Krishnamurti, em textos anteriores reproduzidos de “A Fonte da Sabedoria”, revela que teve relacionamento com o Senhor Maitreya (Cristo) e o Senhor Buddha. Além disso, em outras fontes, transcritas, que entrou no Oceano da Vida, identificando-se com todas as coisas, porque se tornou a própria Vida.

Por outro lado, em “Que o Entendimento seja Lei”, esclarece: “(…) Amigo, não vos preocupeis sobre quem eu seja; vós nunca o sabereis, (…).” (pág. 15)

Conforme Leadbeater (Charies W.) a ligação de Krishnamurti com o Senhor Buddha é muito anterior. Na obra “Las Últimas Vidas de Alcione” (Ed. Glem, Buenos Aires, 1958) – Alcione é o pseudônimo de Krishnamurti, usado nessa e noutras obras da Teosofia para designá-lo em diferentes encarnações passadas – dá informações em tal sentido.

O autor, Leadbeater (Charles W.), não foi um homem vulgar; consta ter atingido o nível de Arhat (santidade-sabedoria) e, sendo possuidor de ampla e profunda clarividência, demonstrada em muitas obras de pesquisa dessa natureza, podia realizar tais investigações.

Na vida XXIX, teria Krishnamurti nascido no ano 630 a.C, nas cercanias da cidade de Rajagrha, Índia, de pais brâmanes. No ano 588 a.C, depois de ter escutado muitos sermões do Senhor Buddha, decidiu renunciar ao mundo e segui-Lo. (pág. 364-366)

Fizera então tal voto, e de, como Ele, Buddha, dedicar-se a mitigar o sofrimento e a trabalhar pela paz no mundo, prometendo a isso destinar as suas vidas futuras, até se transformar, como Ele, num Salvador dos homens.

Depois de ouvir essa decisão, relata Leadbeater, teria o Senhor Buddha inclinado a cabeça e respondido: “Seja como dizes. Eu, o Buddha, aceito o voto que já não hás de quebrar e ficará cumprido nos tempos futuros”. Então lhe apertou a mão e o abençoou, enquanto Alcione caía prostrado a seus pés. (pág. 367)

Na vida seguinte (XXX do livro), teria Krishnamurti reencarnado também na Índia, no ano 624 d.C, nas cercanias da cidade de Kanyakubja, orla do Ganges. Desde criança demonstrou tendência religiosa; aos 15 anos, atendendo às exigências, foi admitido como noviço do Monastério budista local.

Seguindo a vida ascética, dedicou-se aos respectivos estudos, indo além do obrigatório. Tornou-se eficiente predicador; responsável pela vasta biblioteca; amigo de seu superior, o conhecido instrutor Aryasanga.

A convite deste, fora levado em peregrinação ao Tibet; conheceu no caminho muitos Monastérios, onde os integrantes se hospedavam. Chegou ao de Nepal, aí permanecendo durante dois anos, e do qual, mais tarde, já com fama de sabedoria, intuição, bom conselheiro, se tornou abade. (pág. 373-383)

Em trechos transcritos de “A Fonte da Sabedoria”, se viram as ligações que Krishnamurti teve, na presente encarnação, com o Senhor Cristo e o Senhor Buddha. Mary Lutyens, em “Krishnamurti – Os anos do Despertar”, confirma que ele atingira a evolução de Arhat em 1925.

O “Boletim Internacional da Estrela”, editado no Brasil, número de agosto de 1928, publicou uma “Entrevista com Krishnamurti”, que teve lugar em Londres, a 20 de junho do mesmo ano. Os trechos abaixo são aqui de particular importância:

“Pergunta: Numerosos jornais da América relataram recentemente que havíeis declarado não serdes o Instrutor, porém somente a voz o Instrutor. Devemos tomar isso como sendo a vossa atitude?

Krishnamurti: Não, senhor, receio que eles estejam inteiramente errados. Não se pode dar explicações a alguém que nos defronte sem ter idéia daquilo de que se trata, sem ser mal compreendido. (pág. 20)

Pergunta: Qual é, pois, a realidade, do vosso ponto de vista?

Krishnamurti: A realidade é que eu sou o Instrutor.

Pergunta: Como surgiu a confusão?

Krishnamurti: Eles entenderam mal o que se pretende indicar pela idéia do “veículo do Instrutor”. Confundem-se com isso (…). (pág. 20)

Pergunta: Como aconteceu que vários jornais fizeram distinção entre a personalidade de Krishnamurti e o Instrutor?

Krishnamurti: Senhor, eu o tenho dito muitas e muitas vezes (…) Krishnamurti, como tal, não mais existe. Assim como o rio entra no oceano e nele se perde, assim Krishnamurti entrou naquela Vida que se acha representada por alguns como o Cristo, por outros como o Buddha, (…) o Senhor Maitreya. Assim, Krishnamurti (…) entrou nesse Oceano de Vida e é o Instrutor (…) (pág. 20)

Pergunta: Haveis dito que sois o Buddha, o Cristo, o Senhor Maitreya (…) Como pode ser isto?

Krishnamurti: Sustento que todos os Instrutores do mundo atingiram essa Vida que é finalidade da mesma. Daí, sempre quando qualquer ser entra nessa Vida, que é a culminação de toda a vida, então, ipso facto se torna o Buddha, o Cristo, o Senhor Maitreya, pois que ali não mais existe distinção. ( … )” (pág. 21)

Referências ao Senhor Buddha são feitas também por Krishnamurti na obra “O Reino da Felicidade”, nos seguintes termos:

“O Mestre é de todos, Ele é o Amante do Mundo, e nunca ficará satisfeito com dar o seu conhecimento e amor a alguns apenas. Ele vem para todos. Ele anseia por despertar a beleza e a felicidade da vida em todos, (…) os que tivermos acendido a candeia do gênio em nós mesmos, tanto melhor poderemos entender, seguir e servir.”

Eu falei a respeito do Buddha e seus discípulos, e (…) aqueles discípulos não podiam ter sido homens ordinários; eles eram exceções, (…) dando amor aos que necessitavam de abrigo nas grandes alturas. Por isso, os que entendiam o grande Mestre, respiravam o mesmo ar perfumado e viviam no mundo dEle, puderam dar ao mundo uma parte daquela eterna beleza. (…)” (pág. 16-17)

Outro trecho da mesma obra (O Reino da Felicidade), adiante, não esclarece se a menção diz respeito ao Senhor Buddha ou ao Senhor Maitreya (Cristo):

“Ansiava por chegar ao meu Guru, meu amor, meu Gênio, minha fonte de Felicidade; e, como já de outra vez na Índia eu O vi, mas não quando estava lutando ou tentando aproximar-me dEle, mas sim quando estava em meu natural e no meu íntimo refervia uma fonte de felicidade.”

Segue: “Eu o vi enchendo o céu, as folhas da relva, eu O vi em toda a extensão da árvore, eu O vi no seixo, eu O vi em toda parte, eu O vi em mim mesmo. E dessarte o meu templo estava repleto, o meu Santo dos Santos estava completo. Eu era Ele e ele era eu mesmo, e essa era a Verdade para mim”. (pág. 27)

Krishnamurti revela que o plano Divino constitui a fonte da Vida Una. Lá não mais se verifica distinção entre os Seres que, a partir desse nível, transmitem Sabedoria, Amor, Energia. Ele expressa isso nos textos abaixo:

“Mas, (…) vós estais enamorados de rótulos, e não da Verdade. Como é possível dividir a Vida em Instrutor Universal e Bodhisattva? (…) Percebeis o que esta pergunta implica? O que vos agrada atribuís ao Bodhisattva; e que vos desagrada atribuís ao Instrutor Universal ou – quem sabe? – a Krishnamurti.” (“Que o Entendimento seja Lei”, pág. 13)

“(…) Se desejais compreender o cume da montanha, deveis deixar o vale, e não permanecer nele, adorando, de longe, o alto da montanha. Amigo, não vos preocupeis sobre quem eu seja; vós nunca o sabereis. Não desejo que aceiteis coisa alguma do que vos digo. (…)” (idem, pág. 15)

“Uni-vos com a Vida e vos unireis com todas as coisas. (…) Se estais enamorado da Vida, então vós vos unireis com a Vida, quer a chameis Buddha ou Cristo (“Que o Entendimento seja Lei”, pág. 19)

“O Buddha, o Cristo, e outros grandes Instrutores do mundo, foram ter à fonte da Vida. (…) Uma vez conhecendo a natureza e a suprema grandeza da Fonte, Eles mesmos se tornaram essa Fonte, o Caminho e a Encarnação da Sabedoria e do Amor. Essa deveria ser a nossa finalidade. (…)” (“O Reino da Felicidade”, pág. 54-55)

Na obra de Krishnamurti “A Canção da Vida” (4ª Ed, ICK 1982), lê-se também:

“Dessa Vida, imortal e livre,

Eu sou a eterna fonte; (VI, pág. 17)

Eis a Vida que eu canto.

Ali está a unidade de toda a Vida,

Ali está a silenciosa Fonte, (X, pág. 20)

Que nutre os vertiginosos mundos.

Ó vida, ó amado,

Só em ti está o perene amor,

Só em ti reside o eterno pensamento.” (XXV, pág. 43)

Em resumo, os dados supra, juntamente com os que seguem, permitem compreender a expressão que ele tem usado para elucidar quem ele é, e a origem dos seus ensinamentos: “não vos preocupeis sobre quem eu seja; vós nunca o sabereis.”

O Senhor Maitreya (Mestre universal), conforme a obra citada, de Mary Lutyens (“Krishnamurti – Os Anos do Despertar”), teria começado a manifestar-se através de Krishnamurti a partir de 1925 (a primeira vez em 28-12-1925) por ocasião do Congresso da Estrela, em Adyar, Madrasta, Índia (pág. 226-227, 242, 278, 287, 296-298).

A presença do Senhor Maitreya (Cristo) em Krishnamurti é também referida na obra “Krishnamurti – Los Anõs de Plenitud” (Ed. Edhasa, Barcelona, 1984, pág. 12, 13, 14 e 15.

Geoffrey Hodson, autor de numerosas obras teosóficas, de pesquisa clarividente, no seu livro “Thus have I heard” (Assim Tenho Ouvido), cap. XII – Fulgurações num camp-fire, relata o que fora observado por pessoas capacitadas a ver no plano Astral, presentes ao Acampamento de Ommen, Holanda, em agosto de 1927.

Depois de citar numerosas entidades excelsas, presentes, da Grande Hierarquia que governa a Terra, descreve o que segue em relação a Krishnamurti (também conhecido como Krishnaji):

“Quando ele fala, o espírito de Cristo desce, como uma grande inspiração coletiva, para as mentes e os corações de todos. Ela se aproxima mais e mais numa grande nuvem anular de luz dourada. Adeja sobre nossas cabeças, desce ainda mais, delicada e lentamente, como tépida chuva de verão, até que todos ficam envoltos numa paz, beleza e amor que a ninguém exclui.

Noite após noite, quando ele cessa de falar, ocorre um milagre. Duas mil e setecentas pessoas permanecem na mais absoluta quietude. Naquele silêncio, o esplendor dos esplendores revela-se aos nossos olhos. A figura do Senhor aparece acima da cabeça de Krishnaji. Mais profundo é o silêncio. Estamos todos envolvidos pelo seu amplexo, cheio de ternura e compaixão. Ainda mais próximo está o Senhor.”

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