Já refletiste sobre o que é amor? É ele essa tortura que conhecemos? Essa espécie de amor poderá ser bela no começo – quando dizemos a alguém: “amo-te” – mas depressa se deteriora, convertendo-se numa relação em que prepondera a posse, o domínio, o ódio, o ciúme, a ansiedade, o medo. (A Libertação dos Condicionamentos, pág. 48)

Agora, que é amor, (…) que é ele realmente, e não como gostaríamos que fosse? O que gostaríamos que fosse o amor é uma mera idéia, um conceito. (…) Devemos começar com o que é, e não com o que deveria ser. Devemos começar com o fato, e não com as opiniões e conclusões. (…) (O Descobrimento do Amor, pág. 167)

Assim, vamos agora investigar, (…) Que é realmente o nosso amor? Nele há prazer, dor, ansiedade, ciúme, apego, ânsia de posse, de domínio, e o medo de perdermos o que possuímos. Há o amor existente nas relações entre duas pessoas, e há amor a uma idéia, uma fórmula, uma utopia, ou a Deus. (…) Por essa razão, há o casamento legal, instituído pela sociedade para a proteção da prole. (…) (Idem, pág. 167)

O amor que temos é o conhecido, com todos os seus sofrimentos e sua confusão; nele, há a tortura do ciúme, os horrores e penas da violência, o prazer sexual. É isso que conhecemos, (…) (Idem pág. 169)

A maioria de nós não sabe o que é amor. Conhecemos a dor e o prazer de amar (…); assim, o amor é, para nós, algo desconhecido, tal como a morte. Mas, com a mente livre do conhecido, apresenta-se-nos aquilo que não é cognoscível por meio de palavras, de experiência, de visões (…). (Idem, pág. 172)

Devemos perguntar: É o amor prazer, desejo, pensamento? Pode o amor ser continuamente cultivado? Sem o amor, o sentimento de compaixão, sua chama, inteligência, tem a vida muito pouco significado. Você pode inventar um propósito para a vida, a perfeição, conhecer tudo sobre a profissão, mas sem a beleza fundamental do amor, fica a vida sem sentido. (…) (Mind Without Measure, pág. 28)

Para a maioria dos homens, amor é posse. Mas, havendo ciúme, inveja, existirá também crueldade, ódio. O amor só existe e cresce na ausência do ódio, da inveja, da ambição. Sem amor, a vida é como terra estéril, árida, dura, brutal. Porém, no momento em que existe afeição, ela é como a terra que floresce com água, com chuva, com beleza. (…) (Ensinar e Aprender, pág. 55)

Você sabe, uma de nossas dificuldades é que associamos amor com prazer, com sexo. Amor, para a maioria de nós, significa ciúme, ansiedade, possessividade, apego. A isso chamamos amor. Mas o amor é apego? É o amor prazer? O amor é desejo? É o amor o oposto do ódio? Se é oposto do ódio, então não há amor. Você pode compreender isso? Quando alguém tenta se tornar corajoso, esta coragem é nascida do medo. Portanto, o amor não pode conter o seu oposto. O amor existe onde não há ciúme, agressividade, ódio. (The World of Peace pág. 96-98)

Que é amor? É prazer – prazer no reiterativo ato sexual, ao que geralmente se chama amor? O amor da esposa, no qual há grande prazer, posse (…), com base no desejo, é amor? Quando existe um possessivo apego em relação ao outro tem que haver ciúme, temor, antagonismo. (…) Se não se compreende plenamente o significado do apego, jamais se poderá descobrir a verdade do amor. (…) (La Totalidad de la Vida, pág. 148)

(…) Esperamos amar o homem através do amor de Deus, mas se não soubermos como amar o homem, como podemos amar a realidade? Amar o homem é amar a realidade. Julgamos que amar a outrem é tão doloroso, tantos problemas complexos estão envolvidos nisso, que consideramos ser mais fácil e mais satisfatório amarmos um ideal, o que é emocionalismo intelectual, não amor. (Idem, pág. 41)

Você sabe, para descobrir o que é, você deve negar totalmente o que não é. Através da negação do que não é, se chega ao que é. Deve-se descobrir se o prazer é amor. O amor é desejo? O amor está associado ao sexo, e o sexo se tornou extraordinariamente importante, não é? Você o vê em todos os lugares; pega qualquer revista, caminha em qualquer rua, infindavelmente vê este “amor”. Por que o sexo se tomou colossalmente importante, como ele está associado ao que chamamos “amor”? Por quê? Você alguma vez fez essa pergunta? (…) (Talks and Dialogues, Sidney, Austrália, 1970, pág. 45)

O amor é pensamento? Pode o pensamento cultivar o amor? O amor não é prazer, não é desejo, não é recordação, ainda que essas coisas tenham seu lugar. Que é, então, o amor? É ciúme? É o amor um sentimento de posse – minha mulher, meu esposo, minha noiva? (…) Contém medo o amor? Não é nenhuma dessas coisas, apaguem-nas completamente, terminem com elas, pondo-as em seu lugar correto. Então há amor. (La Totalidad de la Vida, pág. 172)

O amor não é pensamento. Não é desejo, prazer, não é o movimento de imagens, e enquanto você tem imagens de outrem não há amor. E perguntamos: é possível viver uma vida sem qualquer imagem? Só assim você entra em contacto com outro. (Mind Without Measure, pág. 80)

A inteligência requer liberdade, e a liberdade requer a cessação de todo conflito. Torna-se existente a inteligência e deixa de existir o conflito quando o “observador” é a coisa observada, porque então não há divisão. Então, existe amor. Hesitamos em empregar essa palavra já tão terrivelmente “carregada”; o amor está associado ao prazer, ao sexo, ao medo, ao ciúme, à dependência, ao desejo de posse. (…) (Fora da Violência, pág. 134)

Sem dúvida, o amor é estado de espírito em que o “eu” perdeu toda a sua importância. Amar é ser amistoso. (…) Quando amais, não tendes inimizade e não causais inimizade. E vós causais inimizade ao pertencerdes a religiões, nações, partidos políticos. Se possuís muitas terras, imensas riquezas, enquanto outro pouco ou nada tem, causais inimizade, ainda que freqüenteis os templos, ou mandeis construir templos com vossas riquezas. Não tendes afabilidade quando estais em busca de posição, poder, prestígio. (O Homem Livre, pág. 181)

Dependemos da sensação para a continuidade do assim chamado amor, e, quando essa satisfação é negada, procuramos encontrá-la em outrem. (…) Sem compreender a ansiedade, não pode haver plenitude do amor. (…) Para compreender essa plenitude, esse estado integral, precisamos começar a estar apercebidos do desejo como ganância e possessividade.(…) (Palestras em Ojai e Saróbia, 1940, pág. 44)

O amor não é sensação. A sensação faz nascer o pensamento, por meio das palavras e dos símbolos. As sensações e o pensamento tomam o lugar do amor, tornam-se um substituto do amor. As sensações são produtos da mente, como o são também os apetites sexuais. A mente gera o apetite, a paixão, através da lembrança, e recebe dessa fonte sensações. (…) As sensações são agradáveis e desagradáveis, e a mente se prende às agradáveis, tornando-se escrava delas.(…) A mente é o fabricante dos problemas e, portanto, não pode resolvê-los. (…) (Comentários sobre o Viver, 1ª ed., pág. 99-100)

O pensamento é fragmentário, limitado; (…) não pode resolver o problema do que é o amor, e não pode cultivar o amor. Quando se cria uma abstração com o pensamento, cria-se o afastamento de “o que é”. (…) Isto é o que se tem feito durante toda a vida; porém, jamais se saberá, mediante a abstração, o que é amor; nunca se conhecerá a imensa beleza, profundidade e significação do amor. (La Totalidad de la Vida, pág. 149)

O processo do pensamento nega sempre o amor. O pensamento é que tem complicações emocionais, e não o amor. O pensamento é o maior obstáculo ao amor. O pensamento cria uma divisão entre o que é e o que deveria ser, (…). Essa estrutura moral, criada pela mente para manter coesas as relações sociais, não é amor, (…). O pensamento não conduz ao amor, não pode cultivar o amor; (…). O próprio desejo de cultivar o amor é ação do pensamento. (Comentários sobre o Viver, 1ª ed. pág. 14)

O pensamento não é amor; mas o pensamento, como prazer, aprisiona o amor e traz a dor para dentro dessa prisão. Na negação do que não é, fica o que é. Na negação do que não é amor, surge o amor, no qual cessa o “eu” e o “não eu”. (A Outra Margem do Caminho, pág. 98)

Onde há amor não existe problema de sexo. Isso só se torna um problema quando o amor é substituído pela sensação. Portanto, a questão realmente é: como controlar a sensação. Se existisse a chama vital do amor, o problema do sexo cessaria. Atualmente o sexo tomou-se um problema devido à sensação, ao hábito e ao estímulo, (…). A literatura, os anúncios, a conversa, o vestir – tudo isso estimula a sensação e intensifica o conflito. (…) (Palestras em Ommen, Holanda, 1936, pág. 72)

Todos nós possuímos capacidade para um amor profundo e abrangente, porém, pelo conflito e pelas falsas relações, pela sensação e pelo hábito, destruímos sua beleza. (…) Não podemos manter a chama artificialmente acesa, mas podemos despertar a inteligência, o amor, pelo constante discernimento das múltiplas ilusões e limitações que presentemente dominam a nossa mente-coração, todo o nosso ser. (Idem, pág. 72)

(…) O amor não é sentimentalidade, não é emocionalismo, nem devoção. É um “estado de ser” lúcido, são, racional, incorrupto, do qual procede a ação total, a única que pode dar a verdadeira solução a todos os nossos problemas. (…) (O Homem Livre, pág. 89-90)

Se ficardes vigilante, (…) vereis o papel importante que o pensamento representa na vida. O pensamento tem, naturalmente, seu devido lugar, mas não está em nenhum aspecto relacionado com o amor. (…) Que é então o amor? O amor é um estado de ser em que não existe pensamento; a própria definição do amor é um processo do pensamento, (…) não é amor. (Comentários sobre o Viver, pág. 14-15)

(…) Porque, em suma, quando realmente amamos alguém, nesse amor existe a isenção do sentimento de posse. Temos, em dadas ocasiões, raras, aliás, esse sentimento de intensa afeição em que não existe a ânsia de possuir, de conquistar. E isso nos reconduz ao que disse (…), isto é, que existirá ânsia de possuir enquanto houver insuficiência, falta de riqueza interior. E essa riqueza interior se encontra, não com acumulações, mas na inteligência, na ação vigilante em presença do conflito causado pela falta de compreensão do ambiente. (A Luta do Homem, pág. 88)

(…) Podemos amar alguém em particular, mas não conhecemos aquele “estado de ser” extraordinariamente vivo e lúcido, que é o amor. A maioria de nós tem muito pouco amor no coração, (…). Por não termos amor, encontramos em geral um meio de aliviar-nos, seguindo uma certa via de “autopreenchimento”, que pode ser sexual, intelectual, ou de ordem neurótica; de maneira que nossos problemas crescem e se tornam mais e mais agudos. (Experimente um Novo Caminho, pág. 114)

Só pode haver amor quando se compreende o processo integral da mente. O amor não é coisa da mente, e não se pode pensar no amor. (…) O amor só pode existir quando ausente o pensamento do “eu”, e o libertar-nos do “eu” só se consegue pelo autoconhecimento. (…) Vereis, então, que o amor nada tem que ver com os sentidos, e que ele não é um meio de preenchimento. (…) (Por que não te Satisfaz a Vida?, pág. 53-54)

(…) O amor é um modo de ser e, nesse estado, o “eu”, com as suas identificações, (…) angústias e (…) posses, está ausente. Não pode existir amor, enquanto as atividades do “eu”, tanto as conscientes como as inconscientes, subsistirem. Eis por que importa compreender o processo do “eu”, o centro do reconhecimento (…). (Idem, pág. 54)

A mente que está livre do tempo – tempo que é pensamento, que é desejo – essa mente conhece o amor. Para a maioria de nós, o amor é sensual. Observai-o em vós mesmos. Para a maioria de nós, amor é ciúme – uma contradição composta de ódio e amor. Não sabemos, com efeito, o que é amor. Conhecemos a comiseração, a piedade, (…). (A Suprema Realização, pág. 51)

Só conheceis o amor sob o aspecto de contradição, dor e prazer, angústia e ciúme – a dor, a brutalidade, a violência do ciúme! (…) Se não conheceis a beleza, jamais conhecereis o amor – não a beleza de uma mulher ou de um homem, não o sexo: a Beleza! (Idem, pág. 51)

(…) E quando se compreende a natureza do pensamento, começa-se a descobrir o que é amor. O amor não é desejo ou prazer. Mas, para nós, para quase todo mundo, o amor é prazer e desejo. (…) Visto que o amor não é desejo e nem prazer, como podemos conhecê-lo? Evidentemente, nós não podemos cultivá-lo, (…): identifica-se a pessoa com uma imagem que dizem ser o amor, (…). Como então conhecer essa coisa? Para conhecê-la, temos de descobrir o que é a beleza. (A Essência da Maturidade, pág. 95)

Ora, como alcançar o amor? (…) Vós necessitais do amor, assim como necessitais de água quando sentis sede. Como alcançá-lo? Por meio do tempo? (…) O tempo poderá dar-vos aquele amor que é desvelo, (…) beleza? O amor e a beleza andam juntos, nunca estão separados. Infelizmente, para a maioria de nós, beleza significa sensualidade, sexualidade. (…) (Uma Nova Maneira de Agir, 1ª ed., pág. 155)

O amor não é uma coisa da mente; o amor não é idéia. O amor só pode existir depois de extinta a atividade do “eu”. Vós, porém, chamais essa atividade do “eu” positiva; (…) leva à destruição, à separação, à aflição, à confusão, (…). E, todavia, todos nós falamos de cooperação, de fraternidade. Basicamente, o que desejamos é ficar apegados às nossas atividades egocêntricas. (Quando o Pensamento Cessa, pág. 221)

Vemos os caminhos do intelecto: não vemos o caminho do amor. O caminho do amor não pode ser encontrado por meio do intelecto. O intelecto, com todas as suas ramificações, (…) desejos, ambições, empenhos, tem de cessar, para que o verdadeiro amor venha à existência.

Não sabeis que, quando amais, cooperais, não estais pensando em vós mesmos? Essa é a mais alta forma de inteligência (…). Onde houver direitos adquiridos, não pode haver amor; só há processo de exploração, que culmina no temor. O amor só pode começar a existir, quando a mente não existe. (…) (Quando o Pensamento Cessa, pág. 99-100)

(…) Amamos com a mente, e não com o coração; a mente pode modificar-se, o amor não; a mente pode fazer-se vulnerável, o amor não pode; a mente sempre pode retrair-se, tornar-se exclusiva, pessoal ou impessoal, o amor não pode ser comparado nem delimitado. (…) Pode a mente, cuja essência mesma é o tempo, captar o amor, que é sua própria eternidade? (Comentários sobre o Viver, 1ª ed., pág. 39)

Ninguém pode ensinar-vos a amar. Se as pessoas pudessem ser ensinadas a amar, o problema do mundo seria então muito simples, (…). Se pudéssemos aprender a amar, num livro, assim como aprendemos matemática, este nosso mundo seria uma maravilha; não haveria ódios, nem exploração, nem guerras, nem separação entre o rico e o pobre; viveríamos todos muito amigavelmente, uns com os outros. (…)

Não podeis aprender a amar, mas o que podeis fazer é observar o ódio e, mansamente, o afastardes de vós. Não batalhareis contra o ódio, (…) mas vede o ódio em sua essência própria e deixai-o extinguir-se por si mesmo. (…) (A Cultura e o Problema Humano, pág. 64)

Enquanto existir a atividade da mente, não pode, por certo, haver amor. Quando houver amor, não teremos mais problemas sociais. Mas o amor não é coisa adquirível. Pode a mente esforçar-se por adquiri-lo, como uma nova idéia (…); mas a mente não pode achar-se num “estado de amor” (…). (A Renovação da Mente, pág. 12-13)

Assim, se puderdes ver tudo isso, compreendereis que é na realidade a mente que se opõe à existência do estado criador. Uma vez cônscia do seu próprio movimento, a mente cessa. Só então pode realizar-se o estado criador; esse estado criador é a única salvação, porque ele é amor. O amor nada tem em comum com o sentimentalismo; (…) com a sensação; (…) não pode ser fabricado pela mente. A mente só é capaz de criar imagens de sensação, de experiência; e imagens não são o amor. (…) (Quando o Pensamento Cessa, pág. 175-176)

Desejais saber o que é o amor de Deus, (…). Porque não sabeis o que é amor, adorais a Deus. (…) Mas, amor a Deus é amor ao homem; temos de começar pelo amor ao homem; mas como não conhecemos este amor, voltamo-nos para certa coisa misteriosa que chamamos “Deus” e procuramos descobrir o que é amor. (…) (O Problema da Revolução Total, pág. 93-94)

(…) Você ama alguém? Este amor contém ciúme posse, dominação, apego? Então não é amor. É apenas uma forma de prazer, entretenimento. Quando há sofrimento, não pode haver amor e, portanto, nenhuma inteligência. O amor tem sua própria inteligência.

A compaixão possui sua qualidade de pura e não adulterada inteligência. Quando ela existe, opera no mundo. Esta inteligência não é resultado do pensamento; o pensamento é apenas uma pequena ocupação dela. Quando você ouve isto, vê a verdade de tudo isto – se você assim procede – o perfume, o sentimento de estar amando completamente surge, ou você volta para a velha rotina? (Mind Without Measure, pág. 28-29)

(…) Para o homem feliz, o homem que ama, não há divisões; ele não é brâmane, nem inglês, (…). Para esse homem não há divisões de “altos” e “baixos”. (…) Quando amais, tendes um sentimento de riqueza que vos perfuma a vida e estais pronto a dividir o vosso coração com outro. Quando está cheio o coração, as coisas da mente fenecem. (A Arte da Libertação, pág. 36)

Ora, que se entende por beleza, (…) por verdade? (…) Senhores, essa confiança se chama amor, afeição; e, quando amais alguém, não há diferenças, não há alto nem baixo. Quando há amor, essa chama extraordinária, então ele é a própria eternidade. (Novo Acesso à Vida, pág. 84)

Senhores, não conheceis aquele “estado de ser” íntimo, aquela interior tranqüilidade, em que floresce o amor, a bondade, a generosidade, a piedade? Aquele estado de ser, obviamente, é a essência mesma da beleza, e, sem ele, o simples decorar de nós mesmos significa dar realce aos valores (…) dos sentidos; (…) (Idem, pág. 84-85)

Ora, a velha reação procede do pensamento. (…) Porque, sem nos libertarmos do resíduo da experiência não é possível a recepção do novo. (…) Como é então possível o novo? Só é possível, quando não há mais resíduo de memória, e há resíduo quando a experiência não é completada, concluída (…) Quando a experiência é completa, não deixa resíduo algum; esta é a beleza da vida. O amor não é resíduo, o amor não é experiência – é um “estado de ser”. O amor é eternamente novo. (…) (Da Insatisfação à Felicidade, pág. 72-73)

Senhores, desenvolvemos a nossa mente, somos o que se chama “intelectuais”, e isso significa que estamos cheios de palavras, de explanações, de técnicas. Somos polemistas, sutis argumentadores e controversistas. Enchemos o coração com as coisas da mente, e eis por que nos achamos num estado de contradição. Mas o amor não é facilmente encontrável. Tendes de trabalhar muito para alcançardes. (…) Isso significa que, para alcançar o que é amor, necessita-se de autoconhecimento – não o conhecimento de Sankara, Buda ou Cristo, que se colhe em certos livros. (…) (O Homem Livre, pág. 90)

(…) Compreender as relações é compreender a mim mesmo, é fazer nascer aquela qualidade de amor na qual existe bem-estar. Se sei amar minha esposa (…) filhos ou meu próximo, sei amar a todo o mundo. Visto que não amo a ninguém, estou permanecendo apenas no nível intelectual (…) O idealista causa enfado: ama a humanidade com o cérebro, não a ama com o coração. (…) O amor só está no presente, não no tempo, (…) no futuro. Para quem ama, a eternidade é agora; porque o amor é sua própria eternidade. (A Arte da Libertação, pág. 78)

Só o amor pode transformar o mundo. Sistema algum, seja da esquerda, seja da direita, por mais sabiamente, (…) convincentemente (…) concebido, pode trazer a paz e a felicidade (…) O amor não é um ideal; ele surge onde existe o respeito e a compaixão de todos para com todos. Esse modo de ser se apresenta com a riqueza da compreensão. (O caminho da Vida, pág. 22)

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