O modo de vida a que estamos habituados é o que se chama de “modo positivo”, porque podemos experimentá-lo, praticá-lo (…) repetidamente, baseados na imitação, no hábito, no seguir, no obedecer, no sermos treinados pela sociedade ou por nós mesmos. Tudo isso é atividade positiva, onde há conflito e aflição. (…) (Viagem por um Mar Desconhecido, pág. 149)

Primeiramente, gostaria de considerar isso a que se pode chamar “pensamento negativo”. Somos pouquíssimos os que pensamos negativamente, e o pensar negativo é a mais elevada forma de pensamento; é ver o falso como falso, ver o que é verdadeiro no falso, e ver o que é verdadeiro na verdade. (O Homem e seus Desejos em Conflito, 1ª ed., pág. 181)

Só é possível a compreensão quando não há comparação, nem julgamento, porém a simples percepção do fato real; e essa percepção é pensar negativo. (Idem, pág. 191)

(…) Por pensamento positivo entendo a aceitação da experiência de outros, ou nossas próprias experiências, sem compreendermos a mente condicionada que pensa. Propriamente falando, todo o nosso pensar está atualmente baseado no nosso background – a tradição, a experiência, o saber (…) acumulado. (…) (Da Solidão à Plenitude Humana, pág. 23)

O método positivo busca uma explicação para o problema, sua racionalização, a maneira de fugir-lhe ou de fazer a coisa para não ficar preso em sua rede. É o que fazemos em nossa vida diária. A esse processo chamo “pensar positivo”; ele é uma reação ao problema. (O Passo Decisivo, pág. 70)

Examinaremos (…) Não estou empregando as palavras “positivo” e “negativo” em sentidos opostos. Os mais de nós pensamos positivamente, acumulamos, adicionamos; ou, quando achamos conveniente, proveitoso, subtraímos. O pensamento positivo é imitativo, acomodatício, ajustando-se ao padrão da sociedade ou àquilo que deseja; (…) Para mim, tal pensamento não conduz a parte alguma. (O Passo Decisivo, pág. 172)

Deveis ter notado que o intelecto está constantemente muito ativo, constantemente reagindo; o intelecto tem de reagir, senão morre. E, no seu reagir, ele cria “processos” positivos a que chama “pensar”; e todos esses processos são defensivos, mecânicos. (…) (O Passo Decisivo, pág. 173)

Quando há atenção completa, nunca considerais coisa alguma com distração. (…) É no movimento positivo da mente que existe a distração, a fragmentação; mas quando a mente nenhum movimento tem e, por conseguinte, é negativa (…) a vida não se fragmenta. (…) Mas só se pode compreender essa totalidade quando cessa todo movimento positivo da mente. (A Mente sem Medo, pág. 73)

Mas o pensamento negativo não é o oposto do pensamento positivo; constitui um estado, um processo completamente diferente; (…) Pensar negativamente é desnudar a mente de todo; (…) é quietar o intelecto, o repositório de reações. (O Passo Decisivo, pág. 172-173)

O mais importante é manter o intelecto plenamente desperto e sensível, sem reagir; por essa razão, considere necessário pensar negativamente. Poderemos depois apreciar isso (…) mas (…) vereis que o pensamento negativo não implica esforço algum, ao passo que o pensamento positivo exige esforço; e esforço é conflito e implica consecução de objetivo, repressão, contradição. (Idem, pág. 173)

(…) Assim como amor não é o oposto de ódio, assim também esse “negativo” não é o oposto de “positivo”, que é exame, análise, esforço para alterar o padrão existente ou para ajustar-se a um padrão diferente. Tudo isso consideramos “positivo”; e o “negativo” de que falamos não é o oposto disso. Não é, tampouco, uma síntese. Síntese implica reunião dos opostos, mas isso produz novo conjunto de opostos. O “negativo” de que falamos é a total rejeição dos opostos. (…) e só nesse estado de negação a mente pode ser “inocente”. Essa é a mente verdadeiramente religiosa. (…) (O Homem e seus Desejos em Conflito, 1ª ed., pág. 93-94)

Estamos, pois, conscientes desse processo positivo (…) Percebemos esse fato distintamente (…); e começamos, assim, a compreender a beleza do movimento negativo – o movimento negativo da mente, que não é o oposto de positivo, porém se torna existente quando a mente compreendeu o significado do movimento positivo. (A Mente sem Medo, 1ª ed., pág. 71)

Nossa mente, pois, já não está presa ao movimento positivo e se acha, por conseguinte, num estado de negação. Isto é, percebendo – não fragmentariamente, porém completamente – o significado do movimento positivo, a mente já não está agindo, atuando; por conseguinte, encontra-se num estado que se pode denominar “negativo” (…) (Idem, pág. 71)

Que é “negativo” e que é “positivo”? (…) Ser guiado parece positivo, construtivo, e, aos que foram condicionados para seguir, a verdade de que seguir é uma coisa má, parece negativa, destrutiva. A verdade é a negação do falso e não do oposto do falso. A verdade é de todo diferente do “positivo” e do “negativo”, e a mente que pensa em termos de opostos nunca será capaz de percebê-la. (Reflexões sobre a Vida, pág. 204)

Para responder a essa pergunta de maneira completa, temos de pensar negativamente, porque o pensar negativo é a forma mais alta do pensar. O mero pensar positivo significa ajustamento a um padrão, e, portanto, não é pensar – é a adaptação a uma idéia, e toda idéia é apenas produto da mente e, por conseguinte, irreal. (…) (A Arte da Libertação, pág. 179)

Ora, eu sinto que existe uma maneira negativa de proceder, a qual não é reação, nem o oposto do método positivo. (…) Para mim, tal maneira de proceder (formas de fuga) não nos ajuda a libertar-nos do conflito. E eu acho que existe uma maneira que não é a maneira positiva, (…) porém, antes, um processo negativo de compreensão, e não de reação. (…) (O Passo Decisivo, pág. 71)

O exame dessa questão requer não só o ato de escutar, mas também o ato de perceber, de ver. (…) Para ver uma coisa mui claramente, ver uma rosa, uma árvore ou seus problemas pessoais, a pessoa deve olhar negativamente. “Olhar negativamente” uma coisa significa olhá-la sem permitir que seja deformada pelo preconceito, pela opinião, a experiência, o saber – pois tudo isso impede-nos o olhar. (Encontro com o Eterno, pág. 36)

A humildade provém da negação e, sem humildade, não há entendimento. Na compreensão negativa começamos a perceber a possibilidade (…) de concórdia (…), de relações superiores e de mais elevado pensar. Quando a mente está criadoramente vazia, e não quando se acha dirigindo positivamente, há realidade. As grandes descobertas, todas, nascem dessa vacuidade criadora, que só pode ocorrer ao cessar a contradição própria. (…) (Autoconhecimento, Correto Pensar, Felicidade, pág. 31)

Ao empregar os termos “positivo” e “negativo”, não o faço opondo um ao outro. Principiando a entender aquilo que chamamos de positivo, produto da ignorância, veremos surgir daí uma segurança na negação. Procurando-se compreender a natureza contraditória (…) do “eu” e de “o meu”, com seus desejos e renúncias positivas, sua persecução e morte, nasce a vacuidade tranqüila, criadora. Ela não é o resultado de ação positiva ou negativa, mas, sim, um estado isento de dualidade. Só quando a mente-coração está tranqüila, criadoramente vazia, é que há realidade. (Autoconhecimento, Correto Pensar, Felicidade, pág. 31)

A capacidade de ver o todo deriva do ato de negar. Este não é o oposto do pensar positivo, visto que todo oposto contém o seu contrário. Portanto, o ato de negar não admite oposto. Ao negar, o cérebro torna-se apto a perceber o todo e cessa de interferir, com suas condenações e resistências (…) (Diário de Krishnamurti, pág. 103)

Mas, como é importante negar; negar sem desejar recompensa, negar sem alimentar a amargura e a esperança, nascidas da experiência e do saber. Negar é ficar só, sem ocupar-se com o amanhã. Da destruidora revolta surge a inocência do ser. É fundamental ficarmos sós, livres de qualquer padrão, (…) método, (…) experiência, único meio capaz de libertar a consciência do jugo do tempo. Nesse estado, se eliminam, pela compreensão, todas as formas de influência, fazendo-se cessar o movimento temporal do pensamento. A negação do tempo é a essência da eternidade. (Diário de Krishnamurti, pág. 67)

Assim, que se deve fazer? Dissemos que a reação do “velho cérebro” é imitativa, que nada do que ele faz constitui solução. E a essa reação do passado é que chamamos de atividade positiva da vida – a qual só gera mais confusão e mais conflito. (…) Em conseqüência, toda ação positiva tem de cessar de todo; isso significa que o velho cérebro tem de ficar num estado completamente negativo, quer dizer, completamente quieto. (…) O velho cérebro só pode quietar-se observando suas atividades à luz de seu próprio percebimento. (…) (Viagem por um Mar Desconhecido, pág. 49)

Após investigar (…) Ora, quando a mente se acha num estado de completa negação, podeis abeirar-vos de todos os vossos problemas de maneira nova, e ver que podem ser resolvidos total e completamente; porque foi a própria mente que esteve criando o problema. Esteve tratando de cada problema separadamente, fragmentariamente (…) Mas, quando a mente está toda quieta, negativamente vigilante, não tem problemas de espécie alguma. (O Descobrimento do Amor, pág. 135-136)

E o novo só pode surgir da negação e não da asserção positiva do que foi. E só pode tornar-se existente o novo quando há aquele vazio total, que é o amor real. Descobrireis então, por vós, mesmo, o que é ação isenta de conflito (…); essa é a renovação de que a mente necessita. Só quando a mente se tiver renovado por meio do amor, o qual é a total negação (isenta de sentimentalismo, devoção ou obediência) da maneira de vida ditada pelo pensamento positivo, só então poderá ela construir um novo mundo, um novo estado de relação. E só então estará capacitada para ultrapassar todas as limitações e ingressar numa dimensão totalmente diferente. (Viagem por um Mar Desconhecido, pág. 152)

O inconsciente, que é “o oculto”, tem de ser considerado negativamente. Entendeis o que quero dizer com “método negativo” e “método positivo”? Quando temos um problema, a maioria de nós a ele se aplica positivamente, e isso significa que procuramos modificar “o que é”, de acordo com certo padrão. Como somos pessoas “positivas”, nossa maneira de considerar o inconsciente é também positiva (…) (O Homem e seus Desejos em Conflito, 1ª ed., pág. 130-131)

Estar cônscio de uma coisa negativamente – como, por exemplo, o agitar-se daquela cortina ou o murmúrio daquele ribeiro – é olhá-la e escutá-la sem resistência, sem condenação, sem rejeição. Do mesmo modo, é possível ficarmos cônscio, “sem escolha”, da totalidade do inconsciente – e esse é o percebimento negativo. Mas esse estado de negação não é o oposto do “positivo”; nada tem que ver com o positivo, porquanto não é uma reação. (Idem, pág. 131)

Rejeitar a experiência e o conhecido é penetrar no desconhecido. É de efeito imediato, explosivo, o negar; não se trata de mero exercício intelectual (…) No próprio ato de negar há energia, a energia da compreensão, que jamais cede diante do medo e do conformismo. (Idem, pág. 67-68)

É devastadora a negação; ela não mede conseqüências, nem exprime uma reação, não sendo, assim, o oposto da afirmação. Asseverar, no sentido positivo ou negativo, ainda é reação, que não significa negar. Na contestação não há escolha e, portanto, ela não surge do conflito. A libertação do conhecido decorre da completa negação do pensamento, da idéia e da palavra. Nasce o amor da total recusa à sentimentalidade e à emoção. O amor transcende o pensamento e o sentimento. (O Diário de Krishnamurti, pág. 68)

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