Nesta manhã desejo falar (…) Afigura-se-me uma das coisas mais importantes da vida o esclarecer da mente, o esvaziá-la de toda experiência e pensamento, de modo que ela se torne fresca, nova, inocente; porque só a mente inocente pode, com sua liberdade, descobrir o que é verdadeiro. Essa inocência não é um estado de permanência. (…) É o estado da mente que, estando totalmente livre, é capaz de renovar-se a todo instante, sem esforço. (A Mente sem Medo, 1ª ed., pág. 98)

(…) A sabedoria é a compreensão do fluxo contínuo da vida ou da realidade, e somente é aprendida quando a mente está aberta e vulnerável, isto é, quando a mente não mais está embaraçada por seus próprios desejos de autoproteção, reações e ilusões. (…) (Palestras no Brasil, pág. 48)

(…) Para perceberdes a verdade relativa ao nacionalismo, sem vos deixardes enredar nos argumentos pró e contra, tendes de examinar a questão com o espírito aberto a todas as sugestões decorrentes desse problema. (…) (A Arte da Libertação, pág. 120)

(…) Mas, sem dúvida, uma mente que está muito tranqüila, uma mente que não está sendo distraída pelo seu próprio pensar, uma mente que se acha aberta, pode olhar para o problema de uma maneira muito direta e muito simples. (A Renovação da Mente, pág. 14)

Que é que contamina a mente? Que é que torna a mente embotada, estúpida, trivial, acorrentada à rotina, ao hábito, à tradição? Que é que faz a mente declinar, envelhecer? Se a mente puder conservar-se nova, sem deperecer, sem deteriorar-se, a experiência nunca a contaminará (…) (O Problema da Revolução Total, pág. 118)

Por conseguinte, revela compreender o inteiro problema de por que a mente permanece em seus hábitos e rotinas, seguindo sempre determinada “linha”, qual um ônibus elétrico, e tem medo de indagar, de investigar. (…) Fumar também vos torna semelhante a uma máquina, escravo do hábito, e é só quando se compreende tudo isso que a mente se torna fresca, jovem, ativa, viva, de modo que cada dia é um dia novo (…) (A Cultura e o Problema Humano, pág. 102)

Vede, senhores, estamos envelhecendo – e mesmo os jovens o estão – e quanto mais velhos nos tornamos, tanto mais solidamente nos fixamos em nosso condicionamento. Assim, não é a mente sagaz, (…) ilustrada, nem aquela que se tornou filosófica e tudo racionaliza (…) – não é nenhuma dessas, mas só a mente livre, desimpedida, que é capaz de compreender, (…) de conhecer ou perceber (…) “o desconhecido”, “o imensurável” (…) (Idem, pág. 100-101)

Afinal, que é essa experiência que nos proporciona tão forte sentimento de nobreza, de sabedoria, de superioridade? “Experiência”, sem dúvida, é a reação de nosso “fundo mental” (background) a um “desafio”. A reação é condicionada por esse “fundo” e, portanto, cada experiência torna mais forte o “fundo”. (…) A experiência, pois, não liberta a mente, não a torna jovem, fresca, “inocente”. O que se faz necessário é a destruição total do fundo. (O Passo Decisivo, pág. 212)

Não sei se já tendes considerado este problema; mas, se o fizerdes, vereis que a mente que está carregada, pejada de saber e de experiência, não é uma mente “inocente”, (…) nova; é uma mente velha, decadente, que nunca será capaz de entrar em contato – livremente, plenamente, totalmente – com uma coisa viva. E, no mundo atual, tanto interior com exteriormente, urge que tenhamos uma mente nova, fresca, jovem, para podermos resolver todos os nossos problemas (…) A mente velha é uma mente cansada, entravada; mas a mente nova vê prontamente, sem distorção, sem ilusão: é penetrante, precisa, livre das limitações do conhecimento acumulado e da passada experiência. (O Passo Decisivo, pág. 211-212)

Afinal, todos nos tornamos mais velhos a cada dia, mas decerto é possível conservar a mente jovem, nova, inocente, não oprimida pelo peso tremendo da experiência, do conhecimento, do sofrimento. Tenho para mim que uma mente nova, purificada, é absolutamente necessária para se poder descobrir o que é verdadeiro, se existe Deus (…) (O Passo Decisivo, pág. 168)

Assim, que possibilidade tem um ente humano, vós e eu, de tornar a mente nova, vigorosa, inocente, viva? Nossa vida é toda um “processo” de desafio e reação; do contrário, a vida seria como coisa morta; a maioria de nós, a bem dizer, está morta. A vida, com efeito, é um processo de desafio (…) E enquanto a resposta não for totalmente adequada ao desafio, haverá atrito, batalha, tensão, sofrimento. (…) (Viagem por uma Mar Desconhecido, pág. 185)

Nessas condições, para fazermos surgir a realidade, é essencial que abandonemos as inumeráveis fugas a que nos habituamos e nas quais estamos presos. (…) A mente precisa estar de todo vazia e tranqüila, para que a realidade possa despontar. Mas uma mente que vive alardeando o seu saber, (… ) afeiçoada a idéias e crenças e sempre a tagarelar, essa mente é incapaz de receber “o que é”. (…) (Nós Somos o Problema, pág. 66-67)

Assim, à mente que está aprendendo, em vez de só adquirindo conhecimento, só interessa o pensar, e não o pensador, porque este foi criado pelo pensamento. Considerai, pois, isto: que todo o nosso pensar é mecânico; e que, sendo o pensamento mecânico, o mero cultivo do pensamento nunca libertará o homem; (…) O que vos cabe fazer é aprender tudo o que concerne ao pensar e, dessa maneira, vos tornardes original. (…) (Uma Nova Maneira de Agir, 1ª ed., pág. 40)

Nós estamos aprendendo; por conseguinte, não pode haver julgamento e (…) avaliação. Quando se está aprendendo, a mente está sempre atenta e nunca acumulando; por conseguinte, não há acumulação em que nos basearmos para julgar, avaliar, condenar e comparar. (…) Porque a mente que está aprendendo, é sempre nova; é sempre uma mente indagadora, nunca comparativa, nunca disposta a aceitar a autoridade e a avaliar segundo essa autoridade. É uma mente jovem; e é inocente, nova, porque está sempre aprendendo. (…) (Uma Nova Maneira de Agir, 1ª ed., pág. 32)

É, portanto, essencial que a mente esteja tranqüila, para compreender. A mente só é nova quando tranqüila; e só é livre, serena, quando não está condicionada pelo passado. É só então que o desconhecido é instintivamente descoberto. (…) (Nosso Único Problema, pág. 75)

Para descobrirdes o que é novo, a ele deveis chegar-vos com uma mente “inocente” (…) fresca, jovem, não contaminada pela sociedade. A sociedade é a estrutura psicológica da inveja, da avidez, da ambição, do poder, do prestígio; (…) a pessoa precisa morrer para toda essa estrutura (…) (O Homem e seus Desejos em Conflito, 1ª ed., pág. 52)

“Quando a mente está livre do conhecido”, ela é uma mente nova, (…) “inocente”. Acha-se num estado de criação imensurável, inominável, fora do tempo. (…) (O Homem e seus Desejos em Conflito, 1ª ed., pág. 222)

A mente é, então, sempre nova, juvenil, “inocente”. A mente inocente é aquela que não pode ser ferida. Uma mente sem marcas de ferimentos recebidos – eis a verdadeira inocência; temos cicatrizes no cérebro e, com elas, queremos descobrir um estado mental sem ferimento algum. A mente inocente não pode ferir-se, porque nunca transporta um ferimento de dia para dia. Não há, pois, nem perdão, nem lembrança. (O Novo Ente Humano, pág. 69)

Todos nós temos muitas experiências, e cada experiência deixa sua marca; (…) E é essencial morrermos para tudo o que temos experimentado, para que a mente se torne jovem, fresca e “inocente”. Só uma mente “inocente” (…) pode perceber o que é verdadeiro e transcender as coisas fabricadas pelo homem. (…) (O Homem e seus Desejos em Conflito 1ª ed., pág. 22)

Para se compreender a beleza e a extraordinária natureza da morte, é preciso estar-se livre do conhecido. (…) A mente que está morrendo a cada instante, que nunca está armazenando experiência, é inocente e, por conseguinte, se acha num perene estado de amor. (A Mente sem Medo, 1ª ed., pág. 95-96)

Com a mente renovada, pode-se viver neste mundo (…) A questão é, realmente, se há possibilidade de tornar profunda a mente superficial. Eu acho que há. (…) Já se pudermos compreender todo esse processo de experiência, de “desafio” e reação, tanto exteriores como interiores, ver-nos-emos, então, imediatamente, fora dele. Nossa mente é então jovem, ainda que tenhamos um corpo velho; torna-se clara, penetrante, fresca, e é só nesse estado de inocência que o real pode existir. (Idem, pág. 101)

(…) Só a mente que, na sua totalidade, é impermanente, incerta, pode descobrir o que é verdadeiro; porque a verdade não é estática. A verdade é sempre nova, e só pode ser compreendida pela mente que está morrendo para todas as acumulações, todas as experiências e é, por conseguinte, fresca, jovem, “inocente”. (Da Solidão à Plenitude Humana, pág. 81)

Não achais necessário que o pensamento claro e correto seja sensível? Para sentir profundamente, não é necessário um coração aberto? Embrutecemos nossa mente (…) sentimento, (…) corpo, com a malevolência, com estimulantes poderosos e insensibilizantes. É essencial que sejamos sensíveis, para que tenhamos reações prontas e adequadas, mas os nossos apetites nos insensibilizam e empedernecem. (…) (O Egoísmo e o Problema da Paz, pág. 17)

Agora, já expliquei que o conflito não produz o pensar criador. Para se ser criador, para se produzir qualquer coisa, a mente precisa estar em paz, o coração cheio. (…) (A Arte da Libertação, pág. 219)

(…) A presente crise nasceu do culto do intelecto, e foi o intelecto que dividiu a vida numa série de ações opostas e contraditórias; foi o intelecto que negou o fator de unificação, que é o amor. O intelecto encheu o nosso coração, que estava vazio, com as coisas da mente; e só quando a mente está cônscia do seu próprio raciocinar é capaz de se transcender a si mesma, só então haverá o enriquecimento do coração. Só o incorruptível enriquecimento do coração pode trazer a paz a este mundo louco e cheio de lutas. (A Arte da Libertação, pág. 248)

A verdade só pode vir a vós quando vossa mente e coração são simples e claros, e existe amor no vosso coração, e não se vosso coração está cheio das coisas da mente. (…) Significa isso que precisais despojar-vos de todas essas coisas, para que a verdade possa manifestar-se. E ela só pode vir quando a mente está vazia, (…) desiste de criar. ( … ) Ela surge súbita como a luz do sol, pura como a noite, mas, para a receber, deve o coração estar cheio e a mente, vazia. Vossa mente está agora cheia e vosso coração vazio. (O que te fará Feliz?, pág. 79)

(…) Não é o amor, mas, sim, o coração vazio, o espírito árido, o intelecto endurecido, que é repelido ou atraído. E, quando uma pessoa ama, não há escravização. Há sempre uma renovação, uma fresca vitalidade, uma alegria, não no falar, (…) mas naquele próprio estado. (…) (Novo Acesso à Vida, pág. 134)

(…) Porque os nossos corações estão vazios, as nossas mentes embotadas, cansadas, procuramos encher o coração vazio com as coisas feitas pela mente ou pela mão; (…) Quando a mente não está criando, fabricando, quando não está cativa das idéias, só então o coração está vivo. (…) (Idem, pág. 134)

(…) Esse é o mundo moderno. Temos progresso técnico, sem um progresso psicológico equivalente, e, por esse motivo, há um estado de desequilíbrio; têm-se realizado extraordinárias conquistas científicas, e, no entanto, continua a existir o sofrimento humano, corações vazios (…) Vosso mundo, que sois vós mesmos, é um mundo do intelecto cultivado e do coração vazio. (A Arte da Libertação, pág. 189-190)

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