Embora seja difícil demonstrar como a mente funciona na realidade, vou tentar fazê-lo; e podeis “experimentar”, e ver por vós mesmos. Sabemos que o pensar é uma reação do fundo de condicionamento” (background). Pensais como hinduísta, como parse, (…) não apenas no vosso pensar consciente, mas também no pensar inconsciente. Vós sois o background, não sois separado, pois não há pensador separado do background; e a reação desse background é o que chamais pensar. (Que Estamos Buscando, 1ª ed., pág. 179).

Esse background, quer culto, quer inculto, instruído ou ignorante, está sempre correspondendo a algum desafio, a algum estímulo, e essa reação cria não apenas o chamado presente, mas também o futuro. Tal é o nosso processo de pensar. (Idem, pág. 179)

(…) O que eu digo é que a experiência baseada no conhecimento, no nosso background, é meramente o prolongamento desse fundo e, por conseguinte, não é experiência nova. (…) Só posso reagir ao desafio de maneira nova quando a minha mente compreendeu o background e dele se libertou. (…) (O Homem Livre, pág. 44)

(…) Quando pensais, o vosso pensar é, por certo, resultado do passado, do vosso condicionamento, da vossa crença, do vosso fundo consciente e inconsciente. De acordo com vosso background reagis, e essa reação é chamada pensar; e por meio desse pensar quereis resolver os vossos problemas. E achais que, quanto mais adquirirdes, (…) mais acumulardes experiência, tanto maior se vos tornará a capacidade de atender ao problema e resolvê-lo. (Viver sem Temor, pág. 68)

Vejamos agora a relação entre o educador e o educado. Será que o professor, consciente ou inconscientemente, mantém um sentimento de superioridade, colocando-se num pedestal e fazendo o aluno sentir-se inferior, como alguém que tem de ser ensinado? Nesse caso, evidentemente, não há relacionamento. (Cartas às Escolas, I, pág. 24)

O pensar, sem dúvida, é uma reação. Se vos faço uma pergunta, a essa pergunta vós reagis; reagis de acordo com vossa memória, vossos preconceitos, vossa educação, (…) com todo o fundo do vosso condicionamento; e em conformidade com tudo isso vós respondeis, pensais (…) O centro desse fundo é o “eu” com sua atividade (…) (A Renovação da Mente, pág. 10-11)

A mente age sempre de um ponto em que está ancorada (…); mas há sempre um centro de onde ela age. Está ela sempre ligada a um ponto, que é o “eu”. O “eu” é a idéia. (…) A mente, pois, está amarrada, ancorada, ligada a um background, a uma tradição, à memória; essa mente jamais poderá resolver o problema totalmente. A investigação, pois, deve visar a como libertar a mente do “eu”, do seu background (…) (O Problema da Revolução Total, pág. 25)

Por conseguinte, a mente não é um estado fixo. Nossos pensamentos são transitórios, modificando-se incessantemente; são a reação proveniente do background. Se fui criado em certa classe social, certo meio cultural, reagirei a todos os desafios e estímulos de acordo com meu condicionamento. Na maioria de nós esse condicionamento tem raízes tão profundas que a reação é quase sempre de acordo com o padrão. Nossos pensamentos são a reação do background. Nós somos o background. (…) (Reflexões sobre a Vida, pág. 92)

Que é o centro? O centro é o “eu” – o “eu” que deseja ser pessoa importante, que tem tantas conclusões, temores e motivos. É partindo desse centro que pensamos, mas esse centro foi criado pela reação do pensar. Pode, pois, a mente perceber o pensar, sem tal centro – observá-lo apenas? Vereis quanto é difícil olhar uma flor sem lhe dar nome, sem compará-la com outras flores, sem avaliá-la conforme vos agrade ou desagrade. Experimentai (…) (Verdade Libertadora, pág. 40)

(…) O centro é um feixe de recordações, (…) de tradições, e esse centro tem sido originado pela tensão, pelas pressões e influências. O centro é resultado do tempo, (…) da cultura – (…) hindu, muçulmana, etc. E esse centro (…) tem um espaço exterior a ele (…) E por causa do movimento tem também um espaço dentro dele. Se não houvesse movimento, não haveria espaço. Careceria de existência. (…) Para expressá-lo de outro modo, o centro é a consciência. Ou seja, esse centro possui limites que ele reconhece como o “eu”. Ele trata de estender esse espaço, que ele percebe como consciência, a fim de ampliá-lo mais e mais (…) (Tradición y Revolución, pág. 62)

O centro, evidentemente, é criado pela cultura em que vivemos, por nossas memórias e experiências condicionadas, por nossa própria fragmentação. (…) Pode esse centro ultrapassar as fronteiras que ele próprio criou? Pode esse centro, silenciando a si próprio, controlando-se, meditando, seguindo um padrão, “explodir” e “ir além”? Não pode, de certo. (…) (A Questão do Impossível, pág. 169)

Pergunta: Como surge esse centro? Porque tenho esse centro, criei o outro centro.

Krishnamurti: Estou chegando lá. No estado de observação, o centro cria o outro centro. Dessa forma, o problema global de relação aparece e, por conseguinte, a dualidade, os conflitos, a tentativa de superar a dualidade. É o centro que cria essa divisão. Vê-se isso no estado de observação, porque há um centro e sua relação estará sempre dividida. Divisão é espaço e tempo, e, onde há tempo e espaço como divisão, deve inevitavelmente haver conflito. Isso é simples, claro. Vê-se assim que, durante o estado de observação, o que está acontecendo durante todo o tempo é ajustamento, comparação, violência, imitação. Quando o centro vai dormir, ele mantém a divisão, mesmo quando está dormindo. (Exploration into Insight, pág.119)

É o centro, como pensador, como censor, que gera o tempo e, por conseguinte, o centro é a fonte da desordem. Não é o pensamento que cria a desordem, porém o centro, o censor, o pensador, constituído através do tempo. E enquanto existir esse censor, esse centro, esse “fabricante” de esforço, não terá fim o medo. (O Descobrimento do Amor, pág. 148)

(…) Mas, se examinardes com (…) atenção, vereis que foi o pensamento que criou o pensador. O pensador, que dirige, que é o centro, o juiz, é produto dos nossos pensamentos. (…) A maioria das pessoas está condicionada para crer que o pensador é separado do pensamento, atribuindo ao pensador a qualidade de eterno; (…) (Verdade Libertadora, pág. 39)

(…) Quando alguém desenvolve destreza em algo, isso proporciona certo sentimento de bem estar, de segurança. Essa destreza, nascida do conhecimento, em sua ação se torna (…) mecânica. (…) Vivendo nesse campo todo o tempo (…) tal conhecimento e destreza se tornam não só acumulativos senão que terminam por constituir um processo mecânico e reiterativo que, pouco a pouco, adquire seus próprios incentivos, sua própria arrogância e poder. (…) (La Totalidad de la Vida, pág. 214)

Atualmente, a sociedade nos exige mais e mais destreza – quer seja em um engenheiro, um tecnólogo, um cientista, um psicoterapeuta, etc., etc. – porém há grande perigo em buscar essa destreza que provém dos conhecimentos acumulados, porque nesse crescimento não há lucidez. Quando a destreza se torna sumamente importante na vida, (…) então a destreza produz invariavelmente certo sentimento de poder, arrogância e vaidade. (Idem, pág. 214)

Sem lucidez, a destreza chega a ser uma das coisas mais destrutivas na vida – que é o que está sucedendo no mundo; o homem pode ir à lua (…), porém isso não é algo que surja da clareza; podemos matar-nos uns aos outros em guerras resultantes do extraordinário desenvolvimento da tecnologia, tendo tudo isso origem no movimento do pensar; e o pensamento não é iluminado. O pensamento jamais pode compreender aquilo que é total, imensurável, atemporal. (La Totalidad de la Vida, pág. 215-216)

Vamos, por um momento, (…) contemplar o mundo (…) Vedes o homem aprisionado por muralhas inumeráveis, muralhas de religião, de limitações sociais, políticas e nacionais, muralhas criadas pelas suas próprias ambições, aspirações, temores, esperanças, precauções, preconceitos, ódio e amor. Dentro dessas barreiras, está ele cativo, limitado (…) pelos antagonismos raciais, (…) lutas de classe e distinções de grupos culturais.

Vede o homem (…) aprisionado, enclausurado pelas limitações, pelas muralhas que ele próprio criou. Por meio dessas muralhas e (…) dessas clausuras, procura ele expressar o que sente e o que pensa, e dentro delas ele atua (…) (A Luta do Homem, pág. 92)

Como é que surge então esse muro de resistência, de divisão e de separação? Em tudo que fazemos, em todas as nossas relações, por muito íntimas que sejam, há essa divisão, a criar confusão, sofrimento e conflito. Como é que aparece essa barreira? Se somos realmente capazes de compreender isso – não verbalmente, não intelectualmente, mas capazes de vê-lo e senti-lo de fato – descobrimos que a barreira deixa então de existir. (O Mundo Somos Nós, pág. 115)

O muro surge, por certo, mediante o mecanismo do pensamento. Não? Antes de se pronunciarem, observem, apenas observem o pensamento. Se não houvesse pensamento acerca da morte, não se teria medo dela. Se não fôssemos educados como cristãos, católicos, protestantes, hindus, budistas; (…) se não estivéssemos condicionados pela propaganda, pelas palavras, pelo pensamento, não teríamos barreira alguma. (…) Com as suas atividades egocêntricas, o pensamento cria não só o muro, mas também a nossa própria atividade dentro do nosso muro. (Idem, pág. 115-116)

Assim, o pensamento gera tanto o prazer como o medo. Não se pode ter o prazer sem o medo: ambos andam juntos porque são filhos do pensamento. E o pensamento é o filho estéril de uma mente que apenas se preocupa com o prazer e com o medo. (…) (Idem, pág. 116)

Do mesmo modo, ver inteligentemente toda essa estrutura, a natureza dessa divisão, o conflito, a luta, o sofrimento, o egocentrismo – ver realmente o seu perigo significa o seu fim (…) (Idem, pág. 117)

Vedes o homem aprisionado por muralhas inumeráveis, muralhas de religião, de limitações sociais, políticas e nacionais, muralhas criadas por suas próprias ambições, aspirações, temores, esperanças, precauções, preconceitos, ódio e amor. Dentro dessas barreiras está ele cativo, limitado (…) (O Egoísmo e o Problema da Paz, pág. 92)

Nessas condições, carecendo dessa inteligência criadora que é a compreensão do ambiente, começa o homem a entreter-se dentro das muralhas da prisão, (…) a embelezá-la e decorá-la, para tornar confortável a sua situação dentro de suas muralhas; (…) (A Luta do Homem, pág. 100)

(…) A esse embelezar, reformar, entreter-se, a essa busca de conforto dentro das muralhas da prisão, ele chama viver, atuar, agir. E como não existe aí inteligência nem êxtase criador, está ele fadado a ser sempre esmagado pela falsa estrutura que ergueu. (…) (Idem, pág. 100)

(…) A liberdade deve ser procurada com diligência. Libertai-vos dos que se dizem salvadores, mestres, guias; libertai-vos das muralhas egocêntricas do bem e do mal; libertai-vos de autoridades e modelos; libertai-vos do ego, o causador de conflito o sofrimento. (O Egoísmo e o Problema da Paz, pág. 166)

Não é importante descobrir a maneira de escutar? (…) Escutamos por detrás de várias cortinas de preconceitos, examinando o que se diz como hinduísta, (…) muçulmano, (…) cristão, com uma opinião já formada. (…) Ouvimos com a intenção de concordar ou discordar, ou (…) predispostos à argumentação; não ouvimos com o propósito de descobrir. A mim me parece importantíssimo saber ouvir, (…) ler, ver, observar (…) (O que Estamos Buscando, 1ª ed., pág. 115)

A maioria de nós é alimentada com certos preconceitos, tradições,temores, forçada pelo ambiente a seguir e obedecer, e pensamos e agimos a partir dessa base. (…) E desse centro inconsciente começamos a pensar, sentir e agir. Todas as nossas ações (…) tornam-se, naturalmente, cada vez mais limitadas, (…) estreitas, (…) condicionadas.

Assim, o ser inconsciente, aqueles pensamentos e sentimentos habituais que não havemos discutido ou compreendido, estão sempre pervertendo, intrometendo-se e obscurecendo as ações conscientes. Se não compreendermos e não nos tornarmos livres desse fundo de idéias com as quais crescemos (…), esses preconceitos (…) temores, intervirão no ser consciente, limitando-o. (…) (Coletânea de Palestras, pág. 64-65)

Isso é realmente muito simples (…) Se, por exemplo, o indivíduo é educado na tradição e no nacionalismo, essa atitude inevitavelmente tem de criar barreiras na ação. A mente-coração, estreitada e limitada (…) pelos preconceitos, tem de criar limitações crescentes. (…) Se tendes crenças, traduzis e modelais as vossas experiências de acordo com elas, e com isso estais continuamente forçando e limitando o pensamento-sentimento, e essas limitações tornam-se o processo do “eu” (…) (Palestras em Ojai, Califórnia, 1936, pág. 40)

Possuímos muitos preconceitos, sutis e grosseiros, e cada indivíduo, por ser único, sustenta sua própria ignorância mediante suas atividades volitivas. Se não compreenderdes plenamente essa ignorância auto-ativa em toda a sua inteireza, estareis de contínuo criando barreiras, resistências, e aumentando (…) a miséria. Precisais, pois, tornar-vos apercebidos desse processo (…) (Idem, pág. 71-72)

Sabemos, pois, por que nascem os preconceitos, como são gerados para nossa própria proteção, o que representa um processo de isolamento. (…) Vós pertenceis a esta ou àquela sociedade, (…) Acreditais que vossa experiência é superior à minha, ou tão boa quanto a minha (…) Tudo isso denota (…) formas de preconceito, (…) de exclusão, de defesas, de autoproteção, mui cuidadosamente cultivadas. (…) Conseqüentemente, no intuito de nos protegermos, levantamos muralhas “projetadas” de nós mesmos ou criadas para nós por outros e por nós aceitas. (…) (Nós Somos o Problema, pág. 22)

(…) O “eu” não pode experimentar o desconhecido; só lhe é possível experimentar o conhecido, o que foi projetado de si mesmo (…) Só uma mente livre pode conhecer “o que é” – essa coisa indescritível que não pode ser expressa em palavras. Descrevê-la significa cultivo da memória; (…) verbalizá-la é situá-la no tempo, e o que é do tempo nunca pode ser o atemporal. (Por que não te Satisfaz a Vida?, pág. 36)

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