Desejo falar sobre o que se entende por “viver”. Sei que muitos de nós só indagam do significado do viver quando (…) aflitos, quando, não percebendo no viver nenhuma finalidade, se sentem desesperados, profundamente frustrados. (…) (Encontro com o Eterno, pág. 120)

Para descobrirmos a sua realidade, o seu real significado, sua profundidade, sua beleza e plenitude, temos de investigar muitas coisas. Primeiramente, (…) o que é liberdade; em seguida, descobrir a natureza do tempo e também o que se entende por “espaço”. (…) O viver, por certo, está sempre no presente ativo; a palavra “viver” significa “agora”. Não significa viver no passado ou no futuro, porém no presente. (…) (Idem, pág. 121)

(…) Assim, perguntamos a nós mesmos: “Há meio de pôr fim ao tempo?” Se estamos sempre a funcionar na esfera do tempo, (…) não há nesse “processo” liberdade alguma; seremos sempre escravos do ontem, do hoje e do amanhã. Nisso não há liberdade. A isso estamos presos, porque vivemos nessa divisão do tempo; tal a nossa vida: é isso que chamamos “viver”. (Idem, pág. 123)

Conhecemos o espaço apenas visualmente; a distância daqui a nossa casa, (…) a Londres, ou a Marte (…) Um homem que vive prisioneiro em exíguo espaço, num apartamento, (…) sente necessidade de espaço – espaço físico. Por isso, sai a passear no campo (…) Esse homem está preso; confinado na prisão de suas idéias, conclusões, crenças e dogmas; na prisão de suas atividades egocêntricas, que lhe dão preenchimento e frustração; na prisão de seu próprio talento (Encontro com o Eterno, pág. 123-124)

Estais achando isso difícil ou abstrato demais? Há, em todo ente humano, um centro; esse centro cria um espaço em torno de si, assim como estas quatro paredes criam um espaço em seu interior. Este salão, por causa das paredes, criou um espaço (…) O centro, que é o “ego”, criou espaço ao redor de si, e, nesse espaço, que é a consciência, ele vive, funciona, opera, modifica-se e, por conseguinte, nunca é livre. (Idem, pág. 124)

Esta questão merece sério exame, porquanto a liberdade só pode existir onde há espaço, espaço não criado por um objeto. Se o espaço é criado pelo “ego”, na qualidade de pensador, este continua a criar paredes ao redor de si, entre as quais pensa ser livre. Não importa o que ele faça dentro desse espaço criado pelo centro, não há liberdade. É como um homem condenado a prisão perpétua. Poderá alterar as decorações, proporcionar-se (…) conforto, pintar as paredes, (…) mas, dentro dessas paredes físicas, ele nunca é livre. (Idem, pág. 124-125)

Psicologicamente, criamos muralhas em torno de nós (…) de defesa, de esperança, de medo, avidez, inveja, ambição, desejo de posição, poder, prestígio. Essas muralhas são criadas pelo pensador. O pensador criou ao redor de si o espaço em que vive e, por isso, nunca é livre. (…) A beleza não é resultado do pensamento, (…) Onde há amor, afeição, não há lugar para o pensamento. (Encontro com o Eterno, pág. 125)

Da mesma maneira, o ser livre supõe a não existência de barreiras psicológicas criadas pelo centro. Liberdade significa espaço. A liberdade supõe também a cessação do tempo, (…) Liberdade significa viver integralmente. (…) O passado é o consciente e também o inconsciente. (…) (Idem, pág. 125)

(…) A liberdade interior requer imensa inteligência, sensibilidade, capacidade de compreensão. Entretanto, é absolutamente necessário que cada ser humano, não importando sua cultura, seja realmente livre. Como vêem, a liberdade jamais existe sem a ordem. (Ensinar e Aprender, pág. 27)

Se não há liberdade, toda percepção, toda visão objetiva se deforma. Só o homem totalmente livre pode olhar e compreender imediatamente. Liberdade subentende (…) a necessidade de ter a mente completamente vazia. Esgotar a mente de todo o seu conteúdo essa é que é a verdadeira libertação. Libertação não é mera revolta contra as circunstâncias, a qual cria novas circunstâncias, (…) influências ambientes, escravizadoras da mente. Estamo-nos referindo a uma liberdade que vem natural e facilmente, sem ser solicitada quando a mente é capaz de funcionar em seu mais alto nível. (O Despertar da Sensibilidade, pág. 120)

É só quando a mente, a consciência, não está a dar nomes, a armazenar mas apenas experimentando – é só então que há liberdade, libertação, (…) O processo da consciência está experimentando, nomeando e guardando ou registrando; e, enquanto esse processo for mantido integral, não haverá liberdade. A liberdade, a libertação só pode vir quando o pensante cessa – sendo o pensamento o produto da memória. (…) A liberdade só é possível quando há um percebimento completo, tranqüilo, de tudo o que se passa em redor e dentro de nós. (…) (A Arte da Libertação, pág. 54-55)

Ora, para sermos livres necessitamos de imensa energia. A liberdade e a paz não são meros conceitos intelectuais ou ideais que deverão ser alcançados com esforço e luta. O esforço e a luta para alcançar alguma coisa exigem também uma certa energia, (…) disciplina, controle, imitação; mas a liberdade a que nos estamos referindo não depende de resolução, volição ou determinação. Ela se representa quando em nós mesmos existe clareza, quando estamos perfeitamente lúcidos. Achando-se confusos e em contradição, as atividades resultantes (…) só podem causar maior confusão, mais contradições e falta de clareza. (…) (Encontro com o Eterno, pág. 18-19)

Estamos falando de uma libertação que não é reação. A mente livre a nada está escravizada, a nenhuma circunstância, (…) a rotina; embora especializada para exercer uma certa função, não está escravizada a essa função, não está presa na sua rotina; embora viva em sociedade, não faz parte da sociedade. E a mente que de contínuo se esvazia de todas as acumulações e reações diárias – só essa mente é livre. (O Despertar da Sensibilidade, pág. 121)

(…) Para se ver qualquer coisa plenamente, integralmente, necessita-se liberdade, e a liberdade não vem por meio de compulsão, de um processo de disciplina, de repressões, mas só quando a mente se compreende a si mesma, o que é autoconhecimento. Essa forma superior de inteligência, que é o pensar negativo, só aparece quando o processo de pensamento cessou; e, nessa vigilante tranqüilidade, percebe-se o todo do problema. E só então há a “ação integrada”, plena, correta, completa. (A Arte da Libertação, pág. 47-48)

Essa liberdade interior da Realidade não é uma dádiva; cumpre-nos descobri-la e conhecê-la. (…) Ela é um estado equivalente ao silêncio, à tranqüilidade, onde não há vir a ser, onde existe a plenitude. (…) Essa liberdade não é um dom, nem produto do talento; encontra-se esse tesouro imperecível, quando o pensamento está livre da luxúria, da malevolência e da ignorância; quando está livre da mundanidade e do desejo pessoal de ser algo. Essa liberdade pode ser conhecida com o justo pensar e a meditação justa. (O Egoísmo e o Problema da Paz, pág. 35)

A liberdade requer a total cessação de toda autoridade interna. Desse estado mental resulta uma liberdade externa toda diferente da reação de oposição ou de resistência. (…) A mente, o cérebro está condicionado por causa da autoridade, da limitação, da obediência: eis o fato. O homem realmente livre não reconhece nenhuma autoridade interior; esse homem sabe o que é amar e meditar. (A Questão do Impossível, pág. 23)

Por certo, investigar se a mente pode ser livre é como fazer sozinho uma jornada pelo desconhecido. Porque, obviamente, a Verdade, a Realidade, Deus, ou o nome que quiserdes, é o Desconhecido; (…) Deveis chegar-vos a ele completamente sós, deveis empreender a viagem sem companheiro, sem Sankara, sem Buda ou Cristo. Só então descobrireis o que é verdadeiro. (…) (O Homem Livre, pág. 83)

Ora, se o indivíduo não é livre, não vejo como possa ser criador. Não estou empregando a palavra “criador” no estreito sentido de “homem que pinta quadros, escreve poesias ou inventa máquinas”. Tais indivíduos, para mim, não são criadores, absolutamente. Poderão ter momentânea inspiração; mas, criação é coisa muito diferente. Só pode haver criação quando há liberdade total. Nesse estado de liberdade, há plenitude, e, então, o escrever uma poesia, pintar um quadro, ou esculpir uma pedra, tem sentido completamente diferente. Já não é mera expressão da personalidade. (Experimente um Novo caminho, pág. 36)

Isto é, enquanto existir um centro que cria espaço em volta de si, enquanto não houver outro espaço, senão aquele que o objeto cria em redor de si, não haverá liberdade para o homem. (…) O centro é o “eu”, que tanto é físico como emocional e intelectual. O “eu” cria o espaço que circunda, e se este é o único espaço que o homem tem possibilidade de conhecer, neste caso não há liberdade nenhuma. (…) Só é possível a liberdade, quando há espaço sem o centro, sem o objeto. (Uma Nova Maneira de Agir, 1ª ed., pág. 136)

Investiguemos, pois, este problema do “espaço sem objeto”. Porque só nesse espaço há liberdade; o “espaço sem objeto” é liberdade. Na investigação do espaço e da liberdade, descobriremos também, por nós mesmos, o que é o amor. (Uma Nova Maneira de Agir, 1ª ed., pág. 137)

Investiguemos, (…) Para podermos descobrir, precisamos criar espaço na mente. Temos de esvaziar a mente, é claro, a fim de dar-lhe espaço; não espaço num limitado setor do pensamento, porém espaço ilimitado e espaço interior – se assim podemos dividi-lo, isto é, espaço na mente e espaço no coração; pois, de outro modo, não pode haver amor nem liberdade. (…) (Idem, pág. 137)

Estamos, pois, investigando essa coisa extraordinária, que é o “espaço sem objeto”. E este espaço tem de existir, do contrário, não pode haver liberdade nem amor. E é só quando se vê o falso como falso, e a verdade no falso, que se está começando a esvaziar a mente – melhor, a mente está então a esvaziar a si própria. Percebereis então a verdade na falsa idéia de que a experiência irá libertar-vos. (Uma Nova Maneira de Agir, 1ª ed., pág. 140)

Tudo isto (…) constituiu um desenrolar, um desdobrar do processo de pensar, do processo de consciência. E agora, se chegastes a este ponto, (…) – podeis começar a investigar a questão do espaço e do vazio. Há necessidade de espaço, pois, do contrário, não pode haver liberdade. Na mente limitada não há espaço nenhum. A mente respeitável, “burguesa”, educada com muito esmero e, portanto, cheia de problemas, ansiedades, temores, desesperos – não contém espaço nenhum. (…) (Viagem por um Mar Desconhecido, pág. 139)

Que é espaço? O espaço é criado pelo objeto. (…) Aqui está este microfone – o objeto. Por causa do objeto existe espaço ao redor dele; e o objeto existe por causa desse espaço. (…) Dentro de nós há espaço porque existe um centro. Esse centro é o observador, o censor, o sujeito que busca, a entidade que diz “Eu fui”, “Eu sou”, “Eu serei”. Esse centro cria espaço em redor de si; do contrário, ele não poderia existir. (Viagem por um Mar desconhecido, pág. 139-140)

Ora, pode haver espaço sem aquele centro? só se pode responder a esta pergunta sem “verbalização”, sem argumentação, sem se apresentar tal ou tal opinião. Só há possibilidade de resposta sem o centro. E, se o centro existe e está a criar espaço, não há nesse espaço liberdade nenhuma; a pessoa está para sempre escravizada. (Viagem por um Mar Desconhecido, pág. 140)

A libertação, por conseguinte, requer que cada um descubra por si próprio o que é o “espaço sem centro”. Onde existe o centro, o objeto, este está criando espaço, em redor de si; e, visto que ele existe e só pode existir no espaço que o cerca, não tem liberdade de espécie alguma. Conseqüentemente, enquanto existir um centro – isto é, o observador, a entidade que busca – não há liberdade, pois só pode haver liberdade quando há espaço absoluto e não um espaço encerrado entre os limites da mente. (Idem, pág. 140)

Um cérebro deve ter espaço. Então o que é espaço? Não apenas o espaço daqui até lá. Espaço indica “sem centro”. Certo? Se você tem um centro e se move do centro para a periferia, seja ela longa ou ampla, é ainda limitada. Assim, espaço indica que não há centro nem periferia e, portanto, que não há fronteiras? Tem você um cérebro que não é parte de nada, não está ligado a nada – a suas experiências, conclusões, esperanças, idéias? (The World of Peace, pág. 84)

Espaço indica vacuidade, inexistência. E este espaço, porque nada existe nele colocado pelo pensamento, tem uma energia tremenda. Isto é o que o cientista também está dizendo, sendo esta apenas sua conclusão teórica, não sua vivência; porque ele, como todo ser humano, é ganancioso, presunçoso, ambicioso ou representa um governo. É exatamente como qualquer pessoa, excetuando-se a conquista de uma extraordinária capacidade de acumular conhecimento numa certa área. (Idem, pág. 86)

Portanto, o cérebro deve ter a qualidade de completa liberdade e espaço. Isto é, devemos ser como nada. No entanto, todos somos alguma coisa. Somos analistas, psicoterapeutas, doutores. E quando somos terapeutas, biólogos, técnicos, essa mesma identificação limita a totalidade do cérebro. (The World of Peace, pág. 86)

Eu não sei se alguma vez hão pensado acerca do espaço. Onde há silêncio, há espaço. Não o espaço criado pelo pensamento, senão o espaço que não tem fronteiras em absoluto, um espaço que não é mensurável, que não pode ser alcançado pelo pensamento, (…) inimaginável. Porque, quando o homem tem espaço, (…) verdadeiro, extensão e profundidade, e um imensurável sentido de extensão, quando existe essa classe de espaço, então há absoluto silêncio. (El Despertar de la Inteligencia, II, pág. 168)

(…) Pode-se reunir ambas as coisas? – a liberdade em que existe silêncio total e, portanto, espaço imenso, e os muros de resistência criados pelo pensamento com seu mesquinho e pequeno espaço. Podem ambos reunir-se, fluir juntos? Este tem sido sempre o problema religioso do homem que indaga com grande profundidade. Posso aferrar-me a meu pequeno ego. (…) espaço, às coisas que tenho acumulado, a meu conhecimento, experiência, esperanças e prazeres, e com isso mover-me em uma dimensão diferente onde um e outro possam operar? (…) (idem, pág. 170)

(…) Nesse espaço, a mente, o pensamento, com suas memórias, experiências, ou seja, o mesmo centro que constitui o “eu” , o “ego” – esse centro, esse “ego”, cria espaço em torno de si, o qual constitui a consciência. Por conseguinte, a consciência é sempre limitada. Assim, a mente que está sendo limitada pelo seu próprio centro é incapaz de descobrir o que é verdadeiro.

Olha sempre as coisas em conformidade com sua própria limitação. (…) Estamos repletos de barulhos, tagarelices, incontáveis memórias, símbolos, opiniões, conhecimentos (…) Não há espaço nenhum em nossa mente e, por conseguinte, não há liberdade. E, se não há esse espaço sem limites, a mente é incapaz de descobrir, de encontrar aquela realidade imensurável. (A Essência da Maturidade, pág. 116)

Tal é o pensamento. Por “tempo” entendemos o “estado psicológico de adiamento”, a idéia psicológica de progresso, de evolução, de acesso a uma altura, de acumular, o intervalo de tempo-espaço entre o que é e o que deveria ser. A mente em que não espaço é uma mente morta. A mente necessita de espaço – que é vazio. Só nesse espaço pode tornar-se existente um novo estado; só nesse espaço pode ocorrer uma mutação, uma completa revolução. (A Suprema Realização, pág. 47-48)

Necessitamos de uma revolução, neste mundo – revolução psicológica, e não econômica ou social; uma profunda revolução religiosa. Uma revolução, uma mutação de tamanha magnitude não pode verificar-se se a mente não estiver totalmente vazia, se nenhum espaço houver na mente. E a compreensão do tempo, (…) do desejo cria, sem o procurarmos, esse extraordinário espaço (…) Só é livre a mente em que há espaço sem objeto. (A Suprema Realização pág. 48)

Uma vez livre dos problemas, das tensões, de todo controle, haverá espaço – espaço infinito – tanto na mente como no coração; só nesse espaço infinito é possível a criação. Porque, então, o sofrimento, o amor, a morte e a criação constituirão a substância dessa mente. Ela estará livre do sofrimento, (…) do tempo e, portanto, num “estado de amor”. E quando há amor há beleza. Nesse sentimento de beleza, nesse espaço vasto, infinito, ocorre a criação. (Uma Nova Maneira de Agir, 1ª ed., pág. 158)

Por conseguinte, para que possa terminar o conflito, necessita-se de espaço interior, e nós perguntamos “Por que não existe esse espaço? Por que nunca está a mente vazia e, portanto, cheia de espaço e de beleza nele existente?” (…) O isolamento cria seu espaço próprio. Isolamento é uma forma de resistência, e, onde há resistência, o espaço é ilimitado. (…) (O Novo Ente Humano, pág. 35)

Necessitais de mutação, de uma mente completamente nova, que não seja produto do ambiente, da sociedade, de reação do conhecimento, da experiência; nada disso traz a inocência, a liberdade; nada disso cria aquele vasto espaço de que a mente necessita. Só nesse espaço pode verificar-se o movimento da mutação. E só essa mutação, pode salvar o homem, porque é ela que faz nascer o indivíduo. (O Despertar da sensibilidade, pág. 178)

Ora, a Investigação desta questão do espaço é meditação. (…) A meditação, pois, é a investigação e descobrimento desse “espaço sem centro”; por conseguinte, não é (…) uma experiência. Se se “experimenta” esse estado, há um centro, de onde se está experimentando; (…) (Uma Nova Maneira de Agir, 1ª ed, pág. 138)

Em seguida, se já alcançastes este ponto, vereis que há um estado mental fora do tempo e do espaço, em que, por conseguinte, se pode ver ou receber o imensurável. E o que se vê e se sente, tal como o estado de experimentar, pertencem ao momento e não são para guardar na memória. (O Passo Decisivo, pág. 178)

Há duas coisas que é absolutamente necessário compreender: a natureza do espaço e a natureza do silêncio. (…) Não querermos referir-nos à distância entre a Terra e a Lua, porém ao espaço psicológico, o espaço interior. A mente em que não há espaço é uma mente estreita, insignificante, vulgar, está presa numa armadilha, e aos movimentos que faz dentro dessa armadilha chama “viver”. (…) Assim, (…) esse espaço psicológico só pode ser compreendido quando há compreensão do observador, do centro de onde parte a observação. (A Essência da Maturidade, pág. 115)

O espaço implica também o vazio, um silêncio que possui uma energia imensa. (…) Se hão perguntado alguma vez o que resulta de ter uma mente que, de maneira natural, permaneça totalmente quieta, sem um só movimento, e que não registre senão aquelas coisas que são necessárias, de modo que nossa psique, (…) a natureza interna se torne absolutamente silenciosa? (La Llama de la Atencion, pág. 33)

Onde há silêncio, há espaço – não a distância de um ponto a outro, (…) Onde há silêncio não há ponto algum senão só silêncio. E esse silêncio tem a extraordinária energia do Universo. (Idem, pág. 33)

Naquele silêncio há um movimento não constituído pela energia do conflito. Toda a nossa vida é conflito, e desse conflito derivamos energia. Mas, quando a mente compreendeu a total natureza do conflito existente no mundo e dentro em nós mesmos, dessa compreensão nasce o silêncio. E nesse silêncio, por conseguinte, há uma energia poderosa. Não é o silêncio do sono, da estagnação, porém um silêncio constituído de tremenda energia. (A Suprema Realização, pág. 160-161)

Devido a que há espaço, existe o vazio e o silêncio total – não o silêncio induzido, (…) que se pratica; estes são meramente o movimento do pensar e, portanto, carecem em absoluto de valor. Quando vocês tenham passado por tudo isto (…) então nesse total silêncio há um movimento que é atemporal, que não está medido pelo pensamento (…) então existe algo que é totalmente sagrado,que não pertence ao tempo. (La Totalidad de la Vida, pág. 170)

E, agora, cumpre compreender também o que é silêncio. Como sabeis, nunca estamos em silêncio; vivemos num perene dialogar com nós mesmos ou com outrem. O maquinismo do pensamento está incessantemente ativo, a “projetar-se” (…) – a tagarelar e tagarelar, infinitamente; ou ajustar-se, a aceitar comparar julgar, condenar, imitar, obedecer. Sabendo-se disso, criaram-se várias formas de meditação. (…) E só a mente silenciosa é capaz de perceber, de ver realmente; não a mente que está a tagarelar, a mente que está sendo controlada, torturada, reprimida, (…) Só a mente muito silenciosa é capaz de ver realmente. (…) (A Essência da Maturidade, pág. 116)

(…) Há o silêncio da mente, nunca perturbado por barulho algum, por nenhum pensamento, ou pela lufada passageira da experiência. Esse silêncio é que é “inocente” e, por conseguinte, Infinito. Quando na mente existe esse silêncio, dele brota a ação, ação jamais causadora de confusão e sofrimento. (A Outra Margem do Caminho, pág. 30)

Surge então a pergunta: pode o pensamento estar completamente silencioso e funcionar só quando é necessário – no conhecimento tecnológico, no escritório, quando se fala, etc – e o resto do tempo estar absolutamente quieto? Quanto mais espaço existe mais silêncio, tanto mais lógica, sã e judiciosamente pode ele funcionar no campo do conhecimento. (…) (El Despertar de la Inteligência, II, pág. 171)

(…) De outro modo, o conhecimento se torna um fim em si, e produz caos, (…) O pensamento, que é resposta da memória, dos conhecimentos, da experiência e do tempo, constitui o conteúdo da consciência; ele deve funcionar no terreno do conhecimento, porém só pode fazê-lo com a mais alta inteligência, quando há espaço e silêncio – quando o pensamento funciona desde ali. (Idem, pág. 171)

Silêncio, não só do pensamento, mas também do cérebro. (…) O cérebro, isto é, os nervos, as células, tudo está em silêncio, porém extraordinariamente vigilante, atento. Por causa desse silêncio, há espaços; e, porque há espaço, há amor. (A Suprema Realização, pág. 76)

Vereis, então, que o amor altera imediatamente todas as ações da vida. É ele o único “catalisador”, só ele e nada mais promoverá a mutação total da mente. Nós necessitamos dessa mutação, (Idem, pág. 76)

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