Se, quando escutais (…), fazeis algum esforço, isto é ainda resultado do conhecido. (…) Notai que todo conhecimento, toda experiência fortalece a vontade, o conhecido, o “eu”, o “ego”, e que essa vontade, esse “eu” nunca pode perceber claramente o que é verdadeiro, jamais achar a Deus (…) porque seu Deus é o conhecido. (Viver sem Temor, pág. 17)

Só quando o espírito se encontra num estado de correspondência com o desconhecido, só então há a possibilidade de criação, que é a Verdade. (…) (Idem, pág. 17)

Se pensais que sois uma entidade espiritual ou realidade, o que significa isso? Não implica um estado imortal fora do tempo que é eterno? Se ele é eterno, então não tem crescimento; pois aquilo que é capaz de crescimento não é eterno. (…) (Palestras em Ojai e Sarobia, 1940, pág. 95)

(…) Se essa essência espiritual é supostamente amor, inteligência, verdade, então como pode ser cercada por essas trevas que confundem (…)? (Idem, pág. 95)

(…) E, todavia, esta mente está em busca de alguma realidade que evidentemente deve achar-se fora do tempo; (…) Sendo a mente o único instrumento com que podemos sentir, experimentar, é fora de dúvida que, no movimento de experimentar a Realidade, a mente é da mesma qualidade que a Verdade, o Atemporal, não achais? (Poder e Realização, pág. 70)

(…) Onde estais, aí está Ele, e onde estou, aqui Ele está; e quando alguém tem vivido o gozado nesse Reino, está com Ele. Porque tereis encontrado a vós mesmos, tereis encontrado o verdadeiro “Eu”; e uma vez que o tenhais encontrado, podereis sempre voltar à Fonte. (O Reino da Felicidade, pág. 83-84)

Tendes então a chave de todo o conhecimento, tendes sempre o poder de ser parte da Eterna Compaixão, da Fonte Eterna de todas as coisas.(…) (Idem, pág. 84)

(…) Tal força, tal poder para a luta, tal poder de dar energia para a criação, é o Reino da Felicidade. Se um homem encontrar tal força e ao mesmo tempo tal alegria, tal luta e ao mesmo tempo tal êxtase na vida, tal crescimento e ao mesmo tempo a forma perfeita – tal homem descobrirá que tem dentro de si um Companheiro Eterno, (…) (Idem, pág. 91)

(…) Sois o templo externo, e ardendo dentro de vós está o Eterno, o Santo dos Santos, no qual podereis entrar e adorar à vontade, longe do mundo, (…) de todos os tumultos e perturbações. (O Reino da Felicidade, pág. 25)

(…) Mas todos são feitos pelas mesmas mãos, (…) com a mesma argila, (…) produto da mesma roda que gira e gira. Na essência nós somos iguais, mas no mundo da forma somos diferentes; e de acordo com essas diferenças varia a nossa compreensão da Verdade. Quanto maiores fordes, quanto mais houverdes sofrido, (…) mais houverdes gozado, mais próximos estareis da unidade com essa Essência. (…) (Idem, pág. 65)

(…) Já expliquei o que entendo por individualidade: o estado em que a ação se realiza com entendimento, libertada de todos os padrões – sociais, econômicos ou espirituais. É a isso que chamo verdadeira individualidade, por ser ação nascida da plenitude do entendimento (…). (Coletânea de Palestras, 1930-1935, pág. 52)

Todos vós deveis entrar nesse Reino da Felicidade. (…) Aquele a quem adoramos é o nosso Altar, (…) a Fonte de todas as coisas. Ele está acima de argumentos, (…) de discussões, de ambições pessoais, de lutas pessoais; Ele é o nosso “Eu”. (…) (O Reino da Felicidade, pág. 70)

Enquanto puderdes (…) só podeis refletir a pureza desse Reino quando houverdes encontrado o vosso verdadeiro Ser (Self), quando viverdes eternamente nesse Reino e O tiverdes como Eterno Companheiro. Então tereis em vós essa paz que dá imensa força e poder (…) Aquela Voz que está sempre chamando, (…) (Idem, pág. 89)

(…) Ó Amado,/ O Ser do qual tu és o todo,/ Procura o caminho do iluminado êxtase. (A Canção da Vida, 4ª ed., 1982, III, 2, pág. 10)

(…) Ó Amado,/ O Ser do qual tu és o todo,/ Dança a Canção da Eternidade. (Idem, 111, 4, pág. 10)

(…) Ó Amado, o Ser do qual tu és a totalidade,/ Está em fusão para unir-se ao incorruptível. (Idem, III, 6, pág. 11)

O Ser, o Amado,/ A oculta e integral beleza,/ É a imortalidade do amor. (Idem, VI, 3, pág. 15)

Ó Vida, Ó Amado,/ Só em ti está o perene amor,/ Só em ti reside o eterno pensamento. (Idem, XXV, 3, pág. 43)

(…) Ó Amado,/ O Ser do qual tu és o todo,/ Marcha para o centro de todas as coisas. (Idem, III, 3, pág. 10)

Ó amigo!/ Procura o Amado,/ Nos secretos recessos do teu coração./ (…) (Idem, XXI, 3, pág. 35)

Inteligência, para mim, não é o conhecimento tirado dos livros. Podeis ser mui eruditos e, apesar disso, estúpidos. Podeis haver lido muitas filosofias e, apesar disso, desconhecer a beatitude do pensamento criativo, o qual somente pode existir (…) pelo constante apercebimento das coisas estúpidas do passado e das que estiverem sendo criadas. Somente então virá à existência o êxtase do que é verdadeiro. (Palestras em New York City, 1935, pág. 21)

(…) Tendes pois de estar enamorados da Vida. Isso exige grande inteligência, não informações ou conhecimentos, porém essa grande inteligência que desperta quando defrontais a Vida abertamente, completamente, quando a mente e o coração estiverem por completo vulneráveis em face da Vida. (Idem, 1935, pág. 60)

(…) A vida é o desconhecido, assim como a morte é o desconhecido, como a verdade é o desconhecido. A vida é o desconhecido; mas nós nos aferramos a uma insignificante expressão dessa vida, e isso a que nos apegamos é simples memória, (…). A mente se apega a essa coisa vazia, chamada memória, e memória é a mente, o “eu”, (…) (A Arte da Libertação, pág. 131)

Assim, pois, depende da mente que a Verdade seja absoluta ou eterna. (…) Mas a mente que está cônscia de tudo o que se passa interiormente, e percebe a verdade aí contida, essa mente é atemporal; só essa mente pode saber o que existe para além das palavras, dos nomes, do permanente e do transitório. (Novos Roteiros em Educação, pág. 142-143)

(…) Quando o “eu” já não está lutando, consciente ou inconscientemente, para tornar-se algo, quando o “eu” está de todo inconsciente de si mesmo, nesse momento se verifica aquele estado de devoção, aquele estado de Realidade. Nesse momento, a mente é o Real, é Deus. (…) (Poder e Realização, pág. 71)

(…) Não há então, no centro, uma revolução, uma transformação fundamental? (…) Então, não há mais temor. A mente, em si mesma, é o desconhecido; é o novo, “o não contaminado”. Por conseguinte, é o Real, o incorruptível, independente do tempo. (Idem, pág. 73)

O adestramento do intelecto não produz inteligência. Antes, a inteligência surge quando se age em perfeita harmonia, intelectual e emocionalmente. (…) O intelecto é o mero pensamento funcionando independentemente da emoção (sentimento).

Quando o intelecto, divorciado da emoção (sentimento), é adestrado numa direção particular, pode-se ter grande intelecto, mas não se tem inteligência, porque na inteligência há a capacidade inerente de sentir tanto como a de raciocinar, (…) intensa e harmoniosamente. (Palestras na Itália e Noruega, 1933, pág. 125)

(…) Inteligência é o resumo de vossas experiências, que vos proporciona, não somente a razão, mas também essa outra capacidade que se denomina intuição. (Coletânea de Palestras, 1930-1935, pág. 16)

(…) A mente, porém, que só quer “vir a ser” não pode compreender o “ser”. É a compreensão do “ser”, (…) daquilo que somos, que produz uma extraordinária exaltação, a libertação do pensamento criador, da vida criadora. (Debates sobre Educação, pág. 97)

(…) Inteligência é a verdade, a plenitude, a beleza e o amor mesmo. E nenhum mestre, nem disciplina alguma, vos conduzirão a ela. (…) (A Luta do Homem, pág. 89)

Eu vos asseguro que, quando houver completa nudez, completa falta de esperança, então num momento assim, de vital insegurança, nascerá a chama da suprema inteligência, a beatitude da verdade. (Palestras em New York City, 1935, pág. 24)

Há duas espécies de vontade – a vontade que nasce do desejo, da carência, do anseio, – e a vontade do discernimento, da compreensão. (Palestras em Ojai, Califórnia, 1936, pág. 94)

A vontade resultante do desejo, baseia-se no esforço consciente de aquisição, (…). Este esforço consciente ou inconsciente de querer, de ansiar, cria a totalidade do processo do “eu”, e daí surgem o atrito, a tristeza e a cogitação do além. Desse processo surge também o conflito entre os opostos.(…) (Idem, pág. 94-95)

O que estou dizendo é que, para viver com grandeza, para pensar criativamente, tem o indivíduo de estar por completo aberto à vida, isento de quaisquer reações autoprotetoras (…). Tendes pois de estar enamorados da vida. Isto exige grande inteligência, (…) (Palestras em New York City, 1935, pág. 60)

(…) Não há respostas para a vida; a vida é uma “coisa viva”, de momento a momento, e o homem que busca uma resposta para a vida está buscando a estagnação da mediocridade. (…) (As Ilusões da Mente, pág. 44)

A vida é como o rio – fluente, célere, fugitiva, sempre em movimento. Ides ao encontro da vida com o pesado fardo da memória, da experiência; e por isso, naturalmente, nunca tendes contato com a vida. Vosso contato (…)e, gradualmente, o saber e a experiência se tornam os fatos mais destrutivos da vida. (Novos Roteiros em Educação, pág. 149-150)

(…) Por certo, uma vida que tem significação, que contém as riquezas da verdadeira felicidade, não pertence ao tempo. Como o amor, a vida é atemporal; (…) (A Arte da Libertação, pág. 160)

(…) A vida, o amor, a realidade são sempre novos e são necessários mente e coração viçosos para compreendê-los. O amor é sempre novo, mas esse frescor é estragado pelo intelecto mecânico, com as suas complexidades, ansiedades, ciúmes e assim por diante. (Palestras em Ommen, Holanda, 1937-1938, pág. 112-113)

O amor não pertence ao tempo, não é alcançável por meio de esforço consciente, (…) de disciplina, de identificação, pois tudo isso faz parte do processo do tempo. A mente, que só conhece o processo do tempo, não pode reconhecer o amor. O amor é a única coisa eternamente nova. (…) (A Primeira e Última Liberdade, 1ª ed., pág. 126)

Nossa questão (…). Onde há ação do “eu” há amor. O amor não é do tempo, não podeis praticar o amor, pois isso seria uma atividade consciente do “eu”, que espera, por meio do amor, alcançar um resultado. (Quando o Pensamento Cessa, pág. 211)

(…) Uma vez que os mais de nós temos cultivado a mente, (…) não sabemos o que é o amor. Falamos a respeito do amor; (…) mas, no momento em que estou consciente de que amo, entrou em atividade o “eu” e, conseqüentemente, o amor deixou de existir. (Idem, pág. 211-212)

O amor não pode ser cultivado. Só encontrareis o amor nas relações; (…) quando existe o amor, que é a sua própria eternidade, não há então a busca de Deus, porque o amor é Deus. (A Arte da Libertação, pág. 195)

Ora, não há vontade divina, mas apenas a vontade simples, comum, do desejo: a vontade de obter sucesso, de estar satisfeito, de ser. Essa vontade é uma resistência, e é fruto do medo, que guia, escolhe, justifica, disciplina. Essa vontade não é divina. Ela não está em conflito com a chamada vontade divina, mas (…) é uma fonte de tristeza e de conflito, porque é a vontade do medo. Não pode haver conflito entre a luz e a treva; onde existe uma, não existe a outra. (…) (Palestras em Ommen, Holanda, 1937-1938, pág. 103)

(…) Se assim estiverdes apercebidos, há uma nova espécie de vontade ou de compreensão, que não é a vontade do conflito ou da renúncia, mas da plenitude, que é divina. Esta compreensão é a aproximação da realidade, que não é produto da vontade de conseguir, da vontade da ansiedade e do conflito. A paz é dessa totalidade, dessa compreensão. (Palestras em Ojai e Sarobia, 1940, pág. 27-28)

(…) Quando começardes a discernir, por meio da experiência, como a ação nascida da carência cria sua própria limitação, então haverá mutação de vontade. Até então há apenas mudança na vontade. É a atividade automantenedora da ignorância (…). A mudança fundamental de vontade é inteligência. (Palestras em Ommem, Holanda, 1936, pág. 17)

Nota: Segundo várias fontes, orientais e ocidentais, incluindo Escrituras, formam o espírito e seu campo a mente abstrata, atemporal, respectiva inteligência (manas sem kâma); amor, sabedoria, puro, vida, buddhi, origem da intuição; e vontade, unidade divina (atam). Foram aqui reunidos textos pertinentes, de Krishnamurti.

Fechar Menu