A maioria de nós tem tido profundas “experiências”, temos tido inspirações portadoras de êxtase sublime, de visões grandiosas, de intenso amor. Essas experiências nos invadem com a sua luz e alento; mas não perduram; passam, deixando o seu perfume. (O Egoísmo e o Problema da Paz, pág. 106-107)

Acontece com a maioria de nós que a mente-coração não é capaz de permanecer aberta para tal êxtase. A “inspiração” é acidental, não provocada, grande demais para a nossa mente-coração. A inspiração é maior do que aquele que a experimenta, e por isso procura ele rebaixá-la ao seu próprio nível, à órbita de sua compreensão. (Idem, pág. 107)

O intérprete, o tradutor da inspiração, deve ser tão profundo e vasto quanto ela, se a deseja compreender; não o sendo, deve desistir de interpretá-la, e para desistir ele precisa estar maduro, ser judicioso na sua compreensão. Podeis ter uma “experiência” significativa, mas, como a compreendeis, como a interpretais, depende de vós, o seu intérprete; se vossa mente-coração é limitada, acanhada, traduzis a experiência, então, conforme esse condicionamento. O condicionamento é que deve ser compreendido e desfeito, para que possais apreender o pleno significado da “experiência”. (Idem, pág. 107-108)

(…) Em vez de serdes gigantes da ignorância, importa sejais gigantes criadores. (…) Se estiverdes de fato iluminados, podeis partir e vos tornardes mensageiros do Reino. Eu tenho bebido na Fonte, e anseio por levar cada um de vós a ela; (…) (O Reino da Felicidade, pág. 45-46)

(…) Compreendereis em que grande êxtase podeis viver – em que êxtase equilibrado – se constantemente imaginardes que estais sempre vivendo nesse Reino e que estais em companhia de grandes homens. Quantos de vós podeis estar com um grande homem, gênio, com Ele que é a incorporação desse Reino da Felicidade? (…) (O Reino da Felicidade, pág. 52)

O Buddha, o Cristo, e outros Grandes Instrutores do mundo, foram ter à fonte da vida. Tornaram-se Artistas Mestres. Uma vez conhecendo a natureza e a suprema grandeza da Fonte, Eles mesmos se tornaram essa Fonte, o Caminho e a Encarnação da Sabedoria e do Amor. (…) (O Reino da Felicidade, pág. 54-55)

Uma vez que tenhais compreendido a glória do Reino dEles, então podereis abrir caminho por vós mesmos nessa linha particular de criação (…) Então sereis os maiores escritores, ou os maiores artistas, ou os maiores cientistas; então tereis a língua dos eruditos (…) (Idem, pág. 55)

Somente podeis entrar no Reino, se estiverdes levando vida nobre, e só vos podeis tornar cidadão desse Reino, se estiverdes lutando contra a estreiteza, (…) o espírito de exclusão. E para esse fim deveis ter inteligência límpida, pura, capaz de entender tudo; (…) (Idem, pág. 57-58)

Porque se tiverdes tal inteligência, tereis igualmente emoções nobres e felizes; ao passo que, se fordes exclusivistas e (…) pensardes que sois diferentes – o que é apenas uma afirmação do “eu” – então não entrareis no Reino da Felicidade. (Idem, pág. 58)

(…) O êxtase da Realidade encontra-se pela inteligência desperta e no mais alto grau de intensidade. Inteligência não significa cultivo da memória ou da razão, mas, sim, uma percepção da qual é banida a identificação e a escolha. (O Egoísmo e o Problema da Paz, pág. 199)

(…) O êxtase do entendimento vem somente quando há grande descontentamento, quando, em torno de vós, todos os falsos valores forem destruídos. (…) (Palestras na Itália e Noruega, 1933, pág. 135)

Nesse estado de êxtase, de extrema alegria, tendo perdido a única coisa que vos prende em baixo, o “eu”, encontrareis a única fonte de inspiração, a única beleza de que necessitais, e a única verdade digna de a ela aderirdes, de por ela lutardes, digna de que se sacrifiquem todas as coisas para obtê-la. (O Reino da Felicidade, pág. 62)

(…) Não podeis ser felizes enquanto não fizerdes a felicidade de outros, e só podeis tornar outros felizes, se houverdes entrado nesse Reino (…) obedecido, (…) colhido os murmúrios daquela Voz que é Eterna. Só desse modo podereis guiar homens, dar-lhes felicidade, (…) coragem na luta pela nobreza, animá-los para escutarem seus próprios murmúrios da Divindade. (O Reino da Felicidade, pág. 59)

Lutando, eles sofrerão, mas todo sofrimento, todas as lutas, são parte do processo em direção ao (…) encontro da felicidade. Essa é a verdadeira brisa das montanhas que vos embriaga de Eternidade, que vos dá a imensa força de estar de pé sozinhos. (Idem, pág. 59)

(…) Quando sentimos esse pujante êxtase criador? Só depois de cessar todo conflito, só na ausência do “ego”, (…) na tranqüilidade completa. Não é possível sentir-se essa tranqüilidade quando a mente e o coração estão agitados, em conflito. (O Egoísmo e o Problema da Paz, pág. 63)

Então haveis de descobrir que a mente e o coração não estão em conflito e não se contradizem, sendo eles, ao contrário, a verdadeira fonte, a origem daquilo que estais buscando, que é esse êxtase criativo – a verdade. (Idem, pág. 67)

O que chamamos felicidade ou êxtase é, para mim, o pensar criador. E o pensar criador é o movimento infinito do pensamento, do sentimento e da ação. Isto é, quando o pensamento, que é sentimento, que é a própria ação, não é estorvado no seu movimento, não é compelido nem influenciado, nem está vinculado por uma idéia, nem procede do acervo da tradição ou do hábito, esse movimento é então criador. (…) (A Luta do Homem, pág. 151)

Só quando a mente e o coração, vulneráveis, defrontam a vida, o desconhecido, o imensurável, é que se dá o êxtase da verdade. Quando a mente não se acha sobrecarregada de valores, de lembranças, (…) e é capaz de defrontar o desconhecido, nesse mesmo defrontar nasce a sabedoria, a beatitude do presente. (Palestras em New York City, 1935, p. 50)

(…) Cada um de nós tem um templo, mas precisamos criar a imagem, o ídolo, a Beleza, em torno da qual possamos desenvolver o nosso amor e devoção; porque se conservarmos o templo vazio, como muitos de nós fazemos, não poderemos criar. (O Reino da Felicidade, p. 24)

É pela adoração, pelo amor, pela devoção, que criamos, que damos vida ao templo. Para mim esse templo é o coração. Se puserdes Aquele que é a encarnação do Amor e da Verdade em vosso coração, se ali o criardes com as vossas próprias mãos, mente, e emoções, esse coração, em vez de frio e abstrato e deserto, se torna real e vivo e radiante. Tal é a Verdade. (…) (Idem, p. 24-25)

(…) A beatitude não está no passado ou no futuro, mas no presente, para aqueles que, pelo alegre apercebimento, compreendem, e assim estão livres da causa da ignorância, que é a ansiedade. (Palestras em Ojai e Saróbia, 1940, p. 98)

A beatitude está sempre no presente, e para compreendê-la é preciso ter interesse e apercebimento constante. A paz está sempre no presente, mas, para entendê-la, não devemos estar preocupados com o tempo. (…) (Idem, p. 91)

(…) Eu digo que existe um êxtase da vida, uma eternidade, uma imortalidade que reside na realização do vosso viver diário e não em qualquer futuro distante (…) Digo que essa perdurável realidade só pode ser compreendida na plenitude do presente. (Coletânea de Palestras, p. 33)

Não pode (…) ser fantasiado ou imaginado; (…) Esse êxtase da verdade vem espontaneamente, naturalmente, suavemente, sem o mínimo esforço, sem autodisciplina (…) Digo que esse vivo êxtase da verdade existe sempre, e que eu o realizei. (Idem, p. 33-34)

Tendes, pois, de estar enamorados da vida. Isso exige grande inteligência, não informações ou conhecimentos (…) (Palestras em New York City, p. 60)

(…) Ó amigo! Se estais enamorado da vida, vós envolvereis todas as coisas nesse amor (…) (Que o Entendimento Seja Lei, p. 17)

(…) A Verdade, tal como a Vida, é como o raio do sol: se sois sensato, abrir-lhe-eis as janelas; se não sois sensato, descereis as cortinas. Se estivésseis enamorado da Verdade, essas imagens não teriam mais valor nenhum para vós. (Que o Entendimento Seja Lei p. 11)

Uni-vos com a Vida, e vos unireis com todas as coisas. (…) Se estais enamorado da Vida, então vós vos unireis com a vida, quer a chameis Buddha ou Cristo (…) (Que o Entendimento seja Lei, p. 19)

(…) Há somente uma Lei, somente um Nirvana, somente um Reino da Felicidade, somente uma Essência; (…) Quanto mais vos desenvolverdes, (…) pensardes, (…) sofrerdes, mais perto estareis dessa Essência, (…) Unidade, eterna Verdade. (…) (O Reino da Felicidade, p. 64)

Na essência, nós somos iguais, mas, no mundo da forma, somos diferentes; e de acordo com essas diferenças varia a nossa compreensão da Verdade. (…) Essa é a única Lei (…) que vos pode guiar para o Reino da Felicidade. (…) (Idem, p. 65)

Se me houverdes acompanhado com interesse, deveis ter compreendido que, para entrar nessa mansão da Felicidade, vos importa estar livres de todas as coisas que agrilhoam, que vos prendem à terra (…); e que escapar delas e ser liberto significa obter a iluminação, é a aquisição do Nirvana, a obediência a essa única Lei e a entrada no único Reino da Felicidade. (…) (O Reino da Felicidade, p. 173)

Há dois tipos de pessoas: as que estão nesse Jardim onde há frescor, doçura, beleza, tranqüilidade e o suave murmúrio de mil vozes; onde o ar todo está vivo com o sentimento da Beleza Eterna, onde há a sensação de poder, (…) de paz e de admirável força e realidade. Ao outro tipo pertencem as que estão fora desse Jardim (…) (O Reino da Felicidade, p. 84-85)

(…) Nesse mundo cessais de viver como indivíduo. Sois parte de tudo; (…) da menor folha e da mais alta e majestosa árvore; porque sois parte dEle e aquele é o Seu jardim, é a Sua morada, é o Seu Reino. (…) (Idem, p. 86)

(…) Se não houverdes feito pesquisas para encontrá-LO, lutado para alcançá-LO, não podereis saber o que ele significa, (…) conhecer o seu poder, (…) o êxtase, a embriaguez. Não é mero sentimento, (…) mas é a Verdade mesma, é a Essência de todas as coisas. (…) (Idem, p. 87)

(…) Viver nesse jardim significa viver grandemente, viver nobremente, no cimo da vossa perfeição; e o que quer que seja feito de grande e duradouro deve ser feito dessa Mansão, (…) provir dessa Fonte (…) ter a sua origem nesse Reino. (…) (O Reino da Felicidade, p. 87)

(…) Todos os ensaios, tentativas e fatos falham quando não são duradouros, quando são transitórios e mutáveis. Ao passo que se tudo o que fizerdes trouxer o selo desse Reino, será aceitável a todos os homens, (…) deuses, (…) reinos da Natureza; porque esse Reino é o reino dos deuses, o reino dos ideais, a fonte de todos os sentimentos, de todas as ações. (Idem, p. 87-88)

Enquanto puderdes refletir com a certeza, (…) o conhecimento, (…) como o próprio Reino; (…) só podeis refletir a pureza desse Reino quando houverdes encontrado o vosso verdadeiro Ser (Self), quando viverdes eternamente nesse Reino e o tiverdes como Eterno Companheiro.(…) (O Reino da Felicidade, p. 89)

Então tereis em vós essa paz absoluta, a paz que dá imensa força e poder, porque tereis encontrado a vós mesmos, tendes vivido com as coisas que são permanentes, (…) eternas. (Idem, p. 89)

(…) E quando já houverdes bebido desse néctar, desse elixir da vida, ele vos conservará eternamente jovens. (O Reino da Felicidade, p. 96)

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