momento, sem acumulação de experiência e conhecimento. O que se acumula não dá liberdade para compreender, e sem liberdade não há possibilidade de descobrimento; (…). A sabedoria é sempre nova, sempre fresca, e não há nenhum meio de a acumularmos. O meio destrói o que é novo, (…) espontâneo. (Comentários sobre o Viver, pág. 94)

Vede, (…). Não interpreteis “sem conhecimento” como um estado de ignorância. Ser “sem conhecimento” é possuir a sabedoria; porque o conhecimento tem continuidade, e a sabedoria não tem. (…) (O Homem e seus Desejos em Conflito, 1ª ed, pág. 29)

(…) A mente silenciosa – mas não silenciada – só ela pode perceber o Imensurável. A solução do problema (…) está na compreensão das relações; por conseguinte a meditação é o começo do autoconhecimento e o autoconhecimento é o começo da sabedoria. (…) Nasce a sabedoria só quando há liberdade da mente; e a mente que está tranqüila encontrará o Atemporal, que é o Imensurável, surgido na existência. (…) A mente tem de ser induzida a recebê-lo de maneira nova, de cada vez; e a mente que acumula saber, virtude, é incapaz de receber o eterno (Nosso Único Problema, pág. 77)

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