O que é o mundo?

Inegavelmente, o universo é esplendoroso. É de uma beleza descomunal, mas se o observador não possui beleza dentro de si, não consegue vê-la fora. Eu conheço pessoas que quando vêm fotos de outros planetas e de via lácteas se perturbam e ficam nervosas. Agora, eu pergunto: porque não temos a beleza interna? Logicamente, porque somos egoístas, mesquinhos e feios, psicologicamente falando. Não conhecemos a beleza interna porque estamos escravizados ao um mundo construído pelo pensamento, que é esse mundo holográfico que conhecemos e reconhecemos [1]. Esse mundo pensamental é criado por uma espécie de pensamento estruturante, ou melhor, pensamento criador de estruturas, formas. As imagens que vemos são criações desse tipo de pensamento que escapa a nossa percepção e controle. Outra, as imagens que vemos de aparentes objetos, na verdade, não são contínuas, isto é, elas são sempre novas. É sempre uma nova imagem que está sendo gerada naquele momento. Outro tipo de pensamento que existe - e esse nos é conhecido - é o pensamento lógico-racional, o pensamento discursivo. Este é o responsável pela aparente continuidade das coisas, porque é o criador do enganador espaço-tempo físico e psicológico. Vou tentar exemplificar melhor: quando você olha para a tela do seu computador após digitar, por exemplo, um ponto de interrogação no teclado, você pensa que está vendo um objeto permanente que vai se conservar ali, como imagem, até mesmo durante a sua ausência, mas isso não é verdade. A imagem dele simplesmente deixa de existir quando não está sendo observada. A única coisa dele que continua a existir é o seu projeto pensado (memória) – um tipo de arquétipo - no mundo do pensamento estruturante. Algumas pessoas por não entenderem bem essas afirmações, tentam rebatê-la com a seguinte argumentação: se nós estamos conversando, aqui e agora, quer dizer que se eu fechar os olhos você deixará de existir? Então como é que você me responde que está presente quando, com os olhos fechados, eu lhe indago sobre sua presença? A resposta é a seguinte: só porque existe uma voz a lhe responder, isso não significa que estou presente para você, pois naquele momento, só uma voz, como resposta, passa a existir para você; porém, se você abrir os olhos e me olhar, eu passarei a existir noutra dimensão - no tridimensionalismo [2] - para você, com meu aparente corpo físico visível e palpável. Quando eu não estou sendo percebido ou pensado por você; para você eu não estou existindo fisicamente ou em imaginação [3], pois o que você vê ou sente de MIM, quando está a me observar, não passa de uma criação do pensamento estruturante através de você e para você. Uma projeção sua de minha pessoa. E se você pára de me observar e de pensar em mim, na verdade, eu-pensado só irei continuar existindo na dimensão do pensamento estruturante, mas não manifestado para você. Não perceptível para você.
 
Na verdade, O QUE SOU (a essência) está além das formas geradas e só é perceptível, sentido, quando nos libertamos da gaiola do mundo pensamental. O QUE SOU, em essência, não pode ser percebido e nem capturado pelo pensamento. O que o pensamento faz é só associar uma imagem criada por ele àquilo que SOU. Outro exemplo de argumento que as pessoas expõem, até com certo ar de gozação, é o seguinte: porque você não fecha os olhos e pega num fio de alta tensão? Amigos, a pessoa que faz uma pergunta desta, não entende que se isso lhe acontecer aos sentidos, isto é, se ela me vir sofrendo um choque elétrico, como, no exemplo em questão, tudo isso será criação do pensamento estruturante através dela e para ela. E se outras pessoas estiverem do seu lado e testemunharem o ocorrido para ela, essas pessoas, também, serão criação do pensamento estruturante através dela e para ela.  Essa coisa toda é muito semelhante a um jogo de vídeo-game, onde as imagens são geradas a cada movimento do joystick e até podem se repetir infinitas vezes. No vídeo-game todas as imagens já estão prontas e gravadas em forma de memória, mesmo que não estejam sendo expostas na tela, num dado momento. Isso é o que chamo de arquétipo, que, para este exemplo, é um modelo tridimencional (espaço-temporal).
 
O mais impressionante e enganador é que no mundo pensamental existe de tudo: deuses, demônios, pessoas, objetos, teorias, ideologias, ciências, religiões, e tudo o mais que conhecemos. Mas o mais importante de tudo isso é enxergarmos – não teoricamente, mas sim diretamente - que o mundo pensamental é uma ilusão. Todos os sábios tentaram abrir os nossos olhos para esse fato. Posso citar do Buda até o nosso contemporâneo Eckart Tolle. O Cristo sempre nos alertou para o fato de que o Reino de Deus, - depois erroneamente chamado Reino dos céus -, seria para aqueles que vencessem o adversário. Que adversário? Não seria ele o eu-ego-pensamento e seus aliados? O eu-ego-pensamento, na verdade, não passa de um soft; uma programação que foi adicionada, talvez ou por força da cultura ou intencionalmente por seres extra-situacionais maliciosos e mais espertos do que nós, à original e pura mente humana, tornando-a maculada e subjugada. Essa programação tem como objetivo principal, o de firmar em cada ser humano um falso senso de individualidade. Daí, logicamente, nasceu o egocentrismo e o egoísmo que, sem necessidade de evidências, é o todo responsável pela vida desgraçada que predomina na superfície do planeta Terra. Deus (a consciência plena), Adão (a humanidade), Eva (a ignorância-desejo), a serpente (ego-pensamento e seus aliados), o jardim do Éden (estado de plenitude do SER ou estado de comunhão com Deus) e a maçã (o poder persuasivo), todos estes são símbolos que tentam evidenciar o que foi exposto aqui neste parágrafo, isto é, a subjugação da inicialmente livre mente humana à condição de escrava de um mundo criado pelo pensamento.
 
Amigos, o ser humano só poderá conhecer o verdadeiro Deus e a verdadeira beleza, quando conhecer a si mesmo, isto é, quando desmascarar toda essa enganação que lhe foi imposta e que lhe escraviza por meio de um transe hipnótico. O Cristo já nos afirmava há 2000 anos atrás: conhecereis a verdade e ela vos libertará. O ser humano e Deus não são seres distintos.
 
________________________
[1] Eu citei o termos “reconhecemos” para evidenciar que se uma coisa é reconhecível, logicamente, ela é pertencente a dimensão da espaço-temporalidade, melhor esclarecendo, ela é memória (= pensamento) que, no fundo, é o próprio tempo, o passado morto em ação de reconhecimento, isto é, de identificação como igual, ou similar.
[2] Na verdade, a visão ótica humana não é tridimensional, mas sim, bidimensional com a ilusão de uma terceira dimensão: distância, espaço.
[3] Aqui, particularmente, com o termo imaginação estou querendo me referir à capacidade de criação de imagens pela mente humana e não à conotação de fantasia.
 
 
Um abraço.
 
 
Vinícius G A Guerra

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Concordo que vivemos num

Concordo que vivemos num mundo extremamente racional.
Não há uma uma realidade exata, uma verdade para procurar, ela simplesmente é o que é. Isso não é crença, é verdade. Ninguém pede para ser feliz, sentir bem, simplesmente sente-se. Na não procura.
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Reflexão para todos.

É do conhecimento de todos, que a consciência/intelectualizada possui condições de interpretar a realidade, simplesmente porque a realidade conhecida está contida na manifestação hominal. A consciência hominal contém o universo, daí a possibilidade da ciência/tecnologia e toda manipulação intelectual atualmente possível.
Diante deste fato, surge a pergunta: E DAÍ ?
Toda tentativa de resposta já está comprometida.
É possível a transcedência da nossa realidade ? Quem pergunta ?
A consciência/instinto pode compreender a consciência/intelectualizada ?
A consciência/intectualizada pode compreender o despertar da consciência ?

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