O pensamento criou filosofias e fórmulas (…) Criou uma estrutura psicológica de prazer (…) O pensamento não pode criar um mundo novo. Mas isso não significa que o sentimento o criará (…) Temos de encontrar uma energia nova, energia não criada pelo pensamento, uma energia diferente, que funcione numa nova dimensão. As próprias atividades dessa energia deverão desenvolver-se naquele mundo diferente (…) (Encontro com o Eterno, pág. 76)

Quando a mente, a entidade total, aplica toda a sua atenção a compreender a estrutura do pensamento, começamos então a adquirir uma energia de espécie diferente. Isso nada tem que ver com autopreenchimento, com o buscar, desejar; tudo isso desaparece. (…) (Idem, pág. 76)

(…) O pensamento pode funcionar plena e completamente, racional e sãmente, livre de estados neuróticos (…); mas há uma esfera na qual o pensamento não funciona, em absoluto; nessa esfera pode realizar-se uma revolução, surgir o novo. (Encontro com o Eterno, pág. 77)

Vou expressá-lo diferentemente. (…) E percebo, também, que a mente que vive em paz é uma mente extraordinária: toda carregada de energia. Não há dissipação de energia, em nenhum nível; e só a mente que, conscientemente, vive em paz, completamente, em sua totalidade, pode funcionar. Sua ação é beleza, amor, virtude, porque nela não há a menor parcela de resistência. (Encontro com o Eterno, pág. 24)

E, para encontrarmos essa energia, temos de compreender a inércia (…) a inércia que tão ocultamente existe em todos nós. Por inércia entendo “falta de energia intrínseca para agir” (energia inerente a si mesma). Observando bem, vê-se que existe em nós uma área de profunda inércia. Não quero dizer indolência, preguiça, que são coisas muito diferentes. (…) (Viagem por um Mar Desconhecido, pág. 66) Essa inércia é desprovida da força da ação intrínseca. “Ação intrínseca” é ação não procedente do que se acumulou, como conhecimento, idéia, tendência, temperamento, (…) dom ou talento. Essencialmente, qualquer dom, talento, conhecimento, é inércia – inércia que fortalecemos por meio da resistência, em várias formas. (…) (Idem, pág. 67)

Que fazer, pois? Como pode ser quebrada essa inércia? Em primeiro lugar, tenho de estar consciente dela. (..) Podeis traduzi-la como insuficiência de atividade física, (…) mental ou de estímulo. Mas não é disso que estamos tratando. Estamos falando sobre uma coisa que se passa num nível muito mais profundo, ou seja, que o todo da consciência é inerte, porque o todo da consciência está baseado na imitação, no ajustamento, na aceitação, na rejeição, na tradição, no acumular (…) (Idem, pág. 68-69)

Estamos vendo, pois, que todo movimento, em qualquer direção, em qualquer nível da consciência (consciente ou inconsciente), só tem o efeito de fortalecer esse quantum, esse campo, essa área de inércia; por conseguinte, a mente tem de estar totalmente quieta, e bem assim o cérebro. Pois só no silêncio total há ação não motivada pela inércia. (…) (Viagem por um Mar Desconhecido, pág. 71)

A mente deve estar completamente quieta (…) Descobrireis então (…) aquele estado no qual aquilo que chamamos amor, (…) sofrimento, (…) morte, são a mesma coisa. Já não haverá divisão entre o amor, o sofrimento e a morte; e, não havendo divisão, haverá beleza. Mas, para compreendermos, para nos acharmos nesse estado de êxtase, necessita-se daquela paixão resultante do total abandono do “eu”. (O Homem e seus Desejos em Conflito, 1ª ed., pág. 184)

Enfrentar algo acerca do qual não se sabe absolutamente nada requer grande energia (…) Isso só posso fazê-lo quando não há exercício da vontade, nem resistência, nem opção, nem desperdício de energia. (…) Quando a mente se enfrenta com o desconhecido e todas essas coisas desaparecem, há uma energia imensa. E quando há essa suprema energia, que é inteligência, existe a morte? Descubram-no. (El Despertar de la Inteligencia, pág. 161)

O problema só poderá ser resolvido quando o tempo terminar – o tempo como ontem, hoje e amanhã. Temos de morrer para a memória, para as ofensas, para todas as imagens que formamos com o pensamento – imagens relativas a nós mesmos, aos outros, ou ao mundo.

Entra-se então em direto contato com a realidade, a qual é tanto o viver como o morrer, e na qual não existe medo nenhum. Essa realidade só pode verificar-se na total inação – na inação em que o pensamento, tendo compreendido o lugar que lhe compete, nenhuma existência tem numa diferente dimensão. (Encontro com o Eterno, pág. 99-100)

(…) Inacessível à ação destruidora da memória, aquela abençoada energia era também invulnerável às tentativas do pensamento em alcançá-la e retê-la. Tinha o poder da chama ardente que consome o tempo e a eternidade sem formar as cinzas da memória. Meditar é esvaziar a mente, sem nenhum motivo, no mais completo despojamento do ser; meditar é, em verdade, deixar a mente vazia de todo o conhecido, consciente ou inconsciente (…) (Diário de Krishnamurti, pág. 190)

E temos vários meios e modos de encarar a morte. (…) A menos que compreendamos esse fenômeno – psicologicamente, e não fisiologicamente – jamais alcançaremos aquela consciência de uma ação nova, nascida do silêncio total (…) Eis porque temos de morrer para tudo o que conhecemos: a consciência, o passado (…) Porque só na morte, na morte total, pode haver uma coisa nova, um silêncio total em que se poderá viver uma vida diferente. (…) (Viagem por um Mar Desconhecido, pág. 72)

(…) Todo movimento, radiação, qualquer movimento do pensar, qualquer ação é energia. Quando se torna intensa a energia? Quando pode fazer as coisas mais surpreendentes? Quando pode ser dirigida, para que faça coisas incríveis? (Tradición y Revolución, pág. 51-52)

(…) Você pergunta se existe uma qualidade de energia que transforme a mente humana. Essa é sua pergunta. Pois bem, por que não ocorre isso no artista, no músico, no escritor? (Tradición y Revolución, pág. 52)

(…) O artista continua sendo cobiçoso, ambicioso, um burguês. (Idem, pág. 52-53)

(…) O homem usa a energia e opera plenamente em uma direção, enquanto na outra permanece inativo. A energia está inativa em uma parte de sua existência, e na outra parte está ativa. (Idem, pág. 53)

(…) Correto. Se você está preparado para desprender-se dessas coisas, que ocorre então? Isso significa que você se desprende do talento, da realização, da perpetuação do “eu”. Pois bem, quando é que ocorre essa mutação que a energia produz nas células do cérebro? (Tradición y Revolución, pág. 55)

(…) Veja que, onde a energia se dissipa através do talento e de outros canais, ela não pode ser completamente retida. Quando essa energia não se move em absoluto, então penso que algo ocorre, então essa energia tem que estalar. Penso que, então, muda a qualidade da célula cerebral mesma. (…) (Idem, pág. 55-56)

(…) Quando não há movimento, nem interna nem externamente, quando não há desejo de experimentar nem de despertar nem de ver, nem movimento de nenhuma classe, então a energia se acha em seu máximo nível. (…) Quando isso ocorre, a energia está completamente quieta, e isso é silêncio. (Idem, pág. 56)

Eternamente presente, sua intensa e vital energia fluía espontaneamente, sem atrito, sem esforço ou direção. Sua intensidade, de tão forte, tornava inúteis as tentativas do pensamento e sentimento em ajustá-la às suas fantasias, crenças, experiências e exigências. (…) O que destrói aquela energia é a ambição, a inveja e a avidez, origem de todo conflito e sofrimento; (…) (Diário de Krishnamurti, pág. 112)

E, ao passarmos (…) Aquela bênção nada tem de extraordinário ou enigmático, mas o seu mistério consiste no fato de transcender o tempo e o pensamento. Influenciada pelo tempo e pelo pensamento, a mente torna-se incapaz de perceber aquela imensidão. Incompreensível e inexplicável como o amor, essa bênção é também fundamental para a existência; ausente aquela paixão criadora da atividade humana, a vida se torna um fardo doloroso e sem sentido. (Diário de Krishnamurti, pág. 137)

(…) Já que dispõe de abundante energia, tranqüila e silenciosa, a mente se torna, ela própria, o sublime, não há “experimentador” do sublime, não há entidade que diz: “Experimentei a realidade”. (…) Necessita-se da cessação total desses movimentos, (…) e não de supressão da energia. (…) (Visão da Realidade, pág. 198-199)

(…) Quando a mente está completamente tranqüila, quando a energia não é dissipada nem alterada pela disciplina, essa energia é então amor, e então aquilo que é real não está separado da própria energia. (Idem, pág. 199)

(…) Mas, se essa energia que está perenemente a dirigir-se para o exterior ou a recolher-se no interior, (…) puder ficar quieta, (…) vereis então que, qual um rio, essa energia cria sua ação própria, porque está livre do “eu”. Estando imóvel, a energia percebe o que é a verdade; então, a própria energia é a verdade (…) (Visão da Realidade, pág. 160)

(…)Para que a mente possa estar tranqüila, é necessário grande abundância de energia, e essa energia deve achar-se em quietação. E se alcançardes verdadeiramente esse estado em que não há esforço, vereis que a energia deixada tranqüila tem seu movimento próprio, que não resulta de compulsões ou pressões sociais. (…) (Visão da Realidade, pág. 198)

Peço-vos observeis isso, vós mesmo; estamos examinando algo de verdadeiramente profundo. (…) Chegareis assim àquela energia extraordinária que se renova sem o mínimo de esforço, que renova a mente, mantendo-a sempre juvenil, fresca, inocente. (Uma Nova Maneira de Agir, 1ª ed., pág. 121)

(…) Vamos começar novamente; existe o fim do “mim” como tempo e então não há esperança; tudo isso está acabado, terminado. No final, há aquela sensação do nada. E o nada é todo este universo. (A Eliminação do Tempo Psicológico, pág. 41)

(…) Sim. Nós dissemos que é o nada, que o nada é tudo, e assim também o é aquilo que é energia total. Ela é energia não diluída, pura, não corrompida. Existe algo além disso? (Idem, pág. 42)

(…) Sim, mas dissemos que a desilusão existe enquanto houver desejo e pensamento. Isso é simples; o desejo e o pensamento são partes do “eu”, que é tempo. Quando desejo e tempo terminam completamente, então não há absolutamente nada, e, conseqüentemente, isso é o universo, esse vazio, que está cheio de energia. Podemos colocar uma parada ali (…) (Idem, pág. 43)

(…) Existe algo além daquilo. Como podemos falar a respeito? Veja, a energia existe somente quando há o vazio. Eles caminham juntos. (Idem, pág. 43)

(…) Nela nada há de fatalismo, mas exprime o absoluto; energia plena, livre e gratuita, ela não representa a força derradeira, mas é, em si, a energia universal. Toda atividade do homem deve cessar para que aquela bênção possa florescer, livre e espontânea, como princípio e fim de toda ação. Emergindo da morte e do aniquilamento do conhecido, com sua busca de segurança, ela não se limita a promover uma revolução superficial, mas depende, para existir, do vazio absoluto e criador. (…) (Diário de Krishnamurti, pág. 137-138)

Nessas condições, é necessário que haja uma maneira de proceder inteiramente diferente. (…)Estamos vendo que a ação baseada numa idéia não conduz à Verdade, que a ação baseada em experiência é ação limitada. O que é suscetível de medir-se não pode compreender o imensurável(…) (O que te fará Feliz?, pág. 83)

(…) A ação que não resulta de uma idéia é espontânea, quando o processo do pensamento, que se baseia na experiência, não está controlando a ação. (…) Esse é o único estado em que existe compreensão: quando a mente, que se baseia na experiência, não está guiando a ação; quando o pensamento, que se baseia na experiência, não está moldando a ação. (Idem, pág. 84)

Ora bem, quando há amor, há ação (…) E tal ação não é libertadora? Ela não resulta de atividade mental (…) A idéia é sempre velha (…) Quando há amor, que não é atividade mental, que não é idéia, que não é memória, que não é produto da experiência, de uma disciplina habitual, então esse próprio amor é ação. Essa é a única coisa que liberta. (…) (Idem, pág. 85)

(…) O pensamento pode então ajustar-se ao ambiente, mas o amor nunca pode ajustar-se. (…) Quando há amor, há ação que é relação; e onde há ajustamento nas relações não há amor. (…) O amor não está subordinado a coisa alguma; ele é único, mas não isolado. Tal amor é ação, que é relação; não é suscetível de corrupção, como o é a atividade mental, porque existe ajustamento.(…) (O que te fará Feliz?, pág. 86)

Estamos vendo, pois, em essência, como a mente desperdiça energia, e como essa energia é necessária para compreendermos a totalidade da vida, e não apenas os seus fragmentos. (Como Viver neste Mundo, pág. 24)

Agora, façamos a nós mesmos a seguinte pergunta: Existe um movimento, uma busca, sem nenhuma “causa”, nenhuma pressão, nenhum “motivo”? (…) Podeis então perguntar a vós mesmos: “Existe um movimento da vida que não seja reação ao movimento comum, e que não tenha centro, como “causa”, “motivo”? (…) A vós é que cabe descobrir. Eu digo que existe (…) e que não é mera lembrança de coisas do passado. Se puderdes descobri-lo, vereis que ele é completamente dissociado do movimento de contentamento e descontentamento, desse impulso para o preenchimento, com sua sombra de frustração. (O Homem Livre, pág. 101)

(…) A ação não deve ter motivo, não deve ser a busca de um fim; e a ação que não busca um fim só pode vir quando há amor (…) Só há amor quando o intelecto compreende a si mesmo, quando o processo do pensamento, com suas hábeis manobras, seus ajustamentos, com sua busca de segurança, deixa de funcionar; descobrireis então que vosso coração é rico, cheio, abundante de felicidade, porque descobriu aquilo que é eterno. (A Arte da Libertação, pág. 105)

Qualquer motivo nos impede de agir e não há ação sem motivo; daí sermos destituídos de amor. Tampouco existe amor naquilo que fazemos. Pensamos ser impossível agir, viver, existir sem um motivo (…) O apego serve apenas para encobrir nosso próprio vazio, (…) solidão e insuficiência interior; (…) O amor é sem motivo e, quando o amor está ausente, toda sorte de motivos se instalam. É tão simples viver sem motivos; basta ser íntegro, sem jamais se conformar com idéias ou crenças. Ser íntegro é ter autocrítica, é estar consciente de si próprio de momento a momento. (Diário de Krishnamurti, pág. 182)

Agora, existe descontentamento sem objetivo, sem “motivo”? (…) Ou empreguemos uma palavra diferente (…), digamos que é um movimento sem causa, sem “motivo”. Penso que tal movimento existe, e isso não é mera especulação (…) Quando a mente compreende o descontentamento que tem “motivo” (…); quando percebe, realmente, a verdade relativa a esse descontentamento, vem então à existência “a outra coisa”. (Da Solidão à Plenitude Humana, pág. 81)

Ora, se a mente está cônscia de todo esse processo (…), vereis então manifestar-se um movimento sem “motivo” algum – um movimento, uma ação, uma coisa não estática, que se pode chamar Deus, a Verdade (…) Nesse movimento há beleza infinita, e ele se pode chamar “amor”; porque, afinal, o amor é sem “motivo”. (Da Solidão à Plenitude Humana, pág. 81-82)

O problema agora é este: Que é o amor sem “motivo”? Pode haver amor sem motivo, sem incentivo algum, sem (…) nenhum proveito para nós mesmos? Pode haver amor sem ressentimento, em que não haja sentimento de mágoa quando (…) não é correspondido? Pode haver amor em que damos e não recebemos? (…) Quando vos ofereço minha amizade e me voltais as costas, fico ressentido? (…) Se compreendestes, aí tendes a resposta. (Novos Roteiros em Educação, pág. 121)

(…) Se eu vos amo e desejo algo de vós, isso não é amor (…) porque, aí, há “motivo”. A atividade social ou religiosa baseada em “motivo”, ainda que a denominemos “serviço”, não é serviço (…) (Da Solidão à Plenitude Humana, pág. 82)

Se penetrardes profundamente essa questão (…) penso que descobrireis um movimento sem “motivo”, um movimento sem causa alguma, e é esse movimento que traz a paz ao mundo (…) O homem em quem se verifica esse movimento sem causa é um homem religioso, é um homem que ama e, portanto, pode fazer o que desejar. (…) (Idem, pág. 82)

Assim, como dissemos, é necessário energia, energia sem “motivo” (…) direção. Para tê-la, devemos ser interiormente pobres, não ser ricos das coisas da sociedade que nós formamos. (…) O que a sociedade formou em nós (…) é avidez, inveja, cólera, ódio, ciúme, ansiedade (…) Torna-se a pobreza uma coisa maravilhosa e bela, quando a mente está livre da estrutura psicológica da sociedade, por que então já não há conflito (…) Só essa pobreza interior pode ver a verdade existente numa vida inteiramente livre de conflito. Essa vida é uma bênção (…) (Como Viver neste Mundo, pág. 24-25)

As terríveis condições em que se acha o mundo exigem uma mente nova, fresca, pois, do contrário, os problemas irão aumentar. (…) Para tanto, necessita-se de vigorosa energia – energia que não seja produto de conflito, energia isenta de motivo. E só pode ser despertada essa energia demolidora, libertadora, clarificadora, depois de terdes compreendido e resolvido, em vós mesmos, todas as formas de conflito. Só termina o conflito quando há autoconhecimento(…) (Experimente um Novo Caminho, pág. 115)

Fechar Menu