No cultivo da mente, nossa ênfase não deve estar na concentração, mas na atenção. A concentração é um processo de forçar a mente a focalizar-se num ponto, ao passo que a atenção não tem fronteiras. (…) A atenção não tem limites; ela está livre das fronteiras do conhecimento. O conhecimento ocorre através da concentração (…) dentro de suas próprias fronteiras.

No estado de atenção, a mente pode usar e usa o conhecimento, o qual é, necessariamente, resultado da concentração; mas a parte nunca é o todo, e a soma das várias partes não produz a percepção do todo. O conhecimento (…) não acarreta a compreensão do imensurável. O total nunca pode ser abrangido por uma mente concentrada. (O Verdadeiro Objetivo da Vida, pág. 17)

Assim sendo, posso prestar atenção sem ter motivo algum? Pode a minha mente existir sem nenhum incentivo, nenhum “motivo” para transformar-me ou não me transformar? Porque todo motivo resulta da reação de determinada cultura, (…) de determinado fundo. (…) (Transformação Fundamental, pág. 57)

(…) A mim me parece que a única coisa importante é a atenção. (…) A atenção que tem em mira um objetivo já não é atenção. (…) Nesse estado de atenção completa, não há contradição dentro de nós mesmos, não há batalha entre o consciente e o inconsciente – é a atenção total.

Por conseguinte, não há necessidade de percorrer todo o “processo” psicanalítico, examinando, uma a uma, as lembranças, para ficarmos livres delas. (Transformação Fundamental, pág. 42)

Como suscitar o estado de atenção? Ele não pode ser cultivado por persuasão, por comparação, por recompensas ou castigos. (…) A eliminação do medo é o começo da atenção. O medo deve existir enquanto houver um impulso para ser ou vir a ser, que é o móvel do sucesso, com todas as suas decepções e tortuosas contradições. Você pode ensinar a concentração, mas a atenção não pode ser ensinada. (…) Assim, a atenção surge espontaneamente, (…) e tem consciência da ação desinteressada que vem com o amor. (…) (O Verdadeiro Objetivo da Vida, pág. 18)

(…) A meditação – não como praticada (…) por diferentes grupos, porém a meditação real – observa cada coisa com toda a atenção; (…) totalmente, e não apenas partes dela. A atenção não é fragmentária, porém uma coisa total. (…) Uma pessoa se concentra, e isso é um esforço: é excluir, é fechar-se entre muros. Mas a atenção não tem muros, e assim é a meditação. Eis o que é meditação – quando a mente está totalmente em silêncio. (A Essência da Maturidade, pág. 118)

Não há começo nem fim na meditação; tampouco bom êxito ou malogro, ganho ou perda; é um movimento livre de objetivos que transcende o tempo e o espaço. Não se pode experimentar a meditação; o ato de experimentar é limitado pelo tempo, pelo espaço, pela memória e pelo reconhecimento. O meditar surge da observação passiva, livre de autoridade, ambição e medo. Sem liberdade e autoconhecimento, a meditação nada significa. (…) Surge a compreensão do que é, quando cessa o conflito da escolha. O movimento da meditação nasce da completa atenção. (Diário de Krishnamurti, pág. 75)

Como dissemos, a atenção é de todo diferente da concentração. O percebimento e a atenção (não a concentração) são inseparáveis. A mente bem atenta pode observar com toda a clareza, sem nenhuma deformação, (…) resistência e, todavia, funcionar eficientemente, objetivamente. (…) A meditação é uma coisa que “acontece” naturalmente. A mente que está investigando chega inevitavelmente à meditação, a mente vigilante, que observa em si própria “o que é”, essa mente está compreendendo, conhecendo a si própria. (Fora da Violência, pág. 48-49)

Ora, quando se verifica a atenção completa? Por certo, só quando há amor. Havendo amor, há atenção completa. Não há necessidade de nenhum “motivo”, nenhum objetivo, nenhuma compulsão: ama-se simplesmente isso. (…) (O Homem Livre, pág. 89)

Assim, a atenção só passa a existir quando há busca não baseada em progresso pessoal ou em satisfação. (…) Você descobrirá, quando houver amor – o qual se exprime através de humildade, de cortesia, de paciência, de delicadeza – que já está livre das barreiras levantadas pela insensibilidade. (…) (O Verdadeiro Objetivo da Vida, pág. 19)

(…) A quietude vem à existência quando a mente está livre de todo esforço, quando já não está subordinada ao padrão da disciplina, do medo, da realização de um fim. Não há então acumulação de lembranças, não há resíduo algum, não há experimentador. (…) Quando a mente se acha tranqüila, quando não há movimento de esforço (…) só então se manifesta a verdade, presente momento a momento. (Visão da Realidade, pág. 214)

(…) Não podeis criar tranqüilidade à força, (…) tornar a mente serena, (…) forçar o pensamento a parar. Cumpre-nos compreender o processo do pensamento e transcender o pensamento; só então a verdade libertará o pensamento do seu próprio processo. (A Arte da Libertação, pág. 124)

Nessas condições, só quando a mente é capaz de perceber a si mesma em sua relação com todas as coisas, é-lhe possível ficar quieta, tranqüila. A mente tranqüilizada por um processo de isolamento, de sujeição, de controle, não está tranqüila, porém morta; só se está conformando a um padrão. (Por que não te Satisfaz a Vida?, pág. 20)

A mente só pode estar quieta quando não está experimentando, isto é, quando não está dando nomes, registrando ou depositando na memória. Esse dar nome e registrar é um processo constante das diferentes camadas da consciência, e não apenas da superficial. Mas, quando a mente superficial está quieta, a mente mais profunda pode enviar suas sugestões. Quando a consciência total está silenciosa e tranqüila, livre de todo vir-a-ser, o que é espontaneidade, só então o imensurável se apresenta na existência (…) (Comentários sobre o Viver, 1ª ed., pág. 42)

(…) A tranqüilidade só vem quando compreendemos todo o processo do pensamento; porque compreender o processo é eliminar o processo, é o fim do processo (…) é o começo do silêncio. Só quando a mente está completamente silenciosa, não só no nível superficial, mas profundamente, (…) até os mais profundos níveis da consciência – só então pode o desconhecido despontar na existência. (Que Estamos Buscando?, 1ª ed., pág. 183-184)

Nessas condições, só o homem que compreendeu a mente pode saber o que é a Realidade, o que é Deus. (…) Mas se vós e eu estudarmos este vasto problema da mente, se devassarmos a sede do “eu”, veremos então que, dessa investigação, resulta a tranqüilidade da mente, (…) não provocada, (…) surgida espontânea, natural e livremente; e nessa tranqüilidade surge a visão da Totalidade. (…) (O Problema da Revolução Total, pág. 26-27)

Se a mente puder libertar-se do seu condicionamento, dos seus desejos, (…) disciplinas, padrões, acidentes, haverá então o libertar da mente do passado. Dessa liberdade virá o silêncio, a tranqüilidade mental. Essa tranqüilidade não pode ser feita, mas ocorre quando a mente é livre. (…) O que está num movimento extraordinário, numa velocidade extraordinária, está quieto. E dessa tranqüilidade surge o mistério da criação, aquela verdade não mensurável pela mente. (…) (As Ilusões da Mente, pág. 107)

(…) Quando a mente está de todo tranqüila, quieta, sem senso de aceitação ou rejeição, (…) aquisição ou acumulação, quando existe esse estado de tranqüilidade, no qual o experimentador não existe – só então sentimos aquilo a que podemos chamar de Deus. (…) (Por que não te Satisfaz a Vida?, pág. 36)

(…) Quando está presente o “experimentador”, então já não há tranqüilidade, mas, apenas, uma continuidade de sensação. A meditação é todo esse processo que produz um estado no qual a mente se torna tranqüila, não mais “projetando”, não mais desejando, defendendo, julgando, experimentando. Nesse estado, o novo pode existir. “O novo” não pode ver verbalizado; não há palavras que o exprimam; portanto, ele não é comunicável. É algo que se manifesta quando a mente é também nova; e todo esse complexo “processo” de autoconhecimento é meditação. (Claridade na Ação, pág. 165)

Essa tranqüilidade da compreensão não é produzida por ato da vontade, porquanto a vontade é também parte do vir-a-ser, do ansiar. Só pode estar tranqüila a mente-coração depois de cessar o tormento e o conflito do anseio. Assim como um lago se apresenta calmo após o vendaval, assim também está tranqüila a mente-coração, em sua sabedoria, depois de compreender e transcender o anseio e a distração. (…) (O Egoísmo e o Problema da Paz, pág. 143)

Somente pela percepção e meditação profundas, pode verificar-se a libertação do anseio, do “ego”. É só aí que há a verdadeira solidão. (…) Quando o pensador e seu pensamento são um só, tendo transcendido toda e qualquer formulação, existe aquela tranqüilidade na qual, tão somente, se encontra o Real. Meditar é penetrar as múltiplas camadas condicionadas e disciplinadas da consciência. (O Egoísmo e o Problema da Paz, pág. 160-161)

Não sei se alguma vez ficais em silêncio, interiormente. Nesse estado de silêncio interior, quando caminhais pela rua, vossa mente está completamente serena, observando e escutando, sem pensamento. Conduzindo vosso carro, olhais a estrada, as árvores (…) sem nenhuma interferência do mecanismo do pensamento. Quanto mais funciona o mecanismo do pensamento, tanto mais a mente se gasta; nenhum espaço fica para a “inocência”, e só a mente “inocente” pode perceber a Realidade. (A Mente sem Medo, 1ª ed., pág. 43)

(…) Nessas condições, só a mente que está em silêncio pode receber o desconhecido, porque o desconhecido é imensurável. O que se mede não é o desconhecido; é coisa conhecida, (…) não é verdadeira, não é real. (Nosso Único Problema, pág. 76)

Se as palavras “serenidade” e “tranqüilidade” significam “fim psicológico” ou morte, então elas servem perfeitamente. (…) Se há Deus, a Verdade, (…) isso só pode ser encontrado quando estamos livres do “conhecido”. (…) (O Homem e seus Desejos em Conflito, 1ª ed., pág. 62)

Assim, para compreenderdes o que é o silêncio, deveis estar livre da submissão e da imitação (…) da autoridade, (…) das experiências de ontem, que acumulastes. (…) Também, é necessária a terminação do pensador e do pensamento como duas entidades separadas, (…) o conflito da dualidade. (…) Só a mente “inocente” é silêncio. Alcançado esse estado, há, então, nesse silêncio, um movimento extraordinário, sem nenhum observador a observar o movimento; só há o movimento. O tempo se tornou inexistente. (Idem, pág. 31-32)

Agora, que é silêncio? É o “espaço” que produzis e chamais “silêncio”, pelo controle, pela repressão do barulho? O cérebro está constantemente ativo, reagindo, com seu próprio barulho, aos diferentes estímulos. (…) É silêncio a cessação do barulho produzido pelo “eu”? A cessação da “tagarelice”, da verbalização, de todo e qualquer pensamento? Mesmo quando já não há verbalização e o pensamento aparentemente cessou, o cérebro continua em movimento. Não é silêncio, por conseguinte, tanto a cessação do barulho como a completa cessação de todo movimento? Observai isso, penetrai-o. (Fora da Violência, pág. 84-85)

O silêncio, pois, nasce da solidão. Esse silêncio está além da consciência. Consciência é prazer, pensamento; é o maquinismo (consciente ou inconsciente) do prazer e do pensamento. Nesse campo nunca é possível o silêncio, e qualquer ação que nele se verifique terá sempre confusão, (…) sofrimento, criará sempre aflição. (Viagem por um Mar Desconhecido, pág. 86)

Quando reina esse silêncio, manifesta-se então um estado extraordinário, um estado criador. (…) Mas esse silêncio não pode ser um alvo a atingir. (…) Ele começa a existir somente depois de compreendidas as tendências do “eu”, e depois que o “eu”, com todas as suas atividades e perversidades, deixa de existir. Isto é, logo que a mente cessa de criar, começa a haver criação. (…) (Nós somos o Problema, pág. 77-78)

O silêncio e a liberdade são inseparáveis. Só a mente que está toda em silêncio (…) pode responder àquela pergunta. Só o silêncio total produzirá a revolução total na psique – não o esforço, nem o controle, nem a experiência, nem a autoridade. Esse silêncio é extraordinariamente ativo; não é mero silêncio estático. (…) (A Importância da Transformação, pág. 68)

Só quando (…) O silêncio, em si, é ação – não, primeiro silêncio e depois ação. Provavelmente, isso nunca vos aconteceu: estar completamente em silêncio. Se estais em silêncio, podeis falar de dentro desse silêncio, embora tenhais vossas lembranças, experiências e conhecimentos. (…) Mas, quando há silêncio, desse silêncio procede a ação, ação que nunca é complicada, nem confusa, nem contraditória. (Viagem por um Mar Desconhecido, pág. 86-87)

Naquela noite, (…) Há o silêncio da mente, nunca perturbado por barulho algum, por nenhum pensamento, ou pela (…) experiência. Esse silêncio é que é “inocente” e, por conseguinte, infinito. Quando na mente existe esse silêncio, dele brota a ação, ação jamais causadora de confusão e sofrimento. (A Outra Margem do Caminho, pág. 30)

Já alguma vez observastes em silêncio? (…) Escutastes em silêncio ou com o barulho da opinião, do julgamento, da avaliação, aceitação ou rejeição? (…) Porque, se escutastes em silêncio, compreendestes a totalidade da vida. (…) Observai em silêncio um pássaro, uma árvore, o movimento das nuvens. E (…) observai em silêncio vosso marido ou esposa,(…) porque tendes imagens dele ou dela. Só no silêncio existe relação, porque no silêncio e pelo silêncio há amor. (A Essência da Maturidade, pág. 119-120)

E, quando se compreendeu esse princípio do prazer, do pensamento, da solidão, e o vazio do silêncio; quando se alcançou esse ponto (…), então, por haver atenção total, há uma ação proveniente do silêncio (no qual há inação total – e essa inação é ação); e, em virtude dessa total inatividade do silêncio, dá-se uma explosão. Só ao ocorrer essa explosão total, pode aparecer algo totalmente novo – um “novo” não reconhecível (…), não experimentável. (…) (Viagem por um Mar Desconhecido, pág. 87)

A mente que medita contém todas essas variedades, mutações e movimentos de silêncio. Esse silêncio da mente é a essência da verdadeira mente religiosa, e o silêncio dos deuses é o silêncio da terra. A mente que medita flutua nesse silêncio, e o amor é o modo de ser dessa mente. Nesse silêncio há bem-aventurança e alegria. (A Outra Margem do Caminho, pág. 30)

O silêncio é absolutamente necessário, para olhardes, escutardes, observardes; se vossa mente está a fazer barulho – e nossa mente está perpetuamente a tagarelar – que possibilidade tendes de escutar? É muito importante olhar, ver, sem a imagem, e deveis estar em silêncio para olhardes vosso marido ou vossa esposa. É só em silêncio que se aprende, e o Amor é o silêncio absoluto. (Palestras com Estudantes Americanos, pág. 82)

É um silêncio que o observador não pode experimentar. Se o experimenta e reconhece, isso já não é silêncio. O silêncio da mente que medita não se encontra entre os limites do reconhecimento, porque é um silêncio sem fronteiras. (O Problema da Revolução Total, pág. 19)

Na atenção – se se chegou até aí – fica o indivíduo livre de todos os afãs do pensamento, com seus temores, suas agonias e seu desespero. (…) Então se está esvaziando o conteúdo da própria consciência, que está sendo liberada. Este é o significado e a profundidade da meditação: esvaziado de todo o conteúdo, pensamento acaba. (La Totalidad de la Vida, pág. 140)

A meditação é um movimento dentro do silêncio. O silêncio da mente é o veículo da ação. A ação nascida do pensamento é inação e gera desordem. (…) As células cerebrais, que durante tanto tempo foram condicionadas a reagir, projetar, defender, afirmar – só se tornam quietas ao verem o que realmente é. Só desse silêncio – em que deixou de existir o observador, o centro, o experimentador – pode vir a ação não causadora de desordem. Então, ver é agir. Só se pode ver de dentro de um silêncio no qual cessaram toda a avaliação e todos os valores morais. (A Outra Margem do Caminho, pág. 50)

Meditação é o total esvaziamento da mente. O conteúdo da mente é resultado do tempo, da chamada evolução. (…) A mente anda tão carregada do passado – pois todo saber é o passado, toda experiência é o passado, e toda lembrança é o resultado acumulado (…) de experiências eis o conhecido. (…) Pode a mente, que é ao mesmo tempo, o “consciente” e o “inconsciente”, esvaziar-se totalmente do passado?

Nisso é que consiste o movimento da meditação. Se a mente está cônscia de si própria, sem escolha, se está vendo o seu próprio movimento – pode esse percebimento esvaziá-la do conhecido? Porque, se resta qualquer vestígio do passado, não pode a mente ser inocente. Assim, a meditação é o total esvaziamento da mente. (Fora da Violência, pág. 115)

Para que o desconhecido venha à existência, a mente precisa estar completamente vazia; não pode haver o experimentador (…) o “eu”, com todas as suas lembranças acumuladas, tanto conscientes como inconscientes. (…) O “eu” não pode experimentar o desconhecido; só lhe é possível experimentar o conhecido, o que foi projetado de si mesmo (…) (Por que não te Satisfaz a Vida, pág. 35-36)

A meditação, pois, é o esvaziar da mente de todas as coisas que juntou. Se o fizerdes, (…) vereis abrir-se um extraordinário espaço em vossa mente, e esse espaço é liberdade. (…) Deveis buscar o significado da liberdade. (…) Vereis, então, que meditação é criação. (Experimente um Novo Caminho, pág. 105)

Esse vazio que é força criadora, essa passividade ardente, não se consegue por ato de vontade. É extremamente difícil esse estado para os que são escravos da distração, (…) a lutar por virem a ser. (…) Essa percepção silenciosa não é ato de determinação, mas surge quando o pensamento-sentimento já não está preso na rede do vir-a-ser. (…) (O Egoísmo e o Problema da Paz, pág. 87)

Só quando a mente está vazia, existe a possibilidade de criação; mas não me refiro a esse vazio superficial que quase todos conhecemos. Em geral estamos vazios, superficialmente, e daí o nosso desejo de distração. Queremos distrair-nos e apelamos para os livros, o rádio, (…) conferências e autoridades; a mente está sempre a encher-se. Não é desse vazio que estou falando, o qual é falta de reflexão. Pelo contrário, refiro-me ao vazio que resulta de uma extraordinária atividade pensante, em que a mente percebe seu poder de criar ilusões e passa além. (A Primeira e Última Liberdade, 1ª ed., pág. 137)

Foi ao acordarmos (…) A consciência não pode conter a imensidão da inocência; está apta a recebê-la, mas não pode buscá-la nem cultivá-la. A totalidade da consciência tem de aquietar-se, cessando todo desejo e busca. Aquilo que não tem começo nem fim surge quando a consciência silencia. Meditar é esvaziar a consciência, não com o intuito de receber, mas para despojar-se de toda finalidade. É preciso haver espaço para o silêncio, não o espaço criado pelo pensamento e suas atividades, mas aquele que vem por meio da negação e da destruição, quando nada mais resta do pensamento e de suas projeções. Só no vazio ocorre a criação. (Diário de Krishnamurti, pág. 45)

(…) Porque, se a mente não está vazia, é mecânica; só repete. Só desse vazio extraordinário, vigilante, sensível, pode provir o novo. O novo – se se pode usar essa palavra – é Deus. (…) Mas é naquela mente vazia que pode ocorrer a criação; só nela pode existir o amor. (…) (Uma Nova Maneira de Agir, 1ª ed., pág. 16)

Ao atravessarmos a ponte, no meio do bosque (…), a meditação adquiria novo significado. Um silêncio espontâneo vinha da ausência de desejo. (…) O pequeno córrego, que vinha de longe, transbordava de alegria. (…) Infinita e ilimitada imobilidade, que brotava da mente total. (…) O silêncio é sempre novo. (…) A meditação é a ausência da consciência, resultado do tempo e do espaço. O pensamento (…) não pode de maneira nenhuma provocar esse silêncio; deve ser espontâneo o findar do intrincado e sutil mecanismo cerebral. (…) O silêncio é essencial para que ocorra a explosão da criação. (Diário de Krishnamurti, pág. 63)

Primeiro, olhemos o quadro todo. Então, poderá a mente, que pertence ao tempo e ao espaço, investigar em um estado isento de espaço e de tempo, por ser esse o único estado em que é possível haver criação? A mentalidade técnica, que adquiriu conhecimentos especializados, pode inventar, adicionar, mas jamais criará. A mente que não dispõe de espaço, de vazio de onde ver, é sem dúvida incapaz de viver em um estado não-espacial, atemporal. (Ensinar e Aprender, pág. 125)

Assim sendo, não pode a mente que busca alimento para sua satisfação, viver num estado atemporal, de não-aquisição, (…) e se encontre, por essa razão, extraordinariamente tranqüila?Porque, nessa tranqüilidade, talvez possa surgir aquilo que é criador, que é atemporal. (Poder e Realização, pág. 29)

( … ) Ora, vós por certo saís do tempo quando estais vitalmente interessado – e entrais naquela existência atemporal, que não é uma ilusão, uma alucinação por nós produzida. Quando isso acontece, não tendes problema algum, porque o “eu” não está então preocupado consigo mesmo; e ficais, então, afastado da onda de destruição. (…) (Da Insatisfação à Felicidade pág. 22)

Quando a mente está assim cônscia, totalmente cônscia, então não há busca; a mente já não está (…) buscando satisfação, pensando em termos de realização. Não é a mente então, ela própria, atemporal? Enquanto a mente compara, condena, julga, está condicionada, e está no tempo; mas, quando tudo isso tiver cessado, de todo, não se acha então a própria mente naquele estado que se pode chamar “eternidade”? (…) (Transformação Fundamental, pág. 87)

Nasce a sabedoria só quando há liberdade da mente; e a mente que está tranqüila encontrará o atemporal, que é o imensurável, surgido na existência. Esse estado não é um estado de experiência. (…) O que lembramos, repetimos, e o imensurável não é repetível, não é cultivável. A mente tem de ser induzida a recebê-lo de maneira nova, (…) e a mente que acumula saber, virtude, é incapaz de receber o eterno. (Nosso Único Problema, pág. 77)

Por que sentis que deveis meditar? (…) Digo que há uma alegria, uma paz, na meditação sem esforço, e isso só pode acontecer quando a vossa mente estiver livre de toda escolha, (…) já não criar uma divisão na ação. (Palestras na Itália e Noruega, 1933, pág. 85)

(…) Se realmente viverdes, se tentardes libertar a mente e o coração de toda limitação – não pela auto-análise e introspecção, mas pelo apercebimento no agir – então os obstáculos que presentemente vos impedem a plenitude da vida ruirão. Esse apercebimento é a alegria da meditação – meditação que não é o esforço de uma hora, mas que é ação, que é a vida mesma. (Palestras na Itália e Noruega, 1933, pág. 87)

Suponde que vos esforçais para vos concentrardes em uma idéia. Completai cada pensamento, não tenteis bani-lo. Assim, a vossa meditação não se limitará a umas poucas horas ou a uns poucos momentos durante o dia. Será, antes, uma contínua vigilância da mente e do coração, durante o dia inteiro; e isto, para mim, é a verdadeira meditação. Nisso há paz, nisso existe alegria. (…) (Palestras em Auckland, 1934, pág. 133)

(…) Sem a liberdade interior da Realidade, não encontrareis nem a alegria nem a paz. Na busca e na descoberta daquela Realidade interior, podemos não somente contentar-nos com pouco, mas também adquirir o conhecimento de algo que ultrapassa todos os padrões. (…) (O Egoísmo e o Problema da Paz, pág. 34)

Deveis ter uma mente virtuosa. (…) Da atenção completa vem o silêncio total, não só no nível da mente consciente, mas também no nível do inconsciente. (…) Todo experimentar terminou. (…) Estando totalmente desperta, a mente é a luz de si própria. Nesse silêncio, encontra-se a paz. (…) (A Mente sem Medo, 1ª ed., pág. 106)

Só a mente que se acha inteiramente em paz (mas não dormindo), que não se põe hipnoticamente num estado que ela considera ser um estado de paz – a mente que está realmente em paz, só ela pode descobrir o que é a verdade, o que significa viver, (…) morrer, e conhecer o amor em toda a sua profundeza e amplidão. (O Novo Ente Humano, pág. 71)

(…) Digo que há uma alegria, uma paz, na meditação sem esforço, e isso só pode acontecer quando a vossa mente estiver livre de toda escolha, (…) já não criar uma divisão na ação. (Palestras na Itália e Noruega, 1933, pág. 85)

(…) A meditação é a destruição do próprio pensamento e não o produto do pensamento, enredado em suas mesmas e infrutíferas buscas, complexidades e visões. Estilhaçando-se no confronto com a sua própria nulidade, o pensamento finda na explosão da meditação, cujo movimento é livre e espontâneo. (…) Era um processo mental integrado, que emergia do infinito vazio do nada. (…) (Diário de Krishnamurti, pág. 135)

Meditava-se no vazio imensurável do nada. Incapaz de acompanhar o seu movimento avassalador, o pensamento não ia além do estreito limite do tempo. Livre do sentimento, que desfigura o amor, era o vazio da ausência de espaço. Imóvel, o cérebro não participava do processo da meditação; apesar de quieto, ele se movia para dentro e para fora de si mesmo, sem penetrar na vastidão daquele vazio. (…) Toda forma de pensamento é dissipação de energia, e, para que haja energia, é preciso cessar de pensar e sentir. Ainda que seja uma barreira ao ato de meditar, o pensamento só deixa de existir com a meditação. (Diário de Krishnamurti, pág. 133)

(…) Sim, (…) Porém existe uma coisa muito mais imensa do que isso. O vazio, o silêncio e a energia são imensos, realmente imensuráveis. Mas existe uma coisa – estou usando a palavra “maior” do que isso. (A Eliminação do Tempo Psicológico, pág. 49)

(…) Sim. Assim, se eu disser que existe uma coisa maior do que todo esse silêncio, essa energia – você aceitaria isso? (Idem, pág. 49)

(…) Não existe nada além. Eu me mantenho fiel (…). Sinto que isso é o começo e o fim de tudo. O fim e o início são a mesma coisa – certo? (Idem, pág. 49)

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