Tendes professado diferentes crenças, aderido a vários dogmas, entregue a vossa vida e vossos pensamentos aos credos e à servidão das religiões, e em nada disso tendes encontrado a felicidade perene. Tendes passado de uma limitação para outra (…) mas não tendes experimentado o desejo de despedaçar todas as prisões, de partir as grades que limitam, que destroem e torturam. (A Finalidade da Vida, pág. 6)

Porque, em vez de dardes primazia à vida, vós a destes às crenças, aos credos, aos dogmas (…), criastes a estagnação. A religião, como eu a entendo, é pensamento que se cristalizou, que se congelou, e com o qual os homens edificaram os seus templos e as suas igrejas. No momento em que atribuís à autoridade uma lei e uma ordem espiritual e divina, estais limitando, sufocando aquela mesma vida que desejais preencher (…) (Idem, pág. 6)

Havendo limitação, há prisão e, portanto, sofrimento. O mundo atual é a expressão da vida numa prisão. Assim, pois, de acordo com meu ponto de vista, as crenças, as religiões, os dogmas e os credos nada têm que ver com a vida, e, portanto, (…) com a Verdade. (Idem, pág. 6)

A trama da vida é tecida das coisas ordinárias da vida, e essas coisas comuns vós podeis controlar. Podeis imprimir-lhes originalidade, criar grandes coisas com elas, ou podeis destruí-las com a vossa falta de compreensão. (…) Se transferis a outrem o controle de vossa vida, encontrareis a infelicidade, ficareis sujeito à autoridade (…) (A Finalidade da Vida, pág. 6-7)

Na sombra do presente está o homem preso, envolvido e criando, assim, o sofrimento. É a vida para ele uma luta contínua, um atrito contínuo, um choque contínuo. Cavar uma passagem, através do presente, para o eterno, eis a finalidade do homem. Deve todo ser humano entregar-se à tarefa de perfurar esse túnel, que representa o caminho direto para se alcançar a vida. E esse túnel, que é o único caminho que conduz ao preenchimento da vida, está dentro de vós mesmos (…) (Idem, pág. 8)

E, uma vez tenhais estabelecido esse alvo, que é o preenchimento da vida, que é a vossa libertação de todos os desejos, (…) experiências, (…) tristezas, penas e lutas, encontrareis, então, no abrir desse túnel, um verdadeiro êxtase. (Idem, pág. 8)

Todos os domingos, as pessoas vão à igreja para orar e praticar o amor fraternal. Durante o resto da semana empenham-se em desenfreada exploração e crueldade (…) Tornamos, assim, a religião uma conveniente evasiva, à qual recorremos nos momentos de dificuldade e de desgraça. (Palestras no Brasil, pág. 84)

Dizemos que as religiões unificam. Ao contrário. Contemplai o mundo dividido em pequenas e estreitas seitas, lutando umas contra as outras para aumentarem o número de seus adeptos, suas riquezas, sua posição, sua autoridade, imaginando que isso é a verdade. (…) (Palestras em Auckland, 1934, pág. 17)

Não sei se já observaram (…) como elas têm dividido os homens. Tu és católico, eu sou protestante. Para nós o rótulo é muito mais importante do que o verdadeiro estado de afeição, de amor, de bondade. (…) (O Mundo Somos Nós, pág. 64)

Que é o templo? Um lugar de devoção onde há um símbolo de Deus (…) A Verdade pode ser encontrada (…) numa pedra à beira do caminho, nas águas que refletem (…), nas nuvens, no sorriso da mulher que carrega um fardo. No mundo inteiro se encontra a Realidade, e não necessariamente no templo; (…) (A Cultura e o Problema Humano, pág. 79)

(…) Para vós, a realidade está personificada, limitada, confinada em um templo. Para vós, a realidade é um símbolo, seja ele cristão ou budista, esteja ele associado ou não com uma imagem. Mas a realidade não é um símbolo. Ela é. Não podeis esculpi-la como uma imagem, limitá-la em uma pedra, em uma cerimônia ou uma crença. (Palestras em Adyar, Índia, 1933-1934, pág. 128)

Quando tais coisas já não existirem, terminarão as disputas entre homem e homem (…) Os templos, com todas as suas superstições, com os seus exploradores, (…) foram criados por vós. Os padres não podem existir por si próprios. O sacerdócio pode existir como meio de vida, mas isso em breve desaparecerá (…), e os padres mudarão de profissão. (…) (Palestras em Adyar, Índia, 1933-1934, pág. 128-129)

Todos vós credes, de maneiras diferentes (…) Além disso, a crença invariavelmente separa as pessoas; há o parse, o hinduísta, o budista, o cristão, o comunista, o socialista, o capitalista, etc. A crença pode reunir determinado número de pessoas num grupo, mas esse grupo está oposto a outro grupo. Assim, as idéias e as crenças nunca são unificadoras; pelo contrário, são separativas, desintegrantes, destrutivas. (…) (Que Estamos Buscando?, 1ª ed., pág. 181)

Pergunta: (…) Mas não tiveram eles (os brahmanes) um importante papel na civilização da Índia?

Krishnamurti: Podem ter tido. Mas que tem isso? Uma pergunta dessas denuncia orgulho hereditário (…) O que importa, pois, não é que sejais brahmanes, ou não; (…) é o que sois atualmente (…) Primitivamente, toda sociedade, em qualquer parte do mundo, tinha um grupo de indivíduos devotados a uma realidade. Vós os chamais Brahmanes, outros os chamam Hebreus, Cristãos, etc. Mas o interesse essencial desses indivíduos era o culto do Real, e não os preocupava o que estivesse fazendo a sociedade à sua volta. (…) (Uma Nova Maneira de Viver, pág. 33-34)

Foram esses homens que deram à sociedade a sua cultura, e não os indivíduos que se agitam nas complicações da sociedade, como políticos, advogados ou mercadores de guerra. (…) Os que pregam a verdadeira civilização são os que amam a paz (…) Houve, pois, no passado, indivíduos assim, despidos de ambições, desinteressados do poder, das posições, da propriedade e dos sistemas. Houve-os não somente aqui, mas em toda parte. Aqui houve uns poucos desses desinteressados; na China, grupos maiores (…) (Idem, pág. 34)

Quando vos intitulais hinduístas e dizeis que pertenceis a determinada religião, não estais disputando por causa de palavras? Que se entende por hinduísmo? Um conjunto de crenças, dogmas, tradições e superstições. Religião é a busca da verdade (…) Aquele que busca a verdade é o homem religioso, que não tem necessidade de etiquetas, tais como “hinduísta”, “muçulmano”, “cristãos”. (…) Se tivéssemos amor, (…) caridade em nossos corações, não faríamos o menor caso de títulos (…) Porque os nossos corações estão vazios, enchem-se de coisas pueris (…) Francamente, isso é falta de maturidade. (…) (A Arte da Libertação, pág. 19-20)

(…) Afinal, quem é brahmane? De certo, não é aquele que põe as vestes sagradas. Brahmane é o homem que compreende, que não tem autoridade na sociedade, que é independente da sociedade, que não tem ganância, que não busca o poder, que está à margem de toda espécie de poder (…) Somos pessoas assim? Não somos (…) Por que então nos rotulamos com um nome sem significação alguma? Fazemo-lo porque isso traz proveito, nos dá uma posição na sociedade. Um homem sensato não pertence a grupo algum, não ambiciona posição na sociedade, pois isso só produz guerra. (Idem, pág. 20)

Ora (…) Que entendemos por religião? Não se trata, naturalmente, da religião organizada (…) com sua propaganda, catequese, proselitismo, compulsão, etc. (…) Poderá ela sorver ou colher a verdade nas sua malhas, mas (…) em si não é verdadeira. (…) Vós sois muçulmano, eu sou hinduísta, outro é cristão ou budista – e vivemos brigando e nos massacrando mutuamente. (…) Senhor, para se achar Deus, (…) a realidade, há necessidade de virtude. A virtude é liberdade, e só pela mão da liberdade encontraremos a realidade (…) (Novo Acesso à Vida, pág. 116-117)

As religiões organizadas provavelmente tiveram, a princípio, certa utilidade no tornarem o homem um pouco mais civilizado; mas hoje elas já nada significam, porquanto o homem perdeu de todo a noção de civilidade. Está disposto a matar milhares de seus semelhantes. (…) Assim, vós e eu temos de averiguar, por nós mesmos (…) se alguma coisa existe além das criações da mente. (…) No momento em que desejais experimentá-la, deixais de duvidar, já não tendes ceticismo, (…) (Experimente um Novo Caminho, pág. 122)

Mas, como sabeis, somos criados na base de autoridade. Toda nossa vida está baseada na autoridade do passado – (…) do que ensinaram vários instrutores religiosos, e a autoridade dos sacerdotes, que têm “direitos adquiridos” (…) Assim, somos atualmente entes humanos “amansados”, condicionados pelo medo, pela autoridade da igreja, do templo, do sacerdote, e a religião se tornou coisa morta com que costumamos entreter-nos aos domingos. A ela recorremos quando nos vemos em profunda aflição e desejamos conforto, consolação. (…) (Idem, pág. 123)

Não vos estou pedindo que abandoneis a vossa igreja, nem que pertençais a alguma igreja. Para mim, tudo isso são atividades infantis, que nada significam. Assim como o nacionalismo separa os homens e gera guerras, assim também as religiões, as igrejas, dividem os homens e geram antagonismo. Elas não conduzem à verdade. Embora todo mundo diga que há muitos caminhos para a Verdade, não há caminho nenhum (…) É à mente que é livre, à mente que está só, à mente não corrompida, não influenciada – é só a essa mente que a Verdade se manifesta; essa mente (…) é uma mente sem medo. (Viver sem Temor, pág. 61)

Por conseguinte, nada se pode oferecer a uma pessoa que quer sair de uma gaiola para entrar noutra. Não nos interessa nenhuma dessas gaiolas, mas, tão só, a compreensão de nós mesmos. Não estamos na senda da compreensão simplesmente quando estamos livres de determinada igreja, (…) organização (…) crença, mas só quando somos totalmente livres, sem medo, e só então a mente pode receber aquilo que é eterno, atemporal. (…) (Idem, pág. 61-62)

Identicamente, a religião tem insignificante importância em nossas vidas. Podeis ir ao templo, praticar o puja, vestir as vestes sagradas, recitar palavras e mantras, (…) mas isso não significa que sois uma pessoa religiosa. Isso é mera expressão de uma mente mecânica (…) (A Arte da Libertação, pág. 98)

(…) A religião, por certo, consiste em buscar a verdade, a realidade, e não em nos cercarmos de substitutos e de valores falsos. A busca da realidade não está longe de nós, mas muito perto – no que fazemos, (…) pensamos, (…) sentimos. A verdade, por conseguinte, tem de ser encontrada, não além do vosso horizonte, mas em vós, em vossas palavras, (…) ações, relações e idéias. (…) (Idem, pág. 98)

(…) Eu não sou contra todas as organizações. Sou contra aquelas (…) que impedem o preenchimento individual, especialmente a organização que se chama religião, com seus temores, crenças (…) Supõe-se que ela auxilia o homem, porém, de fato, embaraça profundamente o seu preenchimento. (Palestras no Chile e México, pág. 17)

(…) No pensamento, no sentimento, vós deixastes de ser criadores; sois simples máquinas de imitação (…) Vossa religião é mero hábito: seguir a autoridade, a tradição, cultivar o temor, copiar o livro, observar a regra, o exemplo, o ideal. Ela se tornou uma rotina. A religião se tornou simples murmurar de palavras, ir ao templo, ou praticar uma disciplina, sendo que tudo isso implica um processo de repetição, cópia, imitação, (…) hábito. E que acontece à vossa mente e ao vosso coração, quando apenas sois imitadores? Murcham, naturalmente (…) (Da Insatisfação à Felicidade, pág. 84-85)

Ora, sem dúvida (…) A mente que pertence a qualquer espécie de igreja – hinduísta, budista, cristã – está apenas a submeter-se, a ser condicionada pelo seu próprio ambiente, pela tradição, pela autoridade, pelo medo, pelo desejo de salvação. (Palestras na Austrália e Holanda, 1955, pág. 103)

Ora, pode a mente em que foram gravadas as culturas e as tradições, os dogmas do cristianismo, do hinduísmo, do budismo, conhecer o seu condicionamento? Pode ficar cônscia desse condicionamento e libertar-se dele, tornando-se, assim, apta a descobrir se há algo mais do que a (…) esfera do conhecido? (…) (Palestras na Austrália e Holanda, 1955, pág. 60)

Se compreenderdes (…) Imaginais que qualquer sociedade ou livro vos pode dar sabedoria? Livros e sociedades podem fornecer-vos noções; se, porém, disserdes que uma sociedade vos pode dar sabedoria, estareis, simplesmente, depositando nela a vossa confiança (…) Se a sabedoria pudesse ser adquirida por meio de uma seita ou sociedade religiosa, todos seríamos sábios, pois as religiões existem há milhares de anos. (…) A sabedoria é a compreensão do fluxo contínuo da vida ou da realidade, e somente é aprendida quando a mente está aberta e vulnerável (…) (Palestras no Brasil, pág. 48-49)

Religião, pois, é compreensão da vida diária, e não uma teoria ou um processo de isolamento. Um homem religioso que recita certas palavras e ao mesmo tempo explora a outros, sem misericórdia, é obviamente um “escapista”; sua moral, sua respeitabilidade não tem significação. A compreensão do “eu” é o começo da sabedoria, (…) não é reação. Só quando compreendo todo o processo da reação, que é condicionamento, só então existe um centro sem ponto, que é sabedoria. (Que Estamos Buscando?, 1ª ed., pág. 215)

A verdadeira religião é o “experimentar”, que nada tem que ver com a crença. É aquele estado mental que, no processo do autoconhecimento, descobre a verdade instante a instante. A verdade nunca é contínua, nunca é a mesma (…) E só a mente religiosa, e não a mente ideológica, é capaz de resolver o problema. Citar palavras de outras pessoas não tem valor algum. A mente que cita, seja Platão, seja Buda, é incapaz de “sentir” a realidade. Para experimentar (…)a mente deve estar de todo desnuda; (…) (Que Estamos Buscando?, 1ª ed., pág. 82-83)

Religião, pois, não é crença; religião não são cerimônias; religião não é idéia (…) Religião é o “experimentar” a verdade do que é, momento a momento. A verdade não é um fim supremo (…) A verdade se encontra no que é; está no presente, nunca é estática. (…) Todas as religiões, tal como são atualmente, dividem os homens. As crenças dessas religiões não são a verdade. A verdade (…) só pode ser conhecida quando há um findar, o findar que está implicado na morte. (…) Por conseguinte, nem o crente nem o incrédulo podem experimentar a realidade. (Idem, pág. 83)

Quando vedes as coisas como são, sem preconceito, sem louvor, nem condenação, em relação direta com o que é, há ação. Quando intervém a idéia, há o adiamento da ação. A mente que é a estrutura de idéias e resíduo de todas as lembranças e pensamentos, nunca pode achar a realidade. A realidade tem de vir por si. Só podeis procurar uma coisa que conheceis; não podeis procurar a realidade. (…) Vosso “eu” é pensamento, e pensamento é memória; experiência é memória transmutada em pensamento. (…) Só a mente que nenhuma idéia possui é capaz de experimentar a realidade. (Que Estamos Buscando?, 1ª ed., pág. 83-84)

(…) Acho que vale a pena concentrar-nos, todos nós, neste problema: Que significa ser “religiosamente livre”? É possível libertar a mente (…) da tirania das igrejas, das crenças organizadas, dos dogmas, dos sistemas de filosofia, das várias práticas da ioga, (…) e, livres de tudo isso, descobrirmos por nós mesmos se existe “liberdade religiosa?” Porque (…) só a liberdade religiosa pode oferecer (…) a solução de todos os nossos problemas, tanto individuais como coletivos. (Transformação Fundamental, pág. 6)

Isso, com efeito, significa: Pode a mente descondicionar-se? Porque, em última análise, nossa mente é resultado do tempo, da tradição, (…) experiência (…) A questão, pois, não é de como enobrecermos o nosso condicionamento, como melhorá-lo (…), porém, antes, de libertarmos completamente o nosso espírito de todos os seus condicionamentos. (…) (Idem, pág. 6)

As próprias experiências que colhemos têm de ser postas fora, porque elas manufaturam, constroem o tempo. (…) Assim sendo, pode-se ser, de fato, livre, religiosamente – no sentido mais profundo da palavra “religião”? Porque religião, é bem de ver, não são ritos, dogmas, não é moral social, freqüentar a igreja todos os domingos, a prática da virtude, o bom comportamento, que levam à respeitabilidade. Nada disso é religião (…) Religião é muito mais do que isso, coisa muitíssimo diferente. (Transformação Fundamental, pág. 7)

E não só existe a corrupção em todos os níveis de nossa vida, mas também a morte na religião. Digo que não somos entes religiosos. Podeis freqüentar templos, ler o Gita, citar interminavelmente Sankara ou outro instrutor e executar um sem-número de rituais. Mas não sois entes religiosos. (O Despertar da Sensibilidade, pág. 98)

(…) Religião, pois, é um estado da mente em que o “eu” está ausente; e nesse vazio deixado pelo “eu”, surge a Realidade. Esse “eu”, porém, não é nenhuma coisa misteriosa; esse “eu” é constituído de vossos ciúmes, ambições, inveja, desejo de poder, posição e intrigas. (O Problema da Revolução Total, pág. 69)

A religião é coisa completamente diferente. Ela consiste em descobrir a raiz das coisas, em descobrirdes por vós mesmos o que é a verdade, nela viverdes infinitamente, de modo que cada palavra, cada ato, cada gesto tenha significação, beleza. (O Despertar da Sensibilidade, pág. 98)

(…) A função da maioria das religiões tem sido esta de amansar nele (o ente humano) o animal feroz. Entretanto, subsiste ainda muito do animal na maioria de nós. E, em vista de tanta degradação e corrupção – moral, espiritual, ética e também estética – como atualmente existe, torna-se bem óbvia a necessidade de promover, ou, melhor, de nos tornarmos cônscios, dos fatores que reclamam uma radical transformação no vosso pensar e sentir. (Viagem por um Mar Desconhecido, pág. 52)

Religião é uma ação completa, total, que abarca a vida em seu todo, e não dividida em “vida de negócios”, “vida sexual”, “vida científica”, “vida religiosa”. Estamos vivendo num mundo de ações fragmentárias, contraditórias, e isso não é vida religiosa, porquanto gera antagonismo, aflição, confusão, sofrimento. Por conseguinte, compete a cada um descobrir, por si próprio, (…) essa ação que é completa em cada minuto, onde quer que ela se exerça (…) Essa ação é vida religiosa (…) Havendo essa ação, haverá uma vida de harmonia, de união entre os homens (…) (A Libertação dos Condicionamentos, pág. 92)

A religião tem, então, um significado totalmente distinto (…) Foi o pensamento que criou as diversas religiões e, por conseguinte, cada religião está fragmentada e em cada fragmento há múltiplas subdivisões. Tudo que se chama “religião”, incluindo as crenças, os temores, as esperanças, o desejo de estar seguro em outro mundo, etc., é resultado do pensamento. (La Totalidad de la Vida, pág. 141)

Que é, então, religião? É a investigação da qual participa toda a atenção do indivíduo, a soma de toda a energia – para descobrir aquilo que é sagrado, para encontrar o que é santo. (…) Aquilo que é santo, sagrado, (…) a verdade, só advém quando há completo silêncio (…) Nesse imenso silêncio está aquilo que é sagrado. (Idem, pág. 141)

(…) A religião como experiência de uma autoridade qualquer, pode ligar vários indivíduos entre si, mas, inevitavelmente, há de gerar antagonismo; a experiência alheia não é verdadeira (…) A verdade nunca pode ser produto de autoridade. (…) (Nosso Único Problema, pág. 81)

A experiência de um guru, um instrutor, um santo, um salvador, não é a verdade que vos cumpre descobrir. A verdade alheia não é a verdade. Podeis repetir para outra pessoa a expressão verbal da verdade; mas esta se transforma no processo de repetição. (Idem, pág. 81)

A experiência alheia não é válida para a compreensão da realidade. Entretanto, as religiões organizadas, no mundo inteiro, baseiam-se na experiência alheia e, por essa razão, não estão libertando o homem, mas, unicamente, prendendo-o a um padrão que lança o homem contra o homem. (Nosso Único Problema, pág. 81-82)

A humanidade não pode ser integrada por uma idéia, por mais nobre e ampla que essa idéia seja. Porque idéia é simples reação condicionada; (…) ante o desafio da vida, é necessariamente inadequada, trazendo conflito e confusão. (…) (Idem, pág. 81)

Todas as religiões falharam. Religião nada tem em comum com crenças e dogmas; (…) Nossa necessidade atual não é volver ao passado (…) Tendes de estar vivo, (…) para poderdes descobrir, por vós mesmo, o que é Verdade. (…) (O Despertar da Sensibilidade, pág. 104-105)

Que é então, religião? Quando se varrerem da mente todas as imagens, (…) crenças, símbolos, (…) mantras e repetições, e todo temor, então o que virdes será o Real, o Atemporal, o Eterno (pág.37)

(…) Mas se necessita, para tanto, de discernimento, compreensão e paciência fora do comum, e só aos que investigam interessadamente o que, é religião, (…) será dado saber o que é a verdadeira religião (…) (Idem, pág. 37-38)

Todas as crenças – a cristã, a hinduísta, a maometana – são fontes de inimizade entre as pessoas. É ser intolerante apontar esse fato evidente? Mas, se estais apegado à vossa crença, dizeis que eu sou intolerante, porque não quereis olhar de frente o fato. É tão patente o fato de que, enquanto estivermos divididos em muçulmanos, hinduístas, cristãos, existirá necessariamente antagonismo entre nós! Somos entes humanos, e não uma massa de crenças em conflito. (…) (Visão da Realidade, pág. 118-119)

(…) Ser verdadeiramente individual é estar completamente fora da sociedade, é ter compreendido toda a significação do coletivo. Um indivíduo assim é capaz de realizar uma transformação no coletivo. Acho importante ter isso presente no espírito, já que tanto nos interessa isso que chamamos de “as massas”, a coletividade, o grupo (…) (Palestras na Austrália e Holanda, 1955, pág. 112)

(…) Evidentemente, o grupo não pode transformar-se a si mesmo; isso nunca aconteceu historicamente, nem está acontecendo hoje. Só o indivíduo capaz de desprender-se completamente do grupo, da coletividade, pode produzir transformação radical. Mas o indivíduo só pode desprender-se totalmente, quando está em busca daquilo que é Real. (…) O que significa que ele tem de ser uma pessoa verdadeiramente religiosa – mas não com a religião da crença, (…) dos dogmas, dos credos. Só o indivíduo livre do coletivo pode descobrir o que é verdadeiro. (…) (Idem, pág. 112-113)

Formulando o problema (…) existe uma maneira diferente de considerá-lo? A velha maneira não nos oferece, evidentemente, nenhuma solução. Isso temos de perceber com absoluta clareza, a fim de abandonarmos definitivamente a velha maneira, o velho caminho que nos oferecem as religiões, com suas crenças, dogmas, salvadores, mestres, vigários, arcebispos, etc. Quer se trate de religião católica, quer da protestante, hinduísta, budista, esse caminho tem de ser abandonado inteiramente, uma vez que não leva o homem à libertação. (…) (Encontro com o Eterno, pág. 73)

Quando a religião se torna universal, deixa de ser religião. Se religião é questão de crença, de conversão, de pertencer a um grupo que propugna certas idéias, já não existe então a semente religiosa. Porque religião é algo que precisa ser compreendido por cada indivíduo no “processo” do viver, nas atividades da vida diária e, por conseguinte, nenhuma relação tem com o educar a mente para funcionar segundo determinado padrão de pensamento. (O Homem Livre, pág. 143)

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