O fundamental não é compreendermos Krishnamurti, porém compreendermos a nós mesmos
LIVRO: O DESCOBRIMENTO DO AMOR (páginas: 188 e 189)
Autor: J. Krishnamurti
Tradução: Hugo Veloso
INTERROGANTE: Se compreendermos o que dizeis, não haverá liberdade?
KRISHNAMAURTI:MINHA SENHORA, ISSO NÃO É QUESTÃO DE COMPREENDERDES O QUE QUER QUE EU DIGA, PORÉM DE COMPREENDERDES A VÓS MESMA. O vosso EU é uma coisa viva, um movimento. Nunca é o mesmo, mas ativo, empreendedor, propulsor, mutável, jamais constante. Para olhar esse EU, penetrá-lo, compreendê-lo, vossa mente deve também ser fluida; mas não pode ser fluida se existe um padrão de acordo com o qual está funcionando. O ciúme, a inveja, a avidez, a ambição, o desejo de grandeza, de preenchimento, de evitar o desespero – todas essas coisas estão relacionadas entre si, e essa relação é criada pelo centro, o EU. O centro é memória, com seus ajustamentos, suas imagens; e esse centro é memória, com seus ajustamentos, suas imagens; e esse centro, consciente ou inconscientemente, está sempre a buscar prazer e, por conseguinte, criando dor. É o que realmente estais fazendo, é o que realmente se passa em cada um de nós. Sendo assim, não estais compreendendo a mim. O orador é apenas uma “caixa de ressonância”, inteiramente sem importância. Ele vos está indicando como deveis escutar a vós mesma; e se o souberdes fazer, podeis iniciar uma viagem eterna, uma viagem que vos levará mais alto e mais longe do que Marte. Dessa compreensão própria nasce a ordem, a virtude, a cessação do conflito; e, nesse estado, encontra-se uma grande beleza.
Saanem, 29 de julho de 1965
- Logue-se ou registre-se para poder enviar comentários
- 2061 leituras

A idade, o sexo, etc. é pouco
A idade, o sexo, etc. é pouco importante; a compreensão e a serenidade é que são muito importantes. Sem esta compreensão total e profunda da mesquinhez, da satisfação, do êxtase... é impossível a resolução do conflito, primordial e atual. E, sem o fim dos conflitos, sem a paz profunda também não pode haver a ação sem tensão, a única que faz todos os seres e pessoas felizes.E, a morte do "inimigo" conflituoso nada resolve, antes, até quando o outro, qualquer outro(a) , inimigo incluído, morre, somos nós que morremos também. Mas a morte existe e é renovação, embora descanso a mais faça mal, havendo muitos novos que morrem antes dos velhos. Vida depois da morte? Seguramente: não está isso sempre a acontecer a todo o momento por todo o lado? - J M M
É urgente a transformação interior.
Reflexão: Krishnamurti foi enfático nesta resposta, ressaltando a importância do autoconhecimento. Portanto, não é suficiente lermos seus livros e interpretá-los, procurando compreender seus ensinos. O que realmente tem importância é a nossa vida. Servirmos dos ensinos de Krishnamurti como um espelho para observarmos em cada momento nossos pensamentos, sentimentos e emoções. Não podemos apenas segui-lo e considerá-lo como um mestre, um guru. Ele mesmo asseverou várias vezes que nós somos os mestres de nós mesmos. A verdade deve ser compreendida por nós mesmos. O fundamental não é compreendermos Krishnamurti, porém compreendermos a nós mesmos. Ele não objetiva criar nenhuma religião. Cabe a nós descobrirmos por nós mesmos o que Krishnamurti está chamando nossa atenção, e a partir daí fazer novas descobertas por nós mesmos. O mesmo devemos fazer em relação aos ensinos de Jesus, Buda e outros sábios que transmitiram seus ensinos quando estiveram na Terra. É urgente fazermos uma transformação interior, eliminando as ilusões que criamos, desprendendo-nos da falsa sabedoria, para com humildade, sem orgulho, sem nenhuma vaidade, chegarmos à certeza de que nada sabemos. É de extrema importância reconhecermos que nada sabemos. Sabemos muito pouco sobre nós mesmos. É fundamental aplicarmos toda a energia que dispomos para nos conhecermos. Em muitas oportunidades Krishnamurti sugeriu categoricamente que devemos verificar por nós próprios a validade dos preconceitos, das religiões, filosofias que adotamos, nada aceitando nem mesmo o que ele dizia. Compreender Krishnamurti intelectualmente terá pouca validade. O essencial é a comprensão de nós mesmos. Podemos nos servir de seus ensinos quando comprovamos por nós mesmos a veracidade do que ele transmitiu. Quem afirmar que é discípulo de Krishnamurti, que se orienta pelos seus ensinamentos, com certeza compreendeu pouco do que ele expôs, não compreendeu o essencial. É extremamente importante fazermos a viagem interior e permitir que o amor se manifeste em nossa vida com a libertação do egoísmo. Boas reflexões. José