É a mente, a vontade, com seus apegos, desejos, temores, que cria o conflito entre si e a emoção. O amor não é a causa da miséria; são os temores, os desejos, os hábitos da mente que criam a dor, a agonia do ciúme, a desilusão. (…) (Palestras em Ommen, Holanda, 1937-1938, pág. 99)

Tomemos, para exemplo, um sentimento muito comum: o ciúme. Todos sabemos o que é ser ciumento. (…) Quando observais um sentimento, vós sois o observador do ciúme. (…) Tentais modificar o ciúme, alterá-lo. (…) Há, portanto, um ser, um censor, uma entidade separada do ciúme, a qual o observa. Momentaneamente, o ciúme poderá desaparecer, porém volta. (…) (O Homem e seus Desejos em Conflito, 1ª ed., pág. 149-150)

O ciúme, em quase todos nós, se tornou um hábito, e, como todo hábito, tem continuidade. Quebrar o hábito (…) significa estar cônscio do hábito. (…) Nesse estado de total percebimento descobrireis terdes eliminado completamente aquele sentimento habitualmente identificado com a palavra “ciúme”. (Idem, pág. 151)

O ciúme implica insatisfação com o que sois e inveja a outros. O próprio descontentamento com o que sois é o começo da inveja. Desejais igualar-vos a outro que tem mais conhecimentos, ou que é mais belo ou possui uma casa maior, ou que tem mais poder, uma posição melhor. (…) Vosso desejo de mudança gera inveja, ciúme; ao passo que, na compreensão do que sois, há uma transformação do que sois. (…) (A Cultura e o Problema Humano, pág. 28-29)

Sabem o que é a inveja? Ela começa quando vocês ainda são bem pequenos – sentem inveja de um amigo mais bonito (…), que tem melhores coisas ou uma posição melhor. Vocês ficam com ciúmes se outro menino ou menina lhes passa à frente na classe, se tem pais mais ricos ou pertence a uma família mais distinta. (…) (O Verdadeiro Objetivo da Vida, pág. 106)

À medida que crescem, a inveja fica cada vez mais forte. Os pobres invejam os ricos, e os ricos (…) os mais ricos. Há a inveja (…) do escritor que quer escrever ainda melhor. (…) Queremos estar mais chegados do que outros a algum alto funcionário do governo, ou sentir que, no íntimo, somos espiritualmente mais evoluídos. (…) (Idem, pág. 106)

A inveja é (…) difícil de descobrir em nós mesmos, porque a mente é o centro da inveja. (…) A própria estrutura da mente é edificada sobre as bases da cobiça e da inveja. (…) Assim sendo, cupidez, inveja, pensamento comparativo, tudo isso produz descontentamento. (…) (O Verdadeiro Objetivo da Vida, pág. 107-108)

(…) Evidentemente, é necessário que nos libertemos da inveja, porquanto é ela fator de deterioração, é anti-social, etc. Por inúmeras razões, estamos cônscios de que a inveja é uma qualidade, um impulso, uma reação que precisa ser extirpada. (A Renovação da Mente, pág. 53-54)

Compreendeis estas duas palavras: “orgulho” e “êxito”? Já considerastes o que significa ter bom êxito, como escritor, (…) poeta, (…) pintor, (…) negociante, (…) político? (…) Naturalmente, esse sentimento é acompanhado de orgulho – “Eu realizei algo. Eu sou muito importante”. Esse sentimento do eu é, na sua própria essência, o sentimento de orgulho. O orgulho, pois, cresce juntamente com o bom êxito. (…) O orgulho é uma coisa que produz sempre uma grande porção de vaidade egotista (…) (Novos Roteiros em Educação, pág. 104-105)

Ora, você é arrogante? O homem que está tentando se tornar alguma coisa psicologicamente, é arrogante. Uma pessoa é arrogante quando tenta se tornar algo que não é. O tornar-se algo é o movimento da arrogância (…) Isso nega totalmente o sentido de humildade. Quando você está vendo fatos, deve então ser totalmente modesto, ao invés de cultivar a humildade.

Só o vaidoso cultiva a humildade. Quando é vaidoso, arrogante, pode cultivar a humildade, mas essa humildade é apenas arrogância. Estamos percorrendo o mesmo caminho de nos tornarmos algo e, portanto, nos comportando como desonestos, fingindo ser o que não somos. Visto isso, uma mente correta olha para o fato, o fato de que você é violento, arrogante. (…) (Mind Without Measure, pág. 114)

(…) A maioria das mentes estão peadas pela vaidade, pelo desejo de impressionar os outros, (…) de serem algo ou (…) de atingir a verdade, ou de se evadirem do seu ambiente, ou ainda de expandirem sua consciência. (…) Todas essas coisas impedem a mente de perceber diretamente o pleno merecimento do ambiente; (…)

E como a maioria das mentes estão imbuídas de preconceitos, a primeira coisa de que nos devemos tornar conscientes é das nossas limitações. (…) Quando reconheceis que sois brutalmente orgulhosos ou vaidosos, na própria consciência da vaidade começa ela a dissipar-se, pois vedes o absurdo dela; se, porém, começardes apenas a disfarçá-la, criará ela outros males ulteriores, (…) reações. (Palestras em Ojai, 1934, pág. 36)

(…) Quando a confiança provém de ação exercida dentro da estrutura social, é sempre acompanhada de uma estranha arrogância. (…) A confiança do homem que sabe “fazer coisas”, que é capaz de alcançar resultados, traz sempre o colorido dessa arrogância do “eu”. (…) (A Cultura e o Problema Humano, pág. 92)

Já notastes como são arrogantes os idealistas? Os líderes políticos que logram certos resultados, (…) reformas – já não notastes como são presunçosos, “cheios de vento”, com seus ideais e suas realizações? (…) (Idem, pág. 92)

(…) O sentimento do “eu” é, em sua própria natureza, uma sensação de orgulho. Assim, o orgulho cresce com o sucesso; uma pessoa se orgulha de ser muito importante em comparação com outras. (…) (O Verdadeiro Objetivo da Vida, pág. 87)

O orgulho traz muita vaidade. (…) Quando passam num exame e sentem que são um pouco mais inteligentes, (…) experimentam uma sensação de prazer. Ocorre o mesmo quando vencem alguém numa discussão (…) Essa sensação de importância do “eu” inevitavelmente acarreta conflito, luta, dor. (…) (Idem, pág. 87)

(…) É desse modo que começamos a depender de outros, pelo prazer de ouvir-lhes os elogios e louvores. (…) E depois, que acontece? Ao vos tornardes mais velho, desejais que o que fazeis seja admirado por muita gente. (…) Daí nasce o orgulho. (A Cultura e o Problema Humano, pág. 50)

Como podeis viver no presente sem a dor (…) as penas da aflição? A aflição tem de ser resolvida, não no curso do tempo, mas pela compreensão; só pode ser resolvida no presente. (…) Vem-nos uma atividade e uma vitalidade extraordinária quando há observação direta do que é. (…) (Que Estamos Buscando?, pág. 108)

(…) A aflição pode terminar imediatamente; a liberdade não está no fim, porém no começo. Para compreender-se isso, necessita-se o começo da liberdade, para ver o falso como falso. (…) (Idem, pág. 108)

Qual é a causa, pois, da tristeza? (…) Tristeza e alegria, dor e prazer, luz e sombra, são a mesma coisa. A tristeza precisa existir, assim como o prazer. É inútil tentar fugir a qualquer delas. Somente quando estiverdes absolutamente isentos de ser perturbados por qualquer dessas coisas, é que a verdadeira perfeição morará em vosso coração e na vossa mente. (Boletim Internacional da Estrela, janeiro de 1930, A Causa da Tristeza, pág. 28)

O “eu” está sempre ascendendo pela auto-afirmação. (…) Ele afirma “eu sou”, à medida que vai subindo a montanha da experiência. Essa auto-afirmação do “eu sou”, cria ecos, e esses ecos voltam como tristeza, dor, prazer. (…) (Idem, pág. 28)

A tristeza não purifica. Por que é que há tristeza? Quando a mente que está estagnada, narcotizada, adormecida pelas crenças, peada pelas limitações, é despertada pelo movimento da vida, a esse despertar chamamos de sofrimento. (…) (Palestras no Chile e México, pág. 29-30)

A tristeza nada mais é que um indício de limitação, de algo que é incompleto. (…) Tendes de compreender a causa e os efeitos. (…) Desses múltiplos obstáculos, dessas memórias auto-defensivas, nasce a consciência limitada, o “eu”, que é a verdadeira causa do sofrimento. (Idem, pág. 30)

Conhecemos a tristeza; está sempre ao nosso lado, é a nossa companheira constante; parece não ter fim – o sofrimento sob diferentes formas, em níveis diferentes, físicos e psicológicos (…) (Da Insatisfação à Felicidade, pág. 79)

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