Esta é uma questão muito complicada (…) Sabemos quais são as causas da guerra; (…) ganância, nacionalismo, desejo de poder, divergências geográficas (…), conflitos econômicos, estados soberanos, patriotismo, ideologia da direita ou da esquerda impondo-se a outra, etc. As causas da guerra são engendradas por vós e por mim. A guerra é a expressão espetacular de nossa existência de cada dia (…) (A Arte da Libertação, pág. 45)

(…) Quando começais a investigar todo o processo da guerra, como a guerra se origina, deveis então sentir-vos diretamente responsáveis por vossas ações. Porque a guerra só surge quando vós, em vossas relações uns com os outros, criais conflito. (…) (Da Insatisfação à Felicidade, pág. 135)

Sois responsáveis pela guerra; vós a criastes, com vossas ações cotidianas, ditadas pela cupidez, (…) malevolência e (…) paixão. Cada um cooperou para o erguimento desta civilização de concorrência e crueldade (…) Cumpre erradicardes as causas da guerra, da violência, em vós mesmos, a para tal requer-se paciência e brandura (…) (O Egoísmo e o Problema da Paz, pág. 15)

Não se corrige o que está errado com meios errôneos; só com meios justos é possível alcançar um fim justo. Se quereis a paz, urge empregardes meios pacíficos, pois o assassínio em massa – a guerra – só pode conduzir a novos morticínios e sofrimentos. Só a benevolência e a compaixão tornarão possível a paz no mundo, não a força, (…) nem a sagacidade, nem a simples legislação. (Idem, pág. 16)

A guerra é uma projeção espetacular e sangrenta de nossa vida e cada dia (…) A guerra é simples expressão exterior de nosso estado interior, uma ampliação de nossa ação diária. (…) Sem dúvida, a guerra que nos ameaça não pode ser impedida por vós e por mim, porque já está em marcha; já começou, (…) por enquanto no nível psicológico. (Novo Acesso à Vida, pág. 37)

Já se iniciou no mundo das idéias, mesmo que falte ainda algum tempo para sermos destruídos fisicamente. Visto que já está em movimento, não podemos mais detê-la – as questões são numerosas demais, grandes demais e já foram comprometidas. Todavia, vós e eu, percebendo que a casa está ardendo, podemos sair dela e construir noutro lugar com material diferente, não combustível, que não produza novas guerras. (Idem, pág. 37)

A menos que compreendamos os problemas relativos à origem da guerra, ver-nos-emos em confusão e incapazes de nos livrarmos desse desastre. (…) O fim inevitável da sociedade atual é a guerra; ela está apetrechada para a guerra; a sua industrialização conduz à guerra; os seus valores promovem a guerra. (O Egoísmo e o Problema da Paz, pág. 69-70)

Meditando profundamente, ficaremos bem cônscios das causas das guerras: a paixão, a malevolência e a ignorância; a sensualidade, a mundanidade e o anseio de fama e continuidade pessoal; a cupidez, a inveja e a ambição; o nacionalismo, com suas soberanias separadas (…) fronteiras econômicas, divisões sociais, preconceitos raciais e religião organizada. (…) (Idem, pág. 71)

Evidentemente, o que causa a guerra é o desejo de poder, de posição, prestígio, dinheiro e também a enfermidade chamada nacionalismo, o culto de uma bandeira e a doença da religião organizada, o culto de um dogma. (…) (Novo Acesso à Vida, pág. 38)

Nessas condições, para se implantar a paz no mundo, acabar todas as guerras, torna-se necessária uma revolução no indivíduo (…) Discutiremos a paz, projetaremos leis, criaremos novas ligas, as Nações Unidas, etc.; mas não ganharemos a paz, porque não renunciaremos a nossa posição, nossa autoridade, nosso dinheiro, nossas propriedades, nossa vida estúpida. (…) O que produzirá a paz é a transformação interior, que conduz à ação exterior. (Idem, pág. 39-40)

Para pordes fim à guerra exterior, precisais pôr fim à guerra que há dentro de vós. (…) Elas só acabarão quando compreenderdes o perigo, (…) a vossa responsabilidade, quando não passardes a outrem esse encargo. Se perceberdes de fato o sofrimento, (…) a importância da ação imediata, se não adiardes, então transformareis a vós mesmos; e a paz só virá quando fordes pacíficos (…) viverdes em paz com o vosso próximo. (Novo Acesso à Vida, pág. 40)

Pergunta: E que dizeis da bomba atômica e da bomba de hidrogênio? (…)

Krishnamurti: Essa pergunta implica todo o problema da guerra e de como evitar a guerra (…) (Visão da Realidade, pág. 43)

Devo dizer-vos, não me parece possível que os indivíduos possam deter a guerra. A guerra é como uma máquina gigantesca que, tendo sido posta em movimento, acumulou um momento extraordinário e continuará provavelmente em movimento até sermos destruídos (…) (Idem, pág. 44)

(…) Mas, se desejamos realmente livrar-nos desse maquinismo da guerra, que devemos fazer? (…) Afinal, a guerra é simplesmente a dramática expressão exterior de nossa luta interior (…) Porque, enquanto formos ambiciosos, seremos cruéis (…) Isso significa (…) que, enquanto vós e eu estivermos em busca de poder, (…) temos de produzir guerras. (…) (Visão da Realidade, pág. 44-45)

(…) Pode-se restringir o uso de armas atômicas, mas o impulso para a guerra já foi dado e que podemos nós fazer? Acontecimentos históricos estão em movimento, e eu não creio que vós e eu (…) possamos deter esse movimento. Quem nos dará atenção? Entretanto, podemos fazer coisa de todo diferente. (Visão da Realidade, pág. 48)

Podemos soltar-nos da atual máquina da sociedade, que se prepara incansavelmente para a guerra, e talvez então, em virtude de nossa própria revolução total interior, possamos contribuir para o erguimento de uma civilização inteiramente nova. (Idem, pág. 48)

Pergunta: É inevitável a terceira guerra mundial?

Krishnamurti: (…) Não há inevitabilidade no que respeita à guerra, mas parece muito ser assim, porque os interesses em jogo são tão vastos. As ideologias – a esquerda e a direita – estão em guerra (…) E isso suscita um problema muito complexo: se a esquerda não está baseada na direita, se não é uma continuação da direita; se todo oposto não é a continuação do seu próprio oposto. (Da Insatisfação à Felicidade, pág. 54-55)

Ora bem, qual é a causa dessa confusão (…)? Como surgiu esta aflição, este sofrimento, não apenas em nós mesmos, mas também fora de nós, este temor e esta expectativa da guerra, da terceira guerra mundial, prestes a explodir? Onde, a causa de tudo isso? (Da Insatisfação à Felicidade, pág. 18)

(…) A guerra é inevitável, enquanto formos nacionalistas (…) Enquanto existirem fronteiras, governos soberanos, exércitos separados, fatalmente há de haver guerra. Já que existem divisões sociais e econômicas, o exclusivismo das (…) castas e classes, há de haver guerra, seguramente. (Nós Somos o Problema, pág. 18)

(…) Senhores, não me parece que compreendeis o estado catastrófico do mundo no momento presente, pois do contrário não vos mostraríeis tão despreocupados. Estamos à beira de um precipício moral, social e espiritual. Não vedes que a casa está ardendo, e vós morais nela (…) (Novo Acesso à Vida, pág. 44)

(…) Mas, por desventura, estais em comodidade, tendes medo, tendes conforto, estais embotados, (…) quereis satisfação imediata. Deixais as coisas ao sabor da corrente, e eis que se aproxima a catástrofe mundial (…) (Idem, pág. 44)

A guerra catastrófica, que agora parece iminente, não pode ser evitada mediante convulsivos esforços diplomáticos, nem pelo jogo das conferências. Nem os pactos nem os tratados serão capazes de deter a guerra. (O Caminho da Vida, pág. 23)

O que pode pôr cobro nessas guerras periódicas é a boa vontade. As ideologias são, por sua própria natureza, causadoras de conflito, antagonismo e confusão, e delas resulta a destruição da boa vontade. (Idem, pág. 23)

O mundo está sempre à beira da catástrofe. Mas agora parece estar mais próximo ainda. Percebendo a catástrofe iminente, a maioria de nós busca refúgio na idéia. Pensamos que essa catástrofe, essa crise, pode ser resolvida por uma ideologia. A ideologia é sempre um empecilho à relação direta, o qual torna impossível a ação. (…) Só haverá paz quando cessar a confusão que vós e outros criastes. (…) Estamos em busca de novos padrões sociais e políticos, e não da paz; estamos muito interessados na conciliação dos efeitos, e não em afastar as causas da guerra. (…) (Nosso Único Problema, pág. 86)

(…) E se vós, percebendo essa confusão social e econômica, esse caos, essa miséria, vos retirais para o que se chama vida religiosa, abandonando o mundo, podeis ter um sentimento de união com esses grandes Mestres; mas o mundo continua com o seu caos, suas misérias e destruições (…) (Da Insatisfação à Felicidade, pág. 20)

Assim, pois, o nosso problema – vosso e meu – é o de sair desta miséria instantaneamente. Se, vivendo no mundo, vós vos recusais a ser parte dele, ajudareis os outros a saírem deste caos – não no futuro (…) mas agora. (…) A guerra vem aí, provavelmente mais destrutiva e mais pavorosa do que nunca. Não podemos evitá-la, por certo, porque os acontecimentos são fortes demais e estão próximos demais. (…) (Idem, pág. 20)

Pergunta: (…) Entretanto, já se fala de uma Terceira Guerra Mundial. Vedes a possibilidade de ser evitada essa nova catástrofe?

Krishnamurti: Como esperar evitá-la, enquanto subsistirem os elementos e valores causadores da guerra? A guerra agora terminada produziu alguma modificação profunda, fundamental, no homem? (O Egoísmo e o Problema da Paz, pág. 25)

O imperialismo e a opressão continuam como sempre (…); subsistem os estados soberanos separados; as nações manobram para novas posições de poder; os poderosos continuam a oprimir os fracos; as minorias governantes continuam a explorar os governados; não cessaram os conflitos sociais e classistas; o preconceito e o ódio chamejam por toda parte. (…) (Idem, pág. 25)

Operou-se alguma transformação radical em vós, em resultado da recente catástrofe? (…) Não continuais ambiciosos de posições de mando, de posses e riquezas? A devoção se torna hipocrisia quando se cultivam as causas da guerra; vossas preces vos conduzem à ilusão, quando cedeis ao ódio e ao gozo das coisas materiais (… ) (Idem, pág. 26)

Talvez não possais evitar a Terceira Guerra Mundial, mas podeis libertar o coração e a mente da violência e das causas que geram a inimizade e repelem o amor. Haverá, então, neste mundo lúgubre, alguns homens puros de mente e de coração, de cujas obras germinará, porventura, a semente de uma verdadeira civilização. (O Egoísmo e o Problema da Paz, pág. 27)

Purificai vossas mentes e corações, pois é somente pelas vossas vidas e vossos atos, que poderá haver paz e ordem. Não vos percais na promiscuidade (…), mas conservai-vos solitários e singelos. Não tenteis apenas evitar catástrofes, porém, antes, tratai, cada um de vós, de desarraigar inteiramente as causas que produzem antagonismos e contendas. (Idem, pág. 27)

Pergunta: Como posso, como indivíduo, dominar e resolver a crescente tensão e a febre bélica entre a Índia e o Paquistão? A inação é crime. (…)

Krishnamurti: Senhor, por que chamamos crime à inação? Segundo vós, só há duas maneiras de atender a esse problema, a saber: ou tornar-se pacifista ou empunhar um fuzil. Em outras palavras, desejais que a vossa ação seja aprovada, dizeis: “sou pacifista” ou “tenho um fuzil”, e essa etiqueta (…) vos satisfaz e pensais ter resolvido o problema. (…) (Que Estamos Buscando?, pág. 219-220)

Visto isso, verifiquemos se a inação é crime – entendendo-se por inação o não operar segundo aquelas duas normas ou seus equivalentes. Por certo, o homem que empunha fuzil, assim procede por causa da sua reação, a qual é produto do seu condicionamento como nacionalista; (…) hindu (…) (Idem, pág. 220-221)

Pois bem, o homem que em tempo de guerra nem se arma de fuzil nem se denomina pacifista, que fica inativo, (…) que não corresponde ao desafio por meio de reação – a esse homem declarais inativo, (…) criminoso. Ora, é criminoso esse homem? Está ele inativo? Não sois vós os criminosos, tanto o pacifista, como o homem de fuzil? (…) (Que Estamos Buscando, 1ª ed., pág. 221)

Pergunta: Dissestes (…) que cada um de nós é responsável por essas guerras terríveis. Somos igualmente responsáveis pelas abomináveis torturas (…)?

Krishnamurti : Não está bem evidente que cada um de nós é responsável pela guerra? As guerras não resultam de causas desconhecidas: elas têm origem bem determinada, e aqueles que desejarem desvencilhar-se dessa loucura periódica (…) devem averiguar essas causas e libertar-se delas. (…) (O Egoísmo e o Problema da Paz, pág. 81)

Matar o semelhante é o maior dos crimes, porquanto o homem é capaz de sentir o Supremo. (…) Cada um de nós é responsável pela guerra, porque cada indivíduo, consciente ou inconscientemente, cooperou para a criação das condições atuais, com a sua atitude perante a vida, com os falsos valores que deu à existência. Perdido o valor eterno, crescem de importância os transitórios valores materiais. (…) (O Egoísmo e o Problema da Paz, pág. 82)

Quando a ânsia de possuir é estimulada de todas as maneiras, quando existem nacionalismo e estados soberanos, quando a religião divide, quando reinam a intolerância e a ignorância, é então inevitável a matança do semelhante. A guerra é o resultado de nossa vida cotidiana. A paixão, a malevolência e a opressão são justificadas, quando patrióticas; matar pelo Estado, pela pátria, por uma ideologia, é considerado necessário e nobre (…) Torna-se a guerra um meio de liberar os nossos instintos brutais e de fortalecer a irresponsabilidade. (…) (Idem, pág. 82-83)

Perdemos o sentimento de humanidade; reconhecemo-nos responsáveis somente perante a classe ou grupo a que pertencemos; sentimo-nos responsáveis perante um nome, um rótulo. Perdemos a compaixão, o amor ao todo, e, sem essa vivificante chama da vida, volvemo-nos para os políticos (…) Só no interior de cada um de nós reside a compreensão criadora, a compaixão, tão necessária para o bem-estar do homem. Os meios justos criam os fins justos; os meios errôneos só podem trazer o vazio e a morte, não a paz e a alegria. (O Egoísmo e o Problema da Paz, pág. 84)

Não pode haver paz se estamos em guerra uns com os outros, não só exterior, mas também interiormente – se sou agressivo, se sou violento, e estou empenhado em alcançar, a qualquer preço, meu próprio preenchimento. (…) Ao descobrirdes essa violência – não apenas a violência física, mas a (…) da palavra, do gesto, a violência que se expressa em crueldade para com os homens, na matança de animais, etc. – no ver essa violência, eu a nego. Dessa negação de “o que é” nasce a paz. (Onde está a Bem-Aventurança, pág. 56)

Os sistemas – interessados que estão inteiramente nos resultados e não nos meios – só nos podem oferecer padrões de ação e variações de idéias. Enquanto a paz for concebida como resultante do choque de ideologias, não poderá haver paz. Enquanto a paz estiver na dependência do lado que vencer, estará o vitorioso condenado, inevitavelmente, ao desastre, porquanto, para poder vencer, terá de desencadear forças que o escravizam. (O Caminho da Vida, pág. 17-18)

O caminho da paz consiste em compreender a falácia da idéia de que a paz é resultado de luta, o epílogo de um conflito físico ou mental entre antagonistas militares ou ideológicos. A paz não resulta de luta; a paz é o que permanece depois de dissolver-se, de todo, o conflito na chama da compreensão; a paz não é o oposto do conflito, nem a síntese dos opostos. (Idem, pág. 18)

(…) Enquanto não forem compreendidas essas relações de modo completo e profundo, não será possível a paz no mundo. (…) Para ser feliz e viver em paz, deve o indivíduo pagar o preço. Esse preço poderá parecer exorbitante, porém, na realidade, não é tão grande assim; o preço que temos de pagar consiste, unicamente, na intenção clara e precisa de abrigarmos a paz em nós mesmos e, conseqüentemente, de vivermos em paz com nossos semelhantes. (…) O preço da paz consiste em libertar-nos das causas que trazem em seu séquito a hostilidade e a violência, o antagonismo e a inveja. A paz é um modo de vida, e não resultado da estratégia empregada por um indivíduo do grupo. (…) (O Caminho da Vida, pág. 19)

A paz não é uma fuga ao mundo, a nossas cotidianas atividades (…) É bem de ver que não podemos continuar como estamos, com a nossa atual maneira de pensar e de agir; de modo nenhum podemos continuar pelo caminho que atualmente estamos trilhando. Ou teremos de assistir a um tremendo desastre, ou os entes humanos terão de despertar para uma diferente maneira de pensar, uma diferente maneira de viver. (O Descobrimento do Amor, pág. 151)

Ora, a paz é essencial no mundo, pois, do contrário, seremos destruídos. Uns poucos escaparão, mas haverá uma destruição sem paralelo, a menos que resolvamos o problema da paz. (…) O fato real é que cada um está em busca do poder, de títulos, de oposições de mandato – sendo tudo isso disfarçado de várias maneiras (…) (Novo Acesso à Vida, pág. 146)

(…) O “homem da paz” é aquele que repele toda autoridade, que compreende, em todos os seus aspectos, a ambição, a inveja, que se desprende totalmente da estrutura desta sociedade aquisitiva e de todas as coisas envolvidas de tradição. Só então a mente é nova. E é necessário uma mente nova, para encontrar Deus, a Verdade. (…) (Da Solidão à Plenitude Humana, pág. 83)

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