Em nossas recentes reuniões, tratamos da importância de se compreenderem as tendências do “eu”. Porque, afinal de contas, as pessoas que pensam mais seriamente não podem deixar de saber que o “eu” é a verdadeira causa de todas as nossas iniqüidades e sofrimentos. (…) (Quando o Pensamento Cessa, pág. 73)

Pode-se ver que o pensamento tem fabricado o “eu”, o “eu” que se tornou independente, o “eu” que tem adquirido conhecimentos, o “eu” que é o observador, o “eu” que é passado, o passado que atravessa o presente e se projeta a si mesmo. Este é ainda o “eu” produzido pelo pensamento, e esse “eu” se tem tornado independente do pensamento (…) (La Verdad y la Realidad, pág. 231)

(…) Esse “eu” tem um nome, uma forma. Tem uma etiqueta chamada X ou Y ou João. Identifica-se com o corpo, com o rosto; há a identificação do “eu” com o nome e com a forma, ( … ) e com o ideal que quer seguir. Também com o desejo de mudar o “eu” por alguma outra forma de “eu”, por outro nome. Este “eu” é produto do tempo e do pensamento. O “eu” é a palavra: elimino a palavra e que é o “eu”? (Idem, pág. 131)

E esse “eu” sofre. O “eu” que sofre é você. O “eu”, em sua grande ansiedade, é a grande ansiedade de você. (…) De modo que esse “eu” se move na corrente da cobiça, (…) do egoísmo, do temor, da ansiedade, etc. (…) Enquanto vivemos, estamos envolvidos nessa corrente; (…). Essa corrente é o “egocentrismo” (…); essa expressão inclui todas as descrições do “eu” que acabamos de fazer. E, quando morremos, o organismo morre, porém a corrente egocêntrica continua. (Idem, pág. 232)

O que o pensamento produz é sempre produto dele próprio e, portanto, coisa do tempo. Não há dúvida de que esse todo é o “eu” o “ego”, quer superior, quer inferior (…). O “eu”, portanto, é um feixe de lembranças (…). Não existe entidade espiritual identificada como “eu” ou distinta do “eu”; porque, quando dizeis que existe uma entidade espiritual separada do “eu”, ela é ainda um produto do pensamento (…) e pensamento é memória. Assim, o “vós” e o “eu”, superior ou inferior, (…) é memória. (A Arte da Libertação, pág. 127)

(…) O “eu” é, apenas, reação, e, por conseguinte, o findar da reação é o findar do “eu”. Eis por que importa se compreenda todo o processo do “eu”, (…) do pensar. (…) O “eu” é mecânico e, por conseguinte, só pode reagir mecanicamente; e para se passar além necessita-se de auto-conhecimento completo. (…) (Que Estamos Buscando?, 1ª ed., pág. 214)

Através do grande desenvolvimento da habilidade, temos fortalecido em nossa consciência a estrutura e a natureza do “eu”. O “eu” é violência, (…) cobiça, inveja, etc. (…). Enquanto exista o centro, o “eu”, toda ação será distorcida. (…) Desta maneira, pode-se desenvolver uma grande capacidade, porém a essa capacidade falta equilíbrio, harmonia. (…) (La Totalidad de la Vida, pág. 157)

Em primeiro lugar, (…) o “eu” são as várias qualidades, virtudes, idiossincrasias, esperanças, paixões, valores, que tenho cultivado, as lembranças que conservei (…). O “eu”, que se acha identificado com a propriedade, a casa, a família, um amigo, uma esposa, um marido, com experiência; o “eu” que cultivou certas virtudes, (…) que deseja preencher-se, que tem lembranças inúmeras, agradáveis e desagradáveis – este “eu” diz: “tenho medo; quero a garantia (…) de continuidade.” (Palestras na Austrália e Holanda, 1955, pág. 117)

Posso, pois, estar cônscio da minha avidez, (…) inveja, momento a momento? Estes sentimentos são expressões do “eu”, do “ego” (…). O “ego” é sempre o “ego”, em qualquer nível que o coloquemos. Seja “superior”, seja “inferior”, o “eu” está sempre compreendido na esfera do pensamento. (…) (Percepção Criadora, pág. 109)

(…) O “eu” é um feixe de lembranças, e isso é tempo, e a mera continuação no tempo não leva ninguém ao eterno, que está fora do tempo. Só se extingue o temor da morte, quando o desconhecido penetra vosso coração. (…) (A Arte da Libertação, pág. 131)

(…) O “eu” é mecânico e, por conseguinte, só pode reagir mecanicamente; e para se passar além, necessita-se auto-conhecimento completo. (…) Ora, nós habitualmente agimos de um centro que tem um ponto, que é o “eu” (…); é esse o centro de onde reagimos; (…). (Que Estamos Buscando? pág. 214)

Sabeis o que entendo por “eu”? Com essa palavra quero significar a idéia, a memória, a conclusão, a experiência, as várias formas de intenções, confessáveis e inconfessáveis, o esforço consciente para ser ou para não ser, a memória acumulada do inconsciente, da raça, do grupo, do indivíduo, da tribo, etc., tudo isso, quer projetado exteriormente como ação, quer projetado espiritualmente como virtude; a luta que daí resulta é o “eu”. (…) A totalidade desse processo constitui o “eu”; (…). (Quando o Pensamento Cessa, pág. 75)

O “eu” é egotista, suas atividades, por mais nobres que sejam, são separativas e geram isolamento. (…) Conhecemos também aqueles momentos extraordinários em que o “eu” é inexistente, em que não há tendência para esforço ou luta, e que ocorrem quando existe o amor. (A Primeira e Última Liberdade, 1ª ed., pág. 75)

O que entendemos por “eu”? (…) “São todos os meus sentidos, (…) sentimentos, (…) imaginação (…) exigências românticas, (…) posses, (…) marido, (…) esposa, (…) qualidades, (…) lutas, (…) conquistas, ambições, (…) aspirações, (…) infelicidade, (…) alegrias” – tudo isso seria o “eu”. Você pode acrescentar mais palavras, mas a essência dele é o centro, o “eu”, meus impulsos (…). A partir desse centro, ocorre toda ação; (…) as nossas aspirações, (…) ambições, desavenças, (…) desacordos, (…) opiniões, julgamentos, experiências, estão centrados nisso. (…) (Perguntas e Respostas, pág. 9)

(…) Pensamos que, no processo do tempo, no crescer e transformar-se, o “eu” se tornará, no fim, realidade. Tal é nossa esperança, nosso anelo: que o “eu” se tornará perfeito através do tempo. Que é esse “eu”? É um nome, uma forma, um feixe de lembranças, esperanças, ilustrações, ânsias, dores, sofrimentos e alegrias passageiras. (…) (Claridade na Ação, pág. 142)

(…) Mas existe o “eu” que não é meu corpo, o “eu” que é minha compreensão acumulada, (…) as riquezas que juntei – não o “eu” físico, mas o “eu” psicológico, que é memória e que desejo continue a existir, que não quero que finde. Em verdade, não é a morte que tememos, mas esse findar. Desejamos continuidade. (…) (Arte da Libertação, pág. 128)

Que é o “eu”? Se uma pessoa observa realmente a si própria, observa que o “eu” é uma massa de experiências acumuladas, de mágoas, de prazeres, de idéias, conceitos, palavras. É o que somos: um feixe de memórias (lembranças). (O Homem e seus Desejos em Conflito, 1ª ed., pág. 169)

Todos nós somos, psicologicamente, o resultado de nosso ambiente educacional e social. A sociedade, com seus códigos de moralidade, suas crenças e dogmas, suas contradições, seus conflitos, suas ambições, sua avidez, sua inveja, suas guerras – é o que nós somos. (Idem, pág. 169)

Memória identificada com a propriedade, a família, o nome – isso é o que cada um de nós é, (…). Podemos ter certa capacidade para escrever poesias ou pintar quadros; podemos ser bastante sagazes nos negócios, ou muito sutis no interpretar determinada teologia; mas o que na realidade somos é um feixe de coisas lembradas – as mágoas, as dores, as vaidades, os preenchimentos e frustrações do passado. (…) (Idem, pág. 169)

Nunca percebemos (…) por que existem em nós diversas entidades, que gravitam todas em torno do “eu”. O “eu” é constituído dessas entidades, que são meros desejos, sob várias formas. Desse conglomerado de desejos surge a figura central, o “pensador”, a vontade do “eu” (…). (A Educação e o Significado da Vida, 1ª ed., pág. 67)

Existe essa entidade complexa chamada “ego”, com todas as suas agonias, seu sofrer, suas ânsias, seu desejo de preenchimento, de “vir a ser”, de domínio, de posição, de segurança, seu desejo de ser alguém, de “expressar-se” de diferentes maneiras. (…) Com esse “ego” vou olhando as coisas e, de acordo com ele, traduzindo-as; conseqüentemente, é muito natural pensar-se que nada existe de novo, uma vez que tudo está sendo contaminado pelo passado. (Experimente um Novo Caminho, pág. 64)

Ora, o que acontece quando se acumulou conhecimento, experiência? Qualquer outra experiência que vocês tenham é imediatamente traduzida em termos de “mais e mais”, e vocês nunca estão realmente experimentando, mas (…) amontoando; e esse amontoar é o processo da mente, que é o centro do “mais e mais”. O “mais e mais” é o “eu”, o ego, a entidade (…) preocupada em acumular, seja negativa ou positivamente. (…) (O Verdadeiro Objetivo da Vida, pág. 139)

Que centro é esse? Sem dúvida, é o “eu”, o “ego”, a mente, (…) tão sensível, sobremodo hábil e capaz de compreender uma tão grande variedade de experiências, de armazenar inúmeras lembranças, que pode inventar, que sabe planear um avião (…). Esse centro, máquina complexa, de potencialidades ilimitadas, está circunscrito pela idéia do “eu”: meu prazer, minha segurança, minhas vaidades, minhas posses, meu progresso, meu preenchimento. (Percepção Criadora, pág. 52-53)

É um centro de afeição, de ódio, de prazeres efêmeros, de inveja, avidez e sofrimento. E posso realizar uma revolução nesse centro, de modo que o “eu” se torne inexistente? Porque o “eu” é a fonte de todo sofrimento, (…). Ainda que o “eu” tenha satisfações passageiras, alegrias e afeições superficiais, ele está constantemente multiplicando problemas e produzindo sofrimento. Por mais alto ou em qualquer nível que se coloque o “ego”, ele estará sempre compreendido no campo do pensamento (…) (Idem, pág. 53)

(…) A atividade egocêntrica do “eu” é um processo temporal. É a memória que dá continuidade à atividade do centro, que é o “eu”. Se observardes a vós mesmos, e vos tornardes cônscios desse centro de atividade, vereis que ele é só processo de tempo, de memória, de experiência, e de tradução de cada experiência de acordo com a memória. (…) (A Primeira e Última Liberdade, 1ª ed., pág. 125)

Quero, pois, averiguar o que é esse centro e ver se é realmente possível dissolvê-lo, transformá-lo, desarraigá-lo. Que é o “eu” da maioria de nós? É um centro de desejo, que se manifesta sob várias formas de continuidade (…). É o desejo de ser mais, de perpetuar a experiência, de enriquecimento por meio da aquisição, lembranças, sensações, símbolos, nomes, palavras. (Claridade na Ação, pág. 103)

Se observardes bem, vereis que não existe nenhum “eu” permanente, mas só memórias – a memória do que eu fui, do que eu sou e do que deveria ser; vereis que ele é o desejo de “mais”, o desejo de um saber maior, de uma experiência maior, desejo de uma identidade contínua, identidade com a casa, com o país, com idéias, com pessoas. Esse processo se desenvolve não só consciente, mas também nas camadas mais profundas, nas camadas inconscientes da mente, e, por conseguinte, esse centro, que é o “eu”, é mantido e nutrido pelo tempo. (Idem, pág. 103)

Tudo isso, pois, constitui o “eu” , (…) – o “eu” que está sempre a desejar “mais”, sempre insatisfeito, sempre lutando por mais experiência, mais sensações, cultivando a virtude a fim de reforçar-se em seu centro; por essa razão, ele nunca é virtude, mas tão somente expansão de si próprio, sob o disfarce de virtude. Aí tendes o que é o “eu”, ele é o nome, a forma, o sentimento que se oculta atrás do símbolo, (…) luta para adquirir, reter, expandir-se ou diminuir-se, cria uma sociedade aquisitiva, cheia de conflito, competição, crueldade, guerra, etc. (Idem, pág. 104)

(…) O centro é o “eu”, que tanto é físico como emocional e intelectual. O “eu” cria o espaço que o circunda, porque o centro existe. E, já que o centro existe e cria o espaço, e se este é o único espaço que o homem tem possibilidade de conhecer, nesse caso não há liberdade nenhuma. (…) (Uma Nova Maneira de Agir, 1ª ed., pág. 136)

Portanto, psicologicamente, não se pode evitar a dor, se se está psicologicamente em busca de prazer. Desejamos uma coisa, e não desejamos outra. A exigência de continuação de dado prazer é o centro de onde pensamos, funcionamos e atuamos – centro que se pode chamar “ego”, “eu”, “personalidade”; (…) Onde há um centro, há sempre espaço em torno dele, espaço no qual ocorre a ação do medo e do prazer. (…) (A Importância da Transformação, pág. 121)

Tendes de trabalhar muito diligentemente para descobrirdes as atividades de vossa mente, como funciona, suas ações egocêntricas, o “eu” e o “não-eu”; deveis “familiarizar-vos” inteiramente convosco e com os truques que a mente pratica consigo mesma, as ilusões e falácias, a criação das imagens, e as idéias românticas que nutrimos. A pessoa que é capaz de sentimentalidade, é incapaz de amar, a sentimentalidade gera brutalidade, crueldade, violência, e não amor. (Fora da Violência, pág. 79)

A questão sobre que temos discutido é a seguinte: Como é possível reconhecer as várias atividades do “eu” e suas formas sutis, atrás das quais a mente se abriga? (…) A ação baseada em idéia é uma forma do “eu”, (…). Assim, a idéia, posta em ação, se transforma em meio de dar continuidade ao “eu”. (…) A busca de poder, de posição, de autoridade, a ambição, etc., são formas do “eu”, (…). (Quando o Pensamento Cessa, pág. 74)

(…) Mas a verdade se manifesta de momento a momento, quando a mente é capaz de libertar-se de todas as acumulações. Porque quem acumula é o “eu”, e ele acumula para se impor, (…) dominar, (…) expandir se, (…) preencher-se. Só com a libertação do “eu” pode a verdade manifestar-se (…) (Nós Somos o Problema, pág. 85-86)

Ora, antes de perguntardes: “pode o eu evolver?”, tendes de saber o que é o “eu”. Dizer “o eu evolve” não tem sentido. Que é o “eu”? O “eu” são vossos móveis, vossa casa, vossos livros, vossa memória, lembranças de prazer e dor – o “eu” é um feixe de “memórias”. É mais alguma coisa? Dizeis que o “eu” é espiritual, que nele existe uma essência espiritual. (…) Não é isso uma invenção do pensamento? (…) Não aceiteis nada, nem mesmo o vosso “eu”, porque, para descobrirdes a Verdade, a mente deve estar livre do “eu” (…) “eu superior” e “eu” é a mesma coisa – uma pura invenção dualista. (O Novo Ente Humano, pág. 30)

O “ego”, esse feixe de lembranças, é o resultado do passado, produto do tempo, e esse “ego”, por mais que evolva, será capaz de conhecer o Atemporal? Pode o “eu”, com o tornar-se maior, mais nobre, no correr do tempo, sentir o Real? (O Egoísmo e o Problema da Paz, pág. 142)

Ora, a inocência é algo não contaminado, algo totalmente novo, fresco; é um “estado de descobrimento”, no qual a mente é sempre jovem. Para averiguardes isso, (…) não podeis continuar a transportar essa carga do passado. O passado (…) tem de findar, para que a mente possa descobrir aquela “coisa nova”; e ele deve chegar a seu fim, sem que seja necessário esforço, disciplina, controle ou repressão. O “velho” não pode achar “o novo”, (…). (Experimente um Novo Caminho, pág. 64)

Compreendeis o problema? Essa entidade, o ego, é produto do tempo, (…) de um milhar de experiências, (…) de contradições, batalhas, ansiedades, (…) da “culpa” (sentimento de culpa), do sofrimento, da aflição, do prazer. É o resíduo do passado, (…) nenhuma possibilidade tem de descobrir o novo. O novo não pode ser posto em palavras; é algo imensurável, energia sem causa, sem fim, sem começo; e, para que a mente possa encontrar-se neste estado de criação, o velho, o ego, deve findar. Mas como fazê-lo findar? (Idem, pág. 64-65)

Quando observais, não em termos de tempo, essa consciência integral; quando o pensamento já não é escravo do tempo, já não é uma reação, e se acha em completa quietude, então, por estar o cérebro totalmente quieto, não mais “experimentando”, será possível penetrar até às raízes da consciência total. Só então se verificará a verdadeira mutação, (…) transformação. (…) (Idem, pág. 68)

(…) Assim sendo, o que me parece importante é essa investigação do “eu”, de “mim”, para se conhecer o “eu” tal qual é, com suas ambições, invejas, exigências agressivas, falácias, divisão em “superior” e “inferior” – de tal maneira que não só seja revelada a mente consciente, mas também a inconsciente, o repositório da antiga tradição (…). O conhecimento da totalidade do “eu” significa o seu fim. (…) (Transformação Fundamental, pág. 60)

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