Jiddu Krishnamurti nasceu na Índia em 1895 e a partir dos treze anos de idade passou a ser educado pela Sociedade Teosófica, que o considerava o veículo para o “Instrutor do Mundo”, cujo advento proclamavam. Krishnamurti logo emergiu como um poderoso, descompromissado e inclassificável instrutor, cujas palestras e escritos não estavam vinculadas a nenhuma religião específica, não sendo do Oriente nem do Ocidente, mas para o mundo todo. Repudiando com firmeza a imagem messiânica, em 1929 dissolveu dramaticamente a grande e rica organização que havia sido criada à sua volta, e declarou ser a verdade “uma terra sem caminhos”, à qual nenhuma religião formalizada, filosofia ou seita daria acesso.

A partir de então, por quase sessenta anos até sua morte em 17 de fevereiro de 1986, viajou pelo mundo conversando com grandes audiências e indivíduos sobre a necessidade de uma mudança radical na humanidade.

Krishnamurti é considerado globalmente como um dos maiores pensadores e professores religiosos de todos os tempos. Ele não expôs nenhuma filosofia ou religião, mas falou sobre as coisas que dizem respeito a todos nós em nossas vidas cotidianas, dos problemas de viver na sociedade moderna com sua violência e corrupção, da busca do indivíduo por segurança e felicidade, e da necessidade de a humanidade se libertar dos fardos internos de medo, raiva, mágoa e tristeza. Explicou com grande precisão o funcionamento sutil da mente humana e apontou para a necessidade de trazer à nossa vida diária uma qualidade profundamente meditativa e espiritual.

Krishnamurti não pertencia a nenhuma organização religiosa, seita ou país, nem se inscreveu em nenhuma escola de pensamento político ou ideológico. Pelo contrário, afirmou que esses são os fatores que dividem os seres humanos e provocam conflitos e guerras. Lembrou constantemente seus ouvintes que somos todos primeiro, seres humanos  e não hindus, muçulmanos ou cristãos, que somos como o resto da humanidade e não somos diferentes um do outro. Pediu que nós pisássemos cuidadosamente nesta terra sem nos destruirmos ou ao meio ambiente. Comunicou aos seus ouvintes um profundo sentimento de respeito pela natureza. Seus ensinamentos transcendem os sistemas de crença feitos pelo homem, o sentimento nacionalista e o sectarismo. Ao mesmo tempo, eles dão novo significado e direção à busca da humanidade pela verdade. Seu ensinamento, além de ser relevante para a era moderna, é atemporal e universal.

Krishnamurti não falava como um guru, mas como um amigo, e suas palestras e discussões não são baseadas em conhecimento baseado na tradição, mas em seus próprios insights sobre a mente humana e sua visão do sagrado, de modo que se comunica sempre uma sensação de frescura e franqueza. Embora a essência de sua mensagem permaneceu inalterada ao longo dos anos. Quando ele se dirigia a grandes audiências, as pessoas sentiam que Krishnamurti estava conversando pessoalmente, abordando seu problema específico. Em suas conversas privadas, ele era um professor compassivo, ouvindo atentamente o homem ou a mulher que vinham a ele com tristeza e encorajando-os a se curarem através de seu próprio entendimento. Estudiosos religiosos descobriram que suas palavras lançaram nova luz sobre conceitos tradicionais. Krishnamurti aceitou o desafio dos cientistas e psicólogos modernos e foi com eles passo a passo, discutiu suas teorias e às vezes permitiu-lhes discernir as limitações dessas teorias. Krishnamurti deixou um grande corpo de literatura na forma de palestras públicas, escritos, discussões com professores e alunos, com cientistas e figuras religiosas, conversas com indivíduos, entrevistas de rádio e televisão e cartas. Muitos deles foram publicados como livros e gravações de áudio e vídeo.

A educação constituiu sua principal preocupação, desde muito jovem, tendo fundado várias escolas. Hoje estes centros educacionais são renomados e recebem jovens de todas as partes do mundo. As mais famosas são as de Brockwood Park, na Inglaterra, para jovens a partir de quatorze anos, a de Rishi Valley, na Índia, que recebe crianças a partir de sete anos, e a de Oak Grove, nos EUA, com alunos a partir de três anos e meio de idade.

Mais informações sobre a vida de Krishnamurti podem ser encontradas nas biografias escritas por Mary Lutyens e Pupul Jayakar.

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