Um homem que queira compreender o que é a liberdade deve negar totalmente a autoridade, (…) Podemos rechaçar a autoridade de um guru, (…) sacerdote, de uma idéia, porém estabelecemos uma autoridade dentro de nós – ou seja: “Eu penso que isso é correto, eu sei o que digo, essa é minha experiência”. Tudo isso confere ao indivíduo autoridade para afirmar, que é a mesma coisa que a autoridade do guru e do sacerdote. (La Verdad y la Realidad, pág. 205)

Pode a mente ficar livre da autoridade, da tradição, o que significa não aceitar a outrem como guia – como alguém que lhe dirá o que deve fazer – exceto no campo tecnológico? (…) O indivíduo obedece e aceita a autoridade, porque dentro de si mesmo há incerteza, confusão, isolamento (…) (Idem, pág. 206)

(…) E existe alguma coisa criada pelo pensamento, que seja duradoura, permanente? (…) Será possível a liberdade, vivendo-se neste mundo? Uma vida sem autoridade, sem imagem, sem o sentido de dependência? É a liberdade o libertar-se de algo, ou é liberdade per se? (Idem, pág. 206)

Podemos, pois, ter liberdade no mundo da realidade? Porém, pode haver entre os seres humanos uma relação de completa liberdade? (…) Essa liberdade só pode existir em relação, quando há ordem; não a ordem conforme você ou outrem, senão ordem no sentido da observação da desordem. E essa observação não é movimento do pensar, porque o observador é o observado; só então há liberdade em nossa relação. (Idem, pág. 206-207)

Visto que nossas mentes estão enleadas na rede das crenças organizadas, com todo o seu sistema de autoridades, sacerdotes e gurus, todos engendrados pelo temor e pelo desejo de certeza, visto que estamos presos nessa rede, é evidente que não devemos limitar-nos a aceitar o que se nos oferece; precisamos investigar, olhar diretamente, experimentar diretamente (…) (Novo Acesso à Vida, pág. 87-88)

Positivamente, o homem que se acha em tais condições, que está psicologicamente na dependência dos outros e por isso é timorato, o homem em tais condições é incapaz de descobrir o que é a verdade. (…) A realidade não o procurará, porque está enclausurado em seus próprios preconceitos e temores. (…) Vós precisais da autoridade porque estais confusos, em dificuldades, angustiados, rodeados de solidão, sofrendo. (…) (Idem, pág. 88)

Sois vós, pois, que criais a autoridade; e, tendo criado a autoridade, vos tornais seus escravos. A crença é um produto da autoridade; e porque desejais fugir da confusão, ficais presos à crença, e continuais (…) em confusão. Vossos guias ou chefes são o produto de vossa confusão, e, por conseguinte eles devem estar confusos. Não seguiríeis outra pessoa se fôsseis lúcidos, livres de confusão, e capazes de experimentar diretamente. (…) (Idem, pág. 88-89)

Temos de aceitar a desigualdade como um fato; mas é muito mais importante quebrar a atitude hierárquica perante a vida – o alto e o baixo, o mestre, o guru, a veneração da autoridade, (…) é muito mais importante eliminarmos essa tendência para a aceitação, para seguir. (…) Tendes inúmeros exemplos de Santos e Salvadores; e vós os imitais, procurais segui-los. (…) (O Problema da Revolução Total, pág. 99-100)

Assim, pois, enquanto houver autoridade, haverá justificação psicológica do superior e do inferior, do que sabe e do que não sabe, (…) aquele que não sabe seguirá sempre o outro, para se sentir protegido, em segurança. Tal é a razão por que seguimos. Todos os nossos sistemas de autoridade baseiam-se no seguir. (…) (O Problema da Revolução Total, pág. 100)

Não estou falando com referência a um engenheiro, que sabe construir; ele é simplesmente um engenheiro e eu o considero como (…) uma função; psicologicamente, não o sigo. Porém, se criamos o valor autoritário, psicológico, interior, (…) uma hierarquia de idéias, de pessoas, não criaremos um mundo novo. (Idem, pág. 100)

Eis, pois, a situação. Rejeitamos totalmente a autoridade externa – se a temos – percebendo que essa autoridade é uma das causas da desordem. Vemos que estivemos seguindo certo “instrutor”, filósofo, salvador, e que o seguíamos por medo e não por amor. Se tivéssemos amor, não seguiríamos ninguém. (…) Uma pessoa segue, aceita, obedece, essencialmente porque tem medo – medo de não alcançar os seus fins, de errar o caminho, etc. (…) (A Essência da Maturidade, pág. 23-24)

Interiormente, é dificílimo rejeitar a autoridade – a autoridade de outrem e também a autoridade de nossos próprios conceitos, (…) das experiências vividas. Relativamente fácil é rejeitar a autoridade da sociedade; os monges o têm feito de várias formas e a moderna “geração mais nova” o está fazendo de diferente maneira. (Idem, pág. 24)

Mas o livrar-nos da autoridade de nosso próprio condicionamento, (…) experiências, (…) do passado em nós existente (…), isso é bem mais difícil. E afastar essa autoridade é sobremodo importante, é essencial, porque é ela que gera a autoridade externa e também o medo, dado o nosso desejo de certeza, segurança, proteção. (Idem, pág. 24)

A autoridade assume formas variadas. Há autoridade dos livros, da igreja, (…) do ideal, (…) da vossa própria experiência, (…) do saber que acumulastes. (…) Tecnicamente, há necessidade de autoridades; (…) Mas, estamos falando sobre o estado psicológico da mente; (…) (A Mente sem Medo, 1ª ed., pág. 13)

Apega-se à autoridade, evidentemente, porque se teme a incerteza, a mudança; teme o desconhecido, o que poderá acontecer amanhã. E podemos nós viver sem autoridade de espécie alguma – autoridade no sentido de dominação, arrogância, dogmatismo, agressividade, desejo de sucesso e de fama, desejo de vir a ser alguém? (…) (Idem, pág. 13)

Se confiais em autoridades, estais perdido. O especialista é uma pessoa “desintegrada”, e o que ele diz de sua especialidade não pode levar à “ação integrada”. Porque, se citais um psicólogo e um outro cita outro psicólogo, de opinião contrária, em que ficais? O que pensais e o que eu penso valem mais do que todos os psicólogos juntos. Tratemos, pois, vós e eu, de descobrir por nós mesmos, abstendo-nos de citar o que dizem os psicólogos e os especialistas. (…) (A Arte da Libertação, pág. 48)

Há também a autoridade da tradição. Tradição significa: “transportar do passado para o presente” – tradição religiosa, (…) familiar, (…) racial. E há tradição da memória. Vê-se que seguir a tradição em certos níveis tem valor; noutros níveis não tem valor algum. As boas maneiras, a cortesia, a consideração, nascidas do estado de vigilância da mente, podem converter-se gradualmente em tradição; uma vez fixado o padrão, a mente o repete (…) Mas, tendo-se tornado tradição, esses atos já não procedem do estado de vigilância, de percepção, de lucidez. (A Questão do Impossível, pág. 22-23)

O mundo está senhoreado pela autoridade – a autoridade do sacerdote, do político, do especialista. Mas as autoridades não podem ajudar-vos a vos compreender, e, se não compreendeis a vós mesmos, não podeis ficar liberto do conflito, ainda que freqüenteis o templo, (…) que mediteis (…) (O Homem e seus Desejos em Conflito, 1ª ed., pág. 148-149)

Ou, suponhamos que temos abandonado as autoridades externas; então desenvolvemos uma autoridade interna que chamamos intuitiva, espiritual – mas que, para mim, pouco difere da externa. Isto é, quando a mente está presa à autoridade – seja externa ou interna – não pode estar livre, portanto não pode conhecer o verdadeiro discernimento. Daí, onde há autoridade nascida da busca de segurança, nessa autoridade se acham as raízes do egoísmo. (Palestras na Itália e Noruega, 1933, pág. 24)

Consideremos a mente cativa da autoridade. Existe a autoridade da compulsão externa, dos grupos, dos líderes, das opiniões, das tradições. Talvez cedais a essa autoridade sem compreendê-la plenamente (…); se, porém, realmente vos examinardes a vós mesmos, vereis que nessa deliberação existe um desejo profundo de segurança, que cria o medo, e, para vencerdes esse medo, submetei-vos à autoridade. Há também a autoridade sutil, subjetiva, de memórias acumulativas, de preconceitos, temores, antipatias, carências, que se tornaram valores, ideais e padrões. (Palestras em Ommen, Holanda, 1936, pág. 68-69)

Parece-me (…) A maior parte do chamado “pensar” não é original, mas só repetição – o que disse Sankara, Buda, Cristo, Marx ou outro qualquer. Para se pôr de parte realmente toda e qualquer autoridade e todos os livros, e tentar descobrir por si mesmo o que é verdadeiro, requer-se boa porção de inteligência criadora (…) E, para fazê-lo, não deve a mente estar livre de todo e qualquer condicionamento – hinduísta, budista, cristão, comunista (…)? (Visão da Realidade, pág. 29-30)

( … ) Só tal revolta faz nascer o pensar criador, a compreensão criadora, e isso é que é essencial atualmente, e não que apareçam mais líderes, espirituais ou políticos. Cada um de nós tem de descobrir exatamente, por si mesmo, o que é a verdade, e não se pode descobrir o que é a verdade, a menos que nos achemos numa revolução total. (…) (Idem, pág. 30)

Por que fazeis citações, (…) comparações? Costumais dizer: “Citando, posso comparar e compreender; mas citais porque, na vossa mente, não sois nada mais do que citação. (…) Um disco de gramofone repete o que outra pessoa disse. Tem isso algo de vital na busca da verdade? Compreendeis citando os Upanishads ou outro livro qualquer? (Que Estamos Buscando?, pág. 188)

(…) Afirmando o que outra pessoa já disse, não precisais mais pensar no caso (…) Afinal, se lestes os Upanishads ou o Bhagavad-Gita, e pensais tê-los compreendido, podeis dar-vos por satisfeito, e ficar a repeti-los, e isso não terá efeito algum em vossa vida diária; podeis continuar a ler e a citar, sem ser perturbado, em perfeita segurança. Sois então uma pessoa muito respeitável Em verdade, estais evitando perturbações; (…) (Idem, pág. 189)

(…) Compreendemos a vida, se temos a mente cheia de coisas ditas por outras pessoas, se seguimos a experiência, o saber alheio? Ou só vem a compreensão quando a mente está quieta? (…) Com o indagar, procurar, perscrutar, a mente se torna, evidentemente, tranqüila e então o problema revela todo o seu significado; (…) Positivamente, senhor, o homem de saber, o letrado, nunca pode conhecer a verdade; pelo contrário, o saber e a erudição devem cessar. (Que Estamos Buscando? 1ª ed., pág. 190)

A mente precisa ser simples para compreender a verdade, e não estar cheia do saber de outras pessoas (…) Tereis de observar-vos com atenção, de compreender a maneira como funciona vossa mente; porque a mente é o único instrumento que possuís, e, se não compreendeis esse instrumento, como podereis transcendê-lo? Certamente, senhor, os que escreveram os originais dos livros sagrados não podiam ter sido copistas (…) Eles não citaram palavras alheias. Mas nós citamos, porque os nossos corações estão vazios, porque somos áridos, nada temos em nós. (Que Estamos Buscando?, 1ª ed., pág. 190)

Fazemos muito barulho, e a isso chamamos sabedoria; e com esse conhecimento queremos transformar o mundo (…) Eis porque muito importa que a mente realmente desejosa de realizar um transformação fundamental esteja livre de cópia, de imitação, de padrões. (Idem, pág. 190-191)

(…) Podeis rejeitar a autoridade externa, mas resta a autoridade interior da experiência, (…) baseada no vosso condicionamento. É muito fácil rejeitar a autoridade externa; continuaremos, porém, a ser ainda resultado (…) da tradição, da sociedade, da cultura, da civilização em que vivemos. Rejeitar o “exterior” e seguir o “interior” não significa estar livre da autoridade. (…) (Percepção Criadora, pág. 40)

Ouvi com atenção (…) A compulsão, a resistência, a disciplina, o seguir a autoridade, resultam do temor; e pode um espírito embargado pelo temor, ser livre? Só quando o espírito é livre, pode haver individualidade; (…) O desejo e o esforço são reações ao nosso condicionamento; e reação não é liberdade. (…) (Idem, pág. 41)

(…) Preciso de uma carga de conhecimento, (…) da autoridade da experiência, para descobrir o que é verdadeiro? Para compreender, não deve a mente estar de todo livre do passado? Não deve desistir de traduzir a experiência imediata de acordo com o seu conhecimento anterior, erigido em autoridade? (…) (Percepção Criadora, pág. 41)

A vida é muito complexa, e a mente mais complexa ainda e dotada de extraordinárias capacidades; e para compreender qualquer problema humano, não deve a mente considerá-lo de maneira nova, como coisa nova, e não partindo de um centro que armazenou, que acumulou? Isso é o que é compreensão criadora (…) O centro que acumula é o “eu”, o ego”, e, portanto, toda ação procedente desse centro poderá, apenas, aumentar o problema. A Realidade, Deus, (…) deve ser algo totalmente novo, nunca dantes experimentado, completamente original. (…) (Idem, pág. 42)

Pois bem. Pode a mente ser livre (…)? Afinal, o atemporal, a eternidade inefável é isto: quando a própria mente é o desconhecido. Por ora, a mente é o conhecido, resultado do tempo, de ontem, do saber, de experiências e crenças acumuladas, e, nesse estado, a mente jamais chegará a conhecer o desconhecido. (…) (Idem, pág. 44)

Que nos está impedindo de ser criadores? (…) Toda nossa educação consiste em aprender uma técnica – o que significa um processo de imitação, (…) de cópia. Afinal de contas, o conhecimento é imitação, é cópia; e não é essa uma das principais cargas que nos estão impedindo de ir ao encontro das coisas de maneira nova? A autoridade de qualquer espécie, espiritual ou mundana, exterior ou interior, não constitui um empecilho à compreensão criadora? (Viver sem Confusão, pág. 65)

(…) E por que temos autoridades? Porque, sem uma autoridade, julgamo-nos perdidos. Precisamos de uma âncora. Assim, no desejo de segurança, interior e exterior, criamos a autoridade; e essa própria autoridade, que evidentemente implica imitação, destrói a força criadora, a originalidade. (Idem, pág. 65)

Não sei (…); o que verdadeiramente me interessa é descobrir a verdade de todo e qualquer problema – não de acordo com os Upanishads, o Bhagavad-Gita, a Bíblia ou Sankara. Quando procuramos a verdade de um problema, é estúpido repetir o que outros disseram. (Que Estamos Buscando?, 1ª ed., pág. 189)

(…) E vós gostais de ser hipnotizados, mesmerizados, seja por outra pessoa, seja por vós mesmos, porque nesse estado ficais a salvo de perturbações; e, enquanto procurardes um estado sem perturbações, ao qual chamais paz de espírito, encontrareis sempre o meio de alcançá-lo: o guru, (…) Esse estado chama-se hipnose. Por certo, não é isso o está ocorrendo aqui, é? (…) Pelo contrário, eu digo: despertai de vossa hipnose; quer estejais hipnotizado pelos vossos Upanishads ou pelo guru mais na moda, ficai livre deles. (Idem, pág. 191-192)

(…) Tal é o fato que não quereis ver; e enquanto não quiserdes ver o fato, sereis sempre hipnotizados, não por mim, mas pelo vosso próprio desejo, que sempre procura uma maneira de não ser perturbado, de seguir pelo caminho habitual, e de se tornar respeitável. Senhor, o homem respeitável, o homem dito religioso, é o homem hipnotizado, porque o seu refúgio supremo é a sua crença; e essa crença (…) dá satisfação, nunca perturba, porque, do contrário, ele não a conservaria. (Idem, pág. 192)

Só estareis livre de vossa auto-hipnose, ao compreenderdes o processo total, o processo integral de vós mesmos; por conseguinte, o autoconhecimento é o começo da liberdade, e sem autoconhecimento estais perpetuamente em estado de hipnose. (Idem, pág. 193)

(…) Nenhum instrutor vos ajudará a achar a verdade, é óbvio; cada um tem de achá-la dentro de si mesmo, tem de submeter-se à dor, ao sofrimento, tem de indagar, de descobrir e compreender as coisas por si mesmo. Mas, com vos tornardes discípulos de determinado instrutor, não cultivastes a inércia, a indolência, não obscurecestes a vossa mente? E, naturalmente, os vários instrutores, com seus respectivos grupos, se acham em contradição, fazendo concorrência uns aos outros, (…) propaganda – vós conheceis todas as incoerências que há nessa coisa (Claridade na Ação, pág. 60-61)

(…) Sem liberdade, não pode ser descoberta a verdade; não é possível o conhecimento do Real. (…) Libertai-vos dos que se dizem salvadores, mestres, guias; libertai-vos das muralhas egocêntricas do bem e do mal; libertai-vos de autoridades e modelos; libertai-vos do “ego”, o causador de conflito e sofrimento. (O Egoísmo e o Problema da Paz, pág. 166)

(…) A religião, como a experiência de uma autoridade qualquer, pode ligar vários indivíduos entre si, mas, inevitavelmente, há de gerar antagonismo; (…) a experiência alheia não é verdadeira, mesmo que o “experimentador” seja um grande homem. (…) A experiência de um guru, um instrutor, um santo, um salvador, não é a verdade que vos cumpre descobrir. A verdade alheia não é a verdade. (…) (Nosso Único Problema, pág. 81)

A experiência alheia não é válida para a compreensão da realidade. Entretanto, as religiões organizadas no mundo inteiro baseiam-se na experiência alheia, e, por essa razão, não estão libertando o homem, mas unicamente prendendo-o a um padrão que lança o homem contra o homem. Cada um de nós tem de começar de novo; porque o que somos o mundo é. (Nosso Único Problema, pág. 81-82)

(…) O instrutor com o qual o aluno está em contato diretamente, fisicamente, observa o aluno enquanto o ajuda e guia. (…) Ora, os “Mestres” não estão em contato direto, físico, com o aluno, exceto, aparentemente, com aqueles que proclamam ser seus intermediários. (…) (Palestras em Ojai e Saróbia, 1940, pág. 76-77)

Afinal, os Mestres e os devas são nossa própria projeção; quando os seguimos, estamos seguindo (…) projeções. (…) Vós desejais que eu vos ajude a entrar em contato com os Mestres (…) Fala-se muito a respeito deles, e isso se tornou um meio engenhoso de explorar os outros. (…) Há muita mistificação nisso. (…) Quando nossos corações estão vazios, enchemo-los com as imagens de Mestres, o que significa que não existe amor. (…) (Que Estamos Buscando? 1ª ed., pág. 74-75)

O problema, pois, não é de como entrar em contato com os Mestres e devas, e, sim, de como transcender a noção de desigualdade; (…) Quando conheceis a vós mesmos, conheceis o Mestre. Um Mestre verdadeiro não pode ajudar-vos, porque vós mesmos tendes de compreender-vos. Vivemos em busca de Mestres falsificados; buscamos conforto, segurança, e projetamos a espécie de Mestres que desejamos, esperando que esse Mestre nos dê tudo o que desejamos. (…) (Idem, pág. 76)

O autor da pergunta (…) Não sigais pessoa alguma, nem a mim próprio. Não façais de outrem vossa autoridade. No momento em que reconheceis outro indivíduo como vosso mestre, e a vós mesmo como seu discípulo, estais negando a verdade. Na busca da verdade, não há mestre nem discípulo. A busca da verdade é que é importante (…) Se estais esclarecido, se interiormente sois uma luz para vós mesmo, não seguireis ninguém. Por conseguinte, tratai (…) de dissipar a vossa própria confusão, tornando-vos uma luz para vós mesmo, e então desaparecerá o problema. (O que te fará Feliz?, pág. 120-121)

(…) Quando rejeitais a autoridade e dela buscais libertar-vos, procurais apenas uma antítese; ao passo que a verdadeira liberdade, o estado inteligente e desperto da mente, está além dos opostos. É essa tranqüilidade vibrante do pensamento profundo, do apercebimento sem escolha, essa intuição criadora, que é plenitude da vida. (Palestras em Ommen, Holanda, 1936, pág. 69)

Estais também trabalhando, (…) Não aprendeis nada do orador, porque ele nada tem para vos ensinar. Não tem absolutamente nada para ensinar-vos, porque não admite a relação de “mestre e discípulo”, geradora de autoridade; pois, onde há autoridade, há divisão: “o que sabe” e “o que não sabe”. E o homem que diz que sabe, não sabe. (…) (O Novo Ente Humano, pág. 67)

O Buddha, o Cristo, e outros grandes instrutores do mundo, foram ter à fonte da vida. Tornaram-se Artistas Mestres. Uma vez conhecendo a natureza e a suprema grandeza da Fonte, Eles mesmos se tornaram essa Fonte, o Caminho e a Encarnação da Sabedoria e do Amor. Essa deveria ser a nossa finalidade.

(…) Uma vez que tenhais compreendido a glória do Reino d’Eles, então podereis abrir caminho por vós mesmos nessa linha particular de criação (…) Então sereis os maiores escritores, ou os maiores artistas, ou os maiores cientistas; então tereis a língua dos eruditos. (…) Sêde independentes – não só emocional e intelectualmente – mas também de todos os estorvos físicos. É esse o único caminho para se chegar à maior das felicidades (…) É o único meio de viver no Reino da Felicidade. (O Reino da Felicidade, pág. 54-55)

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