Passando à biografia de Krishnamurti (Jiddu), conforme as fontes existentes, nasceu ele a 11 de maio de 1885, na cidade de Madnapelle, a 240km ao norte de Madrasta, Índia. Como oitavo filho, do sexo masculino, de pais brâmanes, recebeu o nome Shri Krishnamurti. Quando criança, astrólogo indiano previra que ele seria um grande homem, alguém maravilhoso. Desde pequeno ajudava aos necessitados. Consta que, por esforços de vidas passadas, nascera sem “ego”, isto é, com este dissolvido.

Após a morte de sua mãe, Jiddu Sanjeevamma, em 1905, o pai Jiddu Narianiah, coletor de rendas, juiz distrital, tendo-se aposentado, foi aceito para residir e trabalhar em Adyar, Madrasta, Sede Internacional da The Theosophical Society, à qual pertencia. Lá o Sr. Leadbeater (Charles W.), com sua ampla e profunda clarividência, observando as vidas pretéritas no menino Krishnamurti, chegara à conclusão de que as suas condições espirituais eram excepcionais (resultado de encarnações passadas). Daí ter Annie Besant e ele próprio decidido encarregar-se do prosseguimento de seus estudos na Inglaterra.

Na época, a conclusão do curso de humanidades em estabelecimento importante, com currículo enriquecido e maior rigor no ensino, conferia o diploma de “bacharel em ciências e letras”. Jinarajadasa, que também estudou na Inglaterra, diz que o recebeu. (No Brasil, o Colégio Pedro II (do qual fomos aluno) o forneceu aos que nele concluíram os estudos até 1937, ano do Centenário).

Em virtude da vida espiritual transcendente e de compromissos com a sua Missão, recebeu posteriormente Krishnamurti ensinamentos de variados professores universitários e de especialistas, em diferentes campos do saber, de interesse, e o intercâmbio com eles seguiu durante toda a sua vida.

Desde criança revelava Krishnamurti um progresso espiritual que se sobrepunha à mera intelectualidade. Por isso, paralelamente aos estudos mundanos, recebia oralmente conhecimentos filosófico-religiosos (na educação, como brâmane), de teosofia e outros. As temporadas que passou na França lhe permitiram aprender também o francês. Além disso, ele exercitava o autodomínio, o conhecimento de si próprio, recebia treinamento espiritual no Invisível.

O fato é que, em 1910, com apenas 15 anos de idade, caso inédito, revelou o amadurecimento e a experiência que lhe permitiram vencer a primeira etapa na Senda de santidade-sabedoria (1ª Iniciação). Ao mesmo tempo, com a criação da Ordem da Estrela do Oriente em 11-01-1911, ficou como Chefe da mesma. Seguiram-se as condições para o atendimento da 2ª etapa da referida via (2ª Iniciação) em 1912, da 3ª em 1922 e da 4ª, de Arhat, santidade-sabedoria, em 1925.

Essas ascensões espirituais são referidas na obra adiante citada, de Mary Lutyens (Krishnamurti – Os Anos do Despertar), biografia, pág. 45-46, 66, 68, 167, 291, 295, 297, paralelamente a adaptações e provações, não obstante seu delicado corpo e saúde. Pois contraíra doenças e pestes na Índia, acompanhando a família, visto que seu pai estava sujeito a mudança de local de trabalho. Sem esquecer os tremendos esforços, a purificação do amor, o agudo discernimento exigidos pela vida espiritual superior. Mas ele teve a capacidade para suportar os referidos encargos e realizar a obra adiante relatada, com vigor sempre renovado, até o passamento em 17-02-1986.

No livro “Los Maestros y el Sendero” (versão do original inglês), faz Charies W. Leadbeater relato da Cerimônia da 1ª iniciação de Krishnamurti (no Invisível), que o autor, graças à evolução espiritual que alcançara, teve a oportunidade de assistir. A obra foi escrita de 1924 a 1925, e a descrição aparece apenas na 1ª edição, sendo omitida nas seguintes.

A mencionada versão espanhola, da 1ª edição inglesa, foi publicada pela Biblioteca Orientalista (Editoral Teosófica), de Barcelona, Espanha, em 1927. Embora o relato não cite o nome ao Sr. Krishnamurti, tudo indica que as cerimônias correspondem às que ele se submeteu, dada a excepcional magnitude, e uma série de circunstâncias pertinentes, que o identificam.

Conforme a fonte, estiveram presentes, além do Senhor Maitreya (nome do Senhor Cristo na Índia), os Senhores Manu e Mahachoan, os principais Mestres de Sabedoria e muitos outros Iniciados. Uma hoste de anjos pairava no ambiente, produzindo adequada música celeste. No relato se lê que o candidato era o mais jovem (de corpo físico) de quantos até a data tinham sido apresentados para ingresso na Fraternidade.

E ainda que a excelente luz áurea do Senhor Buddha refulgira sobre os presentes à reunião, na bênção final. Ocorrências assemelhadas, excepcionais, suntuosas, se verificam na 2ª Iniciação, relatada adiante, na mesma obra, pelo autor, com a presença mais objetiva do Senhor Buddha (pág. 124-132 e 162-170).

Lê-se ainda, na fonte, em trecho igualmente suprimido nas edições posteriores, o que segue: “O Instrutor do Mundo virá quando julgue oportuno, ainda que se nos diz que não há de tardar. A Ordem da Estrela do Oriente se fundou faz treze anos para preparar o advento do Instrutor, reunindo em uma aspiração comum as gentes de todas as religiões e seitas que esperam Sua vinda(…)” (pág. 207-208).

Posto que o Senhor Maitreya há escolhido a nossa Presidente (Sra. Annie Besant) para que anuncie Seu advento, nos parece razoável conjeturar que seus ensinamentos se parecerão bastante às idéias que, com tanta eloqüência, há pregado ela durante os últimos trinta e seis anos. (…) Certamente que o advento de Cristo está relacionado com um fim, porém não do mundo, mas de uma idade ou era, (…) (pág. 208).

Mas posteriormente a Dra. Annie Besant retificara a conjetura do Revdo. Charles Leadbeater, ao dizer repetidamente o que se segue, conforme palavras do próprio Sr. Krishnamurti, na obra intitulada “Palestras em Auckland, 1934”: “Sabeis, é extraordinaríssimo! A Dra. Besant disse a todos os membros, e eu costumava ouvir-lhe freqüentemente dizer: Estamos nos preparando para um Instrutor do Mundo. Mantende aberta a vossa mente. Ele pode contradizer tudo o que pensais e dizê-lo de forma diferente”(…) (pág. 101).

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