A maioria de nós aspira à satisfação de ocupar certa posição na sociedade, porque temos medo de ser ninguém. A sociedade é formada de tal modo que o cidadão que ocupe posição respeitável é tratado com toda cortesia (…) Esse anseio de posição, de prestígio, de poder, de ser reconhecido pela sociedade como pessoa de destaque, representa desejo de dominar os outros, e esse desejo de domínio é uma forma de agressão. (…) E qual é a causa dessa agressividade? O medo, não? (Liberte-se do Passado, pág. 37)

O marajá gosta de mostrar que é algo, ostentando seus carros, seus títulos, sua posição, suas riquezas. O professor, o pundit convenceu-se de que é alguma coisa, em virtude do seu saber. Desejais também mostrar que sois “alguma coisa” entre vossos colegas de classe. (…) (Debates sobre Educação, pág. 126)

Se sois interiormente rico, não sentis nenhuma necessidade de ostentar-vos, porque essa riqueza é bela em si mesma. Mas visto temermos a nossa pobreza interior, assumimos ares importantes. Assim faz o “sannyasi”, assim fazem os primeiros-ministros e os ricos. Tirem-se-lhes o poder, o dinheiro, a posição, e vede como ficam sem brilho, estúpidos, vazios! (…) (Idem, pág. 126-127)

Todos nós, velhos e jovens, desejamos ser altamente respeitáveis (…) Respeitabilidade implica reconhecimento por parte da sociedade; e a sociedade só reconhece o que teve êxito, o que se tornou importante, famoso, e despreza o resto. Por isso, adoramos o êxito e a respeitabilidade. E quando pouco vos importa se a sociedade vos considera respeitável ou não, quando não buscais êxito, não desejais tornar-vos alguém, existe então intensidade – e isso significa que não existe medo, nem conflito, nem contradição, interiormente; por conseguinte, dispondes de abundante energia para acompanhardes o fato “até o fim”. (O Passo Decisivo, pág. 171)

Sabem o que a palavra “respeitabilidade” significa? Vocês são respeitáveis quando são considerados (…) pela maioria (…) E o que a maioria das pessoas respeita (…)? Respeitam as coisas que elas mesmas desejam e que projetaram como meta ou ideal; (…). Se você é rico e poderoso, ou tem grande reputação política, ou escreveu livros de sucesso, você é respeitado pela maioria. (…) (O Verdadeiro Objetivo da Vida, pág. 117)

(…) O que você diz pode até ser um completo disparate, mas, quando você fala, as pessoas ouvem porque o consideram um grande homem. E quando você, dessa forma, conquistou o respeito da maioria, o fato de a multidão o seguir, dá-lhe uma sensação de respeitabilidade, (…). Mas o chamado pecador está mais próximo de Deus do que o homem respeitável, porquanto o respeitável está coberto de hipocrisia. (Idem, pág. 117)

Um dos empecilhos ao viver criador é o medo, e a respeitabilidade constitui manifestação desse medo. Os indivíduos respeitáveis, moralmente agrilhoados, não conhecem o integral e verdadeiro significado da vida. Estão encerrados dentro dos muros da sua virtude, nada podem enxergar além deles. (A Educação e o Significado da Vida, 1ª ed., pág. 147)

Sua “moralidade de vidraças coloridas”, com base em ideais e crenças religiosas, nada tem em comum com a realidade; e, quando atrás delas se abrigam, estão vivendo no mundo das próprias ilusões. A despeito da moral pessoalmente imposta, e com que se comprazem, as pessoas respeitáveis acham-se também em confusão, sofrimento e conflito. (Idem, pág. 147-148)

A respeitabilidade é um flagelo, um mal que corrói a mente e o coração. Insinua-se furtivamente; destrói o amor. Ser respeitável é sentir-se vitorioso, é talhar para si mesmo uma posição no mundo, construir em torno de si uma muralha de segurança, daquela segurança que vem com o dinheiro, o poder, o sucesso, e a capacidade ou a virtude. Este isolamento arrogante gera ódios e antagonismos nas relações humanas que constituem a sociedade.

Os homens respeitáveis são sempre a nata da sociedade, e, como tais, causadores de conflitos e sofrimentos. (…) Estão sempre na defensiva, cheios de medo e de suspeitas. O medo habita-lhes os corações, e por isso a indignação é sua virtude. A virtude e a piedade são suas defesas. (…) Os homens respeitáveis nunca podem estar abertos para a Realidade, (…). A felicidade lhes é negada porque evitam a Verdade. (Comentários sobre o Viver, 1ª ed., pág. 25-26)

Se quisermos criar uma sociedade sã e feliz, precisamos principiar por nós, (…). Em lugar de conferirmos importâncias a nomes, rótulos e termos, geradores de confusão, devemos desembaraçar a mente de tudo isso (…). (Autoconhecimento, Correto Pensar, Felicidade, pág. 19)

Senhores, os títulos, sejam títulos espirituais, sejam títulos mundanos, são meios de explorar os outros. (…) É só isso que fazeis; não percebeis que sois, vós mesmos, explorados e que portanto criais o explorador (…). Vivemos sob a influência de títulos, de palavras, de frases, destituídos de significação; eis porque interiormente estamos vazios e sofremos. (…) (Novo Acesso à Vida, pág. 45)

(…) Divisão é ilusão. A divisão em grupos, raças, nacionalidades, é fictícia. Somos entes humanos, não separados por nomes e rótulos. Quando os rótulos se tornam mais importantes do que tudo o mais, ocorre a divisão, e lá vêm as guerras e outros choques. (A Luz que não se Apaga, pág. 121)

Os rótulos parecem dar satisfação. Aceitamos a categoria a que supostamente pertencemos, como uma explicação satisfatória da vida. Somos adoradores de palavras e de etiquetas; parecemos nunca ultrapassar o símbolo, (…). Intitulando-nos isto ou aquilo, seguramo-nos contra futuras perturbações, e quedamo-nos satisfeitos. (…) (Comentários sobre o Viver, pág. 172)

(…) Aquele que busca a verdade é um homem religioso e não tem necessidade de etiquetas, tais como “hinduísta”, “muçulmano”, “cristão”. (…) Se tivéssemos amor, (…) caridade em nossos corações, não faríamos o menor caso de títulos (…). Porque os nossos corações estão vazios, enchem-se de coisas pueris (…). Francamente, isso é falta de maturidade. (…) (A Arte da Libertação, pág. 19-20)

(…) Um homem sensato não pertence a grupo algum, não ambiciona posição na sociedade, pois isso só produz guerra. Se fôsseis realmente sensatos, pouco vos importaria o nome que vos dessem; não veneraríeis os rótulos. Mas rótulos, palavras, se tornam coisas importantes quando o coração está vazio. (…) (Idem, pág. 20)

(…) Para sermos entes humanos amadurecidos, precisamos desfazer-nos desses brinquedos absurdos, que são o nacionalismo, a religião organizada, o seguir alguém, política ou religiosamente. Se tendes verdadeiro interesse nisso, então, naturalmente, vos libertareis de todos os atos infantis, de adotardes determinados rótulos: nacionais, políticos ou religiosos; e só então teremos um mundo pacífico. (…) (Idem, pág. 21)

(…) Afinal de contas, os títulos, as posições, os diplomas, as riquezas, são utilizados como meios (…) de sobrevivência psicológica, de certeza, de segurança psicológica. E enquanto estivermos à procura de segurança psicológica, através das coisas, tem de haver disputa em torno das coisas. ( Nós Somos o Problema, pág. 31)

(…) Não há compreensão no culto das personalidades. Os rótulos que adorais carecem de significação. Bem sei que (…) a verdade nada tem que ver com as personalidades mesquinhas e tirânicas que adorais, (…). A verdade transcende todas as graduações, porquanto essas graduações só existem por causa das limitações humanas. (Que o Entendimento seja Lei, pág. 5)

Esta é a opinião (…). Todos quereis ser alguém no Estado, ou ter o título de “Sir” ou de “Lord” ou algo semelhante, e isto se baseia no espírito de posse, nas possessões; e isto se tornou moral, verdadeiro, (…) (Palestras em Auck1and, 1934, pág. 18)

(…) Afinal de contas, se tirardes o nome, o título, a propriedade, os vossos diplomas de B.As e M.As, que resta de vós? Perdeis toda a importância, (…). Sem vossa propriedade, sem vossas medalhas, etc., nada sois. (…) (Da Insatisfação à Felicidade, pág. 36-37)

Reflitamos juntos. Por que desejam as pessoas ser famosas? Em primeiro lugar, porque é vantajoso (…); e, também, porque proporciona muito prazer, (…). Se sois conhecido em todo o mundo, vos sentis importante, (…) imortalizado. Desejais ser famoso, conhecido e falado no mundo inteiro, porque interiormente não sois ninguém. (…) (A Cultura e o Problema Humano, pág. 48)

(…) Interiormente, nenhuma riqueza tendes, (…) e, por isso, desejais ser conhecido no mundo exterior. Mas, se sois rico interiormente, então pouco vos importa serdes conhecido ou desconhecido. (Idem, pág. 48)

(…) Minha mente, percebendo a sua própria insuficiência, sua pobreza, põe-se a adquirir posses, diplomas, títulos (…); e desse modo se fortalece no “eu”. Sendo o centro do “eu”, a mente diz: “Preciso transformar-me” – e põe-se a criar incentivos para si. (…) (Claridade na Ação, pág. 107)

Podeis ter todos os graus acadêmicos do mundo, mas, se não conheceis a vós mesmos, sois extremamente estúpido. (…) Sem autoconhecimento, o cuidar meramente de colecionar fatos (…) é uma maneira muito estúpida de existir. (…) (A Cultura e o Problema Humano, pág. 117)

(…) Podeis ser capaz de citar o Bhagavad Gita, o Upanishads, o Alcorão e a Bíblia, mas, se não conheceis a vós mesmo, sois tal qual um papagaio a repetir palavras. (…) (Idem, pág. 117)

Psicologicamente, terminar o conflito é “ser nada”; e a maioria de nós tem medo de enfrentar o “ser nada” (…). Mas, afinal de contas, que sois vós? Que são todos os VIPs (very important people) – a gente muito importante? (…) (O Homem e seus Desejos em Conflito, 1ª ed., pág. 40)

(…) Tirem-se-lhes os títulos, as posições, as decorações, todas essas bugigangas, e eles ficam reduzidos a nada. E quer-me parecer que nós, a gente comum, também estamos tentando, de várias maneiras, tornar-nos algo; mas, interiormente, não somos absolutamente nada. E por que não ser nada? Sede nada (…). (Idem, pág. 40-41)

Vós sois nada. Podeis ter vosso nome e vosso título, propriedades e depósitos nos bancos, podeis ter poder e fama; todavia, apesar de todas estas defesas, sois o mesmo que nada. Podeis não estar perfeitamente cônscio deste vazio, deste nada, ou podeis simplesmente não desejar estar cônscio dele; ele existe, entretanto, não importa o que façais para evitá-lo. (…) (Comentários sobre o Viver, pág.89)

Uma das camadas ou seções deste fundo é a ignorância. A ignorância não deve ser confundida com a mera falta de informação. A ignorância é a falta de compreensão de si próprio. (…) A ignorância existirá enquanto a mente não desvendar o processo mediante o qual cria suas próprias limitações, e bem assim o processo da ação auto-induzida. (…) (Palestras em Ojai, Califórnia, 1936, pág. 26)

Ignorância é uma coisa, e o “estado de não saber” outra coisa muito diferente; as duas nenhuma relação têm entre si. Uma pessoa pode ser muito ilustrada, muito hábil, muito eficiente e talentosa e, apesar disso, ser ignorante. Há ignorância quando não existe autoconhecimento. O homem ignorante é aquele que não se conhece, que não conhece suas próprias ilusões, vaidades, invejas, etc. (…) (Diálogos sobre a Vida, 1ª ed., pág. 182)

A paixão pelo saber é como outra paixão qualquer; oferece uma fuga aos terrores do vazio, da solidão, da frustração do ser nada. A luz do saber é um manto suntuoso, debaixo do qual está uma escuridão que a mente não pode penetrar. A mente tem pavor a este desconhecido e por esta razão foge para o saber, para as teorias, as esperanças, a imaginação; e justamente este saber constitui um obstáculo à compreensão do desconhecido. (Comentários sobre o Viver, 1ª ed., pág. 24)

(…) Mas, não é fácil pôr de parte o saber. Ser ignorante não é ser destituído de saber. A ignorância é falta de autopercebimento; e o saber é ignorância quando não há compreensão das atividades do “eu”. A compreensão do “eu” é a libertação das prisões do saber. (Idem, pág. 24)

Só se está liberto do saber, quando se compreende o processo da acumulação, a base do impulso para a acumulação. O desejo de acumular é o desejo de segurança e de certeza. Esse desejo (…) é a causa do temor, o qual destrói toda comunhão. (…) A acumulação é resistência egocêntrica, e o saber torna mais forte esta resistência. A adoração do saber é uma forma de idolatria, e nunca dissolverá o conflito e o sofrimento (…) (Idem, pág. 24-25)

(…) Ignorância não significa a falta de conhecimentos técnicos, (…) de leitura de muitos livros filosóficos: ignorância é a falta de conhecimento próprio. Ainda que uma pessoa tenha lido muitos livros filosóficos e sagrados e seja capaz de citá-los, essas citações, que representam uma acumulação de palavras e experiências alheias, não libertam a mente da ignorância. (…) (A Arte da Libertação, pág. 24)

Tenho procurado explicar que a ignorância, a malevolência e a luxúria causam aflição e que, se não eliminarmos esses obstáculos, originaremos inevitavelmente o conflito, a confusão e a miséria exteriores. A ignorância – a falta de conhecimento de nós mesmos – é o maior dos males. Impede o correto pensar e dá importância primária às coisas secundárias, (…) a vida se torna vazia, pesada e rotineira. (…) (Autoconhecimento, Correto Pensar, Felicidade, pág. 106)

É bem perceptível o processo do sofrimento, (…). E faltando-nos o amor, o prazer assume toda a importância.

Não só existe essa espécie de sofrimento, mas há também (…) o sofrimento causado pela ignorância. Há ignorância, mesmo quando somos bem ilustrados, dotados de vasta cultura e experiência, das aptidões com que se ganha fama, notoriedade, dinheiro. (…) (Palestras com Estudantes Americanos, pág. 138)

(…) A ignorância não se dissipa com o acumular fatos e informações; isso o computador pode fazer muito melhor do que a mente humana. Ignorância é a total ausência de autoconhecimento. Em maioria, somos superficiais e vulgares, (…). Essa ignorância engendra toda espécie de superstição, perpetua o medo, gera a esperança e o desespero e todas as invenções e teorias da mente astuciosa. (…) (Idem, pág. 138-139)

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