Que é desejo? Como surge ele? Vejo, lá fora, um carro, (…)reluzente, bonito, de linhas elegantes, (…) Há o ato de ver e, em seguida, a sensação resultante desse ato. Em seguida, o contacto com o objeto que vimos e, em seguida a esse contacto, a sensação; essa sensação é o desejo. (…) Percepção, contacto, sensação e desejo; isso está sucedendo a cada instante, em nossa vida. (A Suprema Realização, pág. 204) Por conseguinte, urge compreender o que é “ajustamento” e o que é “desejo”. Desejo é apetite não satisfeito. O desejo é isto – um apetite a que se não soltaram as rédeas. E a sociedade diz que deveis conter, reprimir , guiar, controlar ou sublimar o desejo. O lado religioso da sociedade diz; “Praticai várias formas de disciplina reprimi-vos a fim de achardes Deus (…). Dessa maneira implanta-se na psique, no ente humano, essa contradição(…) (A Suprema Realização, pág. 33)

Que é, pois, desejo? Vedes uma bonita casa, ou um belo carro ou um homem poderoso – gostaríeis de possuir aquela casa, de ser aquele homem de posição, ou de conduzir aquele carro sob os olhares admirados da multidão. Como aparece esse desejo? (…) (Idem, pág. 35)

Há, pois, o ver, o perceber, que cria a sensação; em seguida, vem o contato, depois o desejo – o desejo de possuir – que dá continuidade àquela sensação. Isto é muito simples. Vejo uma bela mulher ou um belo homem. Há então o prazer do ver, e todo prazer exige continuidade. Por conseguinte, penso nesse prazer, e, quanto mais penso nele, tanto mais favoreço a sua continuidade. E (…) entra em cena o “eu” quero, não quero.(…) (A Suprema Realização, pág. 35)

Estamos vendo, pois, como nasce o desejo. Percepção, contato, sensação; depois, dá-se continuidade à sensação, e essa continuidade da sensação é o desejo. Mas, o desejo se torna muito complicado quando se apresenta uma contradição, não no próprio desejo, porém no objeto por meio do qual ele busca preenchimento. (…) Apresenta-se, assim, a contradição, isto é, devo ajustar-me aos padrões da sociedade, competindo, batalhando com meus semelhantes, a fim de subir mais alto que eles, (…) (Idem, pág. 35-36)

Que é desejo, e como continua? Vê-se como surge o desejo: percepção, visão, contacto, sensação. Mas, que é que dá continuidade ao desejo? Eis o problema. (…) Ora, não há dúvida de que o pensamento dá continuidade ao desejo. Isto é, gosto de uma certa coisa, dá-me grande prazer contemplar o por do sol, ou ver um belo rosto, ou um homem de posição, prestígio,(…) Penso. Gosto de vosso rosto; tendes um bonito sorriso,(…) Penso nisso, e, quanto mais penso, tanto mais força dou ao desejo, que busca seu preenchimento em vossa pessoa – ou numa certa idéia ou objeto. (A Suprema Realização, pág. 44-45)

Assim, o pensamento dá continuidade ao desejo. Se não houvesse a continuidade do desejo, não haveria a busca de preenchimento. O desejo apareceria e tornaria a desaparecer. Ele tem de aparecer, como uma reação. (…) O desejo, pois, viria como uma reação, e a essa reação não seria dada continuidade pelo pensamento. Observai esse fato em vossa vida. (Idem, pág. 45)

Tendes um prazer, sexual ou trivial, e pensais nele; criais em vossa mente imagens, símbolos, palavras. E, quanto mais pensais nesse prazer, tanto mais intenso ele se torna. E essa intensidade exige preenchimento. Mas nesse preenchimento há uma contradição, pois desejais também preencher-vos em outros sentidos. (…) Por conseguinte, para fugirdes à contradição, à dor causada pelo conflito, dizeis ser necessário reprimir o desejo. Mas, não é importante reprimir o desejo, moldá-lo, sublimá-lo, porém, sim, compreendê-lo; compreender o que lhe dá substância, intensidade, urgência de preenchimento. Compreendido isso, tem o desejo significado completamente diferente. (A Suprema Realização, pág. 45)

Pode-se ver de maneira muito simples como o desejo surge e como se lhe dá vitalidade, continuidade. O desejo, por certo, começa com o ver, ou sentir, ou provar, e a sensação resultante desse contato. Depois, o pensamento intervém e diz que “isso” é bem agradável ou desagradável (…) Assim, o pensamento, dando continuidade à sensação, fortalece o desejo. (…) Vemos um belo rosto, um belo carro, (…) Ver – sensação: entra em cena o pensamento e diz: “preciso conservar isso” (…) O mesmo acontece em relação ao sexo, e a todas as outras formas de prazer. O pensamento dá continuidade ao prazer, tornando-o desejo. (A Essência da Maturidade, pág. 34)

Pode-se ver como nasce o desejo. Não é uma coisa muito complexa. Primeiro, percebe-se diretamente com os olhos; daí vem certo prazer, se a coisa é bela. Há primeiro a percepção, em seguida a sensação, depois o contacto e, como resultado desse contacto, o desejo. Vedes um belo carro – essa é a percepção, o ver, e vem em seguida a sensação, o contacto e o desejo. Começa então o pensamento a nutrir, a sustentar e a dar continuidade a esse desejo. E o desejo se torna então prazer. Tudo isso ocorre instantaneamente. (…) Pode-se ver muito bem como nasce o desejo; vem então o pensamento e me faz dizer: “Eu o quero. Quero possuí-lo, quero que isso continue”. Assim, o pensamento não só dá nutrição, sustento, ao desejo, mas também, pelo pensar repetidamente nele, lhe dá continuidade. (…) (A Essência da Maturidade, pág. 103)

Se observo, em mim mesmo, todo o processo do desejo, vejo que há sempre um objeto para o qual a minha mente é dirigida, em busca de mais sensação; e que esse processo implica resistência, tentação e disciplina. Há percepção, sensação, contato e desejo, e a mente se torna o instrumento mecânico desse processo, em que símbolos, palavras, objetos, constituem o centro em torno do qual se formam todos os desejos, aspirações, ambições; e esse centro é o “eu”.

Posso dissolver esse centro do desejo – não determinado desejo, determinado apetite ou ânsia, mas toda a estrutura do desejo, do ansiar, do esperar, em que há sempre o medo da frustração? Quanto mais frustrado me vejo, tanto mais força dou ao “eu”. Enquanto houver esse esperar, esse ansiar, haverá aquele fundo de temor, que, por sua vez, fortifica o centro. E a revolução só é possível no centro, e não na superfície (…) (Claridade na Ação, pág. 117-118)

Observo esse processo do desejo a funcionar em mim mesmo, esse processo mecânico, uniforme, que mantém a mente numa rotina, tornando-a um centro morto do passado, um centro em que não há espontaneidade criadora. E há, também, momentos repentinos de criação, de contato com aquilo que não procede da mente, da memória, da sensação, do desejo. Que devo, pois, fazer? (Idem, pág. 119)

(…) O desejar “mais”, o cultivo de símbolos, palavras, imagens, com suas respectivas sensações – tudo isso precisa acabar. Só então será possível a mente ficar naquele estado de criação em que o novo possa realizar-se constantemente. Se souberdes escutar sem vos deixardes hipnotizar por palavras, hábitos, idéias, (…) então, quiçá, compreendereis o processo do desejo (…) (Idem, pág. 122)

Outra razão do temor é o desejo. Temos de observar a natureza e estrutura do desejo, e ver por que o desejo se há tornado tão extraordinariamente importante em nossas vidas. Onde há desejo tem de haver conflito, concorrência, luta. (…) Porém, o desejo é uma força extraordinariamente poderosa em nossas vidas. Ou o reprimimos, ou fugimos dele, ou substituímos suas atividades, ou o racionalizamos vendo como surge, qual é a sua origem. (…) (La Llama de la Atención, pág. 91)

A observação tem de ser livre, sem tendência ou motivo algum (…) O desejo origina-se na sensação. A sensação é contato, é o ver. Depois, o pensamento cria uma imagem dessa sensação; esse movimento do pensar é o começo do desejo. (…) A atividade dos sentidos tem de existir. Quando surge a sensação do ver ou do tocar, o pensamento constrói a imagem (…) Tão logo o pensamento cria a imagem, nasce o desejo. (La Llama de la Atención, pág. 92)

Pergunta: Todas as nossas tribulações parecem provir do desejo, mas podemos ficar livres do desejo? (…)

Krishnamurti: Que é “desejo”? E por que separamos o desejo da mente? (…) Temos de compreender o que é o desejo, em vez de perguntar como livrar-nos do desejo por ele nos trazer tribulações, ou se o desejo é produto da mente. (…) Como nasce o desejo? (…) (Realização sem Esforço, pág. 14-15)

Como se origina o desejo? Pode-se dizer com segurança que ele nasce de perceber ou ver, do contato, da sensação – depois, o desejo (…) Primeiro, vedes um automóvel, depois vem o contato, a sensação e, por fim, o desejo de possuir o carro, conduzi-lo. (…) A seguir, ao procurardes adquirir o carro, que é a manifestação do desejo, há conflito, há dor, sofrimento, alegria, e cada um deseja manter o prazer e livrar-se da dor. (…) Queremos reter o prazer e livrar-nos da dor; mas é o desejo que cria as duas coisas. O desejo, que nasce da percepção, contato-sensação, está identificado com aquele “eu” que deseja apegar-se ao que é agradável e afastar de si o que é doloroso. (…) (Idem, pág. 15)

Nosso problema, por conseguinte (…) é compreender, no seu todo, a natureza do desejo. Isso sugere a pergunta: Que é conflito? (…) A entidade a que chamamos “eu” “ego” a mente que diz: “Isto é prazer, isto é dor, prender-me-ei ao agradável e rejeitarei o doloroso” – essa entidade não é desejo? Mas, se formos capazes de olhar com atenção todo o campo do desejo (…) descobriremos, então, que o desejo tem um significado completamente diferente. (Realização sem Esforço, pág. 16)

O desejo cria a contradição, e a mente que é vigilante, muito ou pouco, não gosta de viver em contradição, e por isso tenta livrar-se do desejo. Mas, se a mente puder compreender o desejo, sem tentar afastá-lo de si, (…) se puder conhecer todo o campo do desejo, sem rejeitar, nem escolher, nem condenar, ver-se-á, então, que a mente é desejo, não está separada do desejo. Se compreenderdes realmente isso, a mente se tornará muito tranqüila; os desejos surgirão, mas não terão mais “poder de choque”, já não terão muita significação. (…) Eis por que é importante compreendamos, no seu todo, o processo do desejo, processo em que quase todos estamos aprisionados. (Idem, pág. 16-17)

Presos nesse processo, sentimos a contradição, a dor infinita que ele causa, e, portanto, lutamos contra o desejo, e essa luta cria dualidade. Mas, se, por outro lado, pudermos dar atenção ao desejo, sem julgamento, sem avaliação ou condenação, veremos que, então, ele não cria mais raízes na mente. A mente que faculta terreno propício aos problemas nunca encontrará o que é Real. A questão, por conseguinte, não é de como dissolver o desejo, mas, sim, de compreendê-lo (…) Só a mente que não está ocupada pelo desejo, pode compreender o desejo. (Idem, pág. 17)

Vamos, pois, investigar, descobrir o que é o desejo. Com a compreensão do desejo vem a disciplina – disciplina não imposta por ninguém, que não é ajustamento nem repressão, porém uma disciplina inerente à própria compreensão do desejo. Como disse, o desejo é apetite, aspiração, ânsia não preenchida. E, ou cedemos a essa ânsia, a esse desejo, ou o reprimimos, porque a sociedade nos diz que devemos reprimi-lo, porque as religiões preceituam que devemos transmutá-lo, etc. Há nesse “processo” uma constante batalha entre o ente humano que quer compreender o desejo ou por ele se vê completamente dominado, e a sociedade (…) e as religiões organizadas (…) (A Suprema Realização, pág. 43)

Eis a primeira coisa que importa compreender: o desejo não é em si contraditório; há, porém, contradição entre os objetos de seu preenchimento. Entendeis? Satisfaço o meu desejo numa certa direção, mais tarde desejo satisfazê-lo noutra direção. Essas duas direções, ou estados, é que são contraditórios. Desejo ser um homem rico e ao mesmo tempo viver santamente (…) Muito mais difícil, porém, porque requer extraordinária inteligência e compreensão, é investigar o desejo e libertar-se do conflito que os objetos do desejo provocam. A compreensão do “processo” do desejo requer muita inteligência. (Idem, pág. 43-44)

Temos desejo, que é, na realidade, reação a um apetite. Desejo ser uma coisa e “reajo”. Essa reação depende da intensidade do meu sentimento. Se é intenso o sentimento, imperiosa a emoção, o preenchimento é então quase imediato, seja em pensamento, seja em ato. (…) (A Suprema Realização, pág. 44)

O desejo, reação a uma sensação a que se deu continuidade pelo pensamento, busca preenchimento; e, nas várias formas de preenchimento, há sempre contradição. Dessa contradição vem o conflito; e, onde há conflito, há esforço. O desejo, pois, gera o esforço, se não compreendemos o seu “processo” total. (Idem, pág. 44)

Mas, para averiguarmos, temos de investigar muito profundamente. Não só temos de investigar o que é desejo e prazer, mas também investigar o pensamento e o pensador – em que há também contradição; talvez mesmo aí se encontre a verdadeira essência da contradição. Porque, como sabeis, vivemos num mundo onde há divisões nacionais, idiomáticas, religiosas, (…) onde o homem mata o homem em nome da paz, em nome da pátria (…) Há violência por toda a Terra. (…) O homem que deseje resolver o problema do sofrimento, e pôr fim ao sofrimento, tem de compreender essa contradição. (…) (A Suprema Realização, pág. 201)

O que vamos, pois, fazer (…) é descobrir por nós mesmos a natureza do prazer, o que lhe dá continuidade e, por conseguinte, quando há prazer, há sempre a correspondente contradição ou não prazer e, daí, sofrimento. E a essência mesma desse sofrimento é o sentimento de solidão, em que nenhum prazer existe. E para podermos descobrir o que é o desejo, devemos observar-nos em ação. (…) Porque pensamos que o desejo gera perturbações, ansiedades de toda ordem; que o desejo acarreta desperdício de energia, é algo que devemos afastar de nós. A compreensão do desejo, por conseguinte, requer clareza. (…) (A Suprema Realização, pág. 203-204)

Assim, tanto a resistência à dor como a busca do prazer dão continuidade ao desejo. E, uma vez compreendido isso, não cuido mais de reprimir o desejo, porque, quando o reprimimos, ele inevitavelmente causa outros conflitos – como acontece quando se reprime uma doença. Não se pode reprimir uma doença; temos de deixá-la declarar-se, dar atenção a ela, fazer tudo o que seja necessário. Se a reprimimos, ela aumentará em potência, tornar-se-á mais forte, e mais tarde nos atacará. (…) Mas isso não significa que devamos entregar-nos ao desejo. Porque, se cedemos ao desejo, ele traz a dor ou o prazer que lhe são próprios (…) (A Suprema Realização, pág. 111)

Afinal de contas, nós vivemos pela sensação – contatos, percepção, sensação – de onde surge o desejo. E, quando o desejo não é preenchido, há conflito e há temor. Nessas condições, o temor e o desejo criam o tempo, (…) a importância do “eu”, do “ego”. (…) O que, portanto, mais importa, em todas essas questões, é a investigação do processo do nosso pensar – o que é autoconhecimento. (…) (A Renovação da Mente, pág. 64)

Um dos nossos maiores problemas é o referente à compreensão do desejo. (…) Se, em vez de procurarmos controlar, sublimar ou transcender o desejo, pudermos encarar, frente a frente, o fato que é o desejo, e começar a compreender a sua índole, creio surgirá então uma ação de qualidade totalmente diversa. (…) (Visão da Realidade, pág. 154)

Examinemos com vagar este problema do desejo. O desejo, afinal, é energia dirigida para o exterior, e, sendo o desejo positivo, dominador, potente, a sociedade procura controlá-lo e moldá-lo. A sociedade é produto desse mesmo desejo, o qual procura ajustar-se, (…) e funcionar dentro dos limites da moral social. (…) (Idem, pág. l55)

Nessas condições, aquela energia dirigida para o exterior esbarra numa muralha de moralidade social, de suposta religião, etc., e volta para dentro, ao seu ponto de partida. Esse retrocesso não é um movimento livre: é simples reação. (…) Superficial ou profundo, esse movimento para dentro é sempre uma regressão, e todo esse “processo”, esse movimento da energia “para fora” e “para dentro”, é o movimento do “eu”, do “ego”. (…) (Visão da Realidade, pág. 156-157)

(…) Quando o pensamento diz: Preciso reprimir, moldar, disciplinar o desejo, canalizar a energia (…), nesse mesmo processo a energia é diminuída e destruída; e nós necessitamos de uma espantosa soma de energia livre, energia não disciplinada, para descobrirmos o que é verdadeiro, o que é Deus. Releva, pois, não reprimir, sublimar ou controlar o desejo, mas, sim, que esse movimento “para dentro” e “para fora” do desejo finde totalmente. (Idem, pág. 157)

Que estamos fazendo, presentemente? Há uma energia dirigida para fora, a qual é desejo, pensamento; e, no seu movimento para o exterior, essa energia é obstada; daí resulta frustração, dor, sofrimento. Por conseguinte, o desejo se recolhe e busca interiormente um estado em que não haja dor, um permanente estado de paz. Essa introversão da mente (…) é uma simples reação; e, destarte, criam-se os opostos. (…) (Visão da Realidade, pág. 158)

(…) Mas, se essa energia que está permanentemente a dirigir-se para o exterior ou a recolher-se no interior, puder imobilizar-se, sob nenhuma compulsão, puder ficar quieta, livre de qualquer movimento para o exterior ou para o interior, vereis então que, qual um rio, essa energia cria sua ação própria, porque está livre do “eu”. Estando imóvel, a energia percebe o que é – a verdade; então, a própria energia é a verdade, e essa verdade cria seu movimento peculiar, que não é movimento para fora nem para dentro. (Idem, pág. 160)

Se isso tiver sido bem compreendido, então a disciplina terá uma significação de todo diversa; mas atualmente a disciplina é mero conflito, ajustamento, (…) está destruindo a energia. (…) A tal ponto nos temos ajustado, que já não nos resta nenhuma energia criadora, (…) iniciativa; e só o homem que tem essa energia criadora, essa descomunal iniciativa, só tal homem descobre o que é verdade; e não aquele que ajusta, disciplina e amolda os seus desejos. (Visão da Realidade, pág. 160-161)

O que estou expondo é um fato e não uma teoria ou mera idéia (…) Só há resolução quando aquele movimento de vaivém, do desejo, terminou, sem o emprego de compulsão. (…) Só quando cessa o movimento, apresenta-se uma tranqüilidade cheia de riqueza, plenitude, vitalidade, e, nessa placidez, há abundância de energia e não diminuição de energia. (…) (Idem, pág. 161)

Por que somos torturados pelo desejo? Por que fazemos do desejo um instrumento de tortura? Há desejo de poder, desejo de posição, desejo de fama, desejo sexual, desejo de dinheiro, desejo de carro, etc. (…) (O Homem Livre, pág. 140)

(…) Reprimir o desejo, ou a ele ceder, é a mesma coisa, porque o desejo continua ainda existente. Podeis reprimir o desejo de uma mulher, de um carro, de uma posição; mas o próprio estímulo a não ter essas coisas é, em si, uma forma de desejo. Assim, ao vos verdes presos na rede do desejo, deveis compreendê-lo, em vez de dizer que ele é correto ou errado, justo ou injusto. (Idem, pág. 141)

(…) Mas temos de ir bem mais longe. Porque a vida é um movimento e, para poderdes acompanhar esse movimento, precisais de energia – energia que não conhece ajustamento; energia que não produz conflito, energia que não é produto do pensamento, com todas as sua resistências, contradições; energia que não é escrava do tempo, que é “gradualidade” (…) (A Suprema Realização, pág. 39)

Por conseguinte, a menos que a mente compreenda esse movimento do desejo – ajustamento, pensamento, tempo – nunca poderá ir mais longe. Só a mente livre é religiosa. E só a mente religiosa resolverá os nossos problemas (…) Só a mente religiosa, que compreende todo esse “processo” e, por conseguinte, o conflito, é capaz de libertar aquela energia que é imaculada. E só essa energia pode alcançar o Altíssimo. (Idem, pág. 39)

O desejo é a raiz de toda ignorância, toda aflição, e não é possível libertamo-nos da ignorância e da aflição, a não ser com o abandono do desejo. Não o podemos afastar com a simples vontade, porque a vontade é parte do desejo; não o podemos afastar com a negação, porque esta é resultado dos opostos. Só é possível dissolver o desejo com a percepção de suas múltiplas formas e expressões. Mediante observação e compreensão tolerantes, poderemos transcendê-lo. Na chama da compreensão consome-se o desejo. (Idem, pág. 35-36)

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