Esta é uma das questões mais importantes (…) Invariavelmente, desejamos achar um instrutor, um guia, para moldar a conduta de nossa vida; e, no momento em que vamos pedir a outrem uma norma de conduta, uma maneira de viver, criamos uma autoridade e a ela ficamos escravizados. Atribuímos a tal pessoa uma alta sabedoria, extraordinária ciência. E com essa atitude (…) gera-se, invariavelmente, o medo (…) E ela não determina também o disciplinamento de nós mesmos, de acordo com a autoridade de uma idéia ou pessoa? (Palestras na Austrália e Holanda, 1955, pág. 28)

Qual é a intenção de vossa busca? (…) Se a intenção é de encontrar a paz, encontrá-la-eis; mas não será a paz, pois vossa mente se verá torturada no próprio processo de achá-la e conservá-la. (…) Toda religião, toda organização, todo livro, instrutor, guru, vos diz que deveis ser bom, sujeitar-vos, ajustar-vos, aquiescer, disciplinar a mente para não divagar; e, por essa razão, há sempre restrições, repressão, medo. (…) (Visão da Realidade, pág. 220)

Ora, não vos parece de todo fútil essa busca? Estar-se cativo na gaiola de uma disciplina, o ser impelido de uma gaiola (…) para outra, isso, evidentemente, não tem significação alguma. Assim sendo, devemos investigar (…) por que buscamos. A busca pode ser um “processo” totalmente errôneo. Pode ser justamente um desperdício de energia (…) (Idem, pág. 220)

Nenhum guru nem sistema pode ajudá-los a se compreenderem a si mesmos. Sem a compreensão de si mesmos, não tem razão de ser o descobrir aquilo que constitui a ação correta na vida (…) que é a verdade. Ao investigar a própria consciência, se está investigando a totalidade da consciência humana – não só a própria – porque o indivíduo é o mundo e, quando se observa a própria consciência, está-se observando a consciência da humanidade; não é algo pessoal e egocêntrico. (La Totalidad de la Vida, pág. 199)

(…) Se nossa relação é a de um que dá instrução e de outro que a recebe e segue, nesse caso nunca fareis descobrimento nenhum, e sereis um mero seguidor. Não há então criação, renovação em vós mesmo. (…) (Poder e Realização, pág. 41)

Mas se, enquanto escutais, estais descobrindo como a vossa mente pensa, opera, funciona, (…) então, se descobris e compreendeis tal coisa, vossa presença aqui tem muita importância (…) Se, quando escutais, dá-se um despertar, uma revolução, (…) uma revolução interior, (…) psicológica, profunda, que vos traga uma compreensão mais ampla e mais significativa, então é importantíssima a vossa presença aqui. (Idem, pág. 41)

Ora, esta pergunta sobre se alguém necessita de um guru é repetida constantemente (…) Senhores, a vasta maioria de vós tendes gurus; essa é uma das coisas mais extraordinárias neste país. (…) O interrogante pergunta: “Um coração amante necessita de um guia?” – Estais compreendendo? Por certo, um coração amante não tem necessidade de guia algum, porque o verdadeiro amor é o real, é o eterno. (…) Mas a maioria de nós não tem um coração assim. Nossos corações estão sempre vazios (…) Nossos corações estão cheios das coisas da mente. E porque estão vazios (…), dirigimo-nos a outra pessoa para os encher. (…) (Da Insatisfação à Felicidade, pág. 90)

(…) E, uma vez que procurais satisfação, encontrais afinal um guru que vos satisfaça; mas o que ganhais não é a compreensão, não é a felicidade, não é o amor. Pelo contrário, destruís o amor. O amor é algo novo, eterno, de momento a momento. Nunca é o mesmo, nunca é como foi antes; e sem o seu perfume, sem a sua beleza, sem a sua bondade, procurar com a ajuda de um guru aquilo que podeis achar por vós mesmos, é de todo inútil. Nosso problema, portanto, não é se um guru visível ou invisível nos ajudará, mas, sim, como fazer nascer aquele “estado de ser” no qual conhecemos o amor. (…) E é só quando há liberdade que o eterno pode vir à existência. (Da Insatisfação à Felicidade, pág. 91-92)

A questão, pois, não é se o guru é necessário, mas, sim: por que precisamos dele? (…) Não queremos, realmente, compreender o que é a verdade, por isso buscamos o guru, a fim de que nos dê a satisfação que almejamos; (…) Quando escolhemos um guru porque estamos em confusão, esse guru também há de estar confuso (…) O compreender a si mesmo é essencial, e um guru digno desse nome terá de dizer-vos a mesma coisa. (…) O que buscamos não é a verdade, mas, sim, o conforto; e o homem que nos dá conforto, escravizamos. (Nosso Único Problema, pág. 11)

Pode a verdade ser transmitida a outrem? Posso fazer-vos a descrição de uma coisa já acabada, já passada e que, por conseguinte, já não é real; (…) mas não podemos comunicar-nos uns com os outros a respeito de uma coisa que não estamos experimentando. Toda descrição pertence ao passado, e não ao presente; (…) Conhecimento não é sabedoria. (…) O que pode ser descrito não é a verdade. A verdade tem de ser “experimentada”, momento a momento; (…) (Idem, pág. 11-12)

Um dos nossos numerosos problemas parece ser o da dependência – essa nossa dependência de pessoas, para nossa felicidade, dependência de capacidade, dependência que nos obriga a ficar apegados a alguma coisa. E a questão é: Pode a mente (…) estar totalmente livre de toda dependência? (…) (Transformação Fundamental, pág. 69)

Por que é que dependemos? Psicologicamente, interiormente, dependemos de uma crença, um sistema, uma filosofia; pedimos a outrem uma norma de conduta; procuramos instrutores, em busca de um modo de vida (…) certa esperança, certa felicidade. (…) Tem a mente possibilidade de libertar-se dessa idéia de dependência? Com isso não quero dizer que a mente deva conquistar a independência, o que só seria uma reação à dependência. (…) (Idem, pág. 69)

(…) Na verdade, penso que o problema não é a dependência; a meu ver, há outro fator mais profundo, que nos faz depender. (…) Qual é, pois, esse fator mais profundo? É a mente detestar e temer a idéia de estar só. (…) Dependo de alguém, psicologicamente, interiormente, por causa de um estado que estou tentando evitar. (…) Por isso, a minha dependência de uma pessoa – de quem desejo amor, estímulo, orientação – se torna imensamente importante (…) (Idem, pág. 71)

(…) Mas, se sou capaz de perceber o fator que é o meu depender de uma pessoa, de Deus, da oração, de certa capacidade, certa fórmula (…) – talvez então eu possa descobrir que tal dependência resulta de uma exigência interior, a que em verdade nunca prestei atenção, nem levei em conta. (Idem, pág. 71)

Considero (…) essa questão sumamente importante. Porque, enquanto aquela solidão não for realmente compreendida, sentida, penetrada, dissolvida (…), enquanto persistir esse sentimento de solidão, será inevitável a dependência, nunca seremos livres (…) (Idem, pág. 71)

Pergunta o interrogante: “Não sois vós mesmo um guru?” Podeis fazer de mim um guru, mas eu não o sou. Não quero ser guru, pela simples razão de que não há caminho para a verdade. (…) A verdade é uma coisa viva, e para uma coisa viva não há nenhum caminho – só para as coisas mortas pode haver um caminho. Porque a verdade não tem caminho, para a descobrirdes tendes de ser aventuroso, estar pronto para o perigo; e pensais que um guru vos ajudará a ser aventuroso, a viver no perigo? Se procurais um guru é porque não sois aventuroso (…) (A Arte da Libertação, pág. 123-124)

Vereis, então, como o desejo vos deixa conhecer todo o seu significado; e só quando compreendeis o conteúdo do desejo é que tendes liberdade. Em suma, (…) a especialização da psique significa morte. Se desejais conhecer a vós mesmos, não podeis recorrer a nenhum especialista, (…) livro, porque vós sois o vosso próprio mestre e o vosso próprio discípulo. (…) (Idem, pág. 138)

Cada um de nós deve ser, para si próprio, tanto o instrutor com aquele que é instruído. Isso só se torna possível quando se percebe a importância de vermos, de observarmos, por nós mesmos, as coisas tais como são. Em geral, estamos pouco cientes de nosso interior. Não sei se já observastes as pessoas que estão sempre a falar de si; da posição que a si próprias atribuem na vida. (…) (A Libertação dos Condicionamentos, pág. 10)

(…) Eu não sou vosso guru; porque, se me escolheis como guru, fareis de mim um novo meio de escape (…) A verdade é uma coisa que cumpre ser descoberta instante a instante, em cada movimento da vida. (…) (Que Estamos Buscando?, 1ª ed., pág. 37)

Em primeiro lugar, o seguidor destrói o guia. Seguir alguém não é achar a verdade. Se se quer compreender o que é a verdade, não pode haver nem seguidor nem instrutor. Não há guru que possa levar-nos à verdade, e seguir qualquer pessoa é negar aquela liberdade que a virtude confere. (…) Procurai perceber a verdade aí contida, isto é, que seguir a autoridade, de qualquer espécie que seja, é negar a inteligência. (Que Estamos Buscando?, 1ª ed., pág. 164)

Nós seguimos porque estamos em confusão, e, por causa de nossa confusão, escolhemos um guia; por conseguinte, o guia só pode estar confuso. (…) Escolheis o guru para satisfazer a vossa ânsia de segurança, e o que seguis é vossa própria “projeção”, vossa própria satisfação, e não a verdade. (…) (Idem, pág. 164)

Eu não tenho seguidores, nem tampouco sou instrutor de ninguém; se o fosse, vós me destruiríeis e eu vos destruiria. Em tal caso, não haveria amor entre nós, só haveria acompanhamento; porque os que seguem e os que conduzem não têm amor no coração. (Idem, pág. 164)

Pode a verdade ser transmitida a outrem? Posso fazer-vos a descrição de uma coisa já acabada, já passada, e que, por conseguinte, já não é real (…); mas não podemos comunicar-nos uns com os outros a respeito de uma coisa que não estamos experimentando. Toda descrição pertence ao passado, e não ao presente; o presente, por conseguinte, não pode ser descrito; e a realidade existe somente no presente. (…) (Nosso Único Problema, pág. 11-12)

Conhecimento não é sabedoria. Pode-se descrever, no nível verbal, conhecimento de fatos, mas é impossível descrever algo que está em constante movimento. O que pode ser descrito não é verdade. A verdade tem de ser “experimentada”, momento a momento; e se fordes ao encontro do dia de hoje com a medida de ontem, não compreendereis a verdade. (Idem, pág. 12)

Um guru, portanto, não é essencial. Muito ao contrário, o guru é um empecilho. O autoconhecimento é o começo da sabedoria. Nenhum guru pode dar-vos autoconhecimento; (…) Mas quando a mente, graças ao autoconhecimento, está livre de todos os empecilhos e limitações, então a verdade se manifesta. (Idem, pág. 12)

No que respeita aos guias, aos gurus, etc., vós os seguis por terdes um “motivo”, um incentivo, que é o vosso desejo de serdes felizes, de encontrardes Deus. Estais, por isso, sempre a buscar, e o guru, segundo se supõe, vos ajudará a achar. Mas pode um guru ajudar-vos a achar o que é real? A realidade deve achar-se fora da esfera do tempo, deve ser uma coisa totalmente nova, não contaminada pelo passado ou pelo futuro. (Visão da Realidade, pág. 119-120)

Se ela está fora do tempo, nesse caso a mente, resultado do tempo, nunca poderá achá-la. Enquanto estiverdes seguindo alguém com o fim de descobrirdes a realidade, Deus, estareis seguindo, tão só, os desejos da vossa própria mente. (…) Eis porque é importante não seguir ninguém, não ter gurus. Quando buscais, a vossa busca é resultado de vosso próprio desejo (…) Quando a mente não está buscando, quando se acha verdadeiramente quieta, completamente tranqüila, sem incentivo de espécie alguma, só então se apresenta aquela coisa que a mente não pode captar, que não pode ser encontrada nos livros, e que nenhum guru conhece; porque saber é não saber. (Idem, pág. 120)

Que necessidade há de um guru? Ele sabe mais do que vós? E, que sabe ele? Se diz que sabe, não sabe realmente (…) Pode alguém ensinar-vos aquele extraordinário estado da mente? Poderá descrevê-lo para vós, despertar o vosso interesse, vosso desejo de possuí-lo, de experimentá-lo – mas não vô-lo pode dar. Vós tendes de caminhar sozinho, tendes de viajar desacompanhado e, nessa jornada, ser vosso próprio mestre e discípulo. (A Outra Margem do Caminho, pág. 35)

Eles se tornam a autoridade e, de acordo com eles, o que tendes de fazer é apenas seguir, imitar, obedecer, aceitar a imagem, o sistema que oferecem. Desse modo, perdeis toda a iniciativa, toda percepção direta. Estais meramente seguindo o que eles pensam ser o caminho da verdade. Mas, infelizmente, não há nenhuma via de acesso à Verdade. (A Outra Margem do Caminho, pág. 36)

Os entes humanos são condicionados pela propaganda, pela sociedade em cujo meio foram criados – garantindo cada religião que o caminho que oferece é o melhor de todos. E há um milhar de gurus a sustentar, cada um deles, que seu método, seu sistema, seu modo de meditação é o único caminho conducente à verdade. (…) O homem inventou uma grande quantidade de caminhos, e por isso o mundo está todo fracionado. (Idem, pág. 36)

Pergunta: E difícil entender-vos, e acho mais fácil seguir as pessoas que compreenderam os vossos ensinamentos e nô-los podem explicar. (…)

Krishnamurti: Sempre que alguém deseja seguir, encontra um guia, e o segui-lo destrói a possibilidade de descobrir o que é verdadeiro. Quando a mente segue alguém, está seguindo o seu próprio interesse, que é de não compreender o que é verdadeiro. Por certo, não me estais seguindo, pois apenas tento mostrar-vos as operações da mente. Quando seguis alguém, não estais investigando as atividades da vossa própria mente (…) (Visão da Realidade, pág. 116)

Quando galgais uma encosta elevada e encontrais pelo caminho indicadores de direção, vós vos detendes para adorar esses indicadores, ou prosseguis a marcha, deixando-os para trás? Ponderai (…) Não há compreensão no culto das personalidades. Os rótulos que adorais carecem de significação (…) (Que o Entendimento seja Lei, pág. 5)

(…) Bem sei que tereis dúvidas sobre o que estou dizendo, (…) eu digo que a Verdade nada tem que ver com as personalidades mesquinhas e tirânicas que adorais (…) A Verdade transcende todas as graduações, porquanto essas graduações só existem por causa das limitações humanas. (Idem, pág. 5)

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