A alegria é espontânea, não procurada, nem convidada, e quando a mente a analisa, para cultivá-la ou recapturá-la, então não é mais alegria. (…) (Palestras em Ommen, Holanda, 1937-1938, pág. 117)

Ora, fazeis esforço para descobrir a causa da alegria? Se o fazeis, então a alegria cessa de existir e somente as suas memórias e hábitos existem. (Idem, pág. 117)

Sem dúvida existe uma alegria. Há uma felicidade real no compreendermos uma coisa, (…) Se compreendo as minhas relações com o próximo, minha esposa, com a propriedade, (…) dessa compreensão resulta, por certo, alegria, riqueza, e (…) podemos ir mais longe, penetrar mais fundo. (…) (Novo Acesso à Vida, pág. 54)

(…) Essa alegria, passados alguns momentos, se torna lembrança. A lembrança da alegria é uma coisa viva? Não; é coisa morta. (…) A memória não contém alegria; é apenas o vestígio de algo que causou alegria. A memória, em si, não contém alegria. Temos alegria – a reação imediata à beleza de uma árvore; depois a memória intervém e destrói essa alegria. (Novos Roteiros em Educação 1ª ed., pág. 107)

Assim, pois, se há constante percepção do belo, sem a acumulação de lembrança, há a possibilidade de alegria perene. (…) A memória não pode produzir a alegria perene. Só temos alegria perene, quando há constante reação ao belo, ao feio, a todas as coisas, (…) quando há muita sensibilidade, interior e exteriormente – ou seja, quando temos o verdadeiro amor. (Idem, pág. 108)

Assim, enquanto a mente pensar em termos de “vir-a-ser”, ela necessita do tempo. Pois bem. Se puderdes ver e compreender esse fato, então, nesse momento não existireis, sereis nada, (…) não existirá o tempo. Não haverá (…) “eu” (…) mas só um “estado de ser”; e, daí, vem uma alegria extraordinária. (…) (Visão da Realidade, pág. 249-250)

(…) A alegria é uma coisa inteiramente diferente do prazer. Você pode convidar o prazer, pensar nele, sustentá-lo (…); mas isso não se pode fazer com a alegria, o êxtase. Este acontece naturalmente, facilmente, sem convite algum (…), quando você compreende o medo e o prazer. A mente torna-se realmente livre destes últimos, ou, melhor interpretando, uma mente assim nunca é violenta, ambiciosa, nunca procura posição, prestígio e demais contra-sensos. (Talks and Dialogues, Sidney, Austrália, 1970, pág. 44)

Existe possibilidade de se encontrar alegria duradoura? Existe; mas, para vivermos essa alegria, é preciso haver liberdade. Sem liberdade, não pode ser descoberta a verdade; (…) não é possível o conhecimento do Real. (…) (O Egoísmo e o Problema da Paz, pág. 166)

(…) Quando tendes consciência de vosso “eu”? Quando existe oposição, quando existe atrito, (…) antagonismo. No momento da alegria, a consciência do “eu” é inexistente; na felicidade, não dizeis: “sou feliz” (…) (O Egoísmo e o Problema da Paz, pág. 41)

Nesse estado de êxtase, de extrema alegria, tendo perdido a única coisa que vos prende em baixo, o “eu”, encontrareis a única fonte de inspiração, a única beleza de que necessitais e a única verdade digna de a ela aderirdes, (…) de por ela lutardes, digna de que se sacrifiquem todas as coisas para obtê-la. (O Reino da Felicidade, pág. 62)

A própria natureza do “ego” é estar em contradição; e somente quando o pensamento-sentimento se liberta, a si mesmo, de seus próprios desejos antagônicos, é que pode haver tranqüilidade e alegria (…) Quando vos tornais cônscios do processo dualista do desejo, e ficais passivamente vigilantes, encontrais a alegria do Real, alegria que não é produto da vontade nem do tempo. (O Egoísmo e o Problema da Paz, pág. 92)

(…) Enquanto o desejo, em suas múltiplas formas, não for compreendido e transcendido, não haverá a alegria da vida interior simples e plena. (Autoconhecimento, Correto Pensar, Felicidade, pág. 120)

Em qualquer época, em especial nas de muito sofrimento e confusão, importa descobrir (…) a compreensão e a alegria interior e fecunda. Temos de achá-las (…) mas a busca dos prazeres materiais, a prosperidade e o poder pessoal (…) impedem a paz e a felicidade criadoras. (…) (Autoconhecimento, Correto Pensar, Felicidade, pág. 135)

Simplicidade significa não ter conflitos, não arder de desejos, não ter ambição. Você vê, queremos sempre a demonstração externa da simplicidade, enquanto internamente estamos fervendo, ardendo e destruindo. E você pergunta: “Por que ocorre isso?” (Talks and Discussions at Brockwood Park, 1969, pág. 36)

Como dissemos, simplicidade implica honestidade, de tal forma que não haja contradição em si mesmo. E quando há tal estado de mente, há simplicidade real. (Idem, pág. 37)

(…) Simplicidade é ação sem idéia. Mas isso é raríssimo; significa ação criadora. (…) A simplicidade não pode ser cultivada nem experimentada. Ela vem – como a flor que desabrocha – no momento oportuno; (…) Porque nunca pensamos a respeito, (…) nunca a observamos (…) damos valor às exteriorizações de poucas posses, mas isso não é simplicidade (…)

Só vem à existência quando não mais existe o ” eu”, quando a mente não está toda entregue a especulações, conclusões, crenças, ideações. (…) Só a mente que é livre, pode achar a verdade. Só essa mente pode receber o imensurável, o inefável. E aí está a simplicidade. (A Primeira e Última Liberdade, 1ª ed., pág. 266)

(…) Sem dúvida, precisamos começar pelo lado psicológico para descobrir o que é vida simples, pois é o interior que cria o exterior. É a insuficiência interior que faz as pessoas se apegarem a seus haveres e suas crenças; é esse sentimento de insuficiência interior que nos força a acumular bens, roupas, saber, virtude. (…) (Nosso Único Problema, pág. 67)

Só quando a mente é simples e vulnerável, é possível ver as coisas claramente, em suas exatas proporções. Assim, a simplicidade da mente é essencial à simplicidade da vida. O mosteiro não constitui solução. Surge a simplicidade quando a mente não tem apego, (…) não está adquirindo, (…) aceita o que é. Isso significa estar livre do background, do conhecido, da experiência adquirida. Só então a mente é simples, e só então é possível ser livre. (…) (Idem, pág. 68)

E pensamos que vida simples significa usar tanga e alimentar-se uma vez ao dia; (…) Interiormente, o indivíduo pode estar (…) em concupiscência, na ânsia de dominar, de poder, de ser considerado personalidade popular, de ser saudado como um “grande homem” (…) (Uma Nova Maneira de Agir, 1ª ed., pág. 87)

(…) A verdadeira simplicidade não é austeridade disciplinada, (…) A simplicidade implica uma mente capaz de estar só, (…) não depende de nenhuma exterioridade. E só a mente interiormente simples é capaz de estar só; só a mente simples, religiosa, é capaz de ver a beleza (…) (Idem, pág. 87)

Simplicidade não é mera ostentação exterior. O ajustamento a um padrão de simplicidade é exibicionismo; confere respeitabilidade ao homem que se cobre com uma tanga. Ser saniasi é uma forma burguesa de respeitabilidade. Mas, o santo nunca conhecerá a simplicidade, porque não é simples; vive numa batalha perpétua, consigo mesmo.(…) (A Suprema Realização, pág. 74)

Simplicidade, para a mente, é estar livre de crença, da luta pelo “vir-a-ser”, é permanecer com “o que é”. E a mente que está atravancada de crenças, de lutas, de esforços, no empenho de alcançar a virtude, (…) não é simples. (…) (Nós Somos o Problema, pág. 97)

(…) Só existe simplicidade quando não existe desejo de ser algo (…) por que aí o “eu” está ausente, (…) Se esse “eu” está de todo ausente, há então simplicidade, a qual se expressa no mundo da ação. (…) (Idem, pág. 97)

(…) Ser simples não é uma conclusão, um conceito intelectual pelo qual lutamos. Só pode existir simplicidade quando cessa o “ego” e suas acumulações. (…) (O Egoísmo e o Problema da Paz, pág. 249)

(…) Ser sensível interiormente requer muita simplicidade, que não significa andar de tanga, ou possuir poucas roupas, ou não ter carro; mas a simplicidade em que o “eu” e o “meu” perderam toda a importância, não há o sentimento de posse; não mais existe “aquele que faz esforço”. (…) (A Conquista da Serenidade, pág. 41)

Vemos, pois, que a simplicidade do pensar não resulta de acumulação de conhecimentos. Pelo contrário, quanto mais sabemos, tanto menos simples é a nossa mente; e a mente tem de ser (…) simples, para compreender o que é. (Percepção Criadora, pág. 104-105)

Simplicidade é compreensão do que é. E só há compreensão do que é quando a mente desistiu de lutar contra o que é, (…) de moldá-lo de acordo com suas fantasias. Na compreensão do que é, revelam-se-nos os movimentos do “eu”, do “ego”; e isso, certamente, é o começo do autoconhecimento (…) (Idem, pág. 105-106)

(…) Podemos viver neste mundo, freqüentando o escritório e outros lugares mais, num estado de completa humildade? (…) Mas, penso que só nesse estado de humildade completa – que é o estado da mente que está sempre pronta a reconhecer que não sabe – só nesse estado há a possibilidade de aprender. De outro modo, estaremos sempre acumulando (…) (A Mente sem Medo, 1ª ed. pág. 13)

A anulação do conhecimento é o começo da humildade. Só a mente humilde pode compreender o que é verdadeiro e o que é falso e, assim, evitar o falso para seguir o verdadeiro. (…) Esse conhecimento se torna nosso background, nosso condicionamento; ele nos molda os pensamentos e nos ajusta ao padrão do que foi. (…) (O Homem Livre, pág.164)

(…) Deveis tornar-vos cônscios de vossas trivialidades, limitações e preconceitos, a fim de compreendê-los; e somente o conseguireis com humildade, quando não houver julgamento ou comparação, aceitação ou recusa. (…) (Autoconhecimento, Correto Pensar, Felicidade, pág. 129)

Assim, sendo, (…) Por certo, só termina o sofrimento quando liberto a minha mente de toda avaliação, (…) comparação, (…) de todas as sanções sociais, (…) acumulações, de modo que ela fique num estado de humildade, (…) em que a mente está vigilante e lúcida, mas nada sabe, (…) (Visão da Realidade, pág. 237)

(…) A humildade, como o amor, não é cultivável. Só o homem vão, (…) orgulhoso e pretensioso procura cobrir-se com a capa da humildade. Mas, quem quer aprender necessita desse estado de humildade, de uma mente que não sabe, que não está sempre a adquirir, a galgar, alcançar, atingir. Só pode existir humildade quando o passado (…) desaparece. A mente deve ser altamente sensível, ativa, vigorosa. (…) (Encontro com o Eterno, pág. 45)

(…) O acúmulo de bens, experiências ou aptidões, nega a humildade. O ato de aprender está livre do processo de acumulação, mas não a aquisição de conhecimentos. (…) A humildade não admite comparação; não podemos falar em mais ou menos humildade (…) A humildade e o amor transcendem os limites do cérebro. A humildade está no próprio ato de findar. (…) (Diário de Krishnamurti, pág. 69-70)

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