Para a publicação desta Obra, foi ela oferecida a muitas editoras, do Rio de Janeiro, de São Paulo e de Brasília. Mas, sem revelar o motivo, algumas não demonstraram interesse. Outras informaram que tinham já compromisso de edição de muitos livros, e só em outra oportunidade poderiam considerar a proposta. Duas queriam imprimi-la, porém num próximo futuro, porque tinham publicado livros recentemente, ou adquirido aparelhamento moderno, dando a entender que estavam “sem caixa”. Finalmente, uma concordava em editar o livro imediatamente, se se conseguissem pessoas que comprassem antecipadamente cerca de 600 exemplares, pagando à vista.

Nessas circunstâncias, resolveu-se editar a Coletânea reunindo um grupo de pessoas que, retirando dinheiro de suas poupanças, emprestaram quantias significativas, com a condição de permanecerem anônimas e de receberem as importâncias de volta com o primeiro resultado da venda, incluindo os juros e a correção monetária de praxe, completando-se o restante com empréstimo bancário.

Por isso, dentro do capital disponível, decidiu-se editar 2.000 exemplares. Como a maioria das pessoas desconhece o mecanismo do mercado, com a nossa experiência procuramos dar uma idéia. As Distribuidoras pedem cerca de 55% sobre o preço de capa, para colocarem um livro em todo o país. Isto porque elas dão 30% às livrarias, mais 5% se paga a duplicata no prazo de 60 dias. Acima de certa quantidade de exemplares, o desconto é de 35% mais 5%. O vendedor na praça, colhendo os pedidos nos postos de venda, recebe 3%.

As poucas Distribuidoras nacionais dignas desse nome, só têm escritório em poucos estados. Em relação aos demais, dado o reduzido número de livrarias ou a insuficiente venda, entregam os livros a Distribuidoras regionais, estaduais, que para isso ganham uns 10%. O editor fica assim com 45% para custear as despesas com a obra, serviços de datilografia e outros, a composição, impressão, acabamento, as embalagens, gratificações, os transportes, a propaganda (anúncios em periódicos), as perdas sob múltiplas formas.

Por outro lado, há os exemplares com defeitos, extraviados e os numerosos que são doados a título de gentilezas, serviços prestados, autoridades, redação de jornais e revistas para a divulgação, parentes e amigos, instituições espiritualistas, bibliotecas públicas, etc.

A Distribuidora só começa a pagar três meses depois de recebido o livro, porque ela leva um mês anunciando-o às livrarias, recebendo pedidos – o prazo normal de pagamento é de 60 dias. Por isso, para ressarcir, o mais depressa possível, os financiadores, com os juros e a correção monetária de praxe, a solução é a venda em reuniões de autógrafos, circular a interessados, etc. Se no final algum ganho resultar, será ele aplicado em auxílios a instituições vinculadas, que lutam com dificuldades financeiras, e divulgação (panfletos, anúncios).

A Convenção Internacional de Direitos Autorais de Berna, de 1886, e alterações posteriores, faculta e protege compilações, enciclopédias, antologias, seletas, de obras literárias, conferências e sermões públicos, desde que mencionadas as fontes e o nome do autor. Deixa ela à legislação nacional a complementação da matéria.

No caso, a lei brasileira prevê: “Protegem-se como obras intelectuais e independentes (…), as coletâneas ou compilações, como seletas, compêndios, antologias, enciclopédias, dicionários (…) Cada autor conserva, neste caso, o seu direito sobre a sua produção, e pode reproduzi-la em separado.”

E ainda: “Não constitui ofensa aos direitos do autor: a reprodução de trechos de obras já publicadas (…), desde que apresente caráter científico, didático ou religioso, e haja a indicação da origem e do nome do autor.”

Omitem a Convenção e a Lei o tamanho dos textos que podem ser transcritos, e bem assim a quantidade deles, em relação ao total das obras. No caso dos livros de Krishnamurti, os constantes da Bibliografia somam cerca de 22 mil páginas. Elas vão desde livrinhos com dezenas de páginas, (reduzido número, até 538 páginas, como “The Awakening of Intelligence”), numa média de 140 páginas.

Mas esse número eleva-se a mais de 25 mil páginas, se forem considerados dezenas de panfletos que reúnem conferências avulsas, centenas de palestras isoladas, entrevistas, discussões, poemas e outras produções, não incluídos em livros, citados por Susunaga Veeraperuma em “A Bibliography of Life and Teachings of Jiddu Krishnamurti” e “Suplement to Bibliography of the Life and Teachings of Jiddu Krishnamurti” (Chetana (P) Ltd, Bombay, India, 1974 e 1982), atualizados até este último ano, omitindo as publicações até 1986.

Respeitou-se a Convenção e a Lei, limitando-se à transcrição de pequenos textos, todos com a citação da fonte, e as 807 páginas da presente Seleta (excluídas as do Prefácio, da Introdução, dos Conceitos, da Bibliografia) representam cerca de 3% do total de páginas das obras do autor. Por sentença da Justiça dos Estados Unidos, os direitos autorais dos livros de Krishnamurti até junho de 1968 pertencem à Krishnamurti Foundation of America, e as publicadas de julho de 1968 em diante, à Krishnamurti Fundation Trust, of England, conforme informação de várias fontes, uma delas “The Years of Fulfilment”, de Mary Lutyens.

No Brasil, os Estatutos da Instituição Cultural Krishnamurti, aprovados por Krishnamurti em 10-06-1935, através de seu Representante D. Rajagopal, e registrados, prevêem no art. 2º: “A Instituição tem por fim: e) preparar, editar, vender e autorizar o preparo, edição, venda ou uso de livros, folhetos (…) e dispor dos direitos autorais relativos às mesmas produções”. Daí que as obras publicadas pela Editora Cultrix Ltda, até antes do passamento de Krishnamurti, em 1986, dizem: “Direitos de tradução para a língua portuguesa cedidos com exclusividade pela Instituição Cultural Krishnamurti”.

Não tendo esta Obra fins lucrativos, e dada a sua importância na época em que vivemos, ficam as Fundações Krishnamurti, existentes, livres para a reproduzirem com adaptação ou não a outros idiomas, com total isenção de direitos autorais, desde já cedidos. Pode até ser dela realizada seleta menor, com escolha de capítulos e textos mais importantes, com cerca de 200 páginas, para o grande público.

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