Esclarecerei em resumo o que tenho dito (…) Cada um de vós sois consciente de um grande vazio, uma vacuidade interna, e, sendo consciente dessa vacuidade, tentais preenchê-la ou escapar-lhe; ambas as ações significam a mesma coisa. Escolheis com o que preencher essa vacuidade, e a essa escolha chamais progresso ou experiência. (…) (Palestras na Itália e Noruega, 1933, pág. 90)

Mas a vossa escolha se baseia na sensação, na ansiedade, daí não implicar discernimento, inteligência, sabedoria. Escolheis hoje o que vos dá maior satisfação, maior sensação (…) Portanto, o que chamais escolha é meramente o vosso modo de fugir da vacuidade interna, e, assim, estais meramente adiando a compreensão da causa do sofrimento. (Idem, pág. 90-91)

Onde há escolha tem de haver conflito, porque a escolha tem por base a ansiedade, o desejo de completar o vosso vazio interno ou dele escapar. (… ) Mas, digo, descobri qual a causa do vosso sofrimento. Essa causa é, como verificareis, o constante querer, o contínuo ansiar que obscurece o discernimento. Se compreenderdes isso (…) então a vossa ação estará livre da limitação da escolha; então estareis realmente vivendo, vivendo naturalmente, harmoniosamente (…) Se viverdes plenamente, a vossa vida não produzirá discórdia porque a vossa ação surgirá da plenitude e não da carência. (Idem, pág. 91-92)

Mas (…) a experiência, sem dúvida, é uma distração, um processo de afastamento de nós mesmos. (…) Dentro de nós, quer o admitamos, quer não, quer o sintamos conscientemente, quer não, existe um estado de pobreza, um vazio que procuramos encobrir, (…) evitar. (…) Isto é, o indivíduo sente em si (…) um vazio, um aniquilamento, uma insuficiência. (Nós Somos o Problema, pág. 63-64)

Quase todos estamos conscientes disso, mas não nos agrada encará-lo de frente, (…) compreendê-lo; procuramos fugir a esse estado de vazio, (…) de aniquilamento, apegando-nos à propriedade, ou ao nome, à família, ao saber. A essa fuga de nós mesmos chamamos de experiência; (…) Os meios de fuga (…) oferecem felicidade e, por isso, a experiência se transforma num obstáculo à compreensão do “que é” (Idem, pág. 64)

Enchemos, pois, esse vazio, essa solidão, com instrução, relações e haveres; e por isso as posses, as relações e a instrução se tornam extraordinariamente importantes – já que sem elas nos sentimos perdidos. Sem elas, ficamos face a face com nós mesmos, tais como somos; e, para fugir a isso, recorremos a todos os meios e acabamos ficando presos nas experiências dessas fugas. (Idem, pág. 64-65)

Utilizamos tais experiências como padrões (…) para encobrir a realidade. Mas a realidade, ou Deus, é o desconhecido; não pode ser medida por nossa experiência, (…) condicionamento; e, para atingi-la, temos de afastar todas as fugas e enfrentar “o que é” – nossa solidão, nosso extraordinário senso de sermos nada. (…) (Idem, pág. 65)

Ora, há em nós uma carência perpétua e um lutar perene pela satisfação a que chamamos “realidade”. Esforçamo-nos por nos amoldarmos à conformidade de um padrão, de acordo com um sistema particular de conduta, de comportamento, que promete dar-nos o entendimento e a satisfação decorrentes (…) (Palestras em Ojai, Califórnia, 1936, pág. 58)

Vedes algo, algo de atraente, e vós o quereis e o possuís. Está assim firmado esse processo de percepção, de carência e de aquisição. Esse processo é sempre auto-sustentador. Existe uma percepção voluntária, atração ou repulsão, apegar-se ou rejeitar. (Palestras em Ojai, Califórnia, 1936, pág. 59)

Essa carência é inteiramente diferente da busca. A carência indica vacuidade, o esforço para tornar-se alguma coisa, ao passo que a verdadeira busca conduz à compreensão profunda. (…) O que é que está sempre em movimento de carência? O que é que está sempre ansiando, procurando o atingimento? (Palestras em Ojai, Califórnia, 1936, pág. 58)

Enquanto não houvermos compreendido isso, a carência será um processo infindável que impede o verdadeiro discernimento; e haverá um constante lutar sem entendimento, um proselitismo cego, um temor incessante, cheio de muitas ilusões. (Idem, pág. 58)

Isso que está de contínuo ansiando é a consciência que se tornou perceptível sob a forma de indivíduo. Isto é, existe um “eu” que carece (…) Vedes algo (…) o processo do “eu” é assim auto-ativo. Isto é, não somente ele próprio se expande, mediante seus (…) desejos e ações, como se mantém pela ignorância, pelas tendências, carências e anseios. (…) (Idem, pág. 59)

Por que motivo ansiamos possuir ou dominar? Não é pelo temor à insuficiência? Por sermos tímidos, ansiamos por segurança; sentimental e mentalmente desejamos estar abrigados e firmemente ancorados nas coisas, nas pessoas, nas idéias. (O Egoísmo e o Problema da Paz, pág. 132)

Enquanto o anseio, nas suas diferentes formas, não for compreendido, haverá conflito e sofrimento. (…) A solução definitiva se encontra no libertar-nos do anseio; (…) A batalha incessante que se trava dentro de todos nós, e à qual chamamos vida, não terá desfecho enquanto não compreendermos e transcendermos o anseio. (O Egoísmo e o Problema da Paz, pág. 166-167)

Esse problema não é só de um indivíduo, pois todo pensamento humano se sente solitário. (…) Como hei explicado, através do desejo criamos em nós próprios um processo dual, donde surge o “eu”, o meu” (…) Criado pelo anseio, esse processo contraditório do “eu” e do “não-eu”, seu natural efeito é o insulamento, a solidão completa. (…) (Autoconhecimento, Correto Pensar, Felicidade, pág. 115)

O desejo engendra o temor, o temor nutre a dependência, seja de coisas, seja de pessoas ou idéias. Quanto maior a dependência, tanto maior a pobreza íntima. Tornando-vos conscientes dessa pobreza, (…) solidão, procurais enriquecê-la, (…) preenchê-la com conhecimentos ou atividades, divertimento ou mistério. (…) O “eu” é insaciável e não há como satisfazê-lo. (…) (Autoconhecimento, Correto Pensar, Felicidade, pág. 115)

Dessa idéia de a vida ser uma escola, surge o constante desejo de conseguimento, de sucesso, e, em conseqüência, a procura de um fim, o desejo de encontrar a verdade última, Deus, a perfeição final que vos dará (…) certeza, e daí as tentativas de contínuo ajustamento a certas condições sociais, a exigências éticas e morais, ao desenvolvimento do caráter e ao cultivo de virtudes. Esses padrões e exigências, se neles realmente pensais, são apenas abrigos donde agimos, abrigos desenvolvidos pela nossa resistência. (Palestras na Itália e Noruega, 1933, pág. 133)

(…) Dissemos que a ansiedade se exterioriza de três modos: pelo mundanismo, amor possessivo e desejo de imortalidade pessoal. (…) Naturalmente, há muitos problemas envolvidos nisso, tais como ganhar a vida. (…) (Palestras em Ojai e Saróbia, 1940, pág. 67)

Para transcender as condições que limitam o pensamento e o mantêm em constante conflito, precisamos compreender a ansiedade expressa em nossas relações mútuas com outrem, com a sociedade. Expliquei como isso deve ser feito, não pelo mero controle, não pela simples disciplina ou renúncia, mas pelo apercebimento constante do processo da ansiedade. (Idem, pág. 68)

Isso requer aplicação extrema, paciência, vigilância constante. Ao tornar-vos ativamente apercebidos do processo da ansiedade, percebereis que a ânsia, assim como a possessividade por pessoas ou coisas, sofre uma mudança fundamental. (Palestra em Ojai e Saróbia, 1940, pág. 68)

Não tem o nosso pensamento sua fonte na ansiedade? Pela percepção, contato, sensação e reflexão, o pensamento se divide em gosto e desgosto, ódio e afeição, dor e prazer, mérito e demérito – a série dos opostos, o processo do conflito. (…) (Idem, pág. 71)

A base do nosso pensamento é a ansiedade que cria o “eu”, e o pensamento se expressa na vaidade mundana, no amor possessivo e na crença da própria continuidade. (…) Enquanto o pensamento estiver preocupado com sua própria importância e continuidade pessoal, é incapaz de tornar-se apercebido de seu próprio processo. (Idem, pág. 72-73)

Como disse, a experiência é, para a maioria de nós, “o caminho da vida”, e por quanto mais experiências passamos, mais desejamos (…) Para a maioria de nós, não há fim para a experiência. Mas vemos que ela é “acumulativa”, e que o fundo de experiências acumuladas condiciona. (…) (O Homem e seus Desejos em Conflito, 1ª ed., pág. 118)

Temos, pois, essa carga acumulada de passadas experiências, tanto individuais como coletivas. (…) Esse fundo está sempre ditando nossas ulteriores experiências, moldando os nossos pensamentos. Não vemos possibilidade desse findar (…) Mas é o fundo de experiência que gera a ansiedade, o sentimento de desespero, o medo de não “chegar”, não realizar. Há sempre o sentimento de não completamento, de insuficiência e, por isso, queremos mais e mais experiência (…) (Idem, pág. 118)

Todos nós aspiramos a tornar-nos algo neste mundo ou no outro (…) interior ou exteriormente; e nosso propósito é bem definido, porquanto nossos desejos nos estão sempre impelindo para determinado fim, a que chamamos de “preenchimento”. Se não compreendermos esses desejos, e, se eles são contrariados, há conflito, sofrimento, dor e, por conseguinte, uma busca perene de preenchimento. Mas, se começamos a compreender todas as características do desejo, (…) impulsos, conscientes e inconscientes, não há mais a questão do preenchimento. É o ” eu”, o “ego” que está sempre ansiando por preenchimento, quer no sentido de sermos as pessoas mais importantes (…) ou de nos preenchermos interiormente (…) (Debates sobre Educação, pág. 234-235)

Buscar preenchimento é atrair a frustração. Não há preenchimento do “eu”, mas tão somente o seu fortalecimento pela posse daquilo que ele cobiça. A posse (…) faz o “eu” sentir-se poderoso, exuberante, ativo, e essa sensação é chamada preenchimento; todavia, como acontece com todas as sensações, ela breve se apaga, para ser substituída por outra satisfação. (…) (Comentários sobre o Viver, pág. 79)

Por que existe essa idéia de posse? Não nasce ela da insuficiência, da falta de plenitude? E por causa dessa insuficiência assumem grande relevância os problemas do sexo e outros (…) Na plenitude, que é a própria inteligência, não existe anormalidade. Mas, sendo insuficientes, incompletos, conhecendo a pobreza, a vacuidade, a absoluta superficialidade de nossos pensamentos e sentimentos, dependemos de outras pessoas, dos livros, da literatura, das idéias, da filosofia, para enriquecer nossas vidas, e começamos, assim, a adquirir, a armazenar. (…) (A Luta do Homem, pág. 115-116)

Que acontece quando vos sentis incompletos? Procurais preencher a insuficiência, (…) enriquecer-vos interiormente, e julgais que para vos tornardes completos, precisais de recorrer a outrem, às idéias e à experiência de outrem. Mas isso não vos dará aquela riqueza, (…) suficiência ou preenchimento. (…) Mas, se vos tornardes atentos pela ação, descobrireis então a causa da insuficiência. Isto é, em vez de procurardes preenchimento, criareis ação pela inteligência. (A Luta do Homem, pág. 81)

Mas, que é ação? Bem considerada, ela é aquilo que pensamos e sentimos. E enquanto não tiverdes percepção de vosso pensamento, de vossos sentimentos, tem de haver insuficiência, e por maior que seja a vossa atividade exterior, não conseguireis o preenchimento. Isto é, só a inteligência pode eliminar aquela vacuidade, não a acumulação; e a inteligência, como já frisei, é a harmonia perfeita da mente e do coração. (A Luta do Homem, pág. 81-82)

Assim, pois, se compreenderdes o funcionamento de vosso próprio pensar e das vossas próprias emoções e, desse modo, com essa ação, vos tornardes atentos, despertará então a inteligência, que eliminará a insuficiência, não procurando substituí-la pela suficiência, pela plenitude, porque a inteligência, ela própria, é plenitude. (Idem, pág. 82)

Nessas condições, onde existe plenitude não pode existir compulsão. Mas a desarmonia, a insuficiência promove separação entre a mente e o coração. (…) Mas, para mim, pensar e sentir são a mesma coisa. Assim, pois, envoltos em conflito e desarmonia, e tendo separado a mente dos sentimentos, efetuamos nova divisão, separando a mente da inteligência – da inteligência que, para mim, é verdade, beleza, amor. (…) (A Luta do Homem, pág. 82)

Sempre que há intenso conflito, grande desarmonia, um vivo sentimento de vacuidade, ocorre a busca de beleza, verdade, amor, para influenciarem e orientarem as nossas vidas. Isto é, conscientes dessa vacuidade, externais o belo na natureza, na arte, na música, e começais a rodear-vos artificialmente dessas expressões (…) para a aquisição de apuramento, cultura e harmonia. (…) (Idem, pág. 83)

Como disse, em face do conflito, separamos a inteligência da mente e dos sentimentos, sobrevindo aquele sentimento de insuficiência e vacuidade, o preenchimento na arte, na música, na natureza, nos ideais religiosos, e esperamos por tal maneira atingir aquela plenitude; esperamos, com a acumulação de experiências positivas, capacitar-nos para dominar a desarmonia e o conflito. Isso é afastar-se cada vez mais da inteligência e, portanto, da verdade, da beleza e do amor, que são a plenitude mesma. (A Luta do Homem, pág. 83-84)

É só quando a mente que se abrigou atrás das muralhas da autoproteção, se liberta de suas próprias criações, que se pode chegar àquela delicada realidade. Afinal de contas, essas muralhas da autoproteção são criações da mente, que, consciente da própria insuficiência, levanta essas muralhas de proteção abrigando-se atrás delas. (A Luta do Homem, pág. 177)

(…) Estamos sempre lutando para ganhar uma recompensa, realizar boas obras, viver vida nobre, progredir, concretizar nossa aspirações. Não importa, pois, verificarmos o que é esse “eu” que quer tornar-se maior, aperfeiçoar-se? (Claridade na Ação, pág. 101)

(…) Minha mente, percebendo a sua própria insuficiência, sua pobreza, põe-se a adquirir posses, diplomas, títulos, (…) e, desse modo, se fortalece o “eu”. Sendo o centro do “eu”, a mente diz: “Preciso transformar-me” – e põe-se a criar incentivos para si, buscando o bom e rejeitando o mau. (Idem, pág. 107)

(…) Sempre que há desejo de preenchimento, em qualquer grau ou (…) nível que seja, há de fato luta. O desejo de preenchimento é o motivo, a força impulsora do esforço. Seja o diretor de (…) empresa, ou a (…) dona-de-casa, ou o mendigo, em todos há essa batalha por “vir-a-ser”, realizar, continuar. (A Arte da Libertação, pág. 108)

Ora, por que existe esse desejo de nos preenchermos? Como é óbvio, o desejo de preenchimento, (…) de nos tornarmos alguma coisa, surge quando temos a consciência de não ser nada. Porque não sou nada, porque sou insuficiente, vazio, interiormente pobre, luto por tornar-me alguma coisa; exterior ou interiormente, luto para me preencher – com uma pessoa, um objeto, uma idéia. (Idem, pág. 108)

(…) Vemos, pois, que a luta por “vir-a-ser” só se manifesta quando há insuficiência, (…) consciência de um vácuo, de um vazio, em nós mesmos. (…) O encher esse vazio constitui todo o processo de nossa existência. Cônscios de que somos vazios, (…) pobres, interiormente, entramos em luta, ou para acumular coisas exteriores ou para cultivar riquezas interiores. (A Arte da Libertação, pág. 108-109)

Quando somos inferiores, temos o impulso a sentir-nos superiores; (…) Quer dizer: por mim mesmo, sou insignificante, vazio, superficial, e por isso desejo máscaras, para usar em diferentes ocasiões: a máscara da superioridade e da nobreza, da seriedade, a máscara com a qual afirmamos procurar Deus, e assim por diante. (O Egoísmo e o Problema da Paz, pág. 209-210)

Podeis cultivar a virtude e praticar exercícios espirituais, mas, com o encobrirdes a vossa insuficiência, com a negardes, (…) nem por isso ela é transcendida. Até que seja transcendida (…), toda atividade provém do “ego”, que é a causa do conflito e do sofrimento. (…) (Idem, pág. 210)

Estamos, pois, em busca de algo com que preencher nosso vazio; esse algo (…) chama-se conhecimento (…) Julgamos que, achando o que nos enriqueça a pobreza interior, estará finda a nossa busca. Uns tratarão de fugir dele por meio de atividades, de estímulos, de ideologias, etc; outros estão conscientes desse vazio, mas não acharam um meio de o encobrir. (O Egoísmo e o Problema da Paz, pág. 239-240)

Enquanto o pensamento estiver todo interessado na sua própria melhoria, (…) transformação, (…) progresso, tem de haver conflito e contradição. Voltamos, assim, ao fato evidente de que o conflito, o sofrimento, existirão enquanto eu não me compreender a mim mesmo. (A Arte da Libertação, pág. 193)

(…) Essa contradição, pois, nasce daquele terrível sentimento de insuficiência, de vazio, de solidão. Por isso, vivemos a fazer esforços; e esforço é luta, competição. Tal é nossa vida: uma luta perene para “vir-a-ser”, realizar coisas, ser bons, preencher-nos, conquistar prestígio, posição, poder, domínio, tornar-nos inteligentes. Enquanto não se compreender a luta, nunca se terá paz. (A Suprema Realização, pág. 119)

Pelo seguir um ideal ou uma modalidade de conduta, ou submetendo-nos a uma autoridade, seja ela a de uma religião, (…) seita ou (…) sociedade, não pode dar-se o verdadeiro preenchimento; e só por meio do preenchimento se encontra a beatitude da verdade. (Palestras no Chile e México, 1935, pág. 76)

Para mim, a perfeição não é a consecução de uma meta, de um ideal, do absoluto, através dessa idéia de progresso. A perfeição é o preenchimento do pensamento, da emoção (sentimento), e, portanto, da ação (…) Por isso, a perfeição é livre do tempo; não é resultado do tempo. (Palestras em Adyar, Índia, 1933-1934, pág. 114)

Bem, é esta a condição atual de nossas vidas – respeitabilidade, posses e vazio (…) Como haveremos de transcender essa solidão, esse vazio, essa insuficiência, essa pobreza interior? (…) Estamos satisfeitos com o que somos; dá muito trabalho procurar uma coisa nova (…) Nessas condições, não desejamos (…) sair do “processo” de auto-enclausuramento; o que procuramos é só substituição (…) Só muito poucos indivíduos se dispõem a romper e a ver o que existe fora dessa coisa que chamamos vazio, solidão. (Que Estamos Buscando?, 1ª ed., pág. 124)

Ora, para se sair do estado de solidão, de vazio, precisamos compreender todo o processo da mente (…) Que é isso que chamamos solidão, vazio? (…) Ora, senhores, na maioria sabemos o que é essa solidão (…) – essa solidão da qual estamos sempre procurando um meio de fugir. Os mais de nós estamos cônscios dessa pobreza interior, dessa insuficiência interior. (…) (Idem, pág. 125)

(…) Portanto, em virtude de nosso próprio condicionamento, perdemos o entusiasmo (…), a vida se torna pesada e árida. (…) Quando nos tornamos apercebidos desse estado, e, em lugar de combatermos esse vácuo sem esperança, ponderarmos profundamente as causas da frustração, então, sem nenhum conflito de antíteses, dá-se aquela mudança vital que é preenchimento, a rica compreensão da vida. (…) (Palestras em Ommen, Holanda, 1936, pág. 33-34)

Assim, digo, não procureis um caminho, um método. Não há método nem caminho para a verdade. (…) Então, nessa chama de apercebimento, todos esses obstáculos desmoronam porque os penetrastes. Então podereis perceber diretamente, sem escolha, aquilo que é verdadeiro. A vossa ação será assim oriunda da plenitude e não da insuficiência da segurança; e nessa plenitude, nessa harmonia da mente e do coração, está a realização do eterno. (Palestras na Itália e Noruega, 1933, pág. 27-28)

Para a maioria de nós, a idéia de evolução implica uma série de consecuções, isto é, consecuções surgidas da contínua escolha entre o que chamamos não-essencial e essencial. (…) A essa série de consecuções contínuas, resultantes da escolha, chamamos evolução. Toda a estrutura do nosso pensar está baseada nessa idéia do progredir e do atingir espiritual, na idéia de penetrar mais e mais no essencial como resultado da escolha constante. (Idem, pág. 29-30)

Ora, quando de tal modo consideramos o crescimento ou a evolução, naturalmente as nossas ações nunca são completas; estão sempre crescendo do mais baixo para o mais alto, sempre subindo, avançando. Por conseqüência, se vivemos sob essa concepção, a nossa ação escraviza-nos; a nossa ação é um esforço constante, incessante, infinito, e esse esforço está sempre voltado para a segurança. Naturalmente, quando há essa busca de segurança, há temor, e esse temor cria a contínua consciência do que chamamos “eu”. (Idem, pág. 30)

A maior beatitude – e isso para mim não é mera teoria – é viver sem esforço. (…) Para a maioria de vós, esforço é apenas escolha. (…) Mas, por que escolheis? (…) Digo que essa necessidade de escolha existe enquanto se está consciente da vacuidade ou do isolamento interno; essa insuficiência força-nos a escolher, a fazer um esforço. (Palestras na Itália e Noruega, 1933, pág. 31)

Ora, a questão não é saber como preencher esse vácuo, mas antes verificar qual a sua causa. (…) A vacuidade aparece quando a ação se origina de escolha. E quando há vacuidade, surgem as perguntas: “Como posso preencher esse vazio? Como posso desembaraçar-me desta solidão, deste sentimento de insuficiência? Para mim, não se trata de preencher o vazio, pois nunca o podeis preencher. (Idem, pág. 31)

Existe a vacuidade enquanto a ação é baseada na escolha, no agrado ou desagrado, na atração ou repulsão. Escolheis porque não gostais disto e gostais daquilo (…) Ou temeis algo e dele fugis. Para a maioria das pessoas, a ação é baseada em atração e repulsão, e, portanto, no temor (Idem, pág. 31-32)

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