Para mim, o mais importante na vida é termos uma mente religiosa, porque, então, tudo o mais entra no correto estado de relação – tudo: ocupações, saúde, casamento, sexo, amor, e os inumeráveis problemas e tribulações que a vida nos oferece – tudo é compreendido. A mente religiosa não é coisa facilmente alcançável, mediante a leitura de uns poucos livros (…) séries de palavras, ou pelo nos exercitarmos para certa postura. (Experimente um Novo Caminho, pág. 22)

A questão, pois, é: Pode a mente, que é resíduo, o resultado do conhecido, do saber, da experiência, libertar-se do conhecido e achar algo além? (…) Quando falamos de experiência religiosa, entendemos um estado que transcende o “eu”, o “ego”, o “conhecido” (…) Para mim, o homem religioso é aquele que está cônscio do “conhecido” e não permite nenhuma interferência do conhecido na sua busca do Desconhecido. (Palestras na Austrália e Holanda, 1955, pág. 58)

A mente deve estar livre (…) Religião, pois, é um estado da mente em que o “eu” está ausente; e, nesse vazio deixado pelo “eu”, surge a Realidade. Esse “eu”, porém, não é nenhuma coisa misteriosa; é constituído de nossos ciúmes, ambições, inveja, desejo de poder, posição, e intrigas. (O Problema da Revolução Total, pág. 69)

(…) Essa capacidade de enfrentar o novo com o novo se chama estado criador, e é, sem dúvida, a forma mais elevada de religião. A religião não é apenas uma crença, (…) ritos e dogmas (…) A verdadeira religião consiste em experimentar um estado em que há criação; só surge quando há liberdade, quando estamos livres do “eu”. Essa liberdade só pode existir pela compreensão do “eu” nas relações, pois não é possível a compreensão no isolamento. (Nosso Único Problema, pág. 31-32)

As múltiplas religiões hão dito que existe uma verdade permanente, eterna; (…) Deve o indivíduo descobri-la por si mesmo, não teórica, intelectual ou sentimentalmente (…) Por religião entendemos o ato de reunir ao mesmo tempo toda a energia necessária para investigar algo: (…) alguma coisa que seja sagrada. (La Verdad y la Realidad, pág. 198)

A mente, portanto, pode alcançar aquele estado religioso. Estou empregando a palavra “religioso” com um novo sentido, indicando algo não relacionado com as religiões do mundo (…) Assim, a mente religiosa é aquela que só pode “viver com a morte”, com a extraordinária e poderosa energia do amor. (…) Só a mente religiosa pode voltar-se para dentro; e esse “voltar-se para dentro” não está em relação com o tempo e o espaço. É ilimitado, infinito, não pode ser medido por uma mente aprisionada no tempo. E só a mente religiosa resolverá os nossos problemas, porque ela não tem problemas. (…) (O Passo Decisivo, pág. 104-105)

Assim, no sentido “religioso”, é necessário uma revolução em cada um de nós – revolução total e não parcial. Toda reação é parcial; e a revolução a que nos referimos não é parcial e, sim, uma coisa total. E só essa mente pode ter intimidade com a Verdade. Só essa mente pode ter “amizade” com Deus. Só essa mente pode participar da Realidade. (Idem, pág. 105)

Para descobrir o que é uma mente religiosa, temos de descobrir o que é a verdade; a verdade não tem caminhos que conduzam a ela. Não há caminho algum. Quando se tem compaixão – a compaixão é inteligência – dar-se-á com aquilo que é eternamente verdadeiro. Porém não existe uma direção; não há capitão que nos dirija neste oceano da vida. (…) A mente religiosa não pertence a nenhuma organização, a nenhum grupo, a nenhuma seita, e tem a qualidade de uma mente global. (La Llama de la Atención, pág. 28)

A mente religiosa é uma mente que se acha por completo livre de toda atadura, de qualquer classe de conclusões ou conceitos; só trata com o que realmente é; não com o que “deveria ser”. (…) A mente religiosa está livre de preconceitos, de tradição, de todo sentido de direção. (Idem, pág. 28-29)

Por conseguinte, a mente religiosa não tem crença. Só lhe interessam os fatos, e não as crenças ou opiniões a respeito dos fatos. A vida se torna muito simples quando só lidamos com fatos, com o que há dentro de nós e fora de nós. Quando não tendes opiniões, “projeções”, preconceitos, conclusões sobre os fatos, estais apto a lidar com eles equilibrada, racional e eficientemente. (Uma Nova Maneira de Agir, 1ª ed., pág. 82)

A mente religiosa é sempre jovem, isto é, está sempre aprendendo e, por conseguinte, fora do tempo. Só essa é a mente religiosa. Não aquela que vai aos templos (…); não a que lê livros e está sempre a citar e a pregar moral; não é essa a mente religiosa. (…) (Uma Nova Maneira de Agir, 1ª ed., pág. 41)

(…) Um homem verdadeiramente religioso não tem medo, psicologicamente, interiormente. Por “homem religioso” entendo um “homem total”, e não aquele que é meramente sentimental ou que foge ao mundo, narcotizando-se com idéias, ilusões, visões. A mente de um homem religioso é muito tranqüila, sã, racional, lógica; e dessa mente é que necessitamos, e não de uma mente sentimental, emotiva, medrosa, enredada em seu especial condicionamento. (O Homem e seus Desejos em Conflito, 1ª ed., pág. 23)

(…) A sociedade, a tradição, os valores estabelecidos, tudo nos obriga a ajustar-nos e a copiar. Para podermos funcionar na sociedade, é claro que temos de aceitar o padrão da sociedade, ajustar-nos aos seus valores. Mas o homem verdadeiramente religioso é livre da sociedade, sendo a sociedade os valores criados pela avidez, a inveja, a ambição, o desejo de sucesso, o medo. (Palestras na Austrália e Holanda, 1955, pág. 31)

O homem verdadeiramente religioso não é o que pratica a chamada religião, que está apegado a certos dogmas e crenças, (…) ritos ou cultivando o saber (…) O homem verdadeiramente religioso é completamente independente da sociedade (…) (Visão da Realidade, pág. 147)

(…) A mente verdadeiramente religiosa é aquela que é livre e que, sendo livre, está tranqüila, serena, de modo que a Realidade pode manifestar-se. E aquela Realidade, criando sua ação própria, resolverá os problemas do mundo, que não podem ser resolvidos pela mente que está carregada de saber (…) (Viver Sem Temor, pág. 62)

Ora bem, pode o indivíduo (…) transformar-se radicalmente? A mente que está condicionada segundo certo padrão a que chama religião – hinduísta, cristã, budista, ou outra – não é uma mente religiosa, por mais que pratique todos os chamados ideais religiosos. (Da Solidão à Plenitude Humana, pág. 118)

Para mim, a mente que não tem a luta da dualidade é que é a mente verdadeiramente religiosa, e não a que está lutando para vencer a cólera (…) lutando para se tornar não violenta; esta só está vivendo na luta do oposto. É só a mente verdadeiramente religiosa que não tem o conflito do oposto; ela não conhece a frustração; não luta para se tornar alguma coisa; é “o que é”. (As Ilusões da Mente, pág. 86)

Aquele que busca a verdade é um homem religioso e não tem necessidade de etiquetas, tais como “hinduísta”, (…) “cristão”. Se tivéssemos amor; (…) caridade em nossos corações, não faríamos o menor caso de títulos – e isso é que é religião. Porque os nossos corações estão vazios, enchem-se de coisas pueris (A Arte da Libertação, pág. 19-20)

A mente religiosa é aquela que compreende a família e sua posição em relação com o todo; aquela que não busca poder e posição; que não está presa a nenhum ritual, igreja organizada ou templo; que já não tem a propriedade de criar ilusões. É também aquela que olha os fatos e, por conseguinte, nenhum esforço faz em qualquer trabalho que executa. (A Suprema Realização, pág. 89)

Assim,(…) é necessária uma mente religiosa. E, sem dúvida, a mente religiosa é aquela que se depurou de todas as crenças e de todos os dogmas; essa mente é capaz de um percebimento, uma compreensão interior que dá certa tranqüilidade, serenidade. E há intenso percebimento de tudo o que se passa fora dela. (…) (O Passo Decisivo, pág. 108)

Já explicamos com muita clareza que a mente religiosa não é a mente cristã, hinduísta ou budista, ou pertencente a alguma seita (…) com fantásticas crenças e idéias; a mente religiosa é aquela que, tendo percebido interiormente sua própria validade, a verdade de suas percepções, sem desfiguração, é capaz de resolver, lógica, racional e sãmente os problemas que surgem, não permitindo que nenhum deles crie raízes. (…) (Idem, pág. 109)

Assim, quando uma pessoa penetra profundamente no descobrimento de si mesma, existe a mente religiosa; (…) Ela é a mente, (…) separada de todas as humanas lutas, exigências, ânsias e compulsões individuais, etc. (…) Por conseguinte, essa mente religiosa pode receber aquilo que não é mensurável pelo intelecto. Essa coisa é inominável; nenhum templo, (…) sacerdote, (…) igreja, (…) dogma pode conter. Rejeitar tudo isso é viver naquele estado, essa é que é a verdadeira mentalidade religiosa. (O Passo Decisivo, pág. 196)

Importa não nos limitarmos (…) O homem que se está libertando de todo condicionamento, que está plenamente vigilante – esse é um homem religioso, e não aquele que simplesmente crê. (…) Só esses entes humanos religiosos – que estão livres, não-condicionados – podem criar um mundo novo. (Palestras na Austrália e Holanda, 1955, pág. 90-91)

Assim, investigando o que é a mente religiosa, temos de estar vigilantes, para conhecermos aquele estado extraordinário que é a beleza; e só podemos conhecê-lo quando há abandono total do “eu” e, por conseguinte, ardor, paixão; de outro modo, não pode haver amor. (…) A mente religiosa é aquela que conhece o movimento da virtude e da disciplina. (…) (O Novo Ente Humano, pág. 44)

E pensamos (…) A mente religiosa, pois, deve saber o que é a verdadeira simplicidade. A verdadeira simplicidade não é austeridade disciplinada, porque ser simples, realmente, interiormente, é ser austero. A simplicidade implica uma mente que é capaz de estar só, (…) não depende de nenhuma exterioridade. E só a mente interiormente simples é capaz de estar só; só a mente simples, religiosa, é capaz de ver a beleza. E, sem a beleza, não há vida religiosa. (Uma Nova Maneira de Agir, 1ª ed., pág. 87)

Também, só a mente religiosa sabe o que é o vazio mental. A “mente vazia” não se acha num estado de vacuidade, de inanidade: está extraordinariamente vigilante, atenta, sensível; nenhum centro tem e, por conseguinte, cria espaço. Só a mente que nenhum centro tem, é que tem o espaço da imensidade, e só a mente religiosa é criadora. (Idem, pág. 87-88)

A mente religiosa, pois, é criadora – não escrevendo poesia, prosa ou espalhando tintas numa tela; essa não é uma mente criadora. A mente criadora é aquela em que se verificou total mutação. E só então, nesse estado extraordinário (…) que não representa fuga à vida, é possível a existência do Eterno. E só essa mente é capaz de resolver os problemas do homem. (Uma Nova Maneira Agir, 1ª ed., pág. 88)

À mente religiosa, portanto, não interessa o progresso, o tempo; (…) Porque (…) vereis que a mente religiosa é destrutiva; pois sem destruição não há criação. (…) O perceber o falso como falso (…) é a destruição do falso. (…) A mente religiosa é destrutiva e, por ser destrutiva, é criadora. Criação é destruição. (O Passo Decisivo, pág. 275)

(…) Religiosa é a mente livre, e a mente livre acha-se num estado de constante “explosão”; e nesse estado de constante explosão há o percebimento daquela verdade existente além das palavras, além do pensamento, além de toda experiência. (O Homem e seus Desejos em Conflito, 1ª ed., pág. 158-159)

A mente religiosa, pois, é tudo isso; e, também, conhece – melhor dizendo – vive num estado de criação, de momento a momento. É uma mente sempre ativa, graças àquele extraordinário estado de vazio. (A Suprema Realização, pág. 90)

(…) E nela existe o sentimento da beleza e do amor, que são inseparáveis. (…) E não é necessário dizer que ele se acompanha, naturalmente, de um sentimento de paixão. Não se pode ir muito longe sem paixão (…) Não é um estado de entusiasmo; e a mente religiosa, (…) nesse estado, tem uma força e uma qualidade peculiares. (O Passo Decisivo, pág. 195)

(…) A sociedade poderá reformar-se, operar certas mudanças, mas só o homem religioso pode operar uma transformação fundamental (…) Mas o homem verdadeiramente religioso está totalmente fora da sociedade, porque não é ambicioso, não tem inveja, não está seguindo dogma ou crença; (…) (Da Solidão à Plenitude Humana, pág. 68)

Por revolução “religiosa” entendo uma revolução completa, total, não fragmentária. Trata-se da realidade total, e não da realidade econômica, (…) social, (…) psicológica, que são realidades fragmentárias. E toda revolução fragmentária só levará à repetição do que foi, apenas modificado; (…) (Uma Nova Maneira de Agir, 1ª ed., pág. 94)

Só o homem religioso tem a possibilidade de levar a efeito uma revolução fundamental, mas o homem que tem uma crença, um dogma, (…) não é um homem religioso. O homem religioso é aquele que compreende, no seu todo, esse “processo” que chamamos religião (…) (Visão da Realidade, pág. 141)

Um indivíduo dessa qualidade liberta-se da estrutura da religião organizada, do dogma, da crença, para buscar o que está acima de tudo; esse indivíduo é que é verdadeiramente revolucionário, visto que qualquer outra forma de revolução é fragmentária (Idem, pág. 141)

(…) O homem verdadeiramente religioso é aquele que prescinde da sociedade e do reconhecimento da sociedade (…) livre da sociedade (…) Só a mente que se acha em tal estado é capaz de criar uma nova cultura. Reformar a velha cultura significa, tão só, adornar a prisão. (Visão da Realidade, pág. 208)

A mente religiosa não é fragmentária, não divide a vida em compartimentos. Ela abarca a totalidade da vida – a vida de prazeres e dores, a vida de alegrias e satisfações passageiras. Uma vez que está totalmente livre da estrutura psicológica da ambição, da avidez, da inveja, da competição, de toda exigência de mais, acha-se a mente religiosa num estado de “inocência”; e só assim a mente pode transcender a si própria, e não quando apenas crê num além ou nutre uma hipótese relativa a Deus. (O Homem e seus Desejos em Conflito, 1ª ed., pág. 94)

Mais uma vez, senhor, voltais à questão de se existe alguma coisa atemporal, além dos limites do pensamento. O que está além do pensamento é a inocência, e o pensamento jamais a alcançará, porque (…) é sempre velho. A inocência, tal como o amor, é eterna, mas, para que venha, necessário é que a mente fique livre de todos os milhares de “ontens”, com suas lembranças. (…) (A Outra Margem do Caminho, pág. 33)

(…) A criança não é inocente. A criança é ignorante. A criança anseia por mais experiência, à medida que se desenvolve e amadurece. Não estamos falando da inocência da infância – isso é para os poetas. Falamos da “inocência” da mente amadurecida – a mente que passou por agonias, lutas, sofrimentos, intensas ansiedades, dúvidas, e deixou tudo isso para trás, morreu para tudo isso. (O Homem e seus Desejos em Conflito, 1ª ed., pág. 102)

(…) Cada um de nós tem um templo, mas precisamos criar a Imagem, o Ídolo, a Beleza, em torno dos quais possamos desenvolver o nosso amor e devoção; porque, se conservarmos o templo vazio, como muitos de nós fazemos, não poderemos criar. (O Reino da Felicidade, IV, pág. 24)

É pela adoração, pelo amor, pela devoção, que criamos, que damos vida ao templo. Para mim, esse templo é o coração. Se puserdes aquele que é a encarnação do Amor e da Verdade em vosso coração, se ali o criardes com as vossas próprias mãos, com a vossa própria mente, e com as vossas emoções, esse coração, em vez de frio, abstrato e deserto, se torna real, vivo e radiante. Tal é a Verdade. (…) (Idem, pág. 24-25)

(…) Sois o templo externo, e, ardendo dentro de vós, está o Eterno, o Santo dos Santos, no qual podereis entrar e adorar à vontade, longe do mundo, longe de todos os tumultos e perturbações. (Idem, pág. 25)

Inocência e amplitude são a florescência da meditação. Não há inocência sem espaço. Inocência não significa imaturidade. Pode o homem estar amadurecido fisicamente, mas o vasto espaço que vem com o amor não é possível se sua mente não estiver livre das inúmeras marcas da experiência. São essas cicatrizes da experiência que impedem a inocência. Libertar a mente da constante pressão da experiência é meditação. (A Outra Margem do Caminho, pág. 99)

Mas como poderá operar-se essa revolução, sem esforço (…)? Só se pode perceber o que é novo num estado de “inocência”, isto é, quando o passado deixou de ter significação psicológica. (O Homem e seus Desejos em Conflito, 1ª ed., pág. 92)

(…) A verdadeira “inocência”, como o amor, não é um oposto. O amor não é o oposto do ódio. Só nasce o amor quando o ódio, em todas as suas formas, desapareceu. Do mesmo modo, a mente deve ser “inocente” (…) Para que a mente realize esse estado de “inocência”, devem terminar as acumulações de experiência – as quais são ainda o passado, ainda fazem parte do fundo inconsciente. (Idem, pág. 92)

(…) Mas, quando não há defesas, nem simulações, nem máscaras, há uma ação de qualidade totalmente diferente (…) Há então uma mente nova, juvenil, inocente. A inocência não tem máscaras, não tem defesa nenhuma. Ela é totalmente vulnerável e, dessa inocência, dessa vulnerabilidade, deflui uma ação verdadeiramente extraordinária, na qual não há sofrimento, nem dor, nem prazer, porém um estado de extraordinário júbilo. (Idem, pág. 68)

(…) A maioria de nós jamais experimentou um estado de “inocência”, ainda que estejamos dispostos a argumentar, discutir, escrever, “sutilizar” a respeito de tudo isso (…) O que traz a liberdade é a atenção, que significa olhar o fato face a face, de dentro do vazio, e ver como as coisas são, sem nenhuma desfiguração. Nesse estado de atenção, apresenta-se uma “inocência” que é virtude, que é humildade. (O Homem e seus Desejos em Conflito, 1ª ed., pág. 27-28)

(…) Para a maioria dos cristãos, essa palavra “inocência” é só um símbolo; mas eu falo sobre o real estado de inocência, que significa “não ter medo”; nesse estado a mente se torna num instante amadurecida, sem passar pelo processo do tempo. (O Homem e seus Desejos em Conflito, 1ª ed., pág. 172)

E isso só é possível quando há atenção total, percebimento de cada pensamento, de cada palavra, de cada gesto. A mente está ativa, sem a barreira das palavras, sem interpretação, justificação. Essa mente é a luz de si própria; e a mente que é a luz de si própria não conhece o temor. (Idem, pág. 172-173)

Foi só ao acordarmos (…) A consciência não pode conter a imensidão da inocência; está apta a recebê-la, mas não pode buscá-la nem cultivá-la. A totalidade da consciência tem de aquietar-se, cessando todo desejo e busca. Aquilo que não tem começo nem fim surge quando a consciência silencia. (Diário de Krishnamurti, pág. 45)

Meditar é esvaziar a consciência (…) É preciso haver espaço para o silêncio, não o espaço criado pelo pensamento e suas atividades, mas aquele que vem através da negação e da destruição, quando nada mais resta do pensamento e de suas projeções. Só no vazio ocorre a criação. (Idem, pág. 45)

(…) A mente que descobriu o Sagrado se acha em constante revolução – não revolução econômica ou social, porém uma revolução interior, com a qual está a purificar-se infinitamente. Seu atuar não se baseia em nenhuma idéia ou fórmula. Como o rio, ajudado pelo seu enorme volume de água, se purifica em seu curso, assim se purifica a mente após haver atingido aquele estado religioso do Sagrado. (O Descobrimento do Amor, pág. 198-199)

A revolução religiosa é o começo de uma nova religião – a qual não pode ser organizada, não pode ter um clero, ou um presidente (…) e propriedades. (…) A religião a que me refiro é o sentimento do sagrado, que não é sentimentalidade. É uma coisa que vem mediante árduo trabalho, mediante o penetrar de todas as ilusões (…) (O Homem Livre, pág. 106)

(…) Podem ser mui ordenados, (…) livres, porém a menos que exista essa coisa que é totalmente sagrada, (…) que não está contaminada pelo pensamento, a vida carece de uma profunda significação. (…) Existe algo que o pensamento jamais pode alcançar e que, portanto, é incorruptível, atemporal, eterno e sagrado? (…) (Idem, pág. 213)

Para dar com isso, a mente deve estar completamente quieta, o que significa que o tempo chega ao fim; e nisso tem de haver liberdade completa com relação a todo preconceito, opinião, juízo – entendem? Só então se encontra essa coisa extraordinária, que é atemporal e que é a essência mesma da compaixão. (Idem, pág. 213)

Há então alguma coisa sagrada, não inventada pelo pensamento? Nada há de sagrado no templo, na mesquita, nas igrejas. É tudo invenção do pensamento. Quando você se livra disso, há alguma coisa sagrada que é inominada, atemporal, resultado de grande beleza e ordem total produzida em nossa vida diária? Eis por que a meditação é o movimento da vida. (…) (Mind Without Measure, pág. 32)

Existe algo que seja sagrado, santo? Obviamente, as coisas que o pensamento há criado no sentido religioso – conferindo santidade às imagens, às idéias – não são sagradas em absoluto. Aquilo que é sagrado, não tem divisão alguma, não separa um indivíduo como cristão, outro como hindu, budista, muçulmano (…) O que o pensamento há produzido pertence ao tempo, é fragmentário, não é total e, por conseguinte, não é santo; ainda que vocês adorem uma imagem na cruz, isso não é sagrado; tem sido revestido de santidade pelo pensamento; o mesmo sucede com as imagens criadas pelos hindus, budistas e assim sucessivamente. (La Totalidad de la Vida, pág. 197-198)

Pode a compaixão, o sentimento de bondade, o sentimento do sagrado da vida, (…) pode esse sentimento ser gerado pela compulsão? (…) A transformação, pois, dever ser “sem causa”; a modificação que se opera em virtude de uma causa não é compaixão e, sim, mera transação. (…) (O Homem Livre, pág. 114)

Que é então o sagrado? Pode-se descobri-lo só quando o pensamento há encontrado, por si mesmo, seu lugar exato, sem esforço, sem o exercício da vontade, e quando existe esse imenso sentido de silêncio; o silêncio da mente na qual não há nenhum movimento do pensar. (…) (Idem, pág. 198)

Para mim, a palavra “Sagrado” tem extraordinária significação. Mas (…) não quero fazer propaganda dessa palavra (…) Tendes de percorrer sozinho esse caminho, não verbalmente, porém realmente. Tendes de morrer verdadeiramente para tudo o que conheceis – vossas lembranças, (…) tribulações, (…) prazeres. E, quando não houver mais ciúme, nem inveja, nem a tortura do desespero, sabereis então o que é o amor e vos encontrareis com aquilo que pode ser chamado de Sagrado. (…) (O Descobrimento do Amor, pág. 198)

(…) Como sabeis, um grande rio pode poluir-se quando, em seu curso, atravessa uma cidade; mas, se não for demasiada a poluição, poucas milhas além suas águas estão de novo limpas, frescas, puras. De modo idêntico, depois que a mente se encontra com o Sagrado, todo ato seu é então um ato purificador. Com seu próprio movimento, a mente se está tornando inocente e, por conseguinte, não está acumulando. (Idem, pág. 198)

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