As matérias tratadas nos livros de Krishnamurti são múltiplas e interligadas. Na mesma página, de palestra ou conferência, começa ele com um assunto, passa a outros, direta ou indiretamente relacionados, voltando ou não ao primeiro, obrigando ao destaque de texto ou textos vinculados a capítulo da Seleta.

Por outro lado, em numerosas obras do autor, os parágrafos são longos, chegando a uma e duas páginas, aproveitando-se, conforme a necessidade, trechos iniciais, intercalados ou finais. Obrigou isso ao uso do sinal convencionado (…). Com freqüência o assunto de um excerto liga-se a dois ou mais capítulos, colocando-se no mais diretamente relacionado, servindo também de pontes entre eles.

Com freqüência, usa Krishnamurti repetições como “há a autoridade dos livros, a autoridade da igreja, a autoridade do ideal, a autoridade de nossa própria experiência (…).” Outro exemplo: “O corpo, que tem sido tão despojado, que tem sido tão mal usado, (…)”. Abreviou-se assim: Há a autoridade dos livros (…) da Igreja (…) do Ideal (…), de nossa própria experiência (…)”.

Usa também Krishnamurti comumente expressões como “não é verdade?”, “como já tenho dito”, “ou o nome que quiserdes dar”, “por favor prestem atenção”, “o assunto não é para rir”. Igualmente, por economia de espaço, foram elas suprimidas, por não prejudicar o sentido, usando-se o sinal próprio (…).

Em outros casos, a supressão ocorreu porque a continuação da idéia vem adiante, sendo a matéria intercalada redundante (Krishnamurti repete muito), em nada esclarecendo, enriquecendo, o principal. Trata de muitos assuntos sob vários ângulos.

Em cada capítulo há terminologias e ensinamentos próprios. Como Krishnamurti sempre falou de improviso, muitos textos parecidos possuem aspectos novos que ajudam a entender particularidades. Optou-se pela repetição, não só como variação, mas como prova de coerência, visto se encontrarem em livros diferentes, de épocas diversas.

Os textos transcritos vão de 5 a 12 linhas; quando são longos demais, dividem-se em 2 ou 3, usando-se da mesma forma o sinal convencionado. Os capítulos, como já se disse, são de 4 a 8 páginas, salvo exceções.

A seqüência dos textos, em cada capítulo, começa com os que apresentam, definem, a matéria, seguindo-se os que vão esclarecendo sucessivamente o assunto, e terminando com os mais profundos, conclusivos ou sensibilizantes, obedecida a ordem do título.

Os títulos dos capítulos foram criados aproveitando-se as próprias palavras usadas por Krishnamurti nos mesmos, incluindo também aspectos a eles vinculados, para facilitar a sua procura.

A ordem dos capítulos, em 4 grandes grupos (Conceitos, preliminares; Processos psicológicos; Assuntos específicos; e Temas sociais, mutação), segue um roteiro no qual a matéria posterior depende do conhecimento da anterior, e os afins nas proximidades.

Nas obras do autor, como em outras, em geral, os trechos mais significativos de cada assunto encontram-se espalhados. Entretanto, nesta Coletânea eles se acham concentrados, já que é formada da reunião de textos-chaves de cada tema, dando ao livro uma forma de compacto.

Há certa dificuldade na distribuição dos assuntos de Krishnamurti, porque eles não são de todo separáveis, mas entrelaçados. No entanto, para a sua exposição, foi feita a divisão possível. Não é assim de se estranhar que, em trechos sobre um tema, se encontrem traços de outros.

Ele próprio diz: “Todas as nossas palestras estão encadeadas umas às outras. Não podeis levar apenas uma parte delas e dizer que ides “viver com essa parte”. (…) (O Despertar da Sensibilidade, pág. 146)

Da mesma forma, em outro livro: “Toda pergunta está relacionada com alguma outra. Todo pensamento está relacionado com outro, não é independente. A profissão, o caminho, a educação, o autoconhecimento, estão todos intimamente relacionados entre si. (…) (Uma Nova Maneira de Viver, pág. 95)

Os livros de Krishnamurti, na maioria, possuem títulos originais que começam por Talks ou Conferences in (…). Para quebrar a monotonia, e apresentação mais atraente, as edições em português, como as versões em outras línguas, a partir de 1944, receberam títulos extraídos dos assuntos predominantes em cada volume, não constantes do original.

Em virtude disso, as editoras internacionais dos originais, desde 1970, começaram a dar títulos apropriados às obras, começando a uniformização. A Bibliografia, no final, indicando também os títulos ingleses, permite a identificação dos respectivos livros.

Respeitou-se igualmente a Declaração de Krishnamurti, publicada no Boletim nº 7 da Krishnamurti Foundation (Inglaterra), reproduzida na Carta de Notícias da ICK nº 3, de julho-setembro de 1970 (capa detrás), que no final diz:

“Desde a década de 1920, tenho dito que não deve haver intérprete do Ensino, para desfigurá-lo e torná-lo um meio de exploração. Não há necessidade de intérpretes, porquanto cada um deve observar as próprias atividades diretamente e não de acordo com alguma teoria ou autoridade. Infelizmente têm aparecido intérpretes, fato pelo qual não somos de modo nenhum responsável.

Continua: Em anos recentes, vários indivíduos se têm declarado meus sucessores, por mim eleitos para disseminarem o Ensino. Tenho dito e repito agora que não há representantes da pessoa ou do ensino de Krishnamurti, nem durante a sua vida, nem após o seu passamento. Lamento ter de dizer isto novamente”.

A “Carta de Notícias” da ICK nº 254, de 1987, página 1, sob o título “Os ensinamentos de Krishnamurti”, sem citar a fonte, reproduz texto com a seguinte redação: “Os ensinamentos são importantes por si mesmos. Intérpretes ou comentadores apenas os desvirtuam. Convém ir diretamente à fonte, aos próprios ensinamentos e, não, através de autoridades”.

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