A Missão de Krishnamurti no mundo teve início com a fundação da aludida Ordem em Adyar, Madras, Índia, com sucursais que se estenderam à grande maioria das nações da época. Isto com o intuito de formar o ambiente, congregar pessoas amadurecidas, que aceitassem a vinda do Instrutor espiritual, preparo de trabalhadores para o recebimento e divulgação de sua Mensagem.

Durante a fase inicial do Movimento, a cargo da Ordem da Estrela do Oriente, os filiados a esta seguiam Instruções que previam meditação, estudo e ação. Eram adotados livros de autoria de Krishnamurti, como “Auto-Preparação”, “Aos Pés do Mestre”, etc., um de anônimos, “Despertai Filhos da Luz!”, e, nos estudos, várias obras, de diferentes autores.

As reuniões realizavam-se nas sedes das Lojas da Sociedade Teosófica (The Theosophical Society), existentes na maioria dos países do mundo (capitais e cidades importantes), em dias e horários diferentes. Teve a Ordem núcleos mundiais em Adyar, Índia; Ommen, Holanda; Ojai, Califórnia, EUA; Londres, Inglaterra; Paris, França; Sidney, Austrália; Madrasta, Índia; Rio de Janeiro, Brasil.

Outros centros foram sendo criados. Os Boletins da Krishnamurti Foundation, de Londres, indicam os da Suíça (Saanen), Canadá, Bélgica, Dinamarca, Finlândia, Alemanha-Áustria, Grécia, Indonésia, Israel, Japão, Nova Zelândia, Noruega, Portugal, Espanha, África do Sul, Shri Lanka (Ceilão), Suécia, Holanda (Amsterdã), Itália (Roma), e outros.

Escolas de 1º e 2º graus, ou ambos, seguindo a orientação de Krishnamurti, existem junto a muitos centros, nos seguintes lugares: Ojai, Califórnia; Brockwood Park, Londres; Andhra Pradesh (Rishi Valley), Índia; Varanasi (Rajghat), Índia; Madrasta, Índia; Bangalore (the Valley School), Índia; e Bombay, Índia.

No Brasil, Rio de Janeiro, desde 1926, como Agência da Order of the Star e, depois, como Agência do The Star Publishing Trust, foram editadas as obras de Krishnamurti constantes da Bibliografia. Antes disso, as palestras de Krishnamurti saíam em “O Teosofista”, órgão oficial da Sociedade Teosófica no Brasil.

Nessa condição foram impressos, em português, “O Mensageiro da Estrela” (1926-1927), “A Estrela” (1928-1929), o “Boletim Internacional da Estrela” (1928-1930), o “Boletim da Estrela” (1931-1933). Criada a Instituição Cultural Krishnamurti pelo próprio Sr. Krishnamurti em 1935, passou a Entidade a editar a “Carta de Notícias” a partir de 1936, sem interrupção até a presente data.

Com relação ao Brasil, cabe ainda informar que a comunicação da Sra. Annie Besant sobre a criação da Ordem da Estrela do Oriente – ela atuava como Protetora da mesma, foi publicada em “O Teosofista” de julho de 1911. Em 13-09-1913 foi convidado para seu Representante no Brasil o então Major Raymundo Pinto Seidl, principal figura da Teosofia no Brasil, partindo o convite do próprio Sr. Krishnamurti, como Chefe da Ordem, chegando a confirmação para o cargo em carta de 06-03-1914.

Os Atos da Ordem, como Instruções sobre a organização, Resoluções, Congressos e Eventos diversos, eram igualmente publicados em “O Teosofista”. O Relatório que saiu no número de janeiro de 1918 acusava 963 filiados aos Grupos de Auto-Preparação no Brasil, sendo cerca de 20.000 o número de filiados em todo o mundo. Já o Relatório divulgado na referida revista de janeiro de 1927 registrava 2.345 como número de filiados no Brasil, omitindo o total mundial, mas a idéia que se tem é que passava de 40.000. O exposto exemplifica o que teria ocorrido em todos os países da Terra, em que existira Representação e Grupos de Preparação da Ordem da Estrela.

Após a dissolução da Ordem da Estrela em 1929 (então sem “do Oriente”), a Missão de Krishnamurti, já em fase de maioridade e com recursos próprios, se tornou de todo independente. Isso se deu também depois de ter Krishnamurti recebido provas de Advento, conforme exposto. A Ordem, com seus administradores, tivera lugar, se justificava numa situação de regência, enquanto Krishnamurti era menor de idade física e estava sobrecarregado com outros encargos materiais e espirituais. Cumprido o seu Objetivo, esgotara a Instituição a sua finalidade.

O trabalho a cargo da “The Star Publishing Trust” e Editoras vinculadas ficou posteriormente centralizado na “Krishnamurti Writings Inc.”. Por fim, a partir de 1968 foram criadas as Fundações que atualmente regem o Movimento (Krishnamurti Foundations of America; Krishnamurti Foundation Trust, Ltd., Londres; Krishnamurti Foundation India; Fundación Krishnamurti Hispanoamericana). Foi conservada a Association Culturelle Krishnamurti, da França, e a Instituição Cultural Krishnamurti, do Brasil. Nos demais países funcionam centros ou comitês.

Depois de 1968, permaneceram as edições de livros mais centralizadas em Ojai, Califórnia; Londres, Inglaterra; e Madrasta, Índia. Porto Rico para o acompanhamento, coordenação, do movimento hispano-americano. Conferências eventuais, ou em outros países, eram proferidas em universidades, faculdades, teatros, estádios, rádios e televisões, etc.

A “Carta de Notícias” de janeiro-junho de 1986 publicou um Relatório elaborado pelo próprio Krishnamurti, de uma reunião de todas as Fundações, que se realizou em junho de 1973, em Brockwood Park, Inglaterra. Nesse Relatório, assinado pelo próprio Krishnamurti, se lê o que segue:

“(…) Todos nós achamos que as Fundações não devem ser fragmentadas e sim trabalhar juntas como um todo, com o mesmo intuito e seriedade. Foi sobre isso que falamos. Hoje existem quatro fundações, (…) Durante a minha existência elas promovem palestras, grupos de debate, seminários e concentrações. Elas são responsáveis pela preparação, tradução e publicação de livros. (…) Elas produzem filmes, fitas de áudio e material para televisão. Encarregam-se da distribuição e assim por diante.”

Segue: “Existem agora cinco escolas na Índia, um centro educacional com escola em Brockwood Park, na Inglaterra, e vai haver um centro educacional e uma escola nos Estados Unidos, em Ojai. Todas essas escolas funcionam sob a orientação das Fundações Krishnamurti. ( … )”

“As Fundações não têm autoridade na questão dos ensinamentos. A verdade jaz nos próprios ensinamentos. As Fundações cuidarão para que esses ensinamentos sejam mantidos intactos, não sejam distorcidos ou corrompidos. As Fundações não estão autorizadas a permitir que haja propagandistas ou intérpretes dos ensinamentos.(…)” (pág. 11-12)

A vinda de um grande Instrutor iluminado neste “fim de tempos”, com Missão destinada aos homens, é de longa data prevista em textos de várias religiões. Uma dessas fontes é o aludido Vishnu Purana, principal obra de sabedoria dos hindus, com cerca de 560 páginas.

O Capítulo XXIV do Livro IV e o Cap. I do Livro VI, revelam a decadência dos homens e das instituições sociais que ocorreria na Idade Kali. No primeiro é prevista a vinda de brâmane eminente, da família dos Vishnuyasas – seria uma espécie de enviado, avatar, da Divindade (Krishnamurti nasceu hindu brâmane).

Da mesma forma, revela a Bíblia que neste “fim de tempos” viria a este mundo, pela segunda vez, o Senhor Cristo (também chamado filho de Deus). Vê-se isto em Daniel VII:13; Mateus XXIV:27-30); Marcos XIII:26,27; Lucas XXI:27; Hebreus IX:28; Colossenses III:4.)

Torna-se, no entanto, estranho que, com exceção de Hebreus IX:28, os demais versículos dizem que Ele viria “nas nuvens”, e, em Mateus XXIV:27, que surgiria do Oriente para o Ocidente, e Krishnamurti nasceu no Leste.

Na antiga Palestina, serviu-se o Senhor Cristo da mediação (veículo), de seu discípulo Jesus para a Mensagem Cristã. Evidenciam isso os seguintes textos da Bíblia: Mateus XXVI:63-64; Marcos XIV:61-62; Lucas XXII:63,67-70, XXIII:2; João IV:25,26,29, VII:21,25-28, X:24-25, XI:25-27; Atos Apost. II:36, XVIII:5.

Da mesma forma, utilizara-se anteriormente o Senhor Buddha do veículo de seu discípulo Príncipe Sidharta, conforme relata C.W Leadbeater, em “Os Mestres e a Senda”, pág. 46-47 (Veículos emprestados), e em La Vida Interna, v.II, pág. 340 (Recuerdo de los conocimientos pasados).

Outros textos da Bíblia igualmente prevêem que o Senhor Cristo viria neste “fim de tempos” também para atender ao Juízo dos homens (II Corintios V:10; Apocalipse XX:4, 12, XIV:7, IV:2, 6, V:1, 6, 8; I Pedro IV:17, II Pedro II:4, 9; Daniel VII:9, 10, 26, VIII:17) para purificação dos mesmos (Ezequiel XXXVI:25; I Romanos V:3; Atos XIV:22; I Pedro I:22; Hebreus I:3; Zacarias XIII:9; Daniel XI:35, XII:10); e promover justiça, afastar da Terra homicidas, ímpios, fornicadores, abomináveis, soberbos (Apocalipse XXI:8, II Pedro I:22, II:11; Malaquias III:2, 5, IV:3).

A vinda “nas nuvens”, anteriormente referida, pode significar vitorioso sobre as trevas ou que cumpriria seus misteres, na segunda parte de sua Missão supracitada, desde o Invisível (planos Etérico, Astral-Mental).

Os versículos aludidos, das Escrituras cristãs, coincidem com outro trecho do Vishnu Purana, do mesmo Liv. IV, Cap. XXIV, assim resumido: A Entidade mencionada, com seu poder irresistível, afastaria os dedicados à iniqüidade, os salteadores, etc., restabelecendo a justiça na Terra.

Em versículos do Bhagavad-Gita hindu, o Instrutor Krishna fala ao discípulo Arjuna: “Quando a Justiça decai, ó Bharata, e a injustiça se exalta, então Eu apareço” (IV:7) “Para proteção dos bons e para destruição dos malfeitores, e para o restabelecimento firme da Justiça, de idade em idade, tenho nascido”. (IV,8)

Na obra “La Doctrina Secreta” (6 volumes), publicada em 1985-1988, diz H.P. Blavatsky, na Introdução, vol. 1: “(…) No século XX, algum discípulo mais bem informado, e com qualidades muito superiores, poderá ser enviado pelos Mestres de Sabedoria para dar provas definitivas e irrefutáveis de que existe uma Ciência chamada Gupta Vidyâ; (…)” (Ed. Glem, Bs, As, 1943, pág. 38).

A mesma autora, H.P. Blavatsky, na obra “La Clave de la Teosofia” (terminada em 1890, antes do seu passamento em 1891), deu outra redação ao texto acima, no capítulo final “Conclusão”, a saber:

“Se a atual tentativa, cuja forma é nossa Sociedade, logra melhor resultado que as anteriores, subsistirá viçosa e robusta, quando chegar o momento espiritual do século XX. A condição moral e intelectual dos homens haverá melhorado com a propagação das doutrinas teosóficas, desaparecendo até certo ponto os preconceitos dogmáticos.

Continua: Além de uma copiosa e inteligível literatura, o próximo impulso terá em sua ajuda uma corporação unida e numerosa, disposta a receber favoravelmente o novo portador da tocha da Verdade. Haverá as mentes dispostas a compreender sua mensagem (…); em suma, uma organização (…) previsora de sua vinda (…)” (Ed. Bibl. Orientalista, Barcelona, 1910, pág. 219-220).

E. Duboc cap. de frag, Secretário-tesoureiro da Ordem da Estrela do Oriente na França, em ampla conferência intitulada “Madame Blavatsky e a volta de um Grande Instrutor”, realizada em Paris, a 18-4-1916, publicada em “O Teosofista” nº 70, de 07-02-1917, relaciona o “novo portador da tocha” com Krishnamurti, e a “organização previsora de sua vinda” com a Ordem da Estrela do Oriente.

A obra “Conferências Teosóficas”, de Anule Besant (Liv. Clas. Edit. Lisboa, 1926), reúne pronunciamentos da autora, de várias épocas, que não ultrapassam as duas primeiras décadas. Na conferência intitulada “A Era de um Novo Ciclo” refere-se a Buddha e a Maitreya (nome de Cristo na Índia). Aí se lê:

“Tendo a raça ariana (..).Ele voltou e se manifestou como o Instrutor supremo. A última vez que veio, num corpo mortal, foi aquele que o mundo conhece pelo nome de Gautama, o Senhor Buddha. ( … ) (pág. 95)

Pregou e partiu: nas mãos do Seu sucessor (…) colocou o ensino destinado ao mundo. ( … ) Conheceis esse sucessor ( … ); o Rishi Maitreya. Os budistas chamam-no Bodhisattwa. ( … ) (pág. 96)

Há dois mil anos ( … ) tomou o corpo preparado para Ele por um fiel discípulo, conservado afastado dos homens em um mosteiro essênio; foi então que apareceu nesse corpo com o nome que os cristãos chamam Cristo; (…) (pág. 96-97)

Tais são as coisas que se passam hoje no mundo espiritual; são os preparativos (…) para sua manifestação; mais uma vez a Hierarquia oculta prepara a via do Senhor. (…) Não há uma região no Ocidente que não esteja na atitude de espera, (…). (pág. 98)

Outras coisas há ainda (…) Falei do grande afluxo de espiritualidade, da vinda do Instrutor Supremo; falei dos sinais que, no mundo físico, fazem prever a Sua gloriosa missão. (…) Embora Ele venha especialmente para dar a forma conveniente ao veículo através do qual o pensamento da sexta sub-raça deverá exprimir-se, a sua missão será no entanto universal, ela influenciará os povos do mundo inteiro. (…) (pág. 108)

Eis o que nos reserva o ciclo menor que começa. Esta união vai ser uma das coisas que o Supremo Instrutor vai tomar possível. Ele que se juntará a tudo o que há de mais nobre no Oriente e no Ocidente, Ele que unirá a espiritualidade de todas as grandes religiões do Ocidente, (…)” (pág. 114)

Por sua vez, com relação, escreve C.W. Leadbeater na obra “La Vida Interna” (Bibl. Orientalista, Barcelona, 1919):

“Quanto à próxima vinda de Cristo e à obra que há de realizar, vos remeto ao livro publicado pela Senhora Besant com o título “El Mundo Cambiante” (O Mundo de Amanhã). A época de seu advento não está longe e o corpo que tomará há nascido já entre nós”. (A Obra de Cristo) (v. I, pág. 32)

O mesmo autor, C.W. Leadbeater, na obra “Os Mestres e a Senda”, trata de Atos suplementares, surgidos após a iluminação do Senhor Gautama, o Buddha. Dado o relacionamento de Krishnamurti também com Ele, julgou-se oportuno o presente esclarecimento. Um dos Atos foi que, ao invés de o Senhor Buddha se limitar a misteres de natureza superior, extraplanetários, resolveu continuar a prestar auxílio à Terra.

Isto no sentido de eventual ajuda a seu sucessor, a quem esteve ligado durante muito longa data, e de atuações especiais, em certas oportunidades. Outro foi e de retornar uma vez por ano, para conceder bênçãos (Lua cheia de maio, cerimônia de Wesak), ocasião em que derrama uma torrente de energias espirituais. Isto porque, tendo acesso a planos mais elevados, acima dos nossos, pode transmutá-las e transferi-las ao nível de nosso mundo. (Ed. Pensamento, S.Paulo, 1977, pág. 267, 268)

Em 1930 desligou-se Krishnamurti da Sociedade Teosófica, como também do Hinduísmo. Tinha isso de acontecer a partir das mudanças que vinham ocorrendo nele desde 1925, principalmente em 1927. Sendo a sua Mensagem universal, viera ele para todos, e não apenas para os membros desta ou daquela entidade ou religião.

Nesse sentido, em “A Arte da Libertação”, diz ele: “(…) Quando digo que minha mensagem é para todos, não o faço para agradar à democracia (…) O que estou dizendo é para todos, sem levar em conta a posição de cada um na vida, seja rico, seja pobre, sem levar em conta o seu temperamento, (…) O princípio hierárquico é nitidamente nocivo ao pensamento espiritual. Dividir os homens em “altos” e “baixos” denota ignorância. (…) (pág. 35)

Percorreu Krishnamurti os cinco continentes; na América do Sul, proferiu palestras no Brasil, na Argentina, no Uruguai, Chile e México, em 1935. No Rio de Janeiro, no Estádio do Fluminense e no Teatro Municipal; em São Paulo, também no Teatro Municipal da Capital. O Brasil e a França, como se disse, possuem Instituição Cultural Krishnamurti. Isto porque se tornaram países principais na tradução e publicação dos livros no respectivo idioma, falado também em outras nações. Nos países em que isso não ocorre, existem Comitês ou Centros Krishnamurti.

Além dos livros, palestras isoladas, poemas, etc, produzidos por Krishnamurti menciona Susunaga Veeraperuma, nos dois volumes das aludidas Bibliografias, do autor, 839 títulos no 1º vol. e 106 no 2º vol. no total de 945 títulos de artigos publicados em jornais e periódicos sobre Krishnamurti, e 325 no 1º vol, e 285 no 2º vol. no total de 610, de trabalhos biográficos sobre o autor. Somam 1.555 as duas espécies de artigos.

Mas Susunaga Veeraperuma se torna incompleto, porque se limita quase que exclusivamente a dados da língua inglesa. Não inclui o restante da Europa, América, Ásia e Africa, daí que esse número talvez possa ser triplicado. Por outro lado, deve atingir a centenas o número de livros e publicações menores escritos em todo o mundo, apresentando e comentando ensinamentos do autor. No Brasil, contam-se em dezenas os livros e panfletos e centenas de artigos, acerca de Krishnamurti.

Convidado a falar na Organização das Nações Unidas (O.N.U), após a conferência proferida, respondeu a muitas perguntas. No final, o Representante da Instituição, após breves palavras, lhe fez a entrega de Placa de ouro, comemorativa, com inscrição que o reconhecia como o “Instrutor do Mundo”. Sem nada responder, terminada a reunião, retirou-se sem levar a Placa. Com essa atitude, revelou fidelidade ao princípio, que pregou, da inutilidade dos títulos, incluindo os espirituais.

A primeira fase do Movimento abrangeu, assim, o período de 1911 a 1929, quando foi dissolvida a referida Ordem da Estrela. Nela ocorreu a preparação, o amadurecimento. De 1925 a 1927, teve Krishnamurti um período no qual produziu poemas espirituais, constantes das obras “O Reino da Felicidade”, “A Fonte da Sabedoria” (três poemas, no fim), “A Canção da Vida”, “A Busca”, “O Amigo Imortal”.

Caracteriza a segunda fase, de plenitude, expansão, o período de 1930 até o passamento de Krishnamurti, em 17 de fevereiro de 1986. O trabalho cresceu aceleradamente, os livros, resultantes de conferências, foram traduzidos para todos os idiomas importantes.

Krishnamurti não veio acrescentar novos conhecimentos de cosmogênese, antropogênese e outros, de metafísica e revelação, de uma particular teologia. Ao contrário, os seus ensinamentos são objetivos, práticos, para a vida diária, com terminologia nova, mundial. Têm em vista a mudança do homem e da sociedade, no presente-futuro.

Referem-se ao desmoronamento do velho, das tradições, concepções antigas, e estimulam uma nova compreensão, baseada na realidade, no discernimento, na percepção criadora.

Verifica-se que a Mensagem do Autor dirige-se igualmente ao homem novo, universal em todos os sentidos: ao cidadão do mundo, e não mais da nação; ao pensador global, não limitado a determinada crença, filosofia, cultura ou ideologia; a mentalidade espiritual acima da setorização religiosa – isto numa época em que também ocorre o início do governo mundial, já em formação, cujo embrião é a O.N.U.

Revelam um caráter simples e popular. Ele sempre falou para grandes auditórios públicos, também de destacadas instituições educacionais e culturais. São apreciados tanto por pessoas espiritualmente preparadas, como pelas que nunca adquiriram nenhuma informação filosófico-religiosa.

Com freqüência, esclarece ele que a civilização do futuro depende do homem novo, purificado, amadurecido – elevado à dimensão do porvir, do ponto de vista do pensar-sentir, ético, espiritual – a fim de que possa subsistir. Do contrário, seria ela de novo deteriorada pelos erros, excessos, vícios, poluições, perversidades e desordens verificados em nossos tempos.

As verdades espirituais são eternas; o que tem progredido é o limite e a forma da apresentação, acompanhando a evolução do homem. Nos tempos pré-históricos havia doutrinas gerais, para todos, e revelações particulares, para os amadurecidos. Seguiu-se uma literatura em parte simbólica, dependente de chaves para interpretação.

Por outro lado, conforme a história e a literatura teosófica, os cultos começaram nos tempos mais primitivos com a veneração de reis, considerados divinos, do Sol e da Lua, de deuses. O culto do lar evoluiu para o da pátria, tribo, cidade, estado. Religiões antigas extinguiram-se (dos egípcios, caldeus, gregos, romanos, América pré-histórica, etc.). O Budismo espalhou-se no Oriente e o Cristianismo, no Ocidente.

A partir da segunda metade da Idade Média, verificou-se crescente intercâmbio entre os dois hemisférios, e hoje, paralelamente a uma unidade sócio-econômica e política, assiste-se a uma internacionalização religiosa e cultural. Nessas circunstâncias, a Mensagem de Krishnamurti – e sob outros aspectos a da Teosofia – vieram, ambas, inaugurar a fase universal dos respectivos conhecimentos.

Coincide isso com a informação de Blavatsky (H.P), em “La Doctrina Secreta”, de que estamos chegando ao meio da evolução em nosso planeta, aproximando-se os tempos em que o pêndulo da evolução dirigirá decididamente sua propensão para cima, conduzindo a humanidade a mais alta espiritualidade. (vol. I, pág. 288-289)

Nessas circunstâncias, para compreender a Mensagem de Krishnamurti, é preciso considerar que a atual civilização se encontra em profunda crise, social e religiosa, e em processo de declínio. Trata-se de um “fim de tempos”, de um ciclo evolutivo que termina. Daí que ele critica, em ambos os campos, as instituições superadas, que tiveram a sua época de validade, mas se acham em decadência, letra morta.

Sob o ponto de vista religioso, espiritual, a idade dos entes humanos, de modo geral, é de adolescência, juventude. Uma minoria possui certa maturidade, se encontra na idade semi-adulta. Pode-se dizer que a maioridade mais definida é atingida quando o homem se dedica à prática da ioga, ascese, mística, com suas vias purgativa, iluminativa e unitiva. Só então ele se torna senhor de si mesmo. Na fase atual, vive o homem com desequilíbrio do pensar-sentir, sob a influência maior ou menor da natureza inferior, da treva.

As religiões, com seus catecismos, leitura de textos teológicos, dogmas, cultos, atendem às pessoas nas aludidas idades. O conhecimento da ascese e da mística atrai os mais adiantados. Mas os ensinamentos de Krishnamurti têm em vista elevar o homem à nova dimensão do presente-futuro. Ele dá a entender que essa transformação deve ser imediata, sem o que a civilização não pode sair do caos em que se encontra. Isto porque a crise mundial resulta do somatório das crises individuais – cada homem reflete o que é. E para mudar a sociedade é preciso regenerar os homens. Já antes se disse que as Escrituras prevêem um Juízo, uma purificação dos mesmos, em nossos tempos.

Por ignorância, inexperiência, e tendo em vista a explosão intelectual de nossos tempos, pensam os homens que a sabedoria resulta do acúmulo de conhecimentos. Mas Krishnamurti mostra que isso só leva à expansão do “eu”, ego, que constitui um centro, um complexo psíquico, formado com os pensamentos, sentimentos, experiências, etc., acumulados, presentes e passados. Acha-se localizado na alma, e se interpõe entre ela e o espírito, impedindo que maior influxo superior chegue ao homem. Uma síntese da cultura é necessária para a pessoa vencer o desejo do conhecimento vulgar, infindável.

Daí que a religiosidade não consiste apenas em freqüentar a igreja, os ambientes religiosos, mas em levar os ensinamentos à prática, nas atitudes, comportamentos, atos, de cada dia, de manhã à noite. O exercício da atenção, observação, investigação, levam à suspensão do pensamento, ao autodomínio do corpo, dos pensamentos e sentimentos, ao esvaziamento da mente, à meditação, ao autoconhecimento (exercido nas relações principalmente). O “eu”, o ego, é a origem do egoísmo, da ambição, do orgulho, da vaidade, etc., e ele precisa ser dissolvido para que a espiritualidade surja no homem.

Liberto desse centro de caráter inferior, fica o ser livre para atuar com discernimento, atrair a intuição (voz divina). E essa dissolução ocorre com a prática da simplicidade, humildade, pela observação das expressões do “eu”, ego, flagrando-as quando surgem, pois isso funciona como golpes de morte nelas, e pela atitude de ser nada, ninguém, porque o “eu”, ego, é que quer ser importante, alguém – deixar de alimentá-lo é dissolvê-lo.

A nova era do computador veio demonstrar que a mente humana não deve constituir-se em banco de dados, mas tornar-se livre, independente, e saber consultar, manipular os bancos de dados, o que é completamente diferente.

É fundamental o conhecimento da diferença entre a alma e o espírito. As Escrituras fazem a distinção, mas pouco esclarecem; muitas obras místicas lançam luzes. A literatura hindu e da teosofia são claras (“Ver os Sete Princípios do Homem”, de Annie Besant). Nos capítulos sobre Alma e Espírito, adiante, foram reunidos dados a respeito. Favorece a compreensão dos ensinamentos de Krishnamurti uma base de teologia (eclética), teosofia. Do contrário, podem ser eles interpretados erroneamente.

Como revela a história, nas épocas de progresso, tanto social como religioso, há sempre a luta entre os conservadores e os renovadores. Como na Idade Média, ainda hoje autoridades eclesiásticas exercem pressão, e as pessoas delas dependentes ficam sem liberdade de expressão. Embora aceitem a renovação, são obrigadas a guardá-la para si mesmas, sob pena de censura. Dificultam as aberturas.

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