Por que razão dividiu o homem a sua existência em compartimentos diferentes – o intelecto e as emoções? Cada um desses compartimentos parece independente do outro. Na vida, essas duas forças motoras são muitas vezes tão contraditórias, que parecem dilacerar a própria estrutura de nosso ser. Harmonizá-las, de modo que o homem possa atuar como uma entidade total, foi sempre um dos principais alvos da vida. (…) (A Luz que não se Apaga, pág. 100)

Exatamente: o pensar e o sentir são uma só coisa; sempre, desde o começo, foram uma só coisa, e é isso, precisamente, o que estou dizendo. Nosso problema, por conseguinte, não é a integração dos diferentes fragmentos, mas, sim, a compreensão dessa mente e desse coração que são uma só coisa. (…) (Idem, pág. 102)

Desejo explicar, hoje, que há um modo de viver naturalmente, espontaneamente. (…) Quando viveis completamente na harmonia de vossa mente e coração, então o vosso agir é natural, espontâneo, sem esforço. (Palestras na Itália e Noruega, 1933, pág. 130)

Afinal, sentir é pensar, não? As duas coisas são inseparáveis. (…) O sentimento sempre acompanha o pensamento. E sentimento é percepção-sensação-contato, etc. Sentir é ser sensível; (…) (O Passo Decisivo, pág. 65)

Achais mesmo muito importante que a mente e o coração se unam? (…) Por que procurar uni-los? Essa preocupação é ainda do intelecto e não oriunda (…) de vossa sensibilidade, que faz parte de vós. Dividistes a vida em intelecto e coração; intelectualmente observais o emurchecer do coração e, verbalmente, vos preocupais com isso. (A Outra Margem do Caminho, pág. 21-22)

(…) Aquilo a que vos opondes é a periculosidade do intelecto, que endeusais. Essa periculosidade cria uma multidão de problemas. Vedes provavelmente os efeitos das atividades intelectuais, no mundo – as guerras, a competição, a arrogância do poder – e talvez tenhais medo do que está para acontecer, do desespero do homem. (Idem, pág. 22)

(…) Enquanto existir essa divisão entre os sentimentos e o intelecto – um a dominar o outro – um destruirá o outro, inevitavelmente; não há possibilidade de uni-los. (…) O amor não pertence a nenhum dos dois, porque o amor não é de natureza dominadora. Não é uma coisa fabricada pelo pensamento ou pelo sentimento. (…) O amor está no começo e não no fim de algum esforço. (A Outra Margem do Caminho, pág. 22)

Separamos o intelecto do sentimento, desenvolvemos o intelecto à custa do sentimento. Somos como um tripé com uma perna mais longa do que as outras, não temos equilíbrio. Somos educados para sermos intelectuais; (…) (A Educação e o Significado da Vida, pág. 79)

(…) O que pode produzir a transformação em nós, e por conseguinte na sociedade, é a compreensão do processo integral do pensar, que não é diferente do sentir. Sentir é pensar; (…) (Por que não te Satisfaz a Vida, pág. 73)

Krishnamurti: (…) Só conheço dois movimentos: um, o de pensar – o movimento intelectual, racional; o segundo, o sentimento de benevolência, delicadeza, doçura; (…) São dois movimentos separados? Ou porque os temos tratado como dois movimentos separados, surge todo nosso infortúnio, nossa confusão? (Tradición y Revolución, pág. 402)

Não achais necessário que o pensamento claro e correto seja sensível? Para sentir profundamente, não é necessário um coração aberto? Não se requer um corpo sadio para que as suas reações sejam prontas e adequadas? Embrutecemos nossa mente, nosso sentimento, nosso corpo, com as crenças e a malevolência, com estimulantes poderosos e insensibilizantes. (O Egoísmo e o Problema da Paz, pág. 17)

Se não desejais sentimentos embotados e empedernidos, deveis pagar o preço disso. Urge abandonardes a pressa, a confusão, as profissões e atividades inadequadas. Deveis torna-vos cônscios de vossos apetites, de vosso ambiente delimitador, e começardes, então, com uma justa compreensão dos mesmos, a novamente despertardes a sensibilidade. (O Egoísmo e o Problema da Paz, pág. 18)

Com a observação constante de vossos pensamentos-sentimentos, cairão por terra as causas do egotismo e da estreiteza mental. Se desejais atingir um elevado grau de sensibilidade e clareza, deveis trabalhar deliberadamente para esse fim; não podeis ser mundanos e ao mesmo tempo sinceros na busca da Realidade. (Idem, pág. 18)

Hipertrofiamos o intelecto, em prejuízo de nossos sentimentos mais profundos e claros, e uma civilização baseada no cultivo do intelecto há de produzir brutalidades e o culto da prosperidade. O basear-se no intelecto ou só no sentimento conduz ao desequilíbrio (…) É necessário que compreendamos as tendências do intelecto, mediante vigilância constante,(…) transcender o próprio raciocinar. (Idem, pág. 18-19)

(…) O culto do intelecto, em oposição à vida, conduziu-nos à nossa atual frustração, com suas inumeráveis vias de fuga. (…) A presente crise nasceu do culto do intelecto, e foi o intelecto que dividiu a vida numa série de ações opostas e contraditórias; foi o intelecto que negou o fator de unificação que é o amor. (A Arte da Libertação, pág. 248)

O intelecto encheu o nosso coração, que estava vazio, com coisas da mente; e só quando a mente está cônscia do seu próprio raciocinar é capaz de transcender a si mesma, e só então haverá enriquecimento do coração. Só o (…) enriquecimento do coração pode trazer a paz a este mundo louco e cheio de lutas. (Idem, pág. 248)

Com essa busca de saber, com nossos desejos gananciosos, estamos perdendo o amor, estamos embotando o sentimento do belo, a sensibilidade à crueldade; estamo-nos tornando cada vez mais especializados e cada vez menos integrados. A sabedoria não pode ser substituída pela erudição (…) (A Educação e o Significado da Vida, 1ª ed.,pág. 78)

(…) A erudição é necessária, a ciência tem o seu lugar próprio; mas, se a mente e o coração estão sufocados pela erudição, e se a causa do sofrimento é posta de parte com uma explicação, a vida se torna vazia e sem sentido. (…) (Idem, pág. 78)

Que quer dizer “razão”? Pode a razão separar-se do sentimento? Vós os separastes, porque desenvolvestes o intelecto e nada mais. E tendes, assim, uma espécie de tripé, com uma perna muito mais longa que as outras duas e que por isso não pode ficar em equilíbrio. É o que aconteceu. Somos altamente intelectuais. (…) E temo-nos servido do intelecto como meio para encontrarmos a Realidade. (Uma Nova Maneira de Viver, pág. 139)

Mas o intelecto representa uma parte, somente, e não o todo. Compreender a realidade e raciocinar são duas coisas diferentes. Sem razão (…) não podemos viver. Razão é equilíbrio, integração. (…) Mas a razão, como a conhecemos, é operação intelectual e não pode produzir senão fragmentação, como estamos vendo no mundo todo (…) O intelecto está produzindo toda esta devastação, degradação e miséria (…) A razão precisa transcender a si mesma, para encontrar a Realidade. (Idem, pág. 139)

Expressando-o diferentemente, com o raciocinar não se pode encontrar o real, porquanto o raciocinar é produto do passado, (…) depende do tempo, é reação no tempo e, por conseguinte, o raciocinar não pode nunca ser o atemporal. É preciso que o raciocinar termine, porque só então poderá manifestar-se o atemporal. Quando a mente tem percepção do seu existir, sobrevém um silêncio extraordinário, uma grande tranqüilidade (…) É nesse estado que pode dar-se a criação (…) (Idem, pág. 139-140)

(…) Separamos a mente dos sentimentos (…) a inteligência da mente e do coração, que para mim são uma só coisa. Inteligência é pensamento e sentimento em perfeita harmonia. (A Luta do Homem, pág. 83)

(…) Entendo por pensamento, não o mero raciocínio intelectual, que é somente cinzas, mas o equilíbrio entre os sentimentos e a razão, entre os afetos e o pensamento; e esse equilíbrio não é influenciado nem atingido pelo conflito dos opostos. (…) (A Luta do Homem, pág. 147-148)

(…) E a mente e o coração, que são para mim a mesma coisa (…) se debilitam e obscurecem pela memória (…) Mas, se fordes ao encontro do ambiente sempre renovados, sem a carga dessa memória do passado, (…) vereis então surgir a compreensão de todas as coisas (…) (A Luta do Homem, pág. 113)

Assim, a própria ação destrói as ilusões, não a disciplina auto-imposta. (…) Isso abre imensas avenidas à mente e ao coração (…) Mas só podereis viver completamente quando tiverdes percepção direta e a percepção direta não se atinge por meio de escolha (…) de esforço (…) Ela está na chama do apercebimento, que é a harmonia da mente e do coração na ação. (Palestras em Adyar, Índia, 1933-1934, pág. 162-163)

Quando estiverdes apercebido, com a mente e o coração, da necessidade da ação completa, agireis harmoniosamente. Então todos os vossos temores, (…) barreiras, (…) desejo de poder, de atingir – tudo isso se revelará, e as sombras da desarmonia dissipar-se-ão. (Idem, pág. 93)

Agora, já expliquei que o conflito não produz o pensar criador. Para se ser criador, para se produzir qualquer coisa, a mente precisa estar em paz, o coração cheio. (…) (A Arte da Libertação, pág. 219)

Essa tranqüilidade da compreensão não é produzida por ato de vontade, porquanto a vontade é também parte do vir-a-ser, do ansiar. Só pode estar tranqüila a mente-coração depois de cessar o tormento e o conflito do anseio. Assim como um lago se apresenta calmo após o vendaval, assim também está tranqüila a mente-coração, em sua sabedoria (…) (O Egoísmo e o Problema da Paz, pág. 143)

(…) Cumpre compreender esse anseio logo que se revele no nosso pensar-sentir-agir. Pela auto-vigilância constante, é possível compreender e transcender as tendências do anseio, do vir-a-ser pessoal. Não dependais do tempo, mas buscai com ardor o autoconhecimento. (O Egoísmo e o Problema da Paz, pág. 143-144)

(…) Poucos de nós estamos preparados para examinar um problema profundamente, e perceber o movimento de nosso próprio pensamento, sentimento e ação, como um todo geral, integrado; (…) (A Arte da Libertação, pág. 133)

Mas, que é ação? Bem considerada, ela é aquilo que pensamos e sentimos. E enquanto não tiverdes percepção de vosso pensamento, de vossos sentimentos, tem de haver insuficiência (…) (A Luta do Homem, pág. 81-82)

A ação é esse movimento que é, ele próprio, pensamento e sentimento (…) Essa ação é a relação entre o indivíduo e a sociedade. Pois bem: se esse movimento do pensamento for claro, simples, direto, espontâneo, profundo, não existirá então conflito no indivíduo, contra a sociedade, porque a ação é, nesse caso, a própria expressão desse movimento vivo e criador. (A Luta do Homem, pág. 153)

Nessas condições, (…) Não há técnica de pensar, mas somente a espontânea ação criadora da inteligência, a qual é a harmonia da razão, do sentimento e da ação, não separadas ou divorciadas entre si. (Idem, pág. 153)

Pensar criativamente é estabelecer harmonia entre a mente, o sentimento e a ação. Isto é, se estais convencidos de uma ação, em visardes a uma recompensa final, essa ação, resultado da inteligência, afasta todos os óbices impostos à mente pela falta de compreensão. (A Luta do Homem, pág. 154-155)

Visto que a todos nós interessa a ação e que, sem ação, não se pode viver, é de toda necessidade entrarmos a fundo na questão e procurarmos compreendê-la plenamente. É uma questão difícil, porque vivemos, em geral, uma vida desintegrada, seccionada (…) Assim, (…) precisamos verificar o que é atividade e o que é ação. (…) Há uma vasta diferença entre atividade e ação. (…) (A Arte da Libertação, pág. 39)

(…) Muito importa compreender a distinção entre atividade e ação. Eu chamaria atividade à conduta de vida baseada em níveis independentes, (…) “desintegrados” – isto é, queremos viver como se a vida estivesse num único nível, sem nos preocuparmos com os outros níveis, com outros campos da consciência. Se examinarmos tais atividades, verificaremos que se baseiam em idéias, e a idéia é um “processo” de isolamento (…) e não de unificação. (…) (Idem, pág. 40)

(…) A “ação integrada” não nasce de uma idéia; nasce assim que compreendeis a vida como um processo total, não fragmentado em compartimentos separados, em atividades separadas do todo da existência. (…) (A Arte da Libertação, pág. 41)

Nosso problema, portanto, é o de como agir “integralmente”, como um todo, e não em diferentes níveis não relacionados entre si. Para se agir como todo, (…) integralmente, é óbvia a necessidade de autoconhecimento. O autoconhecimento não é uma idéia: é um movimento. (…) (Idem, pág. 41)

(…) Nessas condições, o homem sincero não deve deixar-se envolver na atividade, mas, sim compreender as relações, pelo processo do autoconhecimento. A compreensão do processo do “eu”, do “meu”, na sua inteireza, traz a “ação integrada”, e essa ação é completa, não criará conflito. (Idem, pág. 41-42)

Existe uma ação que não seja resultado do movimento do pensar, (…) não condicionada por ideologias (…) criada pelo pensamento? Existe uma ação que esteja totalmente livre do pensamento? Uma ação semelhante seria então completa, total, íntegra – não fragmentária, não contraditória. Uma ação assim seria uma ação total, na qual não haveria arrependimento, nenhum sentido de “Eu houvera desejado não fazer isso”, ou “Tratarei de fazer aquilo”. A desordem surge quando opera o movimento do pensar; o pensamento mesmo é fragmentário e, quando opera, tudo tem de ser fragmentário (…) Qual é uma ação sem pensamento? (La Totalidad de la Vida, pág. 196)

(…) Ação significa fazer agora, não fazer amanhã ou haver feito no passado. Como o amor, essa ação não é do tempo. O amor e a compaixão estão mais além do intelecto, (…) da memória; são um estado da mente que assim atua [N.Revisor: há um erro gramatical aqui; examinar o texto em inglês], porque o amor e a compaixão são supremamente inteligentes – e a inteligência atua. Onde há espaço há ordem, que é a ação da inteligência; esta não é minha nem de vocês, é inteligência que nasce do amor e da compaixão. O espaço na mente implica que esta não se encontra ocupada; (…) (La Totalidad de la Vida, pág. 196-197)

Estou, pois, alvitrando que só se tornará possível a verdadeira ação quando a mente compreender a totalidade de sua ocupação, tanto consciente como inconsciente, e conhecer o momento em que cessou a ocupação. Vereis, então, que a ação resultante desses momentos de desocupação é a única ação “integrada”. Quando não está ocupada, a mente não está contaminada pela sociedade, não é produto de inumeráveis influências, não é hinduísta nem cristã, nem comunista, nem capitalista. Por conseguinte, ela própria é uma totalidade de ação, com que não tereis de ocupar-vos e em que não precisais pensar. (Da Solidão à Plenitude Humana, pág. 78)

A ação é esse movimento, que é, ele próprio, pensamento e sentimento (…) Essa ação é a relação entre o indivíduo e a sociedade. Ela é conduta, trabalho, cooperação, que chamamos preenchimento. Isto é, quando a mente atua sem visar a uma culminância ou objetivo, e é portanto criador o seu pensar, esse pensar é ação (…) (A Luta do Homem, pág. 153)

(…) Intrinsecamente, o pensamento é um produto do tempo, é medida e, portanto, fragmentário. (…) Se o vêem claramente uma vez, então poderão descobrir que é a ação, uma ação correta, precisa, na qual não há imaginação nem argumentações, nada senão o factual. (La Verdad y la Realidad, pág. 73-74)

Estamos tratando de descobrir que é a ação total, não fragmentária, a ação que não se acha presa no movimento do tempo, que não é tradicional e, portanto, não é mecânica. Quer o indivíduo viver uma vida sem conflito, viver em uma sociedade que não destrua a liberdade e, assim, sobreviver, (…) (Idem, pág. 74)

Assim, a ação, como a conhecemos, é, na realidade, reação, incessante “vir-a-ser”, ou seja, negação, evitação do que é; mas quando estamos cônscios do vazio, sem escolha, sem condenação, nem justificação, então, nessa compreensão do que é, há ação, e essa ação é o Ser criador. (…) (A Arte da Libertação, pág. 109-110)

Como disse (…), a inteligência é a solução única que produzirá a harmonia neste mundo de conflito, a harmonia entre a mente e o coração, na ação. (…) (Palestras em New York City, 1935, pág. 27)

Ora, (…) A essência da inteligência reside na compreensão da vida ou da experiência com a mente e coração frescos, renovados e aliviados de fardos. (…) (Idem, pág. 49)

Compreendo a pergunta. (…) Quando há harmonia total – harmonia real, não imaginária – quando o corpo, o coração e a mente estão integrados de modo completo e harmonioso, quando existe esse sentido de inteligência que é harmonia, e essa inteligência está usando o pensamento, haverá então divisão entre o observador e observado? Evidentemente, não. Quando não existe harmonia, há fragmentação, e então o pensamento cria a divisão do “eu” e do “não eu”, o observador e o observado. (El Despertar de la Inteligência, pág. 177)

A harmonia é quietude. Existe uma harmonia entre o corpo, o coração e a mente, harmonia completa, sem dissonância. Ao passo que, se o corpo é sensível, se está ativo e não deteriorado, tem sua própria inteligência. Deve o indivíduo possuir um corpo assim, vivo, ativo, não drogado. (…) (El Despertar de la Inteligencia, 1ª ed., pág. 174)

(…) E deve também ter um coração – não excitação, não sentimentalismo, nem emocionalismo, nem entusiasmo, senão esse sentido de plenitude, de profundidade, de qualidade e energia que só pode existir quando há amor. E deve ter uma mente com um espaço imenso. Então há harmonia. (Idem, pág. 174-175)

Como, pois, há de a mente encontrar isso? [N.Revisor: É esse o sentido?] Estou seguro de que todos vocês (…) se perguntarão: como pode um indivíduo ter esse sentimento de completa integridade, de unidade entre o corpo, o coração e a mente, sem sentido algum de distorção, divisão ou fragmentação? (…) Vocês vêem a realidade disso, (…) Vêem a verdade de que devem ter completa harmonia dentro de si, na mente, no coração e no corpo. Como podem vocês chegar a isso? (El Despertar de Ia Inteligencia, II, pág. 175)

Pois bem, (…) Como dissemos, quando há harmonia há silêncio. Quando a mente, o coração e o organismo estão em harmonia completa, há silêncio; porém, quando um dos três se deforma, se perverte, o que há é ruído. (…) Porém quando vocês vêem a verdade disso – a verdade, não o que “deveria ser” – quando vêem que isso é o real, então é a inteligência que o vê. Portanto, é a operação da inteligência a que produzirá esse estado. (Idem, pág. 175)

O pensamento é do tempo, a inteligência não é do tempo. A inteligência é imensurável – não a inteligência científica, (…) a de um técnico, ou a de uma dona-de-casa, ou a de um homem que conhece muitíssimo. Isso está dentro do campo do pensamento e do conhecido. Quando a mente se acha em completo silêncio (…) só então há harmonia total, imenso espaço e silêncio. Somente então o imensurável é. (Idem, pág. 175-176)

Pergunta: A harmonia surge quando finda o conflito?

Krishnamurti: Quero descobrir o que é harmonia entre a mente, o corpo e o coração, a completa sensação de ser total, sem fragmentação, sem super-desenvolvimento do intelecto, mas com o intelecto operando claramente, objetivamente, sã mente; e o coração operando não com sentimento, emocionalismo, exaltação histérica, mas com uma qualidade de afeição, cuidado, amor, compaixão, vitalidade; e o corpo com sua própria inteligência, não influenciada pelo intelecto. O sentimento de que tudo está operando, funcionando belamente como uma maravilhosa máquina é importante. É possível? (Exploration into Insight, pág. 52)

Há integração, quando somos capazes de observar os fatores da desintegração. A integração não está num ou noutro nível da nossa existência, ela é a reunião do todo. Antes que isso seja possível, temos de descobrir o que significa desintegração (…) (Comentários sobre o Viver, 1ª ed., pág. 192)

Pergunta: Qual a maneira de alcançar a integração?

Krishnamurti: Que quer dizer integração? Não significa completar-se, viver sem conflito nem sofrimento? Em geral tentamos a integração nas camadas superficiais da consciência; procuramos Integrar-nos a fim de funcionarmos normalmente dentro do padrão da sociedade; desejamos ajustar-nos a um ambiente, que aceitamos como normal; mas não impugnamos o valor da estrutura social que nos circunda. A aquiescência a um padrão é considerado integração; a educação e a religião organizada facilitam-nos essa aquiescência. (O Egoísmo e o Problema da Paz, pág. 132-133)

A integração não tem significado mais profundo do que o mero ajustamento à sociedade e seus padrões? (…) Não é a integração o ser puro, e não apenas a satisfação de nosso desejo de nos tornarmos um todo, (…) “normais”? (…) O impulso à integração pode resultar da ambição, do desejo de mando, do temor à insuficiência, etc. (…) Há uns poucos que reprimem o anseio de prosperidade material, mas dão guarida ao desejo de se tornarem virtuosos, serem mestres, alcançarem a glória espiritual. Também aqui não temos a verdadeira integração. (…) (O Egoísmo e o Problema da Paz, pág. 133-134)

(…) Dá-se a verdadeira integração quando, por todas as camadas da consciência, existe percepção e compreensão. Nossa consciência superficial é fruto da educação, de influências, e é só quando o pensamento transcende as limitações por ele próprio criadas, que pode haver a verdadeira integração. As numerosas partes adversas e contraditórias de nossa consciência só podem integrar-se quando já não existe a causa dessas divisões: dentro do padrão do “eu”, só pode haver conflito, nunca integração, plenitude. (O Egoísmo e o Problema da Paz, pág. 134)

Verifica-se a integração quando estamos livres do anseio. Não é ela um fim, em si, mas se buscardes o autoconhecimento, sempre com profundeza, tornar-se-á a integração o caminho por onde alcançareis a Realidade. (O Egoísmo e o Problema da Paz, pág. 134)

Ora, a inteligência, sem dúvida, só pode surgir quando sois livres para pesquisar, livres para pensar, livres para impugnar todas as tradições, para que nossa mente se torne muito ativa, muito lúcida e sejais, como indivíduo, uma entidade “integrada”, plenamente eficaz, – e não uma entidade assustada que nunca sabe o que lhe cumpre fazer e, por isso, obedece, sentindo intensamente uma coisa e sendo obrigada a ajustar-se a outra exteriormente. (…) Por isso, interiormente, há um conflito constante. (Novos Roteiros em Educação, pág. 33)

Ora, por certo, quando o falso é percebido como falso, o verdadeiro existe. Quando se está cônscio dos fatores da degeneração, não apenas verbalmente, mas profundamente, não há integração? (…) A integração não é um alvo, um fim, mas um estado de ser; é uma coisa viva, e como pode uma coisa viva ser alvo, objetivo? (…) Quando não há conflito, há integração. A integração é um estado de completa atenção. Não pode haver atenção completa quando há esforço, conflito, resistência, concentração. (Reflexões sobre a Vida, pág. 61)

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