Tenho sustentado, (…) que a mente precisa ser livre do conhecido para achar algo que pode ser chamado “o desconhecido”. (…) Ora, pode a mente ser libertada de todas as suas suposições, crenças, dogmas, hábitos de pensamento? Expressando-o diferentemente: Pode a mente tornar se simples, para ser capaz de uma experiência completamente nova – e não uma experiência baseada em coisas velhas, (…) projetada? Pode a mente estar aberta para o Desconhecido (…), e estar cônscia ao mesmo tempo do conhecido, como fato presente? (…) (Palestras na Austrália e Holanda, 1955, pág. 59)

(…) Poderá a mente transcender o pensamento, que é resultado do conhecido? Não pode, evidentemente; porque, quando o pensamento procura passar além, o que ele segue é sua própria “projeção”. O pensamento não pode experimentar o desconhecido, só pode experimentar o que ele próprio “projetou”, que é o conhecido. (…) Assim, a mente precisa findar – o que significa que deve estar quieta, meditativa. (…) É só quando a mente está tranqüila, não tendo sido obrigada a ficar tranqüila, que existe a possibilidade de experimentar o desconhecido. (Que Estamos Buscando?, pág. 135-136)

Temos de estar livres de toda crença, o que quer dizer de todo medo, para sabermos se existe uma Realidade, um estado Atemporal. Para descobrir é preciso estar liberto – liberto do medo, da avidez, da ambição, da inveja, da competição, da desumanidade; só então a mente estará lúcida, sem obstáculos, sem conflito nenhum. Só uma mente assim é serena e apenas a mente serena pode descobrir se existe o eterno, o inominável. (O Mundo Somos Nós, pág. 50)

O Eterno é sempre o desconhecido para a mente que acumula. O que se acumula são lembranças – e a memória é sempre o passado, sempre presa ao tempo. O que resultou do tempo não pode compreender o Atemporal, o Desconhecido. (O Egoísmo e o Problema da Paz, pág. 222)

(…) Só no desconhecido há renovação; é no desconhecido que há criação, e não na continuidade. Assim, precisais sondar o desconhecido, mas, para tanto, não podeis ficar apegado à continuidade do conhecido; porque o “eu” e a constante repetição do “eu” recaem no campo do tempo, com suas lutas, (…) realizações, (…) lembranças. (…) Para investigar o desconhecido, a mente precisa tornar-se o desconhecido. (…) (A Arte da Libertação, pág. 129-130)

Quando a mente coração é ampla, profunda e tranqüila, acontece o Real. Se a mente busca um resultado, por nobre e digno que seja, se está interessada em vir a ser, já não é ampla e infinitamente flexível. Ela deve ser tal como o Desconhecido, para receber o Incognoscível. Deve estar inteiramente tranqüila, para que o Eterno seja. (O Egoísmo e o Problema da Paz, pág. 121)

Para estarmos cônscios de algo que não seja parte da projeção do conhecido, torna-se necessária a eliminação, por meio da compreensão, do processo do conhecido. Por que a mente está sempre apegada ao conhecido? Não é porque a mente está sempre em busca da certeza, da segurança? Sua natureza intrínseca é o conhecido, o tempo.

Como pode esta mente, que está alicerçada justamente no tempo, no passado, conhecer o atemporal? Ela pode conceber, formular, imaginar o desconhecido, mas tudo isso é absurdo. O desconhecido só pode se manifestar quando o conhecido é compreendido, dissolvido, abandonado. (A Primeira e Ultima Liberdade, 1ª ed., pág. 152)

Ora, a única liberdade verdadeira é a que consiste em estar livre do “conhecido”. (…) O conhecido tem seu lugar próprio, (…). Preciso conhecer certas coisas para que possa “funcionar” na vida de cada dia. Se eu não soubesse onde resido, perder-me-ia. E há o saber acumulado das ciências, da medicina e de várias tecnologias, o qual se vai acrescentando constantemente. (Experimente um Novo Caminho, pág. 39-40)

Tudo isso está contido no campo do “conhecido”, e tem seu lugar próprio. Mas o “conhecido” é sempre mecânico. Toda experiência que tivestes, seja do passado remoto, seja apenas de ontem, está no campo do “conhecido”, e daí, desse fundo, reconheceis toda experiência ulterior.

No campo do conhecido, há sempre apego, com os concomitantes temores e desesperos; e a mente aprisionada nesse campo, por mais extenso e amplo que seja, não é livre. Poderá escrever livros (…) saber como se vai à lua (…) – mas essa mente está ainda aprisionada na esfera do conhecido. (Idem, pág. 40)

(…) Dentro desse campo, pode-se produzir, (…) inventar, (…) pintar quadros, fazer as coisas mais extraordinárias (…); nada disso, porém, é criação. Essa perene busca de grandes feitos e de expressão pessoal é de todo em todo pueril, pelo menos para mim. (Idem, pág. 41)

Ora, estar livre de tudo isso é estar livre do “conhecido”; é o estado da mente que diz: “Não sei” – e que não está procurando resposta. Essa mente se acha, toda ela, num estado de “não procura”, de “não expectativa”; e só nesse estado pode-se dizer “compreendo”. É o único estado em que a mente é livre, e desse estado podeis olhar as coisas conhecidas (…). Do conhecido não tendes possibilidade de ver o desconhecido; (…). (Idem, pág. 41)

A Realidade está presente aqui, neste momento, (…) ao nosso alcance. O eterno, o atemporal existe agora, e não pode o agora ser compreendido por aquele que está preso na rede do tempo. (…) (Uma Nova Maneira de Viver, pág. 117)

Ora, o que continua não tem renovação. (…) Mas é esse findar que nos apavora, não percebendo que só no findar pode haver renovação, criação, o desconhecido (…).

É só quando morremos em cada dia para tudo o que é velho, é que pode haver o novo. Não pode existir o novo onde existe a continuidade – pois o novo, o criador, o desconhecido, o eterno, Deus, (…). (Viver sem Confusão, pág. 31)

Mas é possível à mente pôr de lado todo o seu saber, (…) experiências, (…) lembranças, (…) achar-se naquele estado de desconhecimento? Esse é o mistério (…). Não pode a mente tornar-se, ela própria, o desconhecido, ser o desconhecido? (…) (Poder e Realização, pág. 77)

Isso requer (…) uma liberdade extraordinária das prisões do conhecido. A mente está sempre tentando, com a carga do conhecido, apoderar-se do desconhecido. Mas quando a mente está liberta do passado (…) – da experiência, (…) memória , (…) conhecimento – ela é então o desconhecido, e para essa mente não existe a morte. (Idem, pág. 77)

Para conhecer o desconhecido, deve a mente ser, ela própria, o desconhecido. A mente tem sido até agora o resultado do conhecido. Que sois vós senão uma acumulação de coisas conhecidas: vossas tribulações, (…) vaidades, (…) ambições, dores, realizações e frustrações? Tudo isso é conhecido, o conhecido do tempo e do espaço; e enquanto a mente estiver funcionando dentro da esfera do tempo, do conhecido, jamais poderá ser o desconhecido; (…). (Percepção Criadora, pág. 87)

Pois bem (…). Afinal, o atemporal, a eternidade inefável é isto: quando a própria mente é o desconhecido. Por ora, a mente é o conhecido, resultado do tempo, de ontem, do saber, de experiências e crenças acumuladas, e, nesse estado, a mente jamais chegará a conhecer o desconhecido. (…) (Percepção Criadora, pág. 44)

Para que o desconhecido venha à existência, a mente precisa estar completamente vazia; não pode haver o experimentar da realidade, porque o experimentador é o “eu”, com todas as suas lembranças acumuladas, tanto conscientes como inconscientes. O “eu”, que é o resíduo de tudo isso, diz: “Estou experimentando”; mas aquilo que ele pode experimentar é apenas a sua própria projeção. O “eu” não pode experimentar o desconhecido; só lhe é possível experimentar o conhecido, o que foi projetado de si mesmo, (…) criação do pensamento como reação do passado. (…) (Por que não te Satisfaz a Vida?, pág. 35-36)

Senhores (…). Ora, um caminho só pode conduzir a algo que já é conhecido, e o que é conhecido não é a verdade. Quando conheceis alguma coisa, deixa ela de ser a verdade, porque é coisa do passado, (…) estacionária. Por essa razão, o que é conhecido está enredado no tempo, e por conseguinte não é a verdade, (…) o real. (…) Mas a realidade é o imensurável, o desconhecido. (…) (Uma Nova Maneira de Viver, pág. 92)

Vós não podeis conhecer, o “desconhecido”. Só podeis conhecer o que já experimentastes e, portanto, sois capaz de reconhecer. O “desconhecido” não é reconhecível; e, para a manifestação dessa imensidade, é preciso que termine o “conhecido”. É necessária a libertação do “conhecido”. (…) (O Homem e seus Desejos em Conflito, 1ª ed., pág. 97)

Não há possibilidade de falar do “desconhecido”. Não há palavra nem conceito (…) A palavra não é a coisa; e a coisa precisa ser percebida diretamente. (…) E isto é (…) difícil: perceber uma coisa com “inocência”. Perceber uma coisa com amor – amor jamais contaminado pelo ciúme, pelo ódio, pela ira, pelo apego, pela posse. (…) Porque é só então, nesse estado livre do “conhecido”, que a “outra coisa” pode manifestar se. (Idem, pág. 97)

(…) Quando compreenderdes a vida, encontrareis o desconhecido; porque a vida é o desconhecido, vida e morte são a mesma coisa. (…) (A Arte da Libertação, pág. 131)

(…) A vida é o desconhecido, assim como a morte é o desconhecido, como a verdade é o desconhecido. A vida é o desconhecido; mas nós nos aferramos a uma insignificante expressão dessa vida, e isso a que nos apegamos é simples memória, um pensamento que não se completou; por conseguinte, (…) é uma coisa irreal, (…) (Idem, pág. 131)

Só quando a mente e o coração, vulneráveis, defrontam a vida, o desconhecido, o imensurável, é que se dá o êxtase da verdade. Quando a mente não se acha sobrecarregada de valores, de lembranças, com crenças preconcebidas e é capaz de defrontar o desconhecido, nesse mesmo defrontar nasce a sabedoria, a beatitude do presente. (Palestras em New York City, 1935, pág. 50)

(…) Assim, pois, para se encontrar o que é real, o que é Deus, deve haver liberdade – precisamos estar livres do temor, (…) do desejo de segurança interior, (…) do medo do desconhecido. E só então, por certo, estaremos aptos a “experimentar” o desconhecido (…), e saberemos se existe Deus. (…) (Nós Somos o Problema, pág. 38)

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