Falamos (…) e agora desejo examinar mais profundamente a questão da energia – necessidade de uma energia não criada pelo conflito ou pela resistência. Essa energia é de suma importância, porque dela necessitamos para podermos penetrar com profundeza naquele estado que transcende toda experiência (…) (O Homem e seus Desejos em Conflito, 1ª ed., pág. 139)

(…) Mas existe, inquestionável e indubitavelmente, além da razão e da inteligência, uma energia que se manifesta quando é eliminado o conflito, de qualquer espécie que seja. O próprio conflito gera certa forma de energia, nascida da reação, da resistência, da repressão, da contradição, mas é necessário que o conflito desapareça total e completamente, para que se torne existente aquela outra energia. (Idem, pág. 139)

Não há atenção sempre que há qualquer espécie de resistência. Não há atenção, se há esforço ou luta para compreender. Se desejais compreender algo, deveis aplicar-lhe vossa atenção completa. Para vos tornardes cônscios de todo o conteúdo do que se vai dizer, impende que vosso corpo, vossa mente, vossas emoções, todo o vosso ser se devote a esse fim. E então, esvaziando a mente de seu total conteúdo, descobrireis por vós mesmos que se manifestará uma extraordinária energia. (…) (O Homem e seus Desejos em Conflito, 1ª ed., pág. 140)

Há dois tipos de energia. Há a energia que se gera pela resistência, pela contradição, pelo conflito em nossas diárias relações (…) E há outro tipo de energia, que não é produto de resistência, contradição, conflito; mas não se pode saltar de um tipo para o outro, sem se compreender o conflito (…) Esse outro tipo de energia só se torna possível com a total cessação do conflito. (Idem, pág. 141)

Evidentemente, todos temos energia física e mental em variados graus. (…) A energia física, naturalmente, é necessária; mas estamos agora falando sobre a energia mental, sem a qual não podemos ter uma mente penetrante, clara, capaz de pensar sadiamente, sem tendências ou ambigüidades, sem idéias fantásticas, românticas ou ilusórias. E só pode haver essa energia, essa clareza mental, quando não há conflito de espécie alguma. (Idem, pág. 141)

(…) E essa energia nos chega mediante os alimentos, ( … ) os raios solares. Essa energia física de que nos suprimos diariamente pode naturalmente ser aumentada com alimentação adequada, etc. Ela, de certo, é necessária. Mas essa mesma energia, que se converte em energia psíquica, em pensamento, é desperdiçada quando, nela própria, há alguma contradição. (Uma Nova Maneira de Agir, pág. 120)

Tende a bondade de prestar atenção. (…) Se não procedermos logicamente, sãmente, racionalmente, não alcançaremos aquela força tremenda, a energia em sua mais alta potência, na qual – e só nela – existe o movimento sem tempo. E desperdiçamos nossa energia, essa energia psíquica, a energia que produz o pensamento, (…) que armazena lembranças, (…) que são memórias (…) (Idem, pág. 120)

Sempre que essa energia se choca com uma contradição, e não a compreende e dela se liberta, essa energia se dissipa, se desperdiça (…) Quando falamos rudemente com outra pessoa, e posteriormente nos arrependemos de o ter feito, esse arrependimento é desperdício de energia (…) (Idem, pág. 120)

(…) Todo trabalho requer energia, energia física, e essa energia física cria aflições, com seus alvos ambiciosos, e produz conflitos psicológicos. (…) Esses conflitos produzem diferentes formas de fuga, contradições e uma certa base de segurança, que não temos vontade de abandonar. (…) A energia que atualmente estamos despendendo está causando muitos males e aflições. Enquanto ela não se focar correta e completamente, será forçosamente nociva. (…)(Encontro com o Eterno, pág. 32)

Socialmente, fazemos esforços, movidos por ambição, avidez, inveja; o ódio, o desejo de prazer, e tais esforços, são desperdício de energia. (…) E sexualmente, o mesmo processo se torna um tremendo problema para a maioria das pessoas. (…) (Idem, pág. 121-122)

Em geral, temos pouquíssima energia; gastamos nossa energia no conflito, na luta, desperdiçando-a de diversos modos; não só sexualmente, mas também grande porção de nossa energia é desperdiçada em contradições e na fragmentação de nós mesmos, produtora de conflito. O conflito, positivamente, é um grande desperdício de energia; reduz a “voltagem”. Não só a energia física é necessária, mas também o é a energia psicológica, que requer uma mente sobremodo lúcida, lógica, sã, não deformada, e um coração em que não haja nenhuma espécie de sentimentalidade, (…) emoção, mas abundância de amor e de compaixão. (…) (Fora da Violência, pág. 45)

Em nossa vida há conflito e desperdício de energia, energia de que necessitamos, em grande abundância, para resolvermos cabalmente os nossos problemas. Considerai o enorme desperdício que há no falar incessantemente a respeito de nada, no distrair-se continuamente com leituras; e, exteriormente, quanto desperdício de energia na produção de armamentos (…) (A Essência da Maturidade, pág. 31)

Necessitamos de energia para resolver os numerosos problemas de nossa vida e, no entanto, desperdiçamos energia no conflito entre a idéia e a ação. Havendo “ideação” – um ideal ou uma fórmula segundo a qual atuamos, vivemos – há então um intervalo entre a “ideação” e o ato: nesse intervalo há conflito, causador de desperdício de energia. (…) (A Essência da Maturidade, pág. 30)

Se não há “ideação” de espécie alguma, nenhum ideal ou modelo, (…) padrão ou fórmula – não há então contradição ou conflito e, em conseqüência, acumula-se energia. (…) Nossa vida se tornou mecânica, “imitativa” e um caldo-de-cultura da contradição entre o que é e o que pensamos deveria ser. (Idem, pág. 30)

Para a criação de uma boa sociedade, os entes humanos precisam mudar. Vós e eu temos de achar a energia, o ímpeto, a vitalidade necessária para operar essa radical transformação da mente, que não é possível se não temos suficiente energia. Necessitamos de muita energia para operar uma mudança em nosso interior; entretanto, desperdiçamos toda a nossa energia em conflitos, resistência, ajustamento, aceitação, obediência. (…) Para conservarmos energia, temos de estar atentos a nós mesmos, à maneira como estamos dissipando energia. (…) (Encontro com o Eterno, pág. 59)

Todo movimento do pensamento, toda ação exige energia. Tudo que fazeis ou pensais requer energia, e essa energia pode dissipar-se por efeito do conflito, de pensamentos desnecessários e atividades sentimentais e emocionais. A energia se dissipa com o conflito, que surge na dualidade, no “eu” e “não eu”, na separação entre o observador e a coisa observada, entre o pensador e o pensamento. Quando cessa o desperdício, há uma qualidade de energia que se pode chamar “percebimento” – percebimento sem avaliação, julgamento, condenação ou comparação; (…) (A Luz que não se Apaga, pág. 158)

Examinemos com vagar esse problema do desejo. O desejo, afinal, é energia, energia dirigida para o exterior, e, sendo (…) dominador, potente, a sociedade procura controlá-lo e moldá-lo. A sociedade é produto desse mesmo desejo, o qual procura ajustar-se (…) (Visão da Realidade, pág. 155)

Nessas condições, aquela energia dirigida para o exterior esbarra numa muralha de moralidade social (…) e volta para dentro, ao seu ponto de partida. Esse retrocesso não é um movimento livre: é simples reação. Isto é, a energia que tende a exteriorizar-se, ao chocar-se (…) produz interiormente uma reação (…) (Idem, pág. 156)

Superficial ou profundo, esse movimento para dentro é sempre uma regressão, e todo esse “processo”, esse movimento de energia “para dentro”, é o movimento do “eu”, do “ego”. (Idem, pág. 156-157)

Tende a bondade de escutar (…) Quando o pensamento diz: “Preciso reprimir, moldar, disciplinar o desejo, canalizar a energia, a fim de torná-la eficiente, moral, socialmente respeitável, etc. – nesse mesmo processo a energia é diminuída e destruída; e nós necessitamos de uma espantosa soma de energia livre, energia não disciplinada para descobrirmos o que é verdadeiro, o que é Deus. Releva, pois, não reprimir, sublimar ou controlar o desejo, mas, sim, que esse movimento “para dentro” e “para fora” do desejo finde totalmente. (Visão da Realidade, pág. 157)

Se nenhum conflito tenho, terei a meu dispor uma extraordinária carga de energia. (…) A maior parte de nossa energia se dissipa no conflito, na incessante batalha que travamos dentro de nós e com os nossos semelhantes. Se esse conflito termina, que acontece com essa energia enormemente acrescentada? Obviamente, isso a pessoa descobrirá por si própria, quando o conflito terminar (…) (O Homem e seus Desejos em Conflito, 1ª ed., pág. 43)

Ora, que se entende por energia? Conhecemos a energia gerada pelo conflito. Um homem ambicioso impele a si próprio, luta tenazmente para atingir o seu alvo, e isso gera certa qualidade de energia, dureza; todos sabeis o que a ambição implica. Mas, quando a ambição cessa totalmente, (…) existe uma energia que nada tem em comum com a energia própria do conflito. (Idem, pág. 43-44)

A energia do conflito, da competição, do ódio, não pode, evidentemente, comparar-se à energia da afeição; (…) a afeição ou o amor não é o oposto do ódio. Quando existe a abundante energia oriunda da libertação de todo conflito, a pessoa poderá continuar a exercer o seu emprego (…), negócios; ou poderá despender essa energia de maneira totalmente diferente. (Idem, pág. 44)

O homem tem feito uso da energia, a qual, afinal, é “vontade”; essa vontade cria conflito, que também é energia. E o homem tem vivido em conflito e tem aceito o conflito como parte necessária da vida (…) O homem vive em conflito há dois milhões de anos; por conseguinte, já nos acostumamos com ele (…) (Viagem por um Mar Desconhecido, pág. 104)

Toda coisa viva é força, energia, única para si mesma. Essa força ou energia cria seus próprios materiais, que podem ser chamados corpo, sensação, pensamento ou consciência. Essa força ou energia, em seu desenvolvimento auto-ativo, torna-se consciência. Disso surge o processo do “eu”, o movimento do “eu”. Depois começa o turno da criação da sua própria ignorância. O processo do “eu” principia e continua na identificação com as suas limitações autocriadas. O “eu” não é uma entidade separada, como a maioria de nós pensa; é ambas as coisas: a forma da energia e a própria energia. (…) Porém, mediante apercebimento e compreensão constantes, esse processo do “eu” pode chegar a termo. (Palestras em Ojai, 1936, pág. 30-31)

Vede, senhor! Energia é vida. Tudo que fazemos, que pensamos, que sentimos, faz parte daquela energia. Privados de energia, estaríamos mortos. Mas aquela energia está a criar conflito a todas as horas. (…) Nossos pensamentos, (…) sentimentos, (…) ambições, e tudo que fazemos, geram conflito. É possível libertar essa energia, de modo que nesse próprio ato cesse o conflito? (Viagem por um Mar Desconhecido, pág. 104)

Essa questão exige intensa percepção, vitalidade, energia. Examiná-la passo a a passo, como o fizemos, sem perder nenhuma particularidade, requer uma energia tremenda. Vejamos, agora, como se torna existente essa energia. (…) Para se fazer qualquer coisa, a energia é necessária, e essa energia pode ser dissipada, desperdiçada de diferentes maneiras. Perguntamos, pois: pode essa energia de que necessitamos (…) para exercermos uma profissão, discutirmos, (…) brigarmos, funcionarmos sexualmente – pode essa energia ser intensificada e mantida completa, sem sofrer nenhuma deformação? (O Novo Ente Humano, pág. 54)

Devemos estar bem esclarecidos a esse respeito, a fim de não misturarmos as duas espécies de energia: elas não podem misturar-se. Quando cessa a energia do conflito, então talvez se venha a conhecer uma diferente espécie de energia. Essa energia, e nenhuma outra, é que resolverá os nossos problemas humanos (Encontro com o Eterno, pág. 78)

(…) Pergunta-se então: A vida foi criada para ser assim (…) batalha, batalha? Não haverá outra forma de energia que não seja produto da dor, do sofrimento, da agitação, da ansiedade, do medo, do sentimento de culpa? Há, sim – quando sabemos aprender, (…) olhar realmente o que é. Não podemos olhar o que é, se não temos liberdade; por conseguinte, temos de cientificar-nos do nosso condicionamento. (Palestras com Estudantes Americanos, pág. 117)

Sou ambicioso; desejo preencher-me, alçar-me ao posto mais alto; (…) ser famoso no mundo (…); aspiro à celebridade, e essa aspiração insufla-me tremenda energia. (…) Existe a energia da violência e, ao tornar-me cônscio dessa violência, crio uma ideologia da não-violência. (…) Toda energia cria o correspondente oposto, e nisso ficamos enredados. (…) (Encontro com o Eterno, pág. 77-78)

Devemos perceber muito claramente o que entendemos por energia criada pelo conflito. Considerai a energia consumida por um homem de negócios (…) Essa energia é criada pelo condicionamento social, pela ambição, (…) desejo de êxitos, prazeres, aquisições – novos carros, casas – mais e mais e sempre mais. (…) (Idem, pág. 78)

(…) Enquanto não tiver fim essa energia psíquica, não pode tornar-se existente a outra energia. As duas não podem coexistir. A ambição do homem que cultua o sucesso, a posição, o prestígio, (…) que quer expressar sua personalidade, tem sua energia peculiar, mas essa energia não pode (…) compreender o que é o amor. (Encontro com o Eterno, pág. 78)

Tudo isso exige muita energia. Afinal, o prestar atenção a qualquer coisa, ao que se diz, requer energia. Mas, se não vos sentis interessado (…), tudo o que aqui se está dizendo constitui para vós uma coisa enfadonha e, portanto, um desperdício de energia; (…) Só quando existe essa energia total, pode a mente olhar o que é; e vereis então, por vós mesmos, que, em virtude dessa atenção (…) tereis a possibilidade de ficar completamente livre do medo. (O Descobrimento do Amor, pág. 34)

(…) Por que você separa a vida religiosa da vida diária, monótona e solitária? (…) Isto é dois tipos de energia, uma para a vida religiosa e outra para a vida mundana. Vamos descobrir se o que estamos falando é verdade. (The Future is Now – Last Talks in India , pág. 93)

Você diz que aquelas pessoas que são religiosas, que usam roupas excêntricas, precisam de um tipo de energia diferente daquela de um homem que viaja e ganha dinheiro, ou do nobre na cidade. Por que você divide as duas? Energia é energia, certo? É energia elétrica, energia solar ou energia do fluxo de um rio. Por que você divide a energia? Será que o homem com roupas estranhas tem mais energia, ou será que ele está tentando concentrar sua energia num assunto particular? (Idem, pág. 93)

Vede, senhor! Energia é vida. Tudo o que fazemos, que pensamos, que sentimos, faz parte daquela energia. Privados de energia, estaríamos mortos. Mas essa energia está a criar conflito a todas as horas. (…) É possível liberar essa energia, de modo que, nesse próprio ato, cesse o conflito? (Viagem por um Mar Desconhecido, pág. 104)

Em primeiro lugar, como liberar essa energia? – uma energia não deturpada, não resultante de tortura; uma energia livre; uma energia não encerrada no espaço do nosso pensamento, de nosso desejo, de nosso prazer. E o liberar dessa energia não contaminada pelo pensamento, requer muita atenção, total autoconhecimento. A energia é dissipada pelo conflito, tanto exterior como interior. Para acumular essa energia, diz-se que é preciso fazer certas coisas: a pessoa tem de ser celibatária, de conter, de controlar, de regular, de treinar a energia. Fazer isso é moldar a energia, (…) imprimir-lhe uma direção conforme o motivo. (Viagem por um Mar Desconhecido, pág. 134)

Como o sexo faz parte da vida, tendes de compreendê-lo, e não de reprimi-lo, de negá-lo ou ceder às suas exigências. (…) Quando não se encontra nenhuma possibilidade de descarga (da energia) por meio do intelecto, das emoções, da sensibilidade, é ele a única coisa que nos resta e que pode proporcionar-nos satisfação, prazer. Não estamos advogando a incontinência. (…) (Idem pág. 134-135)

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