Eis por que muito importa que cada um de nós descubra por si mesmo, deixando de seguir Sankara, Ramanuja, Buda ou Cristo. Para por nós mesmos descobrirmos, (…) temos de ser livres; (…) (Da Solidão à Plenitude Humana, pág. 82)

Torna-se necessária uma revolução, não dentro do padrão da sociedade, porém dentro de cada um de vós, (…) Temos de empreender a jornada sozinhos, completamente desacompanhados, sem ajuda de ninguém, de nenhuma influência (…) A própria jornada representa o “motivo”, e só os que a empreendem produzirão algo novo (…) (Idem, pág. 83)

(…) Acho que esta é a coisa verdadeiramente importante, (…)indivíduos que sejam capazes de compreender todo esse conflito, (…) de o perceberem com lucidez, com a mente não corrompida, indivíduos que, por essa razão, são uma luz para si mesmos. (Viver sem Temor, pág. 54)

Não podeis ser luz para vós mesmos se sois tão somente um acessório da máquina social (…) Penso que a verdadeira revolução não é a revolução econômica, ou política, mas a revolução psicológica, profunda, que vos faz reconhecer o falso como falso, fazendo, assim, surgir o novo, o real, o verdadeiro. (Idem, pág. 54)

Não temos luz dentro de nós mesmos: temos a luz artificial dos outros: a luz do saber, a luz que o talento e a capacidade dão. Essa espécie de luz empalidece e se torna dor. A luz do pensamento torna-se sua própria sombra. Mas a luz que nunca esmorece, o profundo e interno resplendor (…), não pode ser mostrada a outrem. Não podemos cultivá-la, (…) imaginá-la ou a seu respeito especular, porquanto ela não se acha ao alcance da mente. (A Outra Margem do Caminho, pág. 90)

O que estivemos dizendo leva-nos a certo ponto, ou seja: cada um de nós deve ser a luz de si próprio. Nós não o somos porque dependemos de outros. (…) Mediante cuidadoso exame vos libertais de toda dependência e sois a luz de vós mesmo. E isso significa que estais completamente só. (Viagem por um Mar Desconhecido, pág. 85)

Quando falamos de revolta (…) Só tal revolta faz nascer o pensar criador, a compreensão criadora (…) Cada um de nós tem de descobrir exatamente, por si mesmo, o que é a verdade, e não se pode descobrir o que é a verdade, a menos que nos achemos numa revolução total. (…) (Visão da Realidade, pág. 30)

Ora, pode a mente achar-se num estado de revolução total (…)? (…) Pode ocorrer uma revolução total em nosso pensar? Parece-me que nossa única salvação está em sermos a luz de nós mesmos. Um navio que está ancorado não pode fazer-se ao mar, e a mente amarrada a qualquer crença ou ideologia é incapaz de descobrir o que é a verdade. (…) (Idem, pág. 30-31)

Porque alguém maior que tudo isso está conosco, é-me caro e precioso que entendêsseis na plenitude do vosso coração e mente, e assim criásseis a luz que deverá ser vosso guia, que não é a luz de outrem, mas a vossa própria. (…) (Vida em Liberdade, em “Carta de Notícias” nº 6, de 1945, IX, pág. 30)

Se estais esclarecido, se, interiormente, sois uma luz para vós mesmo, não seguireis ninguém. Mas como o não sois, seguis (…) Vossos guias, tais como vós mesmo, estão confusos, (…) Por conseguinte, tratai em primeiro lugar de dissipar a vossa própria confusão, tornando-vos uma luz para vós mesmo, e então desaparecerá o problema. (…) (O que te fará Feliz?, pág. 121)

(…) Porque só podeis achar a verdade por vós mesmo, e não por meio de outra pessoa. (…) Quando percebeis a coisa tal como é realmente, começais então a despertar, mas não quando sois forçado por outra pessoa. Não há salvador algum, a não ser vós mesmo. (…) (A Arte da Libertação, pág. 240)

(…) Se desejais conhecer-vos a vós mesmos, não podeis recorrer a nenhum especialista, a nenhum livro, por que vós sois vosso próprio mestre e vosso próprio discípulo. (…) (A Arte da Libertação, pág. 138)

Quase todos nós necessitamos de certa autoridade para moldar a nossa vida, o nosso próprio ser. Porque interiormente estamos muito incertos e confusos, sentimos necessidade de ser guiados por outros, (…) Pensamos que os outros sabem mais do que nós (…) (Palestras na Austrália e Holanda, 1955, pág. 28)

Ora, esse processo me parece completamente falso. Porque, se pudéssemos encontrar a luz dentro de nós mesmos, não teríamos necessidade de autoridade alguma (…) (Idem, pág. 28)

Esta é uma das questões mais importantes (…) Invariavelmente, desejamos achar um instrutor, um guia, para moldar a conduta de nossa vida; (…) criamos uma autoridade e a ela ficamos escravizados. (Idem, pág. 28)

Atribuímos a tal pessoa uma alta sabedoria, extraordinária ciência. E com essa atitude de “Eu sou ignorante, mas vós sabeis, sois mais experiente – dizei-me o que devo fazer” – com essa atitude gera-se, invariavelmente, o medo (…) (Palestras na Austrália e Holanda, 1955, pág. 28)

(…) Conseqüentemente, começamos a disciplinar-nos a fim de, mediante gradual evolução da mente, alcançarmos aquilo que pensamos verdadeiro. Esse processo, para mim, é inteiramente falso. Porque o Verdadeiro não pode manifestar-se mediante controle da mente, disciplina, ou pelo seguirmos uma autoridade. (Idem, pág. 29)

Por certo, enquanto tivermos uma autoridade para seguir e imitar, nossa mente nunca poderá ser livre. (…) Aquela coisa extraordinária, que podemos chamar Verdade, Amor, (…) nunca poderá manifestar-se pela obediência a uma autoridade. (…) (Palestras na Austrália e Holanda, 1955, pág. 29)

Ora, é possível acharmos essa luz dentro de nós mesmos, para que nunca precisemos recorrer a outros? Penso que é possível, e que esse é o único caminho. O disciplinar da mente, o seguir vários instrutores, o praticar a ioga – tudo isso são coisas vãs, (…) inúteis para o homem que é sério, porque o autoconhecimento, o que é real, só pode ser achado por nós mesmos e não por meio de outrem. (Idem, pág. 29-30)

Para acharmos por nós mesmos o que é verdadeiro, não devemos rejeitar toda e qualquer autoridade? Não devemos repudiar a autoridade do livro, (…) do sacerdote, (…) dos vários instrutores religiosos, daqueles que praticam a ioga, etc.? Isso, na verdade, significa que devemos ser capazes de estar sós, desamparados, sem dependermos de ninguém (…) (Palestras na Austrália e Holanda, 1955, pág. 30)

(…) Isso é como fazer uma viagem desacompanhado de um guia. Quando não tem guia, a mente precisa estar atenta, no mais alto grau, para toda forma de ilusão, e é só quando nos emancipamos completamente da idéia da autoridade, do desejo de guia, que estamos aptos a examinar-nos sem medo. É o medo que nos faz recorrer a outros, para sermos por eles guiados. (Idem, pág. 30)

Ora, se o pensamento divide, de que maneira o faz? Se realmente observardes isso em vós mesmos, vereis a extraordinária descoberta que fareis. Sereis a luz de vós mesmos, sereis um ente humano, “integrado”, e não necessitareis de ninguém para dizer-vos o que deveis fazer, (…) pensar, e como (…) pensar. O pensamento pode ser admiravelmente racional; ele deve raciocinar conseqüentemente, logicamente, objetivamente, sãmente; (…) Raciocinar é necessário; a sanidade mental faz parte da capacidade de raciocinar. (A Questão do Impossível, pág. 41)

Por conseguinte, para o homem sério, que deseja aprender, o primeiro requisito é que esteja livre para investigar – isso significa não ter medo; que esteja livre para olhar, observar, criticar; que seja inteligentemente cético, não aceite opiniões (…) Como antes dissemos, quando caminhamos com a luz de outrem, essa luz nos levará à escuridão – não importa quem seja o que nos oferece a luz. Mas, para podermos caminhar com a luz de nossa própria compreensão, requer-se atenção e silêncio e, por conseguinte, muita seriedade. (Viagem por um Mar Desconhecido, pág. 110)

Quando um ser humano abandona toda autoridade – e se torna assim mestre e discípulo de si próprio e não de outrem, em que ponto está então? Quando não tem ideais nem ninguém para o guiar – porque todas as pessoas que tentam guiar o homem o induzem ao erro, deixando-o igualmente infeliz, (…) confuso, ansioso e atemorizado – quando se chega até aí, onde é que se está? Quando se abandona o guru, o instrutor espiritual, a autoridade, o ideal – quando realmente se não depende psicologicamente de ninguém – que é que se faz então? Haverá alguma coisa que se possa fazer? (O Mundo Somos Nós, pág. 100)

Para conhecer o desconhecido, deve a mente ser, ela própria, o desconhecido. A mente tem sido até agora resultado do conhecido. Que sois vós senão uma acumulação de coisas conhecidas: vossas tribulações, (…) vaidades, (…) ambições, dores, realizações e frustrações? Tudo isso é conhecido, o conhecido do tempo e do espaço; e enquanto a mente estiver funcionando dentro da esfera do tempo, do conhecido, jamais poderá ser o desconhecido; (…) (Percepção Criadora, pág.87)

Os que sentem verdadeiro interesse, os que não são meros diletantes, que não estão apenas a brincar com essas coisas, têm uma importância extraordinária na vida, porquanto eles se tornarão uma luz para si próprios e, por conseguinte, para outros também. (…) (Percepção Criadora, pág. 89)

O que estivemos dizendo leva-nos a um certo ponto, ou seja: cada um de nós deve ser a luz de si próprio. Nós não o somos, porque dependemos de outros. (…) Mediante cuidadoso exame vos libertais de toda dependência e sois a luz de vós mesmo. E isso significa que estais completamente só. (Viagem por um Mar Desconhecido, pág. 85)

Com a iniciativa vem a confiança; mas, toda iniciativa dentro do padrão só produz presunção, que é coisa muito diferente da confiança em que não existe “eu”. Sabeis o que significa ter confiança? Se fazeis uma coisa (…) isso vos dá a confiança de serdes capaz de fazer algo. (A Cultura e o Problema Humano, pág. 91)

Mas, vede, a confiança, como atualmente a conhecemos, está sempre dentro da prisão que a sociedade – comunista, hinduísta, cristã – construiu ao redor de nós. (…) Mas esse sentimento de confiança, que vem com a capacidade de ser bem sucedido dentro da estrutura social, (…) é, em verdade, presunção; (…) vós vos sentis importante quando o fazeis. (Idem pág. 91)

Mas se, ao contrário, pela investigação, pela compreensão, vos libertais da estrutura social, de que sois parte integrante, vem uma confiança de espécie toda diferente, na qual não há sentimento da própria importância; e compreender a diferença entre as duas – a presunção e a confiança livre do “eu” – penso que isso será altamente significativo em vossa vida. (Idem, pág. 91-92)

(…) Quando a confiança provém de ação exercida dentro da estrutura social, é sempre acompanhada de uma estranha arrogância (…) A confiança do homem que sabe “fazer coisas”, que é capaz de alcançar resultados, traz sempre o colorido dessa arrogância do “eu” (…) Idem, pág. 92)

Senhores, (…) como nasce a confiança? A confiança é de duas espécies. Há a confiança que nasce da aquisição de conhecimentos técnicos. (…) Isso nos dá uma espécie de confiança: a confiança meramente superficial, técnica. (Novo Acesso à Vida, pág. 83)

Mas há outro tipo de confiança, a qual nasce do autoconhecimento, de nos conhecermos inteiramente, tanto a nossa mente consciente como a inconsciente (…) Digo que é possível vos conhecerdes completamente, e que daí provém uma confiança que não é agressiva, nem arrogante, que não é astuciosa (…) (Idem, pág. 83)

Essa confiança vem à existência de maneira natural, quando o pensamento não está baseado nas realizações pessoais, no engrandecimento pessoal, (…) e quando cada coisa revela o seu verdadeiro significado. Estais então escorado na sabedoria (…) (Idem, pág.83)

Por conseguinte, não há o mestre e o discípulo, não há o guru sentado numa tribuna, e vós sentados abaixo dele. Senhores, essa confiança se chama amor, afeição; e quando amais alguém, não há diferenças, não há alto nem baixo. Quando há amor, essa chama extraordinária, então ele é a sua própria eternidade. (Idem, pág. 84)

Ora, confiamos demais no saber. O homem que escreve um livro sobre a mente (…), aceitamo-lo como autoridade. (…) Nunca nos pomos a investigar o inteiro processo do nosso pensar, para o descobrirmos por nós mesmos. E é por isso que temos tantos líderes, cada um fazendo valer a sua autoridade, e nos dominando. (Viver sem Temor, pág. 14)

Interlocutor: O que entendeis por auto-confiança?

Krishnamurti: As religiões organizadas não nos fizeram autoconfiantes, porque nos ensinaram a procurar a salvação por meio de outrem, (…) de salvadores, mestres, personalidades deificadas,(…) sacerdotes, (…) (Palestras em Ojai e Saróbia, 1940, pág. 61)

Mas há um grave perigo de essa autoconfiança converter-se em ação individualista, cada um por si. Porque a presente estrutura social resultou dessa ação individualista, agressiva, temos sua reação no coletivismo, no culto do Estado. A verdadeira ação coletiva e cooperativa só se realizará quando, psicologicamente, o indivíduo for autoconfiante. (…) (Idem, pág. 61)

(…) Quando confiamos psicologicamente em outrem, num grupo, ou num líder para nossa compreensão, para nossa esperança, o que nos acontece? Isso não cria medo? Atemorizados, não dependemos de outrem para o nosso bem-estar? (…) (Idem, pág. 62)

(…) A verdadeira autoconfiança, não a autoconfiança com o propósito de mera expressão agressiva do “eu”, pode produzir-se somente pela compreensão do processo da ansiedade com seus valores limitadores, temores e esperanças; então a autoconfiança tem grande significação, porque pelo nosso próprio e intenso apercebimento surge a totalidade, a plenitude. (Idem, pág. 65)

(…) E, como eu disse antes, deve vir um tempo, virá um tempo, em que aquela Voz, aquele Tirano (intuição, espírito) vos dirá que renuncieis a tudo e a sigais; e para esse tempo deveis estar preparados. Deveis ter o vosso jardim bem sachado e cultivado, e as suas flores prontas para serem colhidas. (O Reino da Felicidade, pág. 76)

Então podereis dar da vossa devoção, (…) inteligência, com maior certeza, (…) conhecimento de que elas serão aproveitadas, porque as exercitastes, (…) as cultivastes, (…) conheceis as suas capacidades; e vós próprios sereis então os senhores dessas coisas. (Idem, pág. 76)

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