Krish.,. Pois bem vamos falar então da percepção. Só pode haver percepção quando ela não está impregnada de pensamento. Quando não há nenhuma interferência oriunda do movimento do pensamento há percepção, que é uma compreensão imediata de um problema ou das complexidades humanas. (O Futuro da Humanidade, pág. 84)

Em primeiro lugar, (…) quando se trata de investigar, por nossos próprios meios, como pensar de maneira simples e direta, as definições, e explicações são verdadeiramente prejudiciais. (…) Parece-me, pois, que devemos estar bem cônscios de nossa escravização às palavras, sem perdermos de vista, entretanto, que as palavras são necessárias para as comunicações. (…) (O Passo Decisivo, pág. 163)

Krish.: O significado que o dicionário dá para “percepção” é; tornar-se consciente de, aprender, ou seja, quando você vê o copeiro, tem, um conceito prévio dele; isso não é percepção. Existe um ver sem preconceito? Só uma mente que não tem conclusões prévias pode ver. (…) Olhar esse copeiro sem a prévia acumulação de preconceitos ou imagens psico1ógicas é olhar. (Tradicion y Revolucion, pág. 180)

Krish.: Portanto, é possível ver sem observador. (…)A possibilidade torna-se uma teoria,(…) o observador é o resíduo do passado e por Isso não pode ver. (…)Se há de haver percepção, o observador deve estar ausente. É isso possível? (Idem, pág. 181)

Krish.: O pensamento é conhecimento, o qual se há acumulado através da cultura, e esta diz que isto é beleza. O pensamento é resposta da memória (…) Tenho descartado tudo isso, (…) A mente é livre, altamente sensível; já não está mais carregada com o passado, (…) nessa mente não há observador em absoluto, não há um “eu” que observe (…) O “eu” é o observador, o “eu” é o passado. (…) E nos formulamos a seguinte pergunta: existe a percepção sem o conhecimento, sem o observador? Assim é que descartamos a ambos: o objeto conhecimento; no perceber está a ação de descartar. (Idem, pág. 185)

Krish: (…) À parte do que têm dito os tradicionalistas, os profissionais e as interpretações, que significa a percepção? Que é perceber? È mero processo intelectual, uma captação visual (…)? É um estado psicossomático ou é algo por completo diferente? (Tradicion y Revolucion, pág. 243) Krish.: Assim é que a formação de imagens e a conclusão são do passado. A percepção é instantânea. (…) (Idem, pág. 246)

Krish.: Pode minha mente, que é tempo, que é o conteúdo da consciência(…), pertencendo por completo ao tempo, dissociar-se a si mesma da totalidade do campo? Ou há uma,percepção que não é do tempo e, portanto, vê a totalidade? (Idem, pág. 320)

(…) Quase todos os homens são meros seguidores: consideram autoridade o criador de qualquer coisa e, através da propaganda, das influências, da literatura, imprimem na delicada estrutura cerebral a necessidade de obediência. Que acontece a vocês quando obedecem? Param de pensar. Porque sentem que as autoridades sabem muito, são poderosos, de grandes recursos,(…) (Ensinar e Aprender, pág. 35-36)

(…)Assim, vocês sucumbem, rendem-se, começam a obedecer,tornando-se escravos de uma idéia, de uma impressão, da influência. Ao conformar-se a um padrão de obediência, o cérebro já não é capaz de manter sua originalidade, de pensar de maneira simples e direta. (Idem, pág. 36)

A compreensão não é um dom reservado a poucos, pois vem a todos os que se aplicam seriamente ao conhecimento de si mesmo. (… ) Quando a mente está comparando, não está quieta, está ocupada. Uma mente ocupada é incapaz de percepção simples e clara. (Reflexões sobre a Vida, pág. 140)

É possível olhar, ver, sem essa atividade mental? A atividade mental é sempre pensamento, na forma de idéia, de memória; por conseguinte, não há percepção direta. Não sei se já observastes vosso amigo, (…) esposa ou marido, olhando-o simplesmente. Sempre olhais ou escutais a outrem com todas as lembranças de infortúnios, insultos, etc. (…) (A Importância da Transformação, pág. 13)

Pois bem. O percebimento ou experiência direta daquela realidade depende do tempo? (…) O percebimento pode ser imediato, independe do tempo, (…) Não há nenhum processo gradual de “aprender e perceber”. (…) (Da Solidão à Plenitude Humana, pág. 7)

Agora, o que estamos tentando averiguar (…) é se pode haver experiência direta, destituída de todo e qualquer conhecimento, toda instrução, de modo que essa experiência seja verdadeira, e não mera reação de nosso condicionamento como hinduísta,(…) budista, (…) cristão, (…) (Idem, pág. 9)

(…) Mas, tudo o que nos interessa aqui (…)é descobrir se a mente pode, de pronto, despojar-se desta crença, …) condicionamento, a fim de surja o percebimento direto. Podemos viver mil vidas, praticando auto-disciplina, sacrificando, subjugando, meditando, mas por este meio nunca seremos levados ao direto percebimento, o qual só é realizável em plena liberdade, (…); e só pode aparecer a liberdade, quando a mente se torna cônscia, de pronto, de seu condicionamento, pois então se verifica a cessação desse condicionamento. (Da Solidão a Plenitude Humana, pág. 10)

Isso é difícil para a maioria de nós, porque pensamos que a compreensão é questão de tempo, de comparação, de acumulação de mais informações, mais conhecimento. Mas a compreensão nada disso exige. Só uma coisa ela exige, que é o percebimento direto, o ver diretamente, sem interpretação ou comparação. Assim, não havendo compreensão do medo, os nossos problemas crescem, invariavelmente. (O Passo Decisivo, pág. 181)

K: Veja, senhor, algo muito interessante surge disto. Você está aprendendo ou está tendo uma visão direta (insight) disso? Aprender implica autoridade. Você está aprendendo e agindo a partir do aprendizado? (…) Então o conhecimento se torna a autoridade, seja autoridade do doutor, do cientista, do arquiteto ou seja a do guru que diz “eu sei”. (…)

Agora vem uma pessoa e diz: “Olhe, agir de acordo com o conhecimento é uma prisão; você nunca será livre; não pode elevar-se através do conhecimento.” E alguém como K. diz: “Olhe para isso diferentemente, olhe para a ação com a visão direta (insight)- não acumule conhecimento para agir mas olhe com visão direta (Insight) e aja. Nisso não há autoridade. (Exploration into Insight, pág. 23-24)

Krish.: Portanto, o problema é estar desperto, atento, alerta. Existe um método para isso? (…) Não, porque aí está implícita a rotina, a aceitação da autoridade, a repetição, e tudo isso me embota pouco a pouco. De maneira que recuso o estar alerta como “prática” e digo que só na relação posso compreender a dor, e que a compreensão vem unicamente a partir do estado de percepção alerta. (El Despertar de la Inteligência, II, pág. 199)

O abandono da personalidade, do “eu”, não se dá por ato de vontade; a travessia para outra margem não é uma atividade dirigida (…) A Realidade apresenta-se na plenitude do silêncio e da sabedoria. Não podeis chamar a Realidade, ela deverá vir por si mesma;(…) (O Egoísmo e o Problema da Paz, pág. 84-85)

Devemos compreender o esforço, a tranqüilidade incondicional, o abandono próprio; por que é somente pela percepção correta que advém a tranqüilidade meditativa. (Idem, pág. 85)

Nosso esforço se despende em recusar ou aceitar, embotando-se o pensamento-sentimento nesse conflito interminável. (…) O esforço justo consiste em estarmos cônscios desse conflito, 1mparcialmente, em observarmos, silenciosamente, e sem identificação. É essa percepção do conflito (…) que traz a liberdade. Nessa percepção passiva, tranqüila, desponta a Realidade. (Idem, pág. 86)

Como enfrentar as coisas de maneira nova? (…)Ao apresentar-vos esta questão, qual é vossa reação? Se vossa reação é também nova, estais então passivamente cônscio, alertado, vigilante. Esse estado é atemporal. Nesse estado, (…) com passiva vigilância, percebimento, não existe o tempo; dá-se uma experiência direta, o estímulo é compreendido diretamente; por conseguinte, há liberdade de pensar. E essa liberdade é eterna; ela existe agora, e não amanhã. (Da Insatisfação à Felicidade, pág. 27)

(…) Quando desejo compreender, examinar uma coisa, não tenho necessidade de pensar: contemplo-a. No momento em que começo a pensar, a ter idéias e opiniões a respeito da coisa, já me encontro num estado de distração que me desvia da coisa que desejo compreender. (…) Mas, sem dúvida, uma mente que está muito tranqüila, (…)que não está sendo distraída pelo seu próprio pensar, (…) que se acha aberta, pode olhar para o problema de maneira muito direta e muito simples. (…) (A Renovação da Mente, pág.13-14)

(…) Pois bem: se for esse movimento do pensamento claro, simples, direto, espontâneo, profundo, não existirá então conflito no indivíduo, contra a sociedade, porque a ação é, nesse caso, a própria expressão desse movimento vivo e criador. (A Luta do Homem, pág. 153)

Nessa condições, não há, para mim, arte de pensar, só há pensar criador. Não há técnica de pensar, mas somente a espontânea ação criadora da inteligência, a qual é a harmonia da razão, do sentimento e da ação, não separados ou divorciados uns dos outros. (Idem, pág. 153)

Devemos ser capazes de discernir compreensivamente, em nós mesmos, a influência que a massa exerce por meio das tradições, dos preconceitos de raça, dos ideais e das crenças a que nos entregamos consciente ou inconscientemente. Enquanto essas coisas nos dominarem, seremos individualmente incapazes de ação clara, direta, simples e compreensiva. (…) (Palestras em Ommen, Holanda, 1936, pág.10-11)

(…) Mas só podereis viver completamente quando tiverdes percepção direta, e a percepção direta não se atinge através da escolha, (…)do esforço nascido da memória. Ela está na chama do apercebimento, que é a harmonia da mente e do coração na ação. (…) (Palestras em Adyar, índia, 1933-1934, pág.162-163)

Cultivar a coragem quando não se é corajoso, não é libertar-se da covardia; mas, compreender a natureza e estrutura da covardia, em vez de tentar reprimí-la ou transcendê-la, é ficar livre da covardia. (…) Isto é, a percepção direta, e não o cultivo do oposto, é liberdade. O cultivo do oposto exige tempo. (O Novo Ente Humano, pág. 146)

É maravilhoso uma pessoa descobrir por si mesma o que significa compreender uma coisa imediatamente, sem necessidade de palavreados; ver um fato como fato, completamente, sem argumentação. Desse ato de perceber pode-se passar à argüição, à discussão, ao exame das minúcias; mas é necessário ter, primeiramente, essa extraordinária intensidade de percebimento – percebimento sem pensamento que produz a transformação.(…) (Experimente um Novo Caminho, pág. 14)

(…) E, para compreendemos a nós mesmos, precisamos de um percebimento inteiramente livre de compulsão, isento de justificação ou condenação uma consciência tranqüila, sem vestígio algum de temor. Nesse estado assiste-se ao desenrolar do pensamento e do sentimento. E, aí, com a mente tranqüila – mas não posta tranqüila – dá-se-nos a possibilidade de descobrir aquilo que é atemporal. (Nós Somos o Problema, pág. 24)

(…) Para experimentar essa liberdade, tem-se que compreender a vida profundamente, e discernir por si próprio o processo de criar e manter a ignorância e a ilusão. Isto exige a mente alerta e percepção aguda, não a mera aceitação de uma técnica. Como, porém, se é indolente, depende-se de outrem para a compreensão, e, por esse modo, aumenta-se a tristeza e a confusão. (Palestras em Nova York, Eddington, Madras, 1936, pág. 30)

(…)A mente que se entregou toda ao pensamento, às palavras, à memória, nunca será capaz de perceber o que é verdadeiro; ela não está tranqüila. É uma mente morta. Já a mente que está de fato tranqüila é extraordinariamente ativa, viva, potente (…) Só esta mente está verbalmente livre, (…) da experiência, (…) do conhecimento. Essa mente pode perceber o verdadeiro, (…) tem a percepção direta, fora dos limites do tempo. (O Problema da Revolução Total, pág. 92-93)

Para se compreender(…) necessita-se de uma mente esclarecida, mente capaz de percebimento direto. A compreensão não é nada misterioso; porém requer, penso eu, que a mente seja capaz de olhar as coisas diretamente, sem preconceitos, sem tendências pessoais, sem opiniões.(…) É relativamente fácil explicar uma determinada técnica, empregando-se o correspondente vocabulário técnico; mas aqui necessita-se de uma mente que esteja livre, para ver as coisas como são, mente capaz de examinar sem lhe dar o colorido de seu próprio condicionamento. (O Homem e seus Desejos em Conflito, 1ª ed, pág. 11)

A compreensão, independe do tempo. A compreensão está sempre no presente, nunca no amanhã; é agora ou nunca; (…) O “ver” (perceber) é Instantâneo; (…) Esse “ver” é “explosivo”, isento de cálculo ou raciocínio. Na maioria da vezes, é o medo que impede a compreensão. (…) O “ver” não apenas vem do cérebro, mas também o transcende. A percepção do fato cria sua própria ação, completamente diferente da ação baseada na idéia ou no pensamento; (…) (Diário de Krishnamurti, pág. 64)

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