Ninguém pode ensinar-vos a verdade, de modo que não precisais seguir ninguém. A única coisa que se pode fazer é compreender, pela observação cuidadosa, o intricado movimento do pensamento: como ele se divide, como cria seus próprios contrários e, por esse modo, traz contradição e conflito. (O Começo do Aprendizado, pág. 206)

Quando estamos conscientes, ficamos apercebidos de um processo dual que se opera em nós – querer e não querer, desejos expansivos e desejos reprimidos. (…) Ao percebermos as conseqüências (…) nasce o desejo de refreá-los (…) (Palestras em Ojai e Saróbia, 1940, pág. 102)

Assim, há conflito entre a vontade expansiva e a vontade de reprimir. Esse conflito tanto pode criar compreensão, ou confusão e ignorância. A vontade expansiva e a vontade de reprimir são a causa da dualidade. (…) (Idem, pág. 103)

Se não compreendemos o que é que gera esse dualismo, essa oposição instintiva, não compreenderemos a significação do conflito que sentimos em nós. Estamos cônscios, em nossa vida, do dualismo e seu conflito constante; desejar e não desejar, céu e inferno, Estado e cidadão, luz e treva. Não surgirá o dualismo do próprio desejo? (Autoconhecimento, Correto Pensar, Felicidade, pág. 35)

A vontade de vir-a-ser, de ser, não encerra também a vontade de não-vir-a-ser? No desejo positivo existe também negação e, assim, o pensamento-sentimento se vê envolvido no conflito dos opostos. Através dos opostos não há fugir ao conflito, à aflição. (Idem, pág. 35)

Nós somos pensamentos-sentimentos em perpétua mutação e contradição; amor e ódio, calma e cólera, inteligência e ignorância. (…) Mas, não será também esse “eu” o resultado e a continuação do conflito de várias entidades? (…) (O Egoísmo e o Problema da Paz, pág. 154)

Foram todas essas entidades contraditórias que constituem o “ego”, que também fizeram nascer o outro “eu”, o observador, o analista. Para compreender a mim mesmo, cumpre-me compreender as várias partes de que sou constituído, inclusive o “eu” que se tornou o observador, o “eu” que compreende. (…) (Idem, pág. 154-155)

É, pois, importante compreender o desejo de condenar ou aprovar, de justificar ou comparar, (…) que impede a plena compreensão do “todo”. Quem é esse juiz, essa entidade que compara e analisa? Não é um aspecto, somente, do todo, um aspecto do “eu”, que está sempre a manter o conflito? (…) Só quando se compreende o todo, pode o pensar correto abrir a porta que conduz ao eterno. (Idem, pág. 156)

E, agora, que entendemos por “processo dual”? Sabemos que existe um processo dual, o bem e o mal, o ódio e o amor, etc. (…) E por que criamos esse processo dual? Existe realmente ou é uma invenção do intelecto, a fim de fugir ao fato? Sou violento (…) ou ciumento, e isso me incomoda. Não gosto desse estado; digo, portanto, que não devo ser ciumento, violento – e isso é uma fuga ao fato, não achais?

O ideal é uma invenção do intelecto, que quer fugir ao que é; por isso existe dualidade. Mas, se enfrento integralmente o fato de que sou ciumento, então já não há dualidade. Enfrentar o fato significa penetrar completamente o problema da violência e do ciúme; e então, ou descubro que isso me agrada (…) e nesse caso o conflito continua necessariamente; ou, ainda, percebo tudo o que o problema implica e fico livre do conflito. (O Passo Decisivo, pág. 206)

(…) Não é possível a integração dos opostos, da avidez e da não avidez. Quem é ávido e procura tornar-se não ávido, continua a ser ávido. Não achais necessário que se abandone tanto a avidez como a não avidez, para nos furtarmos à influência de uma e outra? Todo “vir-a-ser” implica “não-vir-a-ser”, e enquanto existir vir-a-ser existirá dualidade, com o seu conflito infindável. (O Egoísmo e o Problema da Paz, pág. 23)

A causa da dualidade é o desejo, o anseio; pela percepção, pela sensação e pelo contato, surge o desejo, o prazer, a dor, a necessidade e a não necessidade, que por sua vez motivam a identificação como “meu” e “vosso”, entrando, desse modo, a funcionar o processo dualista. (…) Enquanto separar-se o pensante do pensamento, perdurará o vão conflito dos opostos; (…)(Idem, pág. 23-24)

A escolha entre desejos opostos faz somente prosseguir o conflito; escolha implica dualidade; na escolha não há liberdade, porquanto a vontade continua a produzir conflitos. Como poderá, então, o pensamento transcender o padrão da dualidade? É só compreendendo o mecanismo do ansiar, do desejo de satisfação própria, que podemos transcender (…) o conflito dos opostos. (O Egoísmo e o Problema da Paz, pág. 42)

(…) Mas, se desejamos achar a verdade contida num problema, nada significa a tradição e a autoridade. Pelo contrário, tornam-se um obstáculo (…) A verdade não se encontra no oposto, porque um oposto é sempre o prolongamento do seu próprio oposto. A antítese é o prolongamento da tese, sob forma diferente. (…) Precisamos observá-la e perceber o seu significado integral. (Da Insatisfação à Felicidade, pág. 83-84)

A compreensão da mente só é possível nas relações; relações com a propriedade, as pessoas e as idéias. Atualmente essas relações são reações; e um problema criado pela reação não pode ser resolvido por outra reação; só pode ser resolvido quando compreendido todo o processo da reação, que é o “eu”. Vereis então que há uma ação que não é reação, que é o próprio desafio, que é criadora; (…) (Que Estamos Buscando?, 1ª ed., pág. 214)

A própria natureza do “ego” é estar em contradição; e somente quando o pensamento-sentimento se liberta a si mesmo de seus desejos antagônicos, é que pode haver tranqüilidade e alegria. Essa liberdade, com suas alegrias, se manifesta pela percepção profunda do conflito do desejo. Quando vos tornais cônscios do processo dualista do desejo e ficais passivamente vigilantes, encontrais a alegria do Real, alegria que não é produto da vontade nem do tempo. (O Egoísmo e o Problema da Paz, pág. 92)

Seria, por acaso, verdadeiro dizer que necessitais odiar para amar? (…) Amais, e porque no vosso amor há espírito de posse, surgem o malogro, o ciúme e o temor. Esse processo desperta o ódio. Começa então o conflito dos opostos. (…) Todos os opostos devem criar conflito por serem essencialmente ininteligentes. O homem medroso desenvolve a bravura. Esse processo de desenvolver a coragem é, realmente, uma evasão ao medo; se, porém, ele discernir a causa do medo, este cessará naturalmente. (Palestras em Nova York, Eddington, Madras, 1936, pág. 12)

Os opostos geram o tempo. Há evidentemente (…) o tempo cronológico e o tempo psicológico. O tempo psicológico existe como “não ser” ou “vir-a-ser ou sou isto e serei aquilo, sou violento e serei não-violento, ( A não-violência é o oposto da violência, e essa divisão produz conflito – (…) entre o que sou e o que deveria ser. (…) (Palestras com Estudantes Americanos. pág. 130)

Pode a mente existir, sem raiz alguma? (…) Senhor, só a mente que não tem raiz pode conhecer o Real. (…) A mente, tal como é, está cheia de tradição, do tempo, de lembranças, ódio, ciúme. Pode-se compreender essa mente sem condenação – isto é, sem se criar o oposto? No momento em que condenamos “o que é” não o compreendemos. A compreensão do que é só pode ocorrer quando não há condenação; só então se pode estar livre do que é. (As Ilusões da Mente, pág. 85)

Quando estamos conscientes, ficamos apercebidos de um processo que se opera em nós – querer e não querer, desejos expansivos e desejos reprimidos. A concentração sobre os desejos expansivos, e sua ação, cria um mundo de competição e divisão em mundanismo, amor possessivo e ansiedade pela continuidade pessoal. (Palestras em Ojai e Saróbia, 1940, pág. 102)

Ao percebermos as conseqüências desses desejos expansivos, que tanta dor e tristeza nos causam, nasce o desejo de refreá-los, com seu próprio tipo de vontade. Assim, há conflito entre a vontade expansiva e a vontade de reprimir. Esse conflito tanto pode criar compreensão, como confusão e ignorância. A vontade expansiva e a vontade de reprimir são a causa da dualidade, fato que não pode ser negado. (Idem, pág. 102-103)

Embora os opostos tenham uma causa comum, temos de compreendê-los para ficarmos livres do conflito dos opostos. Sendo invejosos e, por isso, conscientes do conflito e da dor, procuramos cultivar o seu oposto, mas nisso não há libertação da inveja. (…) Ao passo que, se considerarmos profundamente a causa intrínseca da inveja e nos tornarmos apercebidos de suas vária formas, com suas incitações, então, nesse entendimento, há libertação da inveja, sem criar seu oposto. (…) Quando há compreensão do processo dos desejos expansivos, com sua denominada vontade positiva e repressiva, nasce a plenitude, o preenchimento que não é criação do intelecto. (…) O entendimento transcende a razão e a emoção. (Idem, pág. 103-104)

(…) Os opostos não se podem fundir; eles devem ser ultrapassados pela dissolução do desejo. É preciso meditar e sentir plenamente cada um dos opostos, (…) porquanto será assim que despertaremos uma nova compreensão não resultante do anseio ou do tempo. (Autoconhecimento, Correto Pensar, Felicidade, pág. 63)

Existe um modo diferente de encarar a vida, não do ponto de vista dos opostos, da fé e da ciência, do temor e da mecanização; (…) Isto é, cada um tem de discernir o processo de vir-a-ser e o da cessação aparente, o processo de nascer e de morrer. Esse processo só é integralmente perceptível pelo indivíduo como consciência. (Palestras em Nova York, Eddington, Madras, 1936, pág. 34)

(…) A realidade deve ser compreendida somente mediante o processo do “eu” como consciência, da qual surge a individualidade (ente individualizado). Isto é, o indivíduo tem de compreender o processo do seu próprio vir-a-ser, que implica inteligência. (…) (Idem, pág. 34)

Pertencer a qualquer dos dois grupos oponentes de pensamentos que mencionei, só conduzirá, por último, a maior confusão e miséria. Todos os opostos impedem o discernimento. Para o indivíduo discernir aquilo que é, precisa compreender a si próprio e, para efetuar isto, tem de atravessar todos os estorvos e limitações produzidos pela visão mecânica da vida ou pela fé; (…) (Idem, pág. 35)

A ação é vital, porém não o são as opiniões e conclusões lógicas. Como indivíduos, tendes de compreender o processo da consciência por meio do discernimento direto, sem escolha. A autoridade do ideal e do desejo impede e perverte o verdadeiro discernimento. Quando há carência, quando a mente está cativa dos opostos, não pode haver discernimento. (Palestras em Ommen, Holanda, 1936, pág. 13-14)

Se não entendemos esse problema de opostos, com seus conflitos e misérias, improfícuos serão nossos esforços. Permanecendo vigilantes, podemos observar e compreender o desejo de vir-a-ser, ou seja, a causa do conflito; a compreensão, porém, não se dará se houver identificação (…) aceitação, negação ou comparação. (Autoconhecimento, Correto Pensar, Felicidade, pág. 20)

Enquanto o pensador se preocupar com seu pensamento, existirá dualismo; enquanto lutar com os pensamentos, continuará a haver conflito dualista. Existe solução para qualquer problema, no conflito dos opostos? (…) O criador do problema não é mais importante do que o problema? (…) (O Egoísmo e o Problema da Paz, pág. 146)

(…) Enquanto houver um censor, uma entidade a traduzir o que vê, por meio de seu condicionamento – que é o passado – enquanto houver interpretação do que observais, do que vedes, do que escutais, haverá necessariamente o centro, o objeto que cria espaço em torno de si e, portanto, uma dualidade. E, uma vez estabelecida a dualidade, está declarado o conflito. Mas, se ficardes a observar simplesmente, vereis que existe espaço sem o objeto. (A Suprema Realização, pág. 74)

O oposto é dissimilar do que é? Como nasce o oposto? Não é ele uma projeção modificada do que é? A antítese não contém os elementos da própria tese? Uma não é completamente dissimilar da outra, e a síntese é ainda a tese, modificada. (…) A atual sociedade está baseada na ganância individual; e o seu oposto é o que chamais a nova sociedade. Na vossa nova sociedade, a ganância individual opõe-se à ganância do Estado. (…) (Reflexões sobre a Vida, pág. 37)

(…) A antítese é o prolongamento da tese; o oposto contém o elemento do oposto respectivo. Sendo violenta, a mente projeta o seu oposto, o ideal da não-violência. Diz-se que o ideal ajuda a dominar o seu oposto; mas é exato? O ideal não é uma maneira de evitar, fugir ao que foi ou ao que é? O conflito entre o real e o ideal é evidentemente um meio de adiar a compreensão do real (…) (Reflexões sobre a Vida, pág. 95)

Enquanto escolherdes entre opostos, não há discernimento, e por isso deve haver esforço, esforço incessante, continuamente opostos e dualidade.(…) A vossa ação é sempre finita, sempre visando conseguimento, por isso existirá sempre essa vacuidade que sentis. Mas, se a mente estiver livre da escolha, se ela possuir a capacidade de discernir, então a ação é infinita. (Palestras na Itália e Noruega, 1933, pág. 32-33)

(…) Nessa libertação dos opostos a ação já não é um conseguimento, mas preenchimento; ela nasce do discernimento, que é infinito. Então, a ação brota de vossa plenitude e em tal ação não há escolha e, portanto, nenhum esforço. (Idem, pág. 33)

Ora, é possível ação sem conflito de espécie alguma? Sem dúvida, tal ação só é possível quando amamos aquilo que fazemos; (…) Não sei se já notastes que, quando gostais de fazer certa coisa, não há conflito nenhum, a ação está completamente livre de elementos contraditórios (…) (Visão da Realidade, pág. 172)

Existe, entretanto, um meio diferente de encarar esse problema dos opostos. É discernir diretamente, perceber integralmente que todas as tendências e virtudes encerram em si seus próprios opostos; e que desenvolver um oposto, é fugir à atualidade. (Palestras em Nova York, Eddington, Madras, 1936, pág. 11)

Pois bem, esse conflito de desejos traz compreensão? O problema é: Como surge a compreensão? Porque, existindo compreensão, não existe mais luta. O que compreendemos, disso ficamos livres. (Nós Somos o Problema, pág. 68)

(…) Por “compreensão” entendo aquele estado sem esforço, no qual a mente está de todo cônscia, livre de obstáculos, (…) de tendências, sem nenhuma luta para compreender (…) (O Homem e seus Desejos em Conflito, 1ª ed., pág. 166)

E há também a contradição entre o pensador e o pensamento. Em todos nós existe essa dualidade. Importa compreendê-la. (…) Se temos de criar um mundo novo, uma nova sociedade, um novo ente humano, essa sociedade só pode subsistir num estado de não-contradição; para o florescimento da bondade, tem de haver paz, e não guerra nem ódio. Compreendeis? Vivereis sempre numa atmosfera de ódio, de agonia, desespero, ansiedade, se vossa ação não for total. (A Suprema Realização, pág. 205)

Por que vivemos com este senso de dualidade, opondo-nos uns aos outros, em todos os níveis de nossa existência, com resistência mútua, dando origem a conflito e guerra? Este tem sido o padrão da atividade humana no mundo, provavelmente desde o início dos tempos, com senso de separação (…) Embora falem de amor e paz na terra, desta forma não pode haver paz, o homem tem de estar em guerra com seu semelhante; e se pergunta se isto deve ser sempre assim. (Talks and Discussions at Brockwood Park, 1969, pág. 7)

Assim, é possível que o ser humano seja totalmente sério, descobrir se pode viver num estado de não-dualidade – não ideologicamente ou teoricamente, mas realmente, tanto na forma como na essência? É possível, para mim e você, vivermos uma vida na qual este senso de dualidade cesse completamente, não apenas no nível verbal, mas também nos mais profundos depósitos e recessos da própria mente? Sinto que, se isso não for possível, haveremos de continuar em guerra com os outros – você com sua opinião particular, crenças, dogmas e conclusões, e eu com as minhas. Então não pode haver comunicação ou contato real. (Idem, pág. 7-8)

Se vos aperceberdes de que a vossa escolha originada nos opostos somente cria outro oposto, então percebeis o que é verdadeiro. (…) Na libertação dos opostos a ação já não é um conseguimento, mas preenchimento; ela nasce do discernimento, que é infinito. Então, a ação brota de vossa própria plenitude (Palestras na Itália e Noruega, 1933, pág. 33)

Só podeis verificar isto quando realmente estiverdes atravessando uma crise. Não o podeis verificar intelectualmente, quando sentado a gosto e imaginando (…) Se nesse momento entenderdes com todo o vosso ser, (…) fordes consciente da futilidade da escolha, então brotará daí a flor da intuição, (…) do discernimento. A ação que daí nasce é infinita; então a ação é a própria vida. (…) (Idem, pág. 35)

Causa e efeito são inseparáveis: na causa está contido o efeito. O estar cônscio da causa-efeito de um problema depende de certa flexibilidade e agilidade da mente-coração, porquanto a causa-efeito modifica-se constantemente. (O Egoísmo e o Problema da Paz, pág. 145)

Estamos dizendo que, onde há uma causa, ao efeito se pode pôr um fim, com a cessação da causa. (…) Toda a nossa vida é um movimento de causa e efeito; (…) Você me diz algo desagradável, eu o odeio. Em todo esse movimento há causa e efeito (…) E nos perguntamos: Há uma vida, uma forma de viver na qual não exista causalidade? (…) Para investigar isto bem a fundo, deve-se compreender o conflito dos opostos, da dualidade. (La Llama de la Atención, pág. 115-116)

Existe, assim, uma contradição em nós. Vivemos neste mundo de avidez, inveja e apetites sexuais, pressões emocionais, mecanização, e ao mesmo tempo desejamos encontrar algo superior à mera satisfação física. Existe ânsia de encontrar Deus e também de viver mundanamente. Queremos trazer aquela Realidade para este mundo. (…) (O Homem Livre, pág. 133)

Estamos falando a respeito de seriedade, porque (…) precisamos eliminar a contradição existente em nós mesmos – fonte de todos os conflitos. A mente que se acha em conflito é incapaz de perceber, de ver. É uma mente deformada; e a contradição, à medida que se vai tornando mais aguda, leva a várias formas de desequilíbrio (…) (Encontro com o Eterno, pág. 21)

Pois bem; que é que produz contradição em cada um de nós? Por certo, é o desejo de vir-a-ser alguma coisa (…) Todos nós queremos tornar-nos alguma coisa; ter bom êxito no mundo, e, interiormente, desejamos alcançar um resultado. Assim, enquanto pensarmos em termos de tempo, (…) de posição, tem de haver contradição. (…) (Por que não te Satisfaz a Vida, pág. 37)

A contradição surge apenas quando a mente tem um ponto fixo de desejo, isto é, quando a mente não considera todos os desejos como passageiros, transitórios, mas se apega a certo desejo e lhe dá caráter de permanência; só então, ao surgirem outros desejos, há contradição. (…) A mente, porém, estabelece um ponto fixo, por que considera todas as coisas como meios de alcançar seus objetivos, meios de ganho; (…) (A Primeira e Última Liberdade, 1ª ed., pág. 70)

Por conseguinte, é essencial compreender o processo total do nosso pensar, porque é nele que se encontra a contradição. O próprio pensamento se tornou uma contradição, porque não compreendemos o processo total de nós mesmos, e só é possível essa compreensão quando estamos plenamente cônscios do nosso pensamento (…) (A Primeira e Última Liberdade, 1ª ed., pág. 71)

Para estarmos livres da contradição, temos de estar cônscios do presente, sem escolha. Como pode haver escolha, quando nos vemos frente a frente com um fato? Por certo, a compreensão do fato se torna impossível, enquanto o pensamento está tentando operar sobre o fato em termos de “vir-a-ser”, modificar, alterar. O autoconhecimento, por conseguinte, é o começo da compreensão. Sem autoconhecimento, continuará a existir o conflito e a contradição. (…) (A Primeira e Última Liberdade, 1ª ed., pág. 72)

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