Como é essencialmente simples a vida, e como a complicamos! O amor não é complexo, mas a mente o faz complexo. Vivemos demais com a mente e desconhecemos os caminhos do amor. Conhecemos os caminhos do desejo e o ímpeto do desejo; desconhecemos, porém, o amor. O amor é a chama sem fumo. Estamos muito bem familiarizados com a fumaça; ela enche a cabeça e o coração (…) Não somos simples, como a beleza da chama; torturamo-nos com ela. Não vivemos com a chama, acompanhando-a prestamente aonde quer que nos leve. (Comentários sobre o Viver, pág. 208)

O amor, positivamente, é uma chama sem fumaça. É só a fumaça que conhecemos bem – a fumaça do ciúme, da ira, da dependência, (…) de apego. Não temos a chama, mas estamos perfeitamente familiarizados com a fumaça; e aquela chama só podemos ter quando não houver mais fumaça. (Viver sem Confusão, pág. 60-61)

Será de fato difícil a transformação do indivíduo? É difícil ser bondoso, amar alguém? Afinal, é esta a essência de uma transformação radical. (…) Estamos de tal maneira entranhados nos impulsos que incitam ao ódio, à antipatia, que perdemos a chama pura, ficou-nos só fumo; (…) Não possuímos mais (…) a chama da criação; tomamos o fumo pela chama. (…) (Que Estamos Buscando, pág. 91)

O amor não é coisa da mente. A mente gera a fumaça do ciúme, da posse, da saudade, da evocação do passado, da ansiedade pelo amanhã, da tristeza e da preocupação; e essa fumaça sufoca a chama, infalivelmente. Quando não existe fumaça, existe chama. As duas coisas não podem existir juntas. (…) Desejo é projeção do pensamento, e pensamento não é amor. (Comentários sobre o Viver, pág. 199)

(…) A revolução só poderá realizar-se quando houver amor, e não antes. O amor é a única chama sem fumo; mas, infelizmente, enchemos os nossos corações com as coisas da mente, e por isso os corações estão vazios e as mentes cheias. (Que Estamos Buscando, pág. 31)

(…) Quando amais a um, amais a outros, há cordialidade para com todos. Sois então sensível, flexível. (…) O amor não é coisa para ser cultivada; ele nasce, pronta e imediatamente, quando não é impedido pelas coisas da mente. Estão vazios os nossos corações, e é por isso que não existe comunhão (…) Quando há amor – cordialidade, generosidade, afabilidade, compaixão – não se necessita de filosofia alguma nem de instrutores; porque o amor é a própria verdade. (Idem, pág. 38)

(…) O amor é algo novo, eterno, de momento a momento. Nunca é o mesmo, nunca é como foi antes; e sem o seu perfume, (…) sua beleza, (…) sua bondade, procurar com a ajuda de um guru aquilo que podeis achar por vós mesmo é de todo inútil. (Da Insatisfação à Felicidade, pág. 91)

Não é assim o amor. Ele é como aquele bosque do outro lado da estrada: sempre a renovar-se porque está sempre a morrer. Não existe nele a permanência que o pensamento busca (…) A consciência do pensamento e a consciência do amor são duas coisas diferentes: uma leva à escravidão, e a outra, à floração da bondade. (…) O amor é anônimo (…) Sem ele, não se pode encontrar a bem-aventurança da verdade. (A Outra Margem do Caminho, pág. 133)

Quando (…) Já se houver dedicação, bondade, solicitude, daí surgirá a finura, a polidez, a benevolência para com os demais, (…) a pessoa pensa cada vez menos em si (…) E aquele que não tem preocupação egocêntrica é, na verdade, um ser humano livre. (…) (Ensinar e Aprender, pág. 55-56)

Amor é um sentimento em que existe doçura, mansidão, ternura, consideração, beleza. No amor não há avidez, nem ciúme. (Idem, pág. 57)

(…) Para o homem feliz, o homem que ama, não há divisões; ele não é brâmane, nem inglês, nem alemão, nem hindu. Para esse homem não há divisões de “altos” e “baixos”. (…) Quando amais, tendes um sentimento de riqueza que vos perfuma a vida e estais pronto a dividir o vosso coração com outrem. Quando está cheio o coração, as coisas da mente fenecem. (A Arte da Libertação, pág. 36)

(…) O problema da desigualdade só poderá ser resolvido quando existir o amor (…) O homem que ama não está interessado em quem é superior nem inferior; para ele não existe igualdade nem desigualdade; só há um “estado de ser”, que é amor. (…) (Visão da Realidade, pág. 196)

(…) Quando estais naquele “estado de amor”, não existe repugnância. Ele é como uma flor que exala o seu perfume (…) Um homem que ama está todo entregue ao seu amor, não lhe importando se as pessoas têm “rostos inexpressivos” (…) (Novo Acesso à Vida, pág. 133)

(…) Quando há amor, isso é de somenos importância. Embora observeis os fatos, (…) não vos repugnam. Não é o amor, mas, sim, o coração vazio, o espírito árido, o intelecto endurecido, que é repelido ou atraído. E quando uma pessoa ama, não há escravização. Há sempre uma renovação, uma fresca vitalidade, uma alegria não no falar, mas naquele próprio estado. (…) (Idem, pág. 133)

(…) O amor não tem códigos de moral, (…) não é reforma. Quando o amor se torna prazer, a dor é inevitável. O amor não é pensamento, e é o pensamento que dá prazer – prazer sexual, (…) do sucesso. (…) O pensamento, pelo pensar nesse prazer, dá-lhe vitalidade (…) Essa exigência de prazer é o que chamamos sexo (…) Ele se acompanha de uma grande abundância de afeição, ternura, desvelo, companheirismo, etc. (…) (A Outra Margem do Caminho, pág. 57)

Não sabeis que, quando amais, cooperais, não estais pensando em vós mesmos? Esta é a mais elevada forma de inteligência – e não quando amamos como uma entidade superior, ou quando nos achamos em boa situação, o que nada mais é que temor. (A Primeira e Última Liberdade, 1ª ed., pág. 116)

(…) Sabemos o que o amor significa? O amor não pede nada a outrem. (…) O amor não reclama nada da esposa, do marido, nada reclama dos outros, nem física nem emocional nem intelectualmente. Não segue a outrem, não tem um conceito para logo seguir esse conceito. Porque o amor não é ciúme (…) O amor não busca posição, status, prestígio. Porém possui sua própria capacidade, destreza, inteligência. (La Llama de la Atención, pág. 49-50)

(…) Quando amais alguém, não pensais no que ireis ganhar dessa pessoa. Não amais a pessoa porque ele ou ela vos dá dinheiro, ou posição, ou outra espécie de satisfação. Simplesmente, amais – se tal amor realmente existe. Ora, se amo verdadeiramente o que estou fazendo, não há ambição. Não me comparo com ninguém (…) Amo o meu trabalho e, portanto, a minha mente, o meu coração, o meu ser inteiro está nele. (…) (Idem, pág. 220)

Deseja também saber (…) Ora, amar é ser livre. No amor, são livres ambas as partes. Se existe a possibilidade de sofrimento, não se trata então de amor, mas, sim, puramente, de uma forma sutil do instinto de posse, (…) de aquisição. Se amais, se realmente amais alguém, não há possibilidade de lhe causardes dor (…) (A Luta do Homem, pág. 53-54)

(…) Mas, o estar cônscio de ser nada significa ser alguma coisa. Ser nada (…) não pode ser provocado; esse estado só se conhece havendo amor. Mas o amor não é uma coisa que possa ser procurada; ele vem quando há em nós uma revolução interior, quando o “eu” já não é importante, já não é o centro da nossa existência. (Claridade na Ação, pág. 98)

Parece-me verdadeiramente importante viver completamente cada dia, com tanta plenitude, tão criadoramente, tão ricamente, que nunca tenhamos um amanhã. Isso, afinal, é amor. (…) O amor não conhece o amanhã. (As Ilusões da Mente, pág. 105)

(…) A mente que está quieta conhecerá o ser, o amor. O amor não é pessoal nem impessoal. Amor é amor, e a mente não o pode definir ou descrever como inclusivo ou exclusivo. O amor é a própria eternidade; ele é o real, o supremo, o imensurável. (O que te Fará Feliz? pág. 97-98)

Assim, sem se morrer não há amor, porque o amor é sempre novo e não uma rotina de sexo e prazer. Para a maior parte de nós, por todo o mundo, o sexo tornou-se um problema enorme, (…) de que retiramos prazer (…) Até parece que o sexo acaba de ser descoberto pela primeira vez, sendo-lhe dado lugar em todas as revistas (…) (O Mundo Somos Nós, pág. 132)

Se não sabeis o que é amor, morreis como um lastimável ente humano, sem conhecer aquela imensidade que se chama “vida”. E, no conhecer a plenitude da vida, encontra-se a plenitude do “desconhecido”. (…) (Uma Nova Maneira de Agir, pág. 66)

(…) A ação não deve ter motivo, (…) não deve ser a busca de um fim; e a ação que não busca um fim só pode vir quando há o amor. O amor não é coisa difícil. Só há amor quando o intelecto compreende a si mesmo, (…) quando o processo de pensamento, com suas hábeis manobras, seus ajustamentos, (…) busca de segurança, deixa de funcionar, descobrireis então que vosso coração é rico, cheio, abundante de felicidade, porque descobriu aquilo que é eterno. (A Arte da Libertação, pág. 105)

(…) Só a mente que percebeu o significado do tempo, da morte e do amor – os três estão relacionados entre si – só essa mente pode “explodir” no “desconhecido”. (Idem, pág. 66)

Que significa amar? Será algo ideal, (…) distante, inatingível? Ter a qualidade da simpatia, da compreensão, de ajudar os outros naturalmente, sem motivo algum, ser espontaneamente bom, ter consideração por uma planta ou por um animal, sentir-se solidário com os camponeses, generoso com o amigo, (…) o próximo – não é isso o que entendemos por amor? Não é o amor um estado em que não há ressentimento, mas eterno perdão? E não será possível senti-lo? (O Verdadeiro Objetivo da Vida, pág. 95)

Nossa educação, desde a infância, é desenvolvida em torno da idéia de vir a ser alguém, (…) e mui poucos dentre nós tivemos ocasião de aprender a amar o que estamos fazendo. Quando amais o que estais fazendo, trabalhais sem motivo, sem ânsia de êxito. (O Homem e seus Desejos em Conflito, 1ª ed., pág. 220)

O problema é: o que é o amor sem motivo? Pode acaso haver amor sem nenhum incentivo, sem que se deseje tirar algum proveito dele? Pode haver amor em que não haja mágoa por ele não ser retribuído? Se eu lhe ofereço a minha amizade e você a recusa, não ficarei ferido? Esse sentimento de mágoa é o resultado de amizade, de generosidade, de simpatia? Certamente, enquanto eu me sinto magoado, enquanto houver em mim medo, (…) ou o ajudar esperando que você me ajude – o que se chama serviço – não haverá amor. (O Verdadeiro Objetivo da Vida, pág. 97)

Ora, a menos que compreendamos a paixão, acho que não seremos capazes de compreender o sofrimento. A paixão é algo que mui poucos de nós realmente já experimentaram. Poderemos ter experimentado entusiasmo, (…) num estado emocional (…) (O Homem e seus Desejos em Conflito, 1ª ed., pág. 179)

(…) Nossa paixão é sempre por alguma coisa: pela música, pela pintura, pela literatura, (…) por uma mulher ou um homem; é sempre o efeito de uma causa. (Idem, pág. 179)

Quando vos apaixonais por alguém, sempre ficais num estado de grande emoção, o qual é o efeito daquela causa; e a paixão de que falo é paixão sem causa. É estar apaixonado por tudo, e não simplesmente por uma certa coisa (…) (Idem, pág. 179)

Só quando temos liberdade, temos paixão. Não me refiro à paixão carnal, a qual tem seu lugar próprio; refiro-me a um estado de liberdade em que existe intensa energia e paixão. (…) A paixão está sempre no presente; não é algo já passado ou que teremos amanhã, pois esta é a paixão criada pelo pensamento. (…) Ora, há diferença entre a paixão do prazer e a paixão que nasce quando estamos completamente libertos da confusão, quando há claridade total. (A Importância da Transformação, pág. 38)

No estado de “paixão sem causa” há uma intensidade livre de todo apego; mas, quando a paixão tem causa, há apego, e apego é o começo do sofrimento. Em geral, temos apego – a uma pessoa, um país, uma crença, uma idéia – e quando o objeto de nosso apego nos é retirado ou, ainda, quando perde o seu significado, vemo-nos vazios, incompletos. (O Homem e seus Desejos em Conflito, 1ª ed., pág. 179-180)

Acho que o terminar do sofrimento depende da intensidade da paixão. Só pode haver paixão, quando há total abandono do “eu”. Nunca pode uma pessoa “apaixonar-se” se não houver a completa ausência disso que chamamos “pensamento”. (…) (Idem, pág. 181-182)

(…) E o auto-abandono de que falo é aquele estado de beleza sem causa, o qual, por essa razão, é um estado de paixão. E pode-se transcender tudo o que é resultado da causa? (Idem, pág.182).

O problema agora é este: Que é o amor sem “motivo”? Pode haver amor sem “motivo”, sem incentivo algum, sem tirarmos dele nenhum proveito para nós mesmos? Pode haver amor sem ressentimento, em que não haja sentimento de mágoa quando o nosso amor não é correspondido? Pode haver amor em que damos e não recebemos? Quando dais não sentis mágoa, se a pessoa não retribuir? (…) Assim, pois, enquanto houver ressentimento, (…) temor, (…) vereis que o vosso incentivo não é o amor. Se compreendestes, aí tendes a resposta. (Novos Roteiros em Educação, pág. 121)

Ora, que se entende por beleza, e que se entende por verdade? A beleza, de certo, não é um ornamento (…) Senhores, não conheceis aquele “estado de ser” íntimo, aquela interior tranqüilidade, em que floresce o amor, a bondade, a generosidade, a piedade? Aquele estado de ser, obviamente, é a essência mesma da beleza (…) (Novo Acesso à Vida, pág. 84-85)

(…) Cada um de nós tem um templo, mas precisamos criar a imagem, o ídolo, a Beleza, em torno da qual possamos desenvolver o nosso amor e nossa devoção; porque, se conservarmos o templo vazio, não poderemos criar. (O Reino da Felicidade, pág. 24)

É pela adoração, pelo amor, pela devoção, que criamos, que damos vida ao templo. Para mim esse templo é o coração. Se puserdes Aquele que é a encarnação do Amor e da Verdade em vosso coração, se ali o criardes com as vossas próprias mãos, (…) mente, (…) emoções, esse coração, em vez de frio e abstrato e deserto, se torna real e vivo e radiante. Tal é a Verdade. (O Reino da Felicidade, pág. 24-25)

Não emprego a palavra “paixão” no sentido de “prazer exaltado”; porém, antes, em referência àquele estado da mente que está sempre a aprender e, por conseguinte, sempre ardorosa, viva, em movimento, nova e, portanto, apaixonada. Bem poucos de nós se apaixonam. Temos prazeres sensuais, luxúria, diversões; mas o sentimento de paixão, esse a maioria de nós não tem. Sem paixão, no elevado sentido ou significado da palavra, como se pode aprender, (…) descobrir coisas novas, (…) investigar, (…) mover-se com a celeridade que a investigação requer? (A Suprema Realização, pág. 128)

O amor, para a maioria de nós, é paixão, concupiscência (…) A fumaça (…) – o ciúme, o ódio, a inveja, a avidez – destrói a chama. Mas onde está o amor, aí está a beleza e a paixão. Deveis ter paixão, mas não traduzais prontamente essa palavra em “paixão sexual”. Por “paixão” entendo a “paixão da intensidade”, essa energia que de pronto percebe as coisas, claramente, ardentemente. Sem paixão, não há austeridade. (…) A austeridade vem com o desprendimento, e no desprendimento há paixão e, por conseguinte, beleza. Não a beleza criada pelo homem; não a beleza artística (…) Mas refiro-me a uma beleza que transcende o pensamento e o sentimento. E esta só pode surgir quando há alta sensibilidade (…) (O Passo Decisivo, pág. 276)

Paixão, para a maioria de nós, significa apenas satisfação mental ou física, a qual depressa declina e tem de ser sempre renovada. Em geral, as paixões são despertadas por circunstâncias externas ou por nosso especial temperamento, (…) idiossincrasias e apetites. (…) Isso poderá, com efeito, proporcionar (…) um certo ardor, (…) mas referimo-nos a uma paixão mais difícil de alcançar, porque a paixão que se requer para qualquer ação deve ser sem motivo. (…) Pode haver alguma ocasião rara em que a mente funcione sem “motivo”, sem desejo de satisfação (…) (A Importância da Transformação, pág. 114-115)

O que é importante (…) A raiz da palavra “paixão” significa “sofrimento”. Mas não estamos a usar essa palavra no sentido de sofrimento, ou da energia que se manifesta por meio da cólera, do ódio, da resistência. Estamos a usá-la no sentido daquela paixão que vem naturalmente e sem esforço, quando há amor. (O Mundo Somos Nós, pág. 75)

Sem amor, vivemos no sofrimento, na aflição, em conflito perene. E o amor, por certo, é sem conflito. (…) Nasce o amor ao começarmos a compreender realmente a totalidade de nosso próprio ser. (…) Na mutação da ação há paixão, que é energia; e, com essa energia, que faz parte do amor, (…) da criação, tem a mente a possibilidade de ingressar num estado jamais concebido ou formulado por ela própria, num estado desconhecido. (Experimente um Novo Caminho, pág. 115-116)

Qual é, pois, o problema? Como ter essa criadora alegria de viver, ser sem limitações no sentir, amplo no pensar, e ao mesmo tempo preciso, claro, ordenado, no viver? Creio que a maioria não é assim, porque nunca sentimos nada intensamente, nunca aplicamos completamente a coisa alguma nosso coração e nossa mente. (…) Mas vós e eu nunca conheceremos essa alegria, se não sentirmos as coisas profundamente, se não houver paixão em nossa vida – paixão (…) no sentido de sentirmos as coisas com toda a força; (…) quando houver uma revolução total em nosso pensar, em todo o nosso ser. (A Cultura e o Problema Humano, pág. 61)

Fechar Menu