A apresentação de uma Obra como a presente é da maior significação, para dar-se uma idéia, embora incompleta, da grandeza do Senhor J. Krishnamurti e de sua Mensagem. No tempo do Senhor Jesus Cristo, há 2.000 anos, na época, uma minoria da humanidade, amadurecida, reconheceu a magnitude de seu Ser e dos seus ensinamentos.

Só aos poucos foi a sua Revelação se estendendo no mundo. O mesmo ocorre com o Senhor J. Krishnamurti, nos tempos atuais. O Messias já veio, cumpriu a sua Missão, e já retornou à sua Mansão celestial, e a maioria dos homens continua à sua espera. Magnos acontecimentos ocorreram em todo o planeta, mas a cegueira dos homens não permitiu vislumbrá-los. Muitos tomaram deles breve conhecimento, mas não atinaram com a importância, preferindo continuar na tradição. Daí que esta Introdução, embora redigida em curto tempo, precisa condensar a extensão e o esplendor dos Eventos.

A elaboração desta Seleta tornou-se para nós um dever de consciência. Desde criança, convivemos com pessoas que estudavam as Mensagens da Teosofia e de Krishnamurti. Em 1935, quando esse pensador iluminado veio ao Brasil, tivemos a felicidade de assistir a conferências que ele realizou no Rio de Janeiro. Levado por amigo íntimo do tradutor, nos situamos, ambos, de pé, imediatamente atrás dele e de Krishnamurti.

Em 1938 iniciamos a leitura de livros de Krishnamurti, e, a partir de 1942, a freqüentar a Instituição Cultural Krishnamurti (ICK), do Brasil. Desde 1944, em nossas palestras públicas, sempre que oportuno líamos textos do autor. Várias vezes apresentamos séries progressivas de seus ensinamentos, com troca de idéias.

Na altura de 1944, começamos a elaborar um índice dos ensinamentos mais expressivos de Krishnamurti, à medida que compulsávamos as suas obras, o qual passou por sucessivos aperfeiçoamentos, útil às aludidas exposições, chegando a 15 cm de espessura.

Graças a ele temos igualmente podido transcrever excertos do autor em nossos livros, panfletos e artigos – em “Sociedade, Transição e Futuro” (RJ, 1982, 728 ps.) mais abundantemente. Tendo assim obtido uma visão global das comunicações do autor, foi dito instrumento de grande valor para a organização da presente Seleta.

Há mais de 30 anos integramos o quadro de associados da ICK e, durante cerca de 15 anos, pertencemos ao Conselho dos Sócios Efetivos (11); de 1982 a 1987 exercemos na Instituição o cargo de Diretor-Secretário; e de 1987 a 1991 o de Vice-Presidente. Inobstante, não passamos de mero estudioso da matéria; sobre ela nunca se chega a um fim, também porque uma coisa é o saber teórico e outra a vivência prática.

Fomos levados à elaboração desta compilação por vários motivos. Um deles é a mais ampla divulgação da Mensagem do autor, pondo-a ao alcance de quem possa aproveitá-la. Ela é mais conhecida do que se possa imaginar, mas superficialmente. Em qualquer ambiente social, religioso, acadêmico, universitário, militar, científico, do povo esclarecido, há sempre quem conheça a importância de seus ensinamentos. Mas, conforme nossa observação, apenas um número reduzido de pessoas tem adquirido uma visão global dos mesmos. A grande maioria restringe-se à leitura de uns poucos livros.

O resultado é que ficam com um conhecimento parcial, unilateral, sem a visão do todo. A presente Coletânea, salvo exceções, abrange as obras constantes da Bibliografia, em número de 160. Optou-se por capítulos pequenos, de 4 a 8 páginas, salvo exceções, para facilitar a leitura individual e o estudo em grupos. Inclui cada um deles excertos representativos, dentre os melhores encontrados.

Cerca de 1/5 dos livros da Bibliografia, os últimos, principalmente, não chegaram a ser traduzidos e editados em português, mas eles foram por nós consultados, sendo os textos inovadores incluídos nos correspondentes capítulos. Como os ensinamentos do autor foram sendo crescentemente enriquecidos, ficaria esta Obra incompleta sem eles.

Outro motivo que nos levou à realização desta Seleta é que a Mensagem em referência, destinada ao presente-futuro, visa essencialmente à mudança do homem, procurando elevá-lo a uma condição de pureza, maturidade, a nova dimensão espiritual. Com muita freqüência, diz Krishnamurti, em suas palestras, que tal transformação humana é urgente, inadiável. Daí a oportunidade desta Iniciativa. As Escrituras cristãs, hindus e budistas igualmente se referem ao Juízo e purificação dos homens neste “fim de tempos”.

A Bíblia, entre outros versículos, em Malaquias III,2; Zacarias XIII,9; Ezequiel XXVI, 25; Sofonias III,11-12, Isaías XIII,11, e Mateus, Marcos, Lucas, e o Apocalipse também, em vários capítulos. Nessas fontes, os textos mais graves chegam a dizer que “os homens serão purificados como o fogo do ourives e o sabão dos lavandeiros, ficando livres das imundícies, e humildes e pobres”.

O Vishnu Purana destina o Livro IV, cap. XXIV, e o livro VI, cap. I, a profecias para este período de Kali yuga. No primeiro lê-se: “Restabelecerá (a Divindade) a justiça sobre a terra, e os espíritos daqueles que vivem no fim da idade Kali serão despertados e por tal maneira se tornarão transparentes como o cristal”. As previsões do Budismo encontram-se nas Profecias dos Cinco Desaparecimentos, correspondendo a época atual ao quinto Desaparecimento, ocorrendo, no porvir, padecimentos, aflições, penúrias.

Krishnamurti trata do assunto em muitos de seus livros, como se verá nos capítulos próprios. Num deles, como exemplo – O Egoísmo e o Problema da Paz, lê-se: (…) Tendes de pagar o preço da paz. Tendes de o pagar, voluntária e alegremente, e esse preço é o libertar-vos da luxúria, da malevolência, da mundanidade, da ignorância, do preconceito e do ódio. Se ocorresse em vós mudança tão radical, poderíeis cooperar para o advento de um mundo pacífico e sensato.

Segue: Talvez não podeis evitar a Terceira Guerra Mundial, mas podeis 1ibertar o coração e a mente da violência e das causas que geram a inimizade e repelem o amor. Haverá, então, neste mundo lúgubre, alguns homens puros de mente e de coração, de cujas obras germinará, por ventura, a semente de uma verdadeira civilização. Purificai vossas mentes e corações, pois é somente pelas vossas vidas e vossos atos, que poderá haver paz e ordem. Não vos percais na promiscuidade das organizações, mas conservai-vos solitários e singelos. (…) (Idem, ps. 26-27)

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