O presente é Eterno. No tempo, não é possível o conhecimento do Atemporal. O agora é perpétuo; ainda que fujais para o futuro, estará sempre presente o “agora”. O presente é a porta do passado. Se não compreendeis o presente, agora, ireis compreendê-lo no futuro? (O Egoísmo e o Problema da Paz, pág. 45)

O que agora sois, continuareis a ser, se não compreenderdes o presente. A compreensão só se manifesta no presente (…) Só é possível transcender o tempo na placidez do presente. Essa tranqüilidade não pode conquistar-se por meio do tempo, com o “pôr-nos tranqüilos”; devemos “estar em quietude”, e não “pôr-nos em quietude”. (Idem, pág. 45)

Consideramos o tempo como um meio de vir-a-ser; esse vir-a-ser é infinito, mas não é Eterno, não é o Atemporal. O vir-a-ser é conflito incessante, conducente à ilusão. Na tranqüilidade do presente está o Eterno. (Idem, pág. 45-46)

É o presente da máxima importância; por trágico e doloroso que seja, é a única porta para a Realidade. O futuro é a continuação do passado, através do presente. Quando se compreende o presente, transforma-se o futuro. O presente é a única ocasião propícia à compreensão, porquanto ele se estende para o passado e para o futuro. (O Egoísmo e o Problema da Paz, pág. 67-68)

O presente é o tempo integral; na semente do presente está o passado e o futuro (…) O presente é o Eterno, o Atemporal. Mas consideramos o presente, o agora, como uma passagem para o passado ou para o futuro; no processo de vir-a-ser, o presente é como um meio para alcançar um fim, perdendo com isso a sua imensa significação. (Idem, pág. 68)

O vir-a-ser cria a continuidade, a perenidade, mas não é o Atemporal, o Eterno. O anseio de vir-a-ser tece o padrão do tempo. Já não observastes, em momentos de grande enlevo, a cessação do tempo – quando não há passado nem futuro, mas uma percepção intensa, um presente independente do tempo? (O Egoísmo e o Problema da Paz, pág. 68)

Estamos sempre voltando a essa questão (…) Pode a mente, a consciência do “eu”, que é produto do tempo, compreender ou sentir o Atemporal? Quando a mente procura, encontrará a Realidade, Deus? Quando a mente afirma ser necessário estar aberta para a Realidade, é ela capaz de estar aberta? (O Egoísmo e o Problema da Paz, pág. 242)

Se se compenetrar o pensamento de ser ele um produto da ignorância, de um “eu” limitado, existe então possibilidade de que desista de formular, de imaginar, de se ocupar de si mesmo. Só pela vigilância, pela percepção, pode o pensamento transcender a si próprio, e não pela vontade, a qual é outra forma do desejo de auto-expansão. (…) (Idem, pág. 242)

(…) Assim como um lago fica sereno quando cessam os ventos, assim também fica a mente tranqüila depois de cessarem os seus problemas. A mente não pode induzir a si própria a ficar quieta, plácida; o lago não está calmo enquanto não param os ventos. Enquanto não cessarem os problemas criados pelo “eu”, não pode haver tranqüilidade. A mente deve compreender a si própria e não procurar refúgio em ilusões (…) (Idem, pág. 242-243)

(…) A beatitude está sempre no presente. Jamais pode estar no futuro. Mesmo no futuro há sempre o presente. Se não podeis compreender o presente, não o compreendereis no futuro. (…) A paz está sempre no presente (…) O pensamento precisa libertar-se do passado, presente e futuro contínuos; nessa libertação, aquilo que é, é imortal, fora do tempo. (…) (Palestras em Ojai e Sarobia, 1940, pág. 91)

(…) O que é acumulativo (…) é a memória, e pela memória nunca se pode achar a verdade; porque a memória é produto do tempo – do passado, do presente e do futuro. O tempo, que é continuidade, nunca pode achar o que é eterno; a eternidade não é continuidade. (…) A eternidade está no momento presente. A eternidade está no agora. (…) (O que te Fará Feliz? pág. 129)

(…) Assim, pois, para descobrir o novo, o eterno, no presente, momento a momento, necessita-se de uma mente extraordinariamente alerta, (…) que não vise a um resultado (…) não interessada em “vir-a-ser”. A mente empenhada em “vir-a-ser” não conhecerá jamais a perfeita e suprema felicidade do contentamento; (…) o contentamento que se manifesta quando a mente percebe a verdade no “que é”, e o falso no “que é”. (…) (Idem, pág. 129-130)

(…) Porque, afinal, para alcançar o “estado criador” – não a mera capacidade de escrever ou pintar um quadro, mas a ação criadora, livre do tempo, que não é invenção da mente, (…) não é mera capacidade ou talento, mas força criadora que se renova incessantemente; para alcançar esse estado criador, não deve a mente ser capaz de investigação entusiástica e persistente? (Poder e Realização, pág. 38)

Cumpre averiguar se é possível viver tão completamente que não haja ontem, nem hoje, nem amanhã. Para compreender isso, e vivê-lo, temos de examinar a estrutura da memória, do pensamento. (…) Mas, é possível viver, dia a dia, livre do tempo psicológico, entendido como ontem, hoje e amanhã? Isso não significa viver no momento presente? (…) O importante é viver o agora. O agora é o resultado de ontem: o que pensamos, o que sentimos, nossas lembranças, esperanças, temores, tudo o que se acumulou. Se tudo isso não for compreendido e dissolvido, não poderemos viver no agora. (A Importância da Transformação, pág. 51-52)

(…) Assim, o processo do pensamento produz a progressão psicológica no tempo; mas é real esse tempo, real como o tempo cronológico? E podemos servir-nos desse tempo, que é produto da mente, como meio de compreensão do eterno, do atemporal? Porque, como eu disse, a felicidade não vem de ontem (…) não é produto do tempo; a felicidade está sempre no presente, é um estado atemporal. (…) (A Arte da Libertação, 161)

Não sei se já refletistes (…) Se o amanhã não existe, realmente, psicologicamente, interiormente, então vossa atenção se acha, toda inteira, no presente; e vossa atitude perante a vida é perfeitamente integrada, (…) não fragmentária. E essa é uma das mais importantes mutações que se podem verificar. (…) (Uma Nova Maneira de Agir, 1ª ed., pág. 93-94)

(…) Se tiverdes observado vossa própria mente, não apenas a consciente, mas também a inconsciente, sabeis que ela é o passado, que nela nada existe de novo, nada que não esteja corrompido pelo passado, pelo tempo. E há aquilo que chamamos de “presente”. Existe um presente não continuado pelo passado? Existe presente que não condicione o futuro? (Experimente um Novo Caminho, pág. 90)

Ora, é possível viver no presente sem trazer para ele o tempo, que é o passado? De certo, só podeis viver nessa totalidade do presente quando compreendeis a totalidade do passado. Morrer para o tempo é viver no presente; e só se pode viver no presente após compreender-se o passado – o que significa que devemos compreender nossa própria mente, não apenas a mente consciente, que freqüenta diariamente o escritório, que acumula conhecimentos e experiência, que tem reações superficiais, mas também a mente inconsciente, na qual estão sepultadas as tradições acumuladas da família, do grupo, da raça. Sepultado no inconsciente se acha também o imenso sofrer do homem e o medo à morte. (…) (Idem, pág. 90-91)

(…) Viver no presente é morrer para o passado. No processo de compreensão de vós mesmo vos tornais livre do passado, que constitui vosso condicionamento (…) de comunista, católico, protestante, hinduísta, budista; o condicionamento que vos foi imposto pela sociedade e por vossa própria avidez, inveja, ânsia, desesperos, pesares e frustrações. É vosso condicionamento que dá continuidade ao “eu”, ao ego. (Experimente um Novo Caminho, pág. 91)

Eu, porém, digo que a mente pode libertar-se do passado e do passado ambiente, dos impedimentos passados e, portanto, podeis vós também libertar-vos do futuro, pois então estareis vivendo dinamicamente, intensamente, supremamente, no presente. (Palestras em Ojai, Califórnia, 1934, pág. 25)

(…) No presente está a eternidade e, para compreendê-la, necessita a mente estar livre do fardo do passado; e, para livrar a mente do passado, tem de haver intensa interrogação do presente e não entrar em considerações sobre como o “eu” virá no futuro. (Idem, pág. 25)

Reconhecimento implica existência de experimentador, (…) do tempo. Para se reconhecer alguma coisa, o pensamento deve tê-la experimentando; e se a experimentou, nesse caso essa coisa é o conhecido. O conhecido não é o atemporal, por certo. O conhecido está sempre dentro da rede do tempo. O pensamento não pode conhecer o atemporal (…) Não se pode ir a ele. É um estado de ser em que não há pensamento, tempo. (Comentários sobre o Viver, pág. 230)

(…) A mente não pode formular o atemporal, moldá-lo para os seus fins; o atemporal não pode ser utilizado. A vida só tem significação quando há o atemporal; doutro modo, ela é sofrimento, conflito e dor. O pensamento não pode resolver nenhum problema humano, pois o próprio pensamento é o problema. O findar do saber é o começo da sabedoria. A sabedoria não é do tempo, não é continuação da experiência, do saber. A vida no tempo é confusão e sofrimento; mas, quando “o que é” é o atemporal, há a felicidade suprema. (Idem, pág. 230-231)

Mas o julgar é do tempo; e os efeitos do atemporal podem ser julgados com as medidas do tempo? Se se compreender o que se entende por “tempo”, talvez seja possível conhecer a existência do atemporal; mas é possível discorrer sobre a natureza desse atemporal? (…) Podemos falar sobre ele, mas a nossa “experiência” não será o atemporal. (…) O atemporal é um estado que só pode apresentar-se quando não existe mais o tempo. (Reflexões sobre a Vida, pág. 119)

Quando estamos cônscios (…) Só pela percepção do que é verdadeiro, momento a momento, se dá o descobrimento do atemporal, do eterno. Sem autoconhecimento, não pode existir o eterno. (…) Mas o atemporal não é uma recompensa ao autoconhecimento. O que é eterno não pode ser procurado; a mente não pode adquiri-lo. Ele se apresenta quando a mente está tranqüila, (…) quando é simples, (…) já não está armazenando, condenando, julgando, pesando. Apenas a mente simples pode compreender o Real, e não a mente repleta de palavras, de conhecimentos, de ilustração. (Percepção Criadora, pág. 106-107)

A mente, pois, só é livre quando capaz de enfrentar o fato – o que é. Quando ides ao encontro do fato sem nenhuma opinião, juízo, avaliação, estais vivendo completamente no presente. Para a mente, então, não há tempo, de modo que ela pode agir. Porque o próprio fato exige ação urgente – e não as vossas opiniões, desejos e ideais. (A Suprema Realização, pág. 50)

Há percebimento do processo total do tempo, do processo total e não do processo fragmentário, constituído de ontem, hoje e amanhã? (…) Se há percebimento do tempo, não há então continuidade, como “estou cônscio” ou “estive cônscio” ou “estarei cônscio”. Quando estais completamente atento, com vossa mente, (…) coração, (…) nervos, (…) olhos, (…) ouvidos – quando tudo está atento, não há nenhum tempo. Não dizeis, então: “Estive atento ontem, e hoje não estou atento. A atenção não é um movimento (momentum) contínuo do tempo. Ou estais atento, ou não estais atento. Em geral, estamos desatentos (…) (A Importância da Transformação, pág. 43)

Estai, pois, cônscio do presente, quer triste, quer agradável; ele se desdobrará, então, como um processo temporal e, se for capaz, o pensamento-sentimento, de seguir as suas tendências sutis e erradias, e de transcendê-las, essa própria percepção extensiva será o presente eterno, atemporal. Dai atenção ao presente, somente; não vos preocupeis do passado, nem do futuro – porque o amor é o presente, o Eterno. (O Egoísmo e o Problema da Paz, pág. 68-69)

O conflito e a dor são necessários para que haja potência criadora? (…) O estado de potência criadora não significa estar livre de conflito, (…) de acumulações? (…) Só há vir-a-ser e evolver no plano horizontal da existência, mas conduz isso ao Atemporal? (…) Por meio do tempo não se pode conhecer o Atemporal. (O Egoísmo e o Problema da Paz, pág. 99)

(…) Afinal, o atemporal, a eternidade inefável é isto: quando a própria mente é o desconhecido. Por ora, a mente é o conhecido, resultado do tempo, de ontem, do saber, de experiências e crenças acumuladas, e, nesse estado, a mente jamais chegará a conhecer o desconhecido. (…) (Percepção Criadora, pág. 44)

(…) Por certo, uma vida que tem significação, que contém as riquezas da verdadeira felicidade, não pertence ao tempo. Como o amor, a vida é atemporal; e, para compreender aquilo que é atemporal, não devemos procurar atingi-lo através do tempo, mas, ao contrário, compreender o tempo (…) Mas é isso, precisamente, o que estamos fazendo (…): consumindo tempo, na tentativa de aprender o que é atemporal (…) (A Arte da Libertação, pág. 160)

Você diria que o pensamento é o processo do tempo? Isso porque o pensamento está baseado na experiência, no conhecimento, na memória e na resposta, que englobam a totalidade do tempo. (A Eliminação do Tempo Psicológico, pág. 26)

No momento em que usamos a palavra “conhecimento”, o tempo está implícito. Quando acabamos com o tempo, no sentido a que estamos nos referindo, não há conhecimento como experiência. (Idem, pág. 28)

Naturalmente, o futuro, o passado. Conhecimento – ciência, matemática, (…) – adquire-se através do tempo. Eu leio filosofia (…), isto ou aquilo, e todo o movimento do conhecimento envolve tempo. Veja bem o que eu quero dizer! (Idem, pág. 27)

Espere. (…) O final é o início – certo? Veja bem, no final disse tudo – (…) no término do tempo há um novo começo. Por que isso? (…) Sou todo energia, (…) e o tempo findou. (…) (A Eliminação do Tempo Psicológico, pág. 32)

Sim, mas se eu e você enxergarmos a verdade disso, (…) poderemos atuar de um modo que todos os assuntos sejam resolvidos instantaneamente, imediatamente, de forma que o tempo psicológico seja abolido? E como indagamos ontem, quando chegamos ao ponto em que não existe nada e existe tudo, onde tudo isso é energia – quando o tempo finda, há início de algo totalmente novo? Existe um início que não está enredado no tempo? (…) (Idem, pág. 35) (A Continuação acha em Energia Espiritual, Inércia(…)

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