Pergunta: Tendes uma mensagem especial para a juventude?

Krishnamurti: Senhores, há muita diferença entre os jovens e os velhos? A juventude, os moços, se têm qualquer grau de vitalidade, estão cheios de idéias revolucionárias, cheios de descontentamento. (…) Têm de ser assim, pois do contrário seriam já velhos. (…) (Novo Acesso à Vida, pág. 80)

Como dizia, se os jovens não têm aquele descontentamento revolucionário, são já velhos; e os velhos são aqueles que estiveram descontentes outrora, mas se estabilizaram. Querem segurança, (…) permanência, seja em seus empregos, seja em suas almas. Querem certeza nas idéias, nas relações ou na propriedade. (…) (Idem, pág. 80)

Se em vós, que sois jovens, existe um espírito de indagação que vos faz desejar a verdade relativa a qualquer coisa, (…) e se não estais presos pela tradição, sereis então os regeneradores do mundo, os criadores de uma nova civilização, de uma nova cultura. Mas, à semelhança de nós outros, (…) da velha geração, os jovens também desejam segurança, certeza. (…) Por conseguinte, submetem-se e aceitam a autoridade dos mais velhos. (…) (Idem, p. 81)

O descontentamento, que é a própria chama da indagação, da busca, da compreensão – esse descontentamento baixa de nível na mediocridade, tornando-se apenas desejo de um emprego melhor, de um casamento rico, de um diploma. (…) Sem dúvida, o que é essencial para os velhos e para os novos é que vivam integralmente, completamente. Para se viver integral e completamente é necessário liberdade (…); e só pode haver liberdade quando há virtude. A virtude não é imitação; a virtude é o viver criador. (…) (Idem, pág. 81)

Não estou interessado em guiar-vos (…) para adotardes determinado padrão. Mas nós estamos muito interessados no problema da transformação. (…) Por exemplo, (…) quando jovens, somos muito insatisfeitos, descontentes; investigamos, tateamos, enveredamos por diferentes caminhos, buscando o saber, o esclarecimento; procuramos um guru, um Mestre que possa ajudar-nos a sair do nosso descontentamento e pôr fim à nossa busca (…). (O Problema da Revolução Total, pág. 50)

No momento em que encontramos alguém capaz de dar-nos o saber, um método de ação, (…) de vida, acaba a nossa insatisfação, e ficamos a seguir tal padrão de pensamento durante anos e anos. É o que acontece com a maioria de nós, não? (…) no momento em que me junto a um grupo, esperando que isso produzirá a transformação, acaba-se o descontentamento. (…)(Idem, pág. 51)

(…) Para os jovens, o mundo é cruel demais; para eles, o que as gerações mais velhas fizeram do mundo é aterrador demais. Não há lugar para eles, (…) estão perdidos; então viciam-se em drogas e na bebida; todos os tipos de coisas estão acontecendo com os jovens no mundo: comunidades, orgias sexuais, fugas para a Índia, para gurus, para encontrar alguém que lhes diga o que fazer – alguém em que possam confiar. (Perguntas e Respostas, pág. 72)

Eles vão lá, jovens, inocentes, sem saber; e os gurus lhes dão a sensação de que estão sendo protegidos e guiados – isso é tudo o que eles querem. Eles não conseguem isso de seus pais, dos padres (…), de seus psicólogos, porque (…) estão igualmente confusos (…). (Idem, pág. 72)

De igual modo, a geração mais velha está na mesma posição, só que expressam isso com mais sofisticação. (…) Mas ninguém pode servir de guia, nem pode iluminar ninguém. Somente você mesmo pode fazer isso; mas você deve ficar completamente só. Isso é o que amedronta velhos e jovens. (…) Entenda isso de uma forma bem profunda (…). (Idem, pág.72)

Vocês, jovens, da nova geração, só poderão criar um mundo totalmente diferente se forem educados para serem livres (…). Por isso, é muito importante, enquanto são jovens, serem verdadeiros revolucionários – o que significa não aceitar coisa alguma, mas inquirir sobre todas as coisas a fim de descobrir a verdade. Só então poderão criar um mundo novo. Caso contrário, ainda que os chamem por um nome diferente, vocês estarão perpetuando o mesmo velho mundo de miséria e destruição que sempre existiu até agora. (O Verdadeiro Objetivo da Vida, pág. 162)

Pergunta: Muitos jovens já me têm dito: “Sentimo-nos frustrados; não sabemos o que fazer na crise atual (…)”

Krishnamurti: Há muitas questões encerradas nessa pergunta. (…) Em primeiro lugar, sentimo-nos frustrados. Desejais uma coisa e não a obtendes; sentis-vos derrotados (…). Desejais um emprego, não o conseguis (…). Desejais desposar uma dama, não o podeis (…). Ambiciono poder e posição, sou contrariado (…). Há, portanto, frustração constante. (Uma Nova Maneira de Viver, pág. 20-21)

Porque há vácuo em vós mesmos, sentis-vos vazios – econômica, psicologicamente, e espiritualmente vazios. Julgais possível preencher o vosso vazio com a obtenção do que desejais. Mas, se atentardes bem, descobrireis que jamais podereis preencher esse vazio. (…) Isso é um fato psicológico. (Idem, pág. 21)

Mas, que é esse vazio? (…) Para o compreenderdes, é preciso que abandoneis as tentativas de o preencher. Tentar enchê-lo equivale a querer encher um balde furado. O líquido estará sempre a vazar (…). (Idem, pág. 21)

É no próprio problema que está contida a solução, e não fora dele. Assim sendo, se compreendêssemos a frustração e todas as suas conseqüências, todas essas questões poderiam ser resolvidas de modo relativamente simples. (Idem, pág. 21)

Se considerarmos atentamente todos esses problemas (…) A única solução para o conflito e a confusão é, afinal, a Verdade, que liberta. Para fazerdes vir a vós a Realidade ou a Verdade, é necessário que estejais livres de todos os vínculos (…). Se trabalharmos com este empenho, faremos nascer a claridade dentro de nós. (Idem, pág. 22-23)

Que entende por “envelhecer”? Envelhecendo por longa permanência no trabalho? Envelhecendo em termos de rotina, de tédio? Que quer dizer ao aludir à idade? O que o torna mais velho? O organismo vai-se desgastando? Por que motivo? Será em virtude de doença, ou por haver repetição no próprio viver, como uma máquina que trabalha sem cessar? A psique se mantém adormecida; funciona apenas pelo hábito. Desse modo, é rápido o envelhecimento do corpo. (Ensinar e Aprender, pág. 73-74)

Por que envelhece a psique? Ela tem mesmo de envelhecer? Penso que não. Será a idade adiantada apenas um hábito? Já repararam em como os velhos comem, como falam? Será possível manter a psique extraordinariamente jovem, viva, ilesa? Poderá ela conservar essa vitalidade, sem jamais perdê-la em decorrência do hábito, da idéia de segurança, de exigências da família e de responsabilidades? Por certo, isso é possível, o que impõe a destruição de quanto construíram. (Idem, pág. 34)

Pergunta: Um dia sucede ao outro, e a velhice e a morte se vão aproximando inexoravelmente. (…) Ensinai-me a enfrentar a velhice e a morte com serenidade.

Krishnamurti: Que se entende por velhice? (…) O organismo físico evidentemente se gasta pelo longo uso. Isso é velhice? Ou velhice é a deterioração da mente? Uma pessoa pode ser jovem, sadia, forte e, no entanto, ser velha, se sua mente já estiver encaminhada para a deterioração. (O Homem Livre, pág. 161)

Que se entende, pois, por velhice? (…) Referimo-nos ao estado da mente que envelheceu por não ter “inocência”. (…) A mente está velha quando não é “fresca”, quando só pensa em termos de passado (…). Eis a mente que não é jovem. E pode a mente tornar-se nova, inocente, fresca? Pode renovar-se a cada momento, de modo que nunca envelheça? Ora, este é que é o nosso problema (…). (Idem, pág. 161)

Quais são os fatores da deterioração? (…) Só a mente pura pode aprender, não aquela carregada de conhecimentos e, portanto, já velha. Assim, como pode a mente tornar-se nova, fresca, purificada? Compreendeis (…)? (Idem, pág. 162)

Não importa se o organismo físico é novo ou velho, a mente se acha velha quando está fixada, moldada, funcionando numa rotina, num círculo de medo; e como pode ela tornar-se viçosa (…)? (O Homem Livre, pág. 162)

(…) Ora, só se morrer para o passado, para tudo o que conhece. (…) Seria possível morrer para “minha casa”, (…) “meu deus”, “minha necessidade”, “minha crença”, “minha tradição”, para todas as impressões, compulsões, influências que me formaram, e ao mesmo tempo estar cônscio de minha família, da beleza de uma árvore, (…) de uma flor, (…) do céu? (Idem, pág. 162)

Pergunta: Dizeis que as pessoas de idade estão sempre inquietas (…). Nunca vistes pessoas mais novas fazerem a mesma coisa? (…)

Krishnamurti: Ora, sabe-se que os jovens são grandes imitadores (…). São o mesmo que macacos, para imitar. Vêem alguém fazer uma coisa, e imediatamente a fazem também. Já não notastes como as crianças gostam de vestir-se de modo igual? (…) É forte nos jovens o processo imitativo; e, por isso, quando observam os mais velhos, se põe a imitá-los; e, uma vez que tanto os mais velhos como os jovens não estão bem cônscios do que estão fazendo, o círculo vai-se dilatando cada vez mais. (Debates sobre Educação, pág. 86)

Os mais velhos põem uma veste sagrada, e os jovens põem também uma veste sagrada. Uns velhos põem turbantes, e os jovens põem também turbantes. (…) Mas, o que é importante para vós é que observeis a vós mesmos, que estejais cônscios de vós mesmos, de vossas ações. (…). Deixareis então de praticá-las. (…) (Idem, pág. 86-87)

Assim, o mundo se encontra em tamanha desgraça porque não existe aquela capacidade de criar. Para vivermos criadoramente, não podemos ficar na simples imitação, seguir Marx, ou a Bíblia, ou o Bhagavad-Gita. (Novo Acesso à Vida, pág. 82)

A atividade criadora é gerada pela liberdade, e só pode haver liberdade quando há virtude, e a virtude não é resultado do processo do tempo. A virtude vem quando começamos a compreender o que é, em nossa existência de cada dia. (Idem, pág. 82)

Logo, para mim, a divisão entre velhos e moços é um tanto absurda. Senhores, a maturidade não é questão de idade. Embora, na maioria, sejamos mais velhos, nós somos infantis, temos medo (…). Os que são velhos buscam a permanência, (…) garantias confortadoras, e os moços querem também a segurança. (Idem, pág. 82)

Não há, pois, diferença essencial entre velhos e moços. Como disse, a maturidade não reside na idade: vem com a compreensão (…). A preservação dessa energia para a investigação, para descobrir a realidade, requer muita educação – educação que não seja simples conformidade a um padrão (…). (Idem, pág. 82)

Temos de aprofundar esta questão da seriedade, porque a vida é um movimento em ação. Não podemos ficar inertes (…). Estamos colhidos no movimento do que foi, e os moços dizem: “Nós somos a nova geração.” Não são. Para compreender tudo isso, temos de investigar o que é a ação em liberdade. (…) Pode a mente libertar-se de seu condicionamento, e podem também libertar-se as células cerebrais (…) que têm seus próprios padrões de reação? (A Importância da Transformação, pág. 38-39)

O investigar requer paciência; os jovens são impacientes, querem resultados instantâneos, e isso significa que ainda não compreenderam o processo total do viver. Se se compreender a totalidade do viver, virá uma ação instantânea, inteiramente diferente da ação imediata da impaciência. (…) (A Questão do Impossível, pág. 18)

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